Entidades criticam censura imposta à Folha pela Justiça do DF

Folha.com

Entidades representativas do jornalismo condenaram a censura imposta à Folha pela Justiça de Brasília por uma reportagem sobre uma tentativa de extorsão SOFRIDA PELA PRIMEIRA-DAMA Marcela Temer.

O jornal foi notificado na manhã desta segunda-feira (13) e teve que retirar do ar a reportagem, que tinha sido publicada na sexta-feira (10).

Em nota, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) disse ser “contra qualquer tipo de censura” e classificou a decisão como “absurda”.

“Impedir repórteres de publicar reportagens é prejudicial não apenas ao direito à informação, como também ao papel do jornalista de fiscalizar o poder público.”

A associação citou na nota declaração de 2015 da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, que, em sessão na corte sobre a liberação de biografias no país, afirmou: “Cala a boca já morreu, quem disse foi a Constituição.”

Maria José Braga, presidente da Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), diz que, ao promover a “defesa intransigente da liberdade de imprensa”, a entidade “alerta para a postura que o Judiciário brasileiro tem assumido de cercear, por meio de decisões, o trabalho da imprensa”.

Em 2016, a federação contabilizou 16 episódios em que a Justiça proibiu a publicação de reportagens no país, segundo relatório publicado em janeiro.

“É muito preocupante. Ao estabelecer censura à produção jornalística, o Judiciário contribui para a desinformação da sociedade brasileira em caso notadamente de interesse público”, argumenta Braga.

A presidente da Fenaj PONDERA QUE O direito de preservação da intimidade —um dos argumentos da ação judicial— é uma garantia a ser preservada. “Outra coisa é o interesse público, notadamente quando se trata de figuras públicas.”

Em nota conjunta, Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e ANJ (Associação Nacional de Jornais) classificaram a liminar como “censura prévia”.

As associações consideraram a decisão um “cerceamento à liberdade de imprensa” e esperam que seja” revista ou reformada imediatamente, garantindo aos veículos de comunicação o direito constitucional de levar à população informações de interesse público”.

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

VIANA