Viana-MA, na Baixada Maranhense, desperta para o turismo ecológico

Com um majestoso lago de água doce, um rico patrimônio histórico e inúmeras belezas naturais, a Cidade dos Lagos entra na rota do turismo sustentável.

ADEUS, VIANA

Adeus, Viana vou partir vou te deixar.

Comigo vai, a saudade em teu lugar.

Adeus, Viana, terra querida, eu hei de ti amar por toda vida.

Na partida um lenço branco acenava,

Como as águas do teu lago a balançar.

Viana, Viana eu hei de ti amar por toda vida.

Adeus, Viana vou partir vou te deixar

Comigo vai a saudade em teu lugar,

Adeus, Viana, terra querida, miragem dos teus olhos a rolar.

Autor: Carlos Nina Everton Cutrim

Viana – O crescimento populacional, a melhoria da infraestrutura viária, o aumento da rede hoteleira, de restaurantes e a conscientização dos próprios vianenses de que é preciso curtir, valorizar e manter esse rico patrimônio natural, está contribuindo para a descoberta pelos munícipes dessa modalidade de turismo, que protege a natureza, traz benefícios para a comunidade e ajuda a preservar sua cultura.

A Baixada é o maior conjunto de lagos e lagoas naturais do Nordeste, e, marca, junto ao Golfão Maranhense (Ilha de São Luís e municípios circunvizinhos), o encontro entre os ecossistemas amazônicos e a mata dos cocais ou de transição.

É nesse cenário que se situa a bela cidade histórica de Viana, que ostenta um casario colonial preservado, vielas e igrejas à beira do lago, e que tem despertado a rota turística estadual e nacional, cujos apreciadores estão encantados com o majestoso lago vianense.

O que se tratava apenas de válvula de escape para passeios lacustres ou pescarias de lazer, durante as cheias do Rosário de Lagos do Maracu, agora atraem visitantes de todo o país, com lanchas, motos aquáticas e, por conseguinte, a tímida, mas promissora profissionalização do setor turístico e de eventos.

Nos finais de semana, entre os meses de março até o final de maio, portanto, é possível observar dezenas de embarcações nas principais áreas de passeio, entre elas, o Lago do Aquirí, no Povoado Santaninha – Matinha-MA, e também em frente ao Morro do Mocoroca, com vista para a sede de Viana – um convite para um banho em suas águas limpas e transparentes.

A empresária vianense, Dirce Costa, produtora de eventos, recentemente montou uma empresa que pretende explorar esse filão logístico, que é organizar passeios no Lago de Viana, de forma sustentável, com treinamento e oferta de serviços mais atraentes à população local, visitantes e turistas.

“Viver esses momentos é simplesmente encantador, com tanta beleza que a nossa natureza nos proporciona gratuitamente. Mas, é necessário “empreender” no Turismo de Viana, para isso, precisamos oferecer uma prestação de serviços com qualidade, conforto, e segurança. Observando com olhos profissionais, resolvi abraçar a ideia de oferecer os meus trabalhos junto a Empresa DC turismo e eventos. Trabalhamos com três tipos de pacotes e estamos divulgando essas novidades ao nosso público alvo”, concluiu Dirce.

No último sábado (7), a Rádio Maracu AM, a TV Maracu, afilada a TV Meio Norte, realizou um longo passeio entre amigos, empresários e políticos vianenses. A troupe percorreu a imensidão dos campos alagados, protegidos por coletes, ao som da Banda Vadia (instrumental); enquanto eram servidos bebidas, quitutes e os visitantes trocavam impressões sobre as belezas naturais e colocavam o papo em dia.

O evento – produzido pela DC Eventos e Turismo-, foi uma iniciativa do empresário Benito Filho e do advogado Ezequiel Gomes, comandantes do Sistema de Comunicação, e contou com presenças ilustres, entre eles, os irmãos Carlos Gaspar – empresário e membro da Academia Vianense de Letras, Antonio Gaspar – empresário e ex-deputado federal, Raimundo Gaspar – empresário, Hélio Mendes, empresário, proprietário do Hospital São Domingos, em São Luís, Emanoel Travassos – médico e ex-prefeito de Matinha, dentre outros.

Pelo encantamento e pelos depoimentos abaixo, fica a certeza de que Viana e a Baixada Maranhense possuem todos os qualitativos para virar uma nova e surpreendente rota para o turismo ecológico, despertando o olhar do mundo para a preservação, contemplação e a geração de empregos e renda em uma das regiões mais carentes do Maranhão.

ASSISTA AO VÍDEO:

 

O PANTANAL MARANHENSE

Compreende a região chamada de Baixada Maranhense. A Baixada Maranhense é merecedora de fazer parte da seleta lista da Convenção sobre Zonas Úmidas (RAMSAR) como uma das áreas úmidas de relevância planetária.

Não é para menos, esta região fluvio-lacustre-marítima que reúne campos naturais, resquícios de  matas amazônicas e pré-amazônicas, mata dos cocais, cerrados,  babaçuais, lagos, rios, estuários e manguezais se espalha por vários municípios maranhenses e tem atrativos naturais sem igual como a pororoca do Rio Mearim (Arari), onde há campeonatos de surf; o Lago-Açu (Conceição do Lago Açu) – considerado um dos maiores lagos naturais de água doce do Brasil; a Reserva Florestal Paraíso (Monção) – uma mata amazônica remanescente de terra firme preservada com trilhas e lagos e as fantásticas Ilhas flutuantes do Lago Formoso (Penalva).

Os inúmeros lagos alimentados por rios e igarapés extravasam na época das chuvas e inundam boa parte dos campos naturais e matas, formando várzeas e igapós que se assemelham às da Bacia Amazônica, à Ilha do Marajó e ao Pantanal Mato-Grossense. (Com informações do portal http://www.maramazon.com).

 

 

BAIXADA MARANHENSE*

No paraíso ecológico da Baixada Maranhense, a riqueza da flora rivaliza com a da fauna, num maravilhoso ecossistema que por si só já é um louvor ao criador.

O luar se assemelha a um manto de prata, e o alvorecer é a ratificação do Gênese.

E nem se pode dizer o que é mais bonito, se o tapete azul do pajé florido, o rosado matinal das flores de algodão bravo ou o revoar das muitas coloridas aves.

Essa é a nossa Baixada do Maranhão, um lindo jardim onde Deus apresenta todo dia um recital ao amanhecer com sua orquestra de trinados.

E à tardinha, pinta em variadas e ricas nuances de dourado, vermelho, rosa, laranja e violeta, a sua enorme aquarela intitulada “Por do sol”.

Autora: *Gracilene Pinto (Extraído do livro Ecos da Baixada)

Fotos gentilmente cedidas por Dirce Costa, Eládio Pinheiro e Geraldo Costa

Cinco municípios estão em estado de emergência por conta das chuvas no MA

Os municípios de Marajá do Sena, Presidente Vargas, Brejo, Pedreiras e Trizidela do Vale estão em estado de emergência. Até o momento, 400 famílias estão desabrigadas por contas das chuvas.

Chuvas deixam desabrigados no município de Tuntum (MA). (Foto: Divulgação/Paulino Silva)

Por G1-MA

Por conta do grande volume de chuvas que atinge o Maranhão nos últimos dias, cinco municípios declararam estado de emergência. Os municípios de Marajá do Sena, Presidente Vargas, Brejo, Pedreiras e Trizidela do Vale estão sendo monitorados pela Defesa Civil Estadual. Até o momento, 400 famílias estão desabrigadas por conta dos riscos causados pela chuva.

O nível dos rios Itapecuru e Mearim, os dois principais rios do estado chegaram a subir quase cinco metros acima do nível normal. Segundo o Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), tem chovido acima da média neste mês e a previsão é que ocorram mais chuvas fortes até o fim de abril.

A média histórica de chuvas no mês de abril é de 476 milímetros, e de acordo com a meteorologia, a previsão é que este número seja ultrapassado. A expectativa é que somente a partir dos meses de maio, junho e julho é que tenha uma diminuição no volume de chuvas.

Estragos causados pela chuva no estado

As chuvas causaram estragos no município de Estreito, a 750 km de São Luís. Nesta quinta-feira (12), o cemitério municipal amanheceu debaixo de água. Os túmulos foram praticamente encobertos com água que caiu durante a madrugada na região.

Cemitério municipal de Estreito amanheceu embaixo d’água. (Foto: Divulgação / TV Mirante)

Na última terça-feira (10), as fortes chuvas que caíram no estado provocaram uma enchente no município de Tuntum, a 365 km de São Luís. Ruas, avenidas e casas ficaram completamente alagadas obrigando centenas de moradores a deixarem o local.

A enchente foi causada pelo transbordamento do Riacho Tuntum que cruza a cidade. Os moradores dos bairros Ana Isabel, Vila Mata, Tuntum de Cima e Residencial Maria Helena estão entre os bairros mais prejudicados com os alagamentos.

Moradores tentam salvar alguns objetos de casas que ficaram alagadas no município de Tuntum (MA). (Foto: Divulgação/Paulino Silva)

O km 300 da BR-135, próximo a Presidente Dutra foi destruído pela chuva, o que comprometeu o trânsito no local. Por conta do alagamento, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sinalizou dois desvios para facilitar o tráfego na área. Os motoristas que precisam passar pelo local, devem seguir pelo desvio que começa no município de São Mateus e termina em Caxias, outro desvio também começa em São Mateus e segue até Governador Eugênio de Barros.

Senado aprova proposta que permite saque do FGTS a quem pede demissão

 

O trabalhador que pedir demissão está mais perto de poder sacar integralmente o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Um projeto de lei do Senado com esse objetivo, o PLS 392/2016, foi aprovado nesta quarta-feira, 11, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da Casa.

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Como o projeto foi apreciado em caráter terminativo, caso não haja apresentação de recurso para análise do tema no plenário da Casa, o texto seguirá diretamente para apreciação na Câmara dos Deputados.

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já prevê o resgate de 80% do FGTS em casos de demissão por acordo entre patrão e empregado.

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Para o relator da máteria na CAS, senador Paulo Paim (PT-RS), este é um passo a mais rumo à “correção de uma distorção histórica” na legislação que trata do FGTS, que buscava restringir o acesso a esses recursos que são do trabalhador.

AGÊNCIA BRASIL

Pelo menos 13 deputados estaduais trocam de legenda durante a janela partidária

Levantamento é da própria Assembleia Legislativa do Maranhão. Prazo terminou na semana passada, mas partidos têm até esta sexta-feira 13 para comunicar novos filiados ao TSE

Levantamento divulgado pela própria Assembleia Legislativa do Maranhão mostra que, pelo menos, 13 deputados estaduais aproveitaram o período conhecido como janela partidária para mudar de partido — período de 30 dias, previsto em lei, em que parlamentes podem mudar de partido sem a possibilidade de perder o mandato por infidelidade partidária.

O prazo da janela partidária terminou na semana passada, dia 6, mas os partidos têm até esta sexta-feira 13 para comunicar os novos filiados à Justiça Eleitoral. A lista com todos os filiados em cada partido deverá ser divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 18 deste mês. A filiação partidária é um dos requisitos para o registro de candidatura para a eleição.

Enquanto isso, o Palácio Manuel Beckman mantém um balanço parcial das mudanças informadas diretamente à Casa legislativa.

Perdas e ganhos

Segundo o levantamento, o PSDB, do senador Roberto Rocha, e o PV, do ex-ministro Sarney Filho, foram os partidos que mais tiveram debandada de deputados estaduais durante o período: dois em cada legenda.

O PSD, PHS, PEN, PSL, PSDC, PP, PSB, Pros e MDB, da ex-governadora Roseana Sarney, tiveram a perda de um parlamentar, cada.

Por outro lado, o DEM e o PSDB foram as siglas que mais receberam filiações. Foram pelo menos três deputados em cada sigla. O PRP ganhou dois parlamentes. Já as legendas PV, PSD, PP, PRB ganharam um deputado, cada. O PCdoB, partido do governador Flávio Dino, também registrou apenas uma nova filiação, mas suficiente para manter-se com a maior bancada na Casa.

Abaixo, por ordem alfabética, a lista dos deputados que trocaram de partido:

1 – Alexandre Almeida (saiu do PSD, entrou no PSDB)

2 – Andrea Murad (saiu do MDB, entrou no PRP)

3 – Carlinhos Florêncio (saiu do PHS, entrou no PCdoB)

4 – César Pires (saiu do PEN, entrou no PV)

5 – Edilázio Júnior (saiu do PV, entrou no PSD)

6 – Graça Paz (saiu do PSL, entrou no PSDB)

7 – Hemetério Weba (saiu do PV, entrou no PP)

8 – Neto Evangelista (saiu do PSDB, entrou no DEM)

9 – Paulo Neto (saiu do PSDC, entrou no DEM)

10 – Rogério Cafeteira (saiu do PSB, entrou no DEM)

11 – Sérgio Frota (saiu do PSDB, entrou no PRB)

12 – Sousa Neto (saiu do Pros, entrou no PRP)

13 – Wellington do Curso (saiu do PP, entrou no PSDB)

Via Blog Atual7

A Baixada e a Praia Grande

por Chico Gomes*

Historicamente, o território da Baixada Maranhense foi palco de um enredo formado por brancos europeus colonizadores, negros africanos e índios nativos ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nessa microrregião eram geradas riquezas oriundas da produção do algodão, da cana-de-açúcar, do arroz, da farinha de mandioca, da pecuária, do extrativismo do babaçu etc., comercializadas na Capital e destinadas ao consumo interno e à exportação para a Europa, principalmente do açúcar e do algodão.

A Baixada Maranhense contribuiu decisivamente para conduzir o Maranhão ao segundo lugar nacional na produção de algodão e uma das províncias mais prósperas do nosso país, ombreada com Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

A fartura proveniente da nossa região impulsionou a construção dos suntuosos casarões de até quatro pavimentos, que serviam de residência para as famílias abastadas (fazendeiros da Baixada e ricos comerciantes de São Luís) e abrigavam os pontos comerciais da Praia Grande.

As embarcações que transportavam as nossas mercadorias para a Europa, traziam, no seu retorno a São Luís, lastros de pedras de cantaria e azulejos portugueses, os quais até hoje adornam as calçadas e fachadas dos sobrados desse cenário urbano e arquitetônico que vivenciou períodos áureos de progresso e opulência.

Todo o lucro obtido com a produção e o comércio permanecia concentrado nas mãos de uma aristocracia formada por fazendeiros e grandes comerciantes da Praia Grande. Os seus filhos estudavam nas melhores escolas da Europa ou nos centros mais desenvolvidos do nosso país – a Bahia e o Rio de Janeiro.

Como em todo o Brasil, na Baixada também os escravos africanos constituíram a base de sustentação da economia colonial e imperial. Sem o auxílio de máquinas e exaurindo a força dos seus braços, com jornadas de doze a quinze horas por dia, a vida útil de trabalho de um escravo durava de dez a quinze anos. Na Cafua das Mercês, na Praia Grande, funcionava o mercado de venda dos cativos procedentes da África e que abastecia com mão de obra graciosa as fazendas da Baixada e de outras regiões do Estado.

Na segunda metade do século XIX, os negros escravizados nas fazendas da Baixada, não suportando mais o perverso regime a que foram subjugados por séculos, promoveram diversas rebeliões, segundo relatos da professora e pesquisadora Mundinha Araujo, no seu brilhante livro “A Insurreição dos Escravos em Viana – 1867”.

Após essa sublevação libertária e de resistência à opressão escravagista, irradiada por toda a Baixada, os quilombos se multiplicaram e a economia baixadeira começou a estagnar. Vinte e um anos depois, com o advento da Lei Áurea, que aboliu o regime escravocrata de 350 anos (o mais longo da história das Américas), a atividade produtiva da Baixada entrou em decadência.

O declínio econômico da Baixada provocou a ruína do faustoso comércio da Praia Grande e o abandono dos luxuosos sobrados pelos seus moradores, que se deslocaram em sua maioria para o Rio de Janeiro.

Desde a época colonial até os tempos hodiernos, São Luís sempre foi vocacionada para o mercado externo, por meio de seus portos. Nos tempos da colonização, a maioria dos artigos exportados era produzido no continente, notadamente na Baixada, daí a conclusão de que o comércio da Praia Grande floresceu e conheceu o seu apogeu por força da pujança econômica da Baixada Maranhense.

Os barcos a vela realizavam a travessia para a Capital do Estado, atracando nos armazéns e de lá retornando com as mercadorias de consumo para abastecer as fazendas e o comércio da Baixada. A decadência de uma provocou a derrocada da outra.

Com o passar dos anos, a Praia Grande passou a ser identificada como o Centro Histórico de São Luís e, em dezembro de 1997, por reconhecimento da UNESCO, foi tombada como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Hoje, nós baixadeiros, reconhecemos e reivindicamos que, antes de ser patrimônio da humanidade, o Centro Histórico de São Luís é o patrimônio do trabalho, do suor e do sangue do povo da Baixada Maranhense. Tributamos grande respeito e amor a São Luís, essa querida cidade que nos acolheu de braços abertos e que continua imbricada às nossas vidas e à nossa região de origem. Veneramos a Baixada, nossa terra, nossa gente, nosso gentílico baixadeiro, sua cultura, suas tradições, sua beleza esplendorosa, seus encantos, sua imponência natural espelhada nos seus rios, lagos e campos coloridos de flores e habitados por diversificadas espécies de peixes, pássaros e outros animais silvestres.

O Brasil e o Maranhão têm uma grande dívida para com a Baixada. E especialmente para com a nossa gente laboriosa, nossa nação baixadeira, que produziu riquezas no passado e foi abandonada pelo Poder Público no presente. Urge resgatarmos o nosso legado histórico para que a Baixada volte a ser o celeiro do Maranhão e o melhor lugar para se viver. Estamos na luta para suplantar esse colossal desafio e, com certeza, os “Ecos da Baixada Maranhense” serão ouvidos e hão de conquistar a mais ampla repercussão.

Chico Gomes – Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viana.

O Pacote de Abril de 1977

Por Flávio Braga*

O Pacote de Abril de 1977 foi a designação conferida pela imprensa nacional a um conjunto de medidas legislativas (uma emenda constitucional e seis decretos-leis) impostas de forma autoritária pelo presidente Ernesto Geisel em abril de 1977. A edição dessas normas representou um retrocesso no processo de distensão política instituído pelo próprio Geisel e celebrizado pela expressão “abertura lenta, gradual e segura”.

O decreto-lei era uma espécie normativa que emanava do Poder Executivo com força de lei. No Brasil, o decreto-lei foi empregado abusivamente no Estado Novo e no Regime Militar. Com o advento da Constituição de 1988, essa figura jurídica foi abolida do âmbito do processo legislativo pátrio. Na prática, foi substituído pela medida provisória, embora os dois institutos ostentem diferenças substanciais.

O Pacote de Abril impôs modificações expressivas ao processo eleitoral de 1978. O País vivia sob a égide do bipartidarismo, sistema antidemocrático instituído em 1965, por meio do Ato Institucional nº 2 e que só admitia a existência de dois partidos políticos: o partido governista (ARENA) e o partido oposicionista (MDB). O pluripartidarismo só foi restabelecido em nosso ordenamento jurídico em 20 de dezembro de 1979, mediante a edição da Lei nº 6.767/1979.

O governo militar temia sair completamente desidratado do pleito de 1978, visto que sofrera fragorosa derrota nas eleições legislativas de 1974 (na qual o MDB conquistou 16 das 22 cadeiras para senador) e nas eleições municipais de 1976.

Nessa esteira, o pacote de Abril introduziu as seguintes reformas: fechamento do Congresso Nacional, conforme permitia o AI-5; extensão do mandato presidencial de cinco para seis anos; manutenção das eleições indiretas para os governos estaduais em 1978; aumento da representação dos estados menos populosos na Câmara dos Deputados, sobretudo no Norte e Nordeste, regiões em que a ARENA predominava; o quórum para aprovação de emendas constitucionais passou de 2/3 para maioria absoluta e a criação do senador biônico, ou seja, um terço dos senadores passaria a ser escolhido de forma indireta por um colégio eleitoral (assembleias legislativas) após a indicação da Presidência da República

Dentre os senadores escolhidos indiretamente em 1978 destacam-se: Arnon de Melo (AL), Jutahy Magalhães (BA), César Cals (CE), Dinarte Mariz (RN), Alexandre Costa (MA), Murilo Badaró (MG) e Amaral Peixoto (RJ).  Na eleição de 1978, seriam eleitos dois senadores por estado, e a tendência era o MDB obter a maioria definitiva das cadeiras do Senado. Porém, a manobra eleitoral surtiu efeito e a bancada da ARENA manteve-se hegemônica na Câmara Alta. A figura bizarra do senador biônico foi extinta em 1985, após a redemocratização.

*Flávio Braga é Pós-Graduado em Direito Eleitoral, Professor da Escola Judiciária Eleitoral e Analista Judiciário do TRE/MA.

Governo convida população dos Campos e Lagos para Escutas Territoriais em Viana

A edição 2018 das Escutas Territoriais teve início na última semana e mobilizou milhares de pessoas nos municípios de Caxias, Grajaú, Imperatriz e Pedreiras. A atividade promovida pelo Governo do Maranhão, por meio das secretarias de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e Planejamento e Orçamento (Seplan), está convidando a população a atuar na administração pública, indicando as prioridades para aplicação dos recursos públicos do Estado nos 15 Territórios maranhenses.

No Território Campos e Lagos as Escutas acontecem na próxima sexta-feira (13), no município de Viana, a partir das 7h30. A plenária acontecerá no Fórum Desembargador Manoel Lopes da Cunha, o evento é gratuito. Formado pelos municípios de Arari, Cajari, Matinha, Olinda Nova do Maranhão, Palmeirândia, Pedro do Rosário, Penalva, São Bento, São João Batista, São Vicente Ferrer, Viana e Vitória do Mearim, o Território Campos e Lagos recebeu quase R$ 20 milhões de reais para investimento em propostas apontadas pela população, durante as Escutas Territoriais realizadas presencialmente na região e eleitas de forma online, por meio da plataforma digital participa.ma.

Em vigor desde 2015, O Orçamento Participativo (OP) tem se apresentado como uma ferramenta importante de atuação popular, que nos permite propor soluções para problemas da nossa região de forma coletiva. Nas escutas territoriais dos anos de 2015 a 2017, a população indicou como prioridade investimentos nas áreas de saúde, educação superior e infraestrutura, que está garantindo a execução de obras de grande importância para esses municípios, como a construção do Campus da Universidade Estadual do Maranhão no município de São Bento, a construção de um hospital de alta complexidade de 50 leitos em Viana e em breve a construção da estrada que liga Viana à Pedro do Rosário, aprovada como proposta para execução no Orçamento Estadual deste ano.

De acordo com o secretário de Estados dos Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, as escutas têm como objetivo democratizar o uso dos recursos públicos do Estado. “A votação do Orçamento Participativo é uma ação de Governo que garante à população o poder de decisão, de acompanhar a gestão, o uso dos recursos públicos e garantir a melhoria e o desenvolvimento solidário, com ações que não privilegiam apenas um grupo de pessoas, mas todas as micro e macrorregiões do Maranhão”, explicou.

Além de Viana, as escutas acontecem também nos municípios de Bacabal (Território Vale do Mearim), Governador Nunes Freire (Território Turi Gurupi), Pinheiro (Território Baixada Ocidental), Itapecuru-Mirim (Território Vale do Itapecuru) e Pindaré-Mirim (Território Vale do Pindaré). A programação completa você encontra no site: www.sedihpop.ma.gov.br ou nas redes sociais: @dhmaranhao no instragram, facebook e twitter.