SALVE PAVILHÃO RIDENTE

Lembro que refleti várias vezes, quando menino e ainda morando em Viana, sobre os últimos versos do hino vianense que exaltavam nossa bandeira. A primeira questão, impulsionada pela curiosidade, foi descobrir o significado da palavra “ridente.” E como não existia computador nem internet naquele tempo, o jeito era apelar para o velho dicionário, o chamado “pai dos burros”.

Assim descobri que ridente significava alegre, sorridente, vibrante! Mas sempre que entoava o hino antes das aulas, juntamente com a turma enfileirada no corredor assoalhado da extinta Escola Paroquial, o verso seguinte “de lindas cores brilhantes me causava mais estranheza ainda: como alguém poderia achar que a bandeira de Viana, até então conhecida, poderia ter cores brilhantes? E muito menos ser uma bandeira alegre, sorridente?

Na verdade, achava a bandeira triste e sem nenhum brilho. A junção daquelas duas listras de um azul desbotado e um branco sem graça causava-me uma impressão quase fúnebre, certamente instigada pela imagem dos caixões que usavam antigamente para sepultar os falecidos, cujos forros eram de seda com aquelas mesmas cores e tonalidades.

Somente quase cinquenta anos depois é que pude entender e concordar com os versos entusiasmados de Amâncio de Aquino, o autor da letra do hino vianense. Foi quando, em 2009, tive o grande prazer de divulgar no jornal O Renascer Vianense, a descoberta da Lei n°112/1919, fruto do trabalho de pesquisa do escritor Carlos Gaspar, membro da Academia Vianense de Letras.

Tal achado tornou-se um furo jornalístico, haja vista tratar-se da recuperação da verdadeira identidade da bandeira de Viana, o símbolo maior do município. Além de explicitar os significados das cores da bandeira, a lei n°112/1919 indicava que existia uma terceira listra de cor verde, esquecida durante décadas pelos vianenses. E de quebra, ainda restaurava a tonalidade da listra de cor azul, a qual se referia ao céu, portanto, azul celestial. Em síntese: a bandeira vianense era tricolor e completamente diferente daquela que, durante quase seis décadas, foi hasteada nas cerimônias cívicas da cidade.

Com certeza, a partir de então e principalmente agora quando se comemora um centenário de sua criação, a juventude vianense pode olhar para sua bandeira e com o peito estufado de orgulho, saudá-la delirante: Salve pavilhão ridente/ De lindas cores brilhantes!..

Por Luiz Alexandre Raposo (da Academia Vianense de Letras)

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