Greves deixam Temer cada vez mais “isolado e detestado”, diz Le Monde

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (31) traz uma reportagem sobre as greves que paralisam o Brasil.

O texto começa explicando que “em qualquer país produtor de petróleo, a alta vertiginosa do preço do barril normalmente seria vista como uma benção“. Mas no caso do Brasil, e de seu impopular Michel Temer, essa alta é vivida como uma tragédia, “capaz de desestabilizar a democracia”.

“Apoiados pela população, os caminhoneiros criticam a nova política de preços praticada pela Petrobras, que decidiu revender o produto aos brasileiros seguindo as evoluções do mercado mundial”, explica a correspondente. Ela relata que, há dez dias, os caminhoneiros bloqueiam as estradas por onde passam comida, medicamentos e combustível”, e que, com os postos de gasolina vazios, escolas foram fechadas, supermercados estão desabastecidos e os hospitais foram obrigados a restringir seus serviços às operações de urgência.

Mas além do impacto social, a greve ganhou ares políticos, com os slogans dos sindicalistas sendo substituídos por gritos de “Fora Temer”, analisa Le Monde. Além disso, comenta a reportagem, são cada vez mais frequentes os pedidos de intervenção militar. “Uma espécie de reprise do golpe militar de 1964, que agrada a extrema-direita brasileira, principalmente seu chefe, Jair Bolsonaro”, aponta o jornal.

Bolsonaro “virou a casaca”

No entanto, pondera Le Monde, os militares não parecem interessados em tomar o poder, e dizem que uma intervenção militar “é coisa do passado”, como declarou o general Sérgio Etchegoyen, citado pela vespertino. Além disso, continua o texto, o próprio Bolsonaro, que apoiava os grevistas, “virou a casaca” e pede o fim do movimento, alegando que o caos atual não é uma boa coisa para os brasileiros. Mesmo assim, relato o jornal, 87% da população apoia o movimento de greve, segundo uma pesquisa de opinião divulgada na quarta-feira e mencionadas pelo Le Monde.

Além disso, do ponto de vista político, a mobilização acabou reunindo extrema-direita e esquerda radical, que encontraram como ponto em comum o fato de odiarem Michel Temer, explica o texto. Diante da situação, o chefe de Estado cada vez mais “isolado e detestado”, não sabe o que fazer, conta a reportagem. A tal ponto que, durante uma cerimônia em Brasília, o presidente disse que, “se Deus quiser”, as coisas vão melhorar, quase como se esperasse um milagre, conclui a correspondente do jornal Le Monde. 

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