Sonolência eleitoral

As restrições impostas pela nova legislação eleitoral garroteiam a mobilidade dos candidatos a prefeito e a vereador. A série de proibições acostadas nos diversos itens exige cautela por parte dos concorrentes.

Qualquer vacilo pode resultar em dura penalização.

Dessa forma, há um freio legal que na ponta do embate termina por engessar a campanha eleitoral. Por isso, é previsível que alguns dos contendores acabem saindo dos limites da lei, dada a ânsia em se destacar dos demais ou por causa do ímpeto irrefreável em atacar ou desancar seus oponentes.

Na tentativa de fazer do combate eleitoral uma disputa mais equânime ou menos desigual, a legislação pesa a mão e cada vez mais vem limitando a festa da democracia com seus tentáculos, que não raro, contraditoriamente, abrem brechas para interpretações equivocadas e, ao fim, deixa o ringue insosso, não dando aos lutadores a liberdade para mostrar todos os seus dotes no confronto com os oponentes, o que obviamente leva a plateia à sonolência e ao tédio.

Mas não há o que se fazer. O jeito é se adequar ao processo e se policiar para não cometer uma ação intempestiva ou qualquer coisa que a lei considera excesso e, por isso, sujeita a punição. Assim, com o rigor da legislação a postos, há uma expectativa quanto à animação, ou não, no período de caça ao voto.

Talvez o retorno dos velhos palanques, anteriores aos que depois passaram a ter apresentações de grandes artistas e respetiva parafernália musical, com o recurso hoje quase exclusivo do gogó e da capacidade dos candidatos em encantar os ouvintes, quem sabe a campanha não atraia multidões?

(Jotônio Vianna – Jornal Pequeno)

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