Eleições: por que Viana precisa de Carrinho Cidreira

Por Nonato Reis*

Anos atrás fui assistir à chegada do ano novo em Cerro Corá, uma cidadezinha do Rio Grande do Norte, edificada no alto de uma serra, em pleno sertão nordestino, onde a temperatura, no final da tarde, faz bater queixo. Logo na entrada da cidade me deparei com um cenário de coisas organizadas. Ruas limpas e arborizadas, trânsito sinalizado. Placas de obras por toda parte.

Mais tarde, já alojado na casa de um amigo, fui apresentado ao prefeito da cidade, que participava ali de uma reunião comemorativa. De cara lhe dei os parabéns pela bela gestão. Ele, meio que desconfiado, indagou-me. “Como você sabe que a minha administração é boa? Quem te falou isso?” Eu respondi: “Ninguém. Pude observar com os próprios olhos, ao chegar aqui”.

Faço este resgate para reforçar a tese de que a administração pública se impõe por si mesma. Não precisa de estatísticas, nem de imagens ou textos cuidadosamente elaborados. Se boa, salta aos olhos. Se ruim, também. Está ali diante dos olhos, à vista de todos: nas ruas bem calçadas, nas unidades de saúde eficientes, nos equipamentos públicos preservados; ou, de outro plano: nos buracos e lixos que infestam a paisagem urbana, no trânsito promíscuo, no nível de desagrado da opinião pública.

Viana, na Baixada Maranhense, é uma cidade histórica, com quase três séculos de fundação, a quarta mais velha do Maranhão. Com essa credencial devia ser um modelo de gestão pública, com fortes investimentos em turismo, especialmente. Mas não é o que se vê. Quem chega à cidade e se depara com o estado deficitário de suas ruas e avenidas, lixo amontoado por toda parte, lama e esgotos escorrendo pelas sarjetas, trânsito amalucado, sabe logo que ali o poder público faliu.

E não é de hoje que isso acontece. Desde que me entendo por gente, a cidade amarga uma safra de prefeitos abaixo da média. Fora dessa linha, eu destacaria o Daniel Gomes, pelo volume de obras; Messias (em seu primeiro mandato), pelo avanço em saneamento e educação; e, mais recentemente, Chico Gomes, que apesar de ter feito um governo de reconstrução, não foi reconhecido pelo eleitor, ao reivindicar um segundo mandato.

Infelizmente, entra e sai prefeito e a cidade fica pior. Já houve até o caso pitoresco de um prefeito que se reelegeu enaltecendo a própria deficiência. Sua logomarca de campanha era um tatu, em alusão à multiplicidade de buracos que infestavam as ruas.

Hoje, quando se chega às vésperas de uma nova eleição, a necessidade de o eleitor escolher um bom gestor para a cidade salta aos olhos. E se as urnas confirmarem o prognóstico das pesquisas e a tendência das ruas, Carrinho Cidreira deve ser o próximo prefeito de Viana. Não apenas mais um prefeito, para engrossar as estatísticas, mas alguém que possa, finalmente, virar essa página triste de abandono em que a cidade se debate há décadas.

Carrinho já disputou eleições de prefeito duas vezes e perdeu. Nesta, porém, tem chances reais de ganhar. Foi vereador três vezes e também vice-prefeito. Secretário de educação duas vezes; também secretário de saúde. Por onde passou deixou uma marca de competência e correção na aplicação dos recursos públicos. Torço para que o eleitor finalmente o abrace como um patrimônio seu. Porque já se errou demais em Viana. E quando o eleitor faz uma escolha equivocada, é a cidade e os seus habitantes que pagam o pato.

*Jornalista | Escritor

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