Na ciranda das alianças partidárias, o MDB se movimenta como um parceiro cobiçado

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão, Edivaldo Jr. e Roberto Rocha no radar do MDB

Repórter Tempo

Em meio à grande movimentação por meio da qual os partidos começam a avaliar cenários, superar dificuldades e definir rumos na direção das urnas, o MDB, que já foi a maior agremiação partidária do Maranhão, perdeu o poder e hoje se reconstrói a partir do que sobrou dos revezes, ganha corpo e se move como um parceiro cobiçado. Liderado pela ex-governadora Roseana Sarney, que é, de longe, o seu maior nome e sua principal referência, o partido não lançará candidato ao Governo do Estado, mas deve ocupar um espaço importante no campo das alianças, com o conforto de ter vários pré-candidatos de olho no poder de fogo do Grupo Sarney, que é hoje a essência do MDB no Maranhão. Contrariando previsões, o partido se abriu ao diálogo com todas as correntes políticas do estado, e mantém linha direta com diferentes pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o secretário Felipe Camarão (PT) e, de modo menos intenso, o senador Roberto Rocha (ainda sem partido, mas a caminho do PL). Esses canais estão sendo alimentados pelas lideranças do partido, em especial o deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente da agremiação.

No momento, o MDB caminha para definir o nome que apoiará para o Governo do Estado. Poderia lançar Roseana Sarney, que vem liderando as pesquisas, a exemplo da mais recente, do instituto DataIlha em parceria com a Band, na qual ela aparece na frente com 22% das intenções de voto, mas tendo como contraponto uma rejeição de 46%, o que torna inviável qualquer projeto de candidatura.

Diante dessa realidade, o partido está decidido a apoiar um candidato consolidado, podendo até mesmo participar da chapa indicando o vice, e confirmar a decisão de não lançar candidato a senador e apoiar a candidatura do governador Flávio Dino (PSB), com quem o partido vem mantendo boa convivência. Todos os pré-candidatos a governador querem o apoio do MDB, uns com mais entusiasmo, outros mais cautelosos, mas o fato é que nos QGs das pré-candidaturas as posições dominantes são no sentido de que a agremiação emedebista garante uma parceria produtiva, principalmente se o acordo político-eleitoral for bem costurado.

O vice-governador Carlos Brandão vem dialogando há tempos com o MDB, mantendo canal aberto com a própria Roseana Sarney, com o ex-governador João Alberto, os deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo e o deputado Roberto Costa, já contando com o apoio declarado dos deputados estaduais Socorro Waquim e Arnaldo Melo. Dentro do partido são muitas as vozes que defendem o apoio ao tucano. Além disso, Carlos Brandão poderá dar espaço ao partido no Governo, que comandará a partir de 2 de Abril, o que poderá marcar a volta do MDB ao poder.

O senador Weverton Rocha vem dialogando com o MDB desde as eleições municipais do ano passado, principalmente em São Luís, onde a legenda emedebista participou da aliança em torno da candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM) à Prefeitura de São Luís. De lá para cá, reuniões têm sido frequentes nessa direção, tendo a aliança com Weverton Rocha sendo defendida pelo deputado Roberto Costa. Apoiadores de Weverton Rocha apostam alto na aliança do PDT com o MDB, que nesse momento é possível, mas improvável.

Edivaldo Holanda Jr. pode vir a ter o apoio do MDB, a começar pelo fato de o seu partido, o PSD, ser controlado no Maranhão pelo deputado federal Edilázio Jr., principal articulador e apoiador do projeto de candidatura. Membro destacado de um dos ramos da Família Sarney, Edilázio Jr. está trabalhando para abrir as portas do MDB para Edivaldo Jr.. Felipe Camarão, por sua vez, tem canal aberto com a Família Sarney, e o fato de pertencer ao PT reforça uma forte ligação – que andou estremecida, mas ainda existe – dos líderes emedebistas do Maranhão com o ex-presidente Lula. A possibilidade de uma aliança com o senador Roberto Rocha é muito remota, o que torna inviável, pelo menos em princípio.

O cenário, portanto, é favorável ao MDB no sentido de que o partido possa fazer uma aliança que injete ânimo também nas eleições proporcionais. Nesse contexto, o candidato a governador que vier a receber o apoio do MDB terá um parceiro com prestígio político e um respeitável balaio de votos.

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