Ex-ministros da Saúde recomendam lockdown para evitar colapso do país diante da nova escalada da Covid-19

Serra, Temporão, Padilha e Mandetta reivindicam agilidade na campanha transparente de conscientização e agilidade na aplicação de vacinas

Vítima de Covid-19 é sepultada no cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, por coveiros com equipamentos de proteção contra o coronavírus Foto: orge Hely / FramePhoto/Agência O Globo/30-5-2020

O GLOBO

RIO — José Serra (1998-2002), José Gomes Temporão (2007-2011), Alexandre Padilha (2011-2014) e Luiz Henrique Mandetta (2019-2020) comandaram o Ministério da Saúde e, à frente do cargo, conheceram os principais desafios do SUS e os esforços para criar campanhas de alcance nacional, como a vacinação. Agora, porém, veem o país caminhar a passos largos para um colapso diante da disseminação do coronavírus, que já provocou mais de 250 mil mortes desde sua chegada ao Brasil, em março do ano passado.

Serra, Temporão, Padilha e Mandetta, ministros de quatro governos distintos, defendem medidas em comum, como a necessidade de divulgar medidas de distanciamento social e fechar estabelecimentos comerciais, ao menos nas próximas semanas, para evitar um aumento descontrolado no número de internações e óbitos. Da mesma forma, condenam o presidente Jair Bolsonaro, que ainda menospreza os efeitos da pandemia e parece mais preocupado em alardear factoides, e o atual ocupante do ministério, Eduardo Pazuello, por não contestar os desmandos do Palácio do Planalto e falhar na logística da campanha da vacinação.

Alerta:  Metade dos estados brasileiros estão com taxa de ocupação acima de 80% nas UTIs para Covid-19 da rede pública

O agravamento da pandemia está levando os sistemas hospitalares de diversos estados ao colapso, assim como o SUS. O que é preciso fazer para evitar a paralisação da saúde no país?

José Serra: O Ministério da Saúde deveria estar muito mais ativo, com campanhas de conscientização, alertando a população 24 horas por dia a respeito do momento crítico e de altíssimo risco para todos. Os brasileiros sempre responderam ao chamado do Estado com responsabilidade, como na época do apagão ou da crise hídrica. Mas o Ministério parece distante e perdido. Por isso mesmo não vejo outro caminho diferente de um lockdown total de 14 dias, ao menos, para que se avalie, a partir daí, os resultados.

José Gomes Temporão: As pessoas não estão se protegendo, o distanciamento caiu drasticamente, novas cepas surgiram, as pessoas não usam máscara e se aglomeram, autoridades se omitem. A capacidade de atendimento é limitada, e se o profissional não é experiente a taxa de letalidade aumenta. Então tem que ir na raiz do problema, a circulação do vírus. Como resolve? Fechando tudo, por três semanas. Restringir horários não adianta. Todas as medidas têm que ser cumpridas: lockdown, máscara, higiene das mãos e vacinação, ampliar drasticamente o ritmo.

Alexandre Padilha: O mais importante é acelerar a vacinação, não faz sentido o Brasil estar com esse número de mortes e o sistema de saúde privado e público colapsado e o governo federal não estar acelerando as vacinas. Em segundo lugar, o ministério precisa coordenar as restrições, adaptando às realidades regionais. Não dá para adotar uma decisão única de fechamento num país heterogêneo assim. Mas, em algumas regiões, ou se faz lockdown ou será insustentável o colapso do sistema de saúde em duas semanas. E as decisões têm que ser regionais.

Luiz Henrique Mandetta: Primeiro é preciso colocar o SUS no centro da solução, ter liderança em saúde, senão vai continuar essa terra de ninguém. O segundo passo é estabelecer a velocidade de contaminação da nova cepa e simular para ver se as capitais aguentam. Se não aguentar, tem que criar mais leito, mais equipe, mais oxigênio. E vai ter que ter mais afastamento. Em alguns lugares vai ter que botar lockdown absoluto mesmo.

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O ministro Pazuello (Saúde) reconheceu a piora da situação. Não caberia ao ministério organizar uma campanha nacional de conscientização, para que os cidadãos evitem circular e, com isso, reduzir as chances de contraírem a Covid?

Serra: Se ele fosse um ministro com autonomia e tivesse liberdade para tomar as decisões necessárias e urgentes, sim. Até o momento, infelizmente, ele tem seguido o roteiro do presidente, que, já sabemos, não é o aceitável para o combate à pandemia.

Temporão: Tudo teria que vir acompanhado de uma campanha de comunicação, porque as pessoas estão perdidas. A conduta do presidente é permanente, ele tem um projeto, não se trata de omissão, ele está executando um enfrentamento da doença que levou a 250 mil mortes, e o ministro participa por omissão. As próximas semanas serão terríveis. Vai ter que vacinar todo mundo, chegar a 80% da população brasileira. São necessárias 352 milhões de doses de vacina. O cenário é o pior possível, não vamos dispor disso em prazo curto.

Nova linha de crédito da Caixa tem juros atrelados à poupança

Financiamentos serão de até 35 anos e valem para construção e reformas

Agências da Caixa abrirão neste sábado para saque do FGTS

A Caixa anunciou, hoje (25), a criação de uma nova linha de crédito imobiliário. O financiamento, que estará disponível a partir da próxima segunda-feira (1), terá taxas de juros atreladas ao percentual de rendimento da Poupança, mais um percentual que irá variar de acordo com o perfil do cliente.

As taxas efetivas partem de 3,35% ao ano, somados à remuneração adicional da poupança: 70% da taxa Selic quando esta for igual ou menor a 8,5% ao ano; ou 6,17% ao ano quando a Selic superar 8,5% ao ano. O saldo devedor do financiamento será atualizado mensalmente pela Taxa Referencial (TR). O prazo de pagamento é de 35 anos (420 meses). O financiamento será válido para aquisição de imóveis novos, usados, construção e reformas.

Inicialmente, a Caixa prevê destinar R$ 30 bilhões à nova modalidade de financiamento, batizada de Crédito Imobiliário Poupança Caixa. No entanto, o banco admite a possibilidade de ampliar esta quantia caso haja demanda.

A linha de crédito também estará disponível para clientes de outros bancos a partir de março. Os interessados poderão fazer simulações no site da Caixa ou no app Habitação Caixa, por meio do qual também é possível efetuar a negociação. Aos que optarem por ter conta no banco, é possível pedir a portabilidade.

“Temos uma posição única [para operar com] este produto”, disse o presidente do banco, Pedro Guimarães, apontando que, hoje, a instituição já conta com 145 milhões de clientes e R$ 387,6 bilhões depositados em contas poupança.

Guimarães destacou que, entre 2019 e 2020, as contratações de crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE) feitas pelo banco evoluíram de R$ 26,6 bi para R$ 53,7 bi – repetindo o crescimento superior a 100% que já tinha sido registrado entre 2018 (quando foram concedidos R$ 13,5 bi) e 2019.

Com a nova linha, a Caixa passa a oferecer quatro opções de financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE), para aquisição de imóvel novo ou usado, construção e reforma. “Os clientes com relacionamento com a Caixa têm sempre juros menores. Quanto maior o relacionamento, menor a taxa de juros”, acrescentou Guimarães, frisando que, entre servidores públicos, as taxas variam entre 4,75% e 5,15%, enquanto para trabalhadores da iniciativa privada elas variam de 4,75% a 5,35%, enquanto para quem não tenha relacionamento bancário com a Caixa, ela é de 5,39%. (Agência Brasil).

Comitê de crise da Covid orienta municípios reservarem 2ª dose

Trabalhadores da Fiocruz, de todo o Brasil, receberão vacina contra a Covid-19 pelo PNI | Reprodução

Por Lauro Jardim (OGLOBO)

Na contramão da orientação que Eduardo Pazuello deu aos prefeitos na sexta-feira passada, o Comitê de Crise, composto por técnicos do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde decidiu orientar que os municípios para que continuem a reservar as segundas doses da vacina contra a Covid-19.

Ao menos é essa a informação que já circula no grupo de WhatsApp da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP). Mas os prefeitos alertam que ainda será preciso um documento do Ministério da Saúde para que a mudança de rota se torne oficial — embora, eles já a considere como válida.

Pazuello dissera na sexta-feira a integrantes da FNP que os municípios não precisariam mais reter a metade dos lotes disponíveis até a aplicação da segunda dose do imunizante.

“Não consegui segurar as lágrimas”, diz o ex-prefeito Chico Gomes pela morte de Sebastião Furtado

O ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viana, Chico Gomes, divulgou nota de pesar lamentando a perda do amigo, conterrâneo e contemporâneo, Sebastião Furtado.

Abaixo a integra da nota:

Com profundo pesar recebi a notícia do falecimento de Sebastião Furtado.

Tenho por Sebastião uma grande admiração.

Sua história de vida é um exemplo para todos nós vianenses.

Enfrentou ao lado de Dom Hélio Campos e ele vereador os velhos tempos da ditadura.

Ele era o único Vereador eleito pelo MDB.

Um inesquecível político da nossa querida Viana.

Perdemos um grande amigo. 

Não  consegui segurar as ĺágrimas.

Adeus meu amigo Sebastião Furtado. Saudades eternas.

Que Deus conforte seu filho Bazinho e suas filhas.

FRANCISCO DE ASSIS CASTRO GOMES

Amigos vianenses lamentam a morte de José Raimundo Perna

O mês de fevereiro não está sendo fácil para a memória afetiva dos vianenses.

Zé Raimundo (Gurgo) em um momento descontraído em sua residência

Hoje, 24, mais um conterrâneo partiu para o plano celestial e deixa uma lacuna de melancolia e saudades entre os amigos que conviveram com a sua presença.

O ex-Capitão da PM do Distrito Federal, José Raimundo Perna sofreu um infarto fulminante na madrugada desta quarta feira, na sua residência, em um sítio na Estrada de São José de Ribamar.

Apaixonado pela sua terra natal, Gurgo, como era chamado carinhosamente pelos amigos sempre sonhava em mudar-se para o Maranhão, assim que se aposentasse da farda. Um amplo e acolhedor sítio, na Estrada de São José de Ribamar foi o local escolhido para seus dias de descanso.

Sua maior alegria era receber os amigos de infância para longas e animadas conversas, regadas com cerveja, música e muitas gargalhadas. “Não é fácil perder a quem amamos, fica um vazio,  um adeus constante. Tantos porquês, tantas lembranças. Você que sempre reuniu seus amigos em sua casa com tanta hospitalidade, agora só fica lembranças, meu amigo. Que Deus o receba na sua próxima morada”, escreveu em um grupo de amigos o empresário Cláudio Rocha.

Gurgo também defendeu a Seleção Vianense de Futebol, nos anos 80, deixando o seu legado no meio esportivo vianense.

A prefeitura de Viana divulgou Nota de Pesar pelo falecimento do ilustre vianense.

O Blog Vianensidades se solidariza com a família enlutada, nesse momento de dor, em especial ao amigo Paulinho Perna, advogado radicado em Brasília, pela inestimável perda.

Prefeitura de Viana recebe visita de representantes do Sebrae

Representando o Prefeito Carrinho Cidreira, a secretária de Educação, Cleyce Nunes, recebeu a visita do gerente do Escritório Regional do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) de Santa Inês, Maurício Lima, que apresentou os serviços do SEBRAE e as parcerias para cursos, oficinas e ações que podem ser realizadas no município de Viana.

Superintendente Municipal de Turismo, Jarbas Braga, também participou da reunião

Na oportunidade, Cleyce Nunes falou da importância do encontro. “Considero essa conversa inicial um grande passo para o fortalecimento da parceria e promoção de um ambiente favorável ao Desenvolvimento das Micros e Pequenas Empresas de Viana”, ressaltou a secretária.

O gerente do SEBRAE disse ainda, os serviços oferecidos, como atuação nos setores de comércio, educação, serviços e agronegócios; ações de empreendedorismo e fomento ao empreendedorismo para candidato a empreendedor e novos negócios; capacitação de fornecedores para Prefeitura, capacitação de produtores rurais para fornecimento de merenda escolar, entre outros.

A secretária reconheceu a importância dos cursos e oficinas oferecidos pelo SEBRAE e afirmou que irá se reunir com o prefeito para estudar em conjunto com as outras secretarias a melhor forma para trazer os cursos para o município, de acordo com a demanda existente com objetivo de capacitar a população e proporcionar o desenvolvimento do comércio local.

Luto. Morre o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Viana, Sebastião Furtado

São Luís – Morreu na madrugada desta quarta-feira (24), o pecuarista, ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Viana, Sebastião Furtado, por complicações causadas pela Covid-19.

Sebastião e a esposa Ceciliana lutavam por vários dias, entubados na UTI de um hospital de São Luís, para vencer a doença. Ceciliana faleceu no dia 17 deste, e agora foi o marido, deixando muita comoção e saudades entre os familiares, amigos e a sociedade vianense.

A prefeitura de Viana emitiu Nota de Pesar e decretou Luto Oficial de 3 dias pela morte Sebastião Furtado, tio do prefeito Carlos Augusto Furtado Cidreira.

O Blog transcreve abaixo uma crônica do jornalista e escritor vianense, Nonato Reis, afilhado de Sebastião Furtado, publicado no livro A Fazenda Bacazinho, que mostra a sua importância para o Ibacazinho e também para Viana.

SEBASTIÃO FURTADO, A ANDORINHA QUE FEZ VERÃO

Dizem, e isso vem da Grécia antiga, que uma andorinha só não faz verão. Sebastião da Silva Furtado, hoje com 85 anos, pegou esse postulado de Aristóteles e o refez. Agindo solitariamente, confiando apenas na força dos seus princípios, fez história em Viana. Numa época em que a voz que se ouvia era a dos quartéis e a lei que pairava sobre todos era a dos fuzis, ele deu as costas para o regime, elegeu-se vereador por dois mandatos, tornou-se presidente da Câmara Municipal e quase chegou lá, como prefeito da cidade.

Os anos 50 foram difíceis. Perplexo, o país assistiu ao suicídio de Getúlio Vargas. No Maranhão, São Luís foi palco de uma greve política sangrenta, que tentou impedir a posse do governador Eugênio Barros, eleito por força de um processo eleitoral viciado. A Baixada Maranhense padeceu com a pior estiagem de todos os tempos. Em Viana, o Igarapé do Engenho, então perene e abundante, secou e o seu leito virou estrada de carro de boi.

É nesse ambiente conturbado que o jovem Sebastião começa a escrever os capítulos mais importantes de sua vida. Conhece Ceciliana, então menina de 16 anos, e com ela decide trocar alianças. ‘Raptou’ a garota e a levou para a casa de um parente. À noite, o dono da casa tentou colocar o casal em quartos separados. Sebastião reagiu. “Eu não roubei mulher para dormir sozinho”. Pegou a moça e a levou para a casa dos pais dele que, a contragosto, tiveram que “engolir” a decisão do filho.

Trabalhou duro com o pai na roça e na pequena criação de gado. Um dia o padre Manoel Arouche, vigário de Viana, chamou Antoninho Furtado, pai de Sebastião, e fez-lhe o convite. Queria que ele cuidasse do gado da Santa (sim, nessa época, Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Viana, era uma das maiores fazendeiras da região).

Antoninho chamou o filho e disse que só aceitaria a proposta, se ele o ajudasse. Sebastião coçou a cabeça, não tinha nada a perder. “Pai, se outros toparam, por que a gente vai desistir? A gente encara e mostra que sabe fazer”. Vaqueiro da Santa, ganhou visibilidade. Em pouco tempo tornou-se presidente da Associação dos Criadores do Município.

Ele tinha um açougue no mercado municipal. O lugar era uma bagunça. O tráfico de influência predominava. Quase nunca sobrava carne para os pobres. O prefeito Lino Lopes baixou portaria regulamentando a venda do produto. Todos teriam que obedecer à ordem de chegada. Um emissário do prefeito foi direto ao balcão. Queria quatro postas de carne. “O senhor vá para a fila”, advertiu Sebastião com sua voz grave e decidida. O emissário resistiu. Estava ali a mando do prefeito, não podia ir para a fila. “Por representar o prefeito o senhor devia ser o primeiro a obedecer à ordem dele. Ou o senhor entra na fila ou não lhe atendo”.

Dom Hélio de Campos chegara a Viana para chefiar a diocese local, substituindo a Dom Hamleto de Angelis. De visão política progressista, líder por vocação, Dom Hélio percebeu o isolamento da cidade do resto do Estado. A única ligação com São Luís era feita por via marítima, em lanchas que transportavam desde manufaturas a animais e gente. As viagens eram longas e perigosas.

Dom Hélio entendeu que era preciso construir uma estrada de rodagem ligando Viana a Arari. Deu início então a uma luta inglória, que o levaria diversas vezes a São Luís e Brasília, tentando convencer as autoridades a mandar construir a estrada. Mobilizou as entidades de classe e o povo. Foi como atear fogo em canavial.

De pronto recebeu o apoio de Sebastião Furtado, então líder classista rural, e também do padre Eider Furtado, tio de Sebastião e adepto da Teoria da Libertação. “A gente começou a entupir a mesa do ministro Mário Andreazza (Transportes) de telegramas, cobrando a licitação da estrada”. Ele deve ter ficado zonzo com tanta aporrinhação”.

Dom Hélio foi a Brasília. Na Base Aérea encontrou com José Sarney e pediu-lhe apoio, que o negou. “Sarney disse que o projeto não era viável, que a Baixada era uma região pobre”. Dom Hélio não desistiu, percorreu a esplanada dos ministérios, solicitou audiências. Em São Luís pediu o apoio do governador da época, que também o negou. A luta prosseguiu até que o Estado, vencido, decidiu abrir licitação e assinar a ordem de serviço.

À frente de uma comissão, Sebastião Furtado veio a São Luís assistir ao desfecho do processo licitatório no DER/MA. O grupo se alojou no Seminário Santo Antônio, onde confeccionou faixas e cartazes. Na volta a Viana, encontraram a cidade em festa. Uma multidão retirou Sebastião do ônibus e o carregou nos braços, agradecida. “Foi uma emoção enorme. Jamais esqueci”.

A conquista da rodovia deu-lhe visibilidade. Em 1972 Dom Hélio o chamou para comunicar que ele seria o candidato da Igreja e dos trabalhadores rurais à Câmara Municipal. “Mas como? Eu não entendo nada desse negócio de política!”. A decisão estava tomada. A igreja jamais se envolveu abertamente na campanha, mas ele recebeu o apoio em massa do sindicato de trabalhadores rurais e, concorrendo pelo MDB, elegeu-se único vereador de oposição.

Começava a jornada solitária da água contra o rochedo. Combateu a gestão de Walber Duailibe do começo ao fim. Na Câmara, que tinha 9 vereadores, o placar a favor do prefeito era vergonhoso: 8 a 1. Mesmo assim, articulou e conseguiu o cargo de secretário geral da Mesa, que na hierarquia do parlamento é o segundo em importância.

Seu primeiro projeto restabeleceu a dignidade da Câmara, ao transferir a sede do Parlamento, alojada no prédio da prefeitura, para outro imóvel. “Era um absurdo a Câmara funcionar ao lado do gabinete do prefeito, como um biombo”. O prefeito não queria o projeto, mas Sebastião, mesmo sozinho, articulou com os colegas de ofício e sua proposição foi aprovada por unanimidade.

Também apresentou projetos para a construção de escolas em duas localidades. O prefeito, dessa vez, agiu rápido e a Câmara rejeitou as matérias. Sebastião não se deu por vencido. Fez reuniões com as comunidades beneficiadas pelos projetos e, em sistema de mutirão, ergueu as duas escolas em barro e palhas de babaçu. Os salários dos professores pagava com recursos próprios, isso numa época em que os vereadores não possuíam remuneração.

Em 1976 concorreu à reeleição e ganhou. Na hora de montar a chapa da Mesa Diretora, aplicou um golpe de mestre. Havia dois grupos com igual número de vereadores disputando a presidência, um ligado ao prefeito eleito e o outro, ao candidato derrotado. Era o fiel da balança. Para qualquer lado que pendesse, levaria a eleição. Foi assediado pelos dois grupos e para todos repetiu a mesma história: seria candidato de si mesmo. Na última hora o prefeito o procurou e aceitou que figurasse na cabeça da chapa. Tornou-se assim presidente da Câmara, sem pertencer a grupo algum.

Era o tempo das baionetas e o verde-oliva metia medo. Um dia recebeu a visita de um coronal do Exército, que veio de Fortaleza com a missão de fazer aprovar um projeto de interesse do bispo Dom Adalberto. Sem meias palavras ordenou que Sebastião aprovasse a matéria. “Quem aprova ou rejeita são os vereadores, não o presidente”. O militar não quis saber, queria o projeto aprovado por ele e ponto. “Então o senhor faça aprovar um projeto que dê essa prerrogativa ao presidente”, rebateu.

Em 1982, lançou-se candidato a prefeito, enfrentando duas forças exponenciais. Teve quase 3.000 votos. O eleito recebeu pouco mais de 4.000. “Perdi porque não tinha apoio político nem material, mas o povo me apoiou”. Deixou a política e foi cuidar da vida. No dia em que completou 80 anos, comemorou a data ao lado da família e dos amigos. Eu quis saber o que passa pela cabeça de quem chega a essa idade, lúcido e admirado. “Dá vontade de ser eterno, de gozar a vida e jamais morrer”. A história tem a capacidade de imortalizar seus personagens.

Foto capturada do livro “Histórias da minha vida” de Sebastião Furtado, em processo de edição.