Luiz Alexandre Raposo: “Dilú Melo, um Expoente da Música Brasileira”

Sempre acompanhada do acordeom, Dilú percorreu o Brasil de ponta a ponta e países como o Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai e Peru.

DILÚ MELLO

Convidado Especial: Luiz Alexandre Raposo, biógrafo da artista, autor do livro “Dilú Melo, um Expoente da Música Brasileira”.

Maria de Lourdes Argolo nasceu em Viana (MA), no dia 25 de setembro de 1911. Aos cinco anos de idade iniciou seus estudos de violino, ainda na cidade natal, com os maestros Temístocles Lima e Miguel Dias.

Em 1922 mudou-se com a família para o Rio Grande do Sul e já no ano seguinte, aos doze anos, fez um concerto no famoso Teatro Colon de Buenos Aires, acompanhada pelo pianista também precoce, Angelito Martinez. Como prêmio do governo argentino, os dois receberam patrocínio para uma série de apresentações por diversas cidades daquele país. Três anos depois, em 1925, concluiu o curso de violino no Conservatório de Porto Alegre, conquistando uma medalha de ouro pela impressionante técnica adquirida.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1936, aos 25 anos, onde se formou em canto lírico. No Teatro Municipal, participou das montagens das óperas La Bohème, Um Ballo in Maschera e Vida de Jesus, mas, cativada pelas canções dos tropeiros gaúchos, decidiu abandonar sua formação clássica para dedicar-se inteiramente às músicas regionais.

Abraçando a música popular, com o nome artístico de Dilú Mello, não demorou a chamar a atenção do Maestro Martinez Grau que a levou para a Rádio Cruzeiro do Sul, surgindo daí o convite para cantar em São Paulo e gravar o primeiro disco com duas músicas de sua autoria: “Engenho D’água” e “Coco Babaçu.” Influenciada por Antenógenes Silva, comprou um acordeom e passou a  apresentar-se na então famosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro, conquistando fama em todo o país. Por ser a primeira mulher a apresentar-se, em público, tocando tal instrumento, recebeu da imprensa da época o título de “Rainha do Acordeom”.

Capa

Sempre acompanhada do acordeom, Dilú percorreu o Brasil de ponta a ponta. Países como o Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai e Peru também se renderam aos seus talentos. Na década de 1950, apresentou-se pelo continente europeu, recebendo veementes elogios da imprensa italiana e portuguesa.

Multiinstrumentista, além do acordeom e do violino, Dilú tocava piano, gaita, harpa paraguaia, violão e viola caipira. Autora de 104 canções (várias exaltando o Maranhão), teve suas músicas gravadas por grandes intérpretes, como Ademilde Fonseca, Carmem Costa, Carlos Galhardo, Cantores de Ébano, Doris Monteiro, Marlene, Nara Leão, Clara Nunes, Marinês e sua gente, Zé Ramalho e tantos outros.

Entre suas composições mais famosas destacam-se: Fiz a cama na varanda, Saudades do Maranhão, Meu Cariri, Qual o valor da sanfona, Redinha de algodão, Conceição da praia, Meu barraco, Telegrama, Maravia, Candelabro, As coisas erradas do mundo, Meia-canha, entre outras.

Em setembro de 1998, Dilú retornou ao Maranhão pela última vez, quando se tornou alvo de várias homenagens. Em São Luís, recebeu o título de cidadã honorária sãoluisense (outorgado pela Câmara Municipal), e participou do lançamento de um CD com vários de seus sucessos regravados por artistas locais como Fernando de Carvalho, Fátima Passarinho, Tutuca, Núbia Maranhão e Rogéryo du Maranhão (entre outros).

Dilú Mello faleceu no Rio de Janeiro, aos 88 anos de idade, no dia 26 de abril de 2000. Seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério do Catumbi.

Até hoje, entretanto, Dilú Mello não se tornou alvo da merecida homenagem que o Maranhão lhe deve. Passados 21 anos de seu desaparecimento, seu nome nunca foi lembrado pelos governantes para dar nome a um logradouro público, a fim de perpetuar na memória coletiva maranhense o nome dessa artista que tanto exaltou e dignificou seu torrão natal.

Por Luiz Alexandre Raposo

 (biógrafo da artista)

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