Cézar Bombeiro e Cleinaldo Bil contra o racismo, dizem que o movimento norte-americano merece reflexão

Há mais de 10 anos que acompanho a luta de Cézar Bombeiro e do seu irmão Cleinaldo Bil nos movimentos sindicais e comunitários, sempre empenhados na luta por direitos e dignidade humana para todos.  Eles perderam a conta de quantas vezes foram discriminados e sofreram racismo, mas nunca se deixaram abater, muito pelo contrário, eles dizem que sempre enfrentaram e cada vez em que eram vítimas, mais se sentiam motivados para luta e registram que acabou se constituindo em fermento.  Para duas pessoas que vieram da cidade de Viana para estudar em São Luís, com um enorme sacrifício dos seus pais, entenderam que os seus pais lhes oportunizaram estudar para construírem os seus futuros e serem protagonistas das suas próprias histórias.

A morte do negro George Floyd, na cidade Minneapolis nos Estados Unidos, vítima de um assassinato perverso por um policial branco, causou a revolta e a indignação do povo norte-americano e envolve na luta segmentos negros e uma maioria branca. A manifestação popular tem sido mais determinada pela crueldade com que o assassinato foi praticado e a tentativa das autoridades em favorecer os três policiais envolvidos no fato. A indignação e revolta dos norte-americanos vêm sendo multiplicadas em unidades da república norte-americana e alcançou vários países do mundo e também está no Brasil, num sentimento coletivo de um basta, além de acender uma forte chama não apenas dentro  dos corações dos negros, mas de milhões de pessoas dos mais diversos segmentos da sociedade para lutas efetivas.

Cézar Bombeiro e Cleinaldo Bil, que acompanham de perto o movimento dos norte-americanos cobrando providências das autoridades, destacam, que infelizmente num país de primeiro mundo e conhecido como a democracia do planeta, fatos de protecionismo ocorrem e que foi resultante de todo o movimento, avaliemos no Brasil, em que infelizmente morrem negros todos os dias por violência, que tem o aparelho policial como a maior referência da violência.  Entendemos que o assassinato de George Floyd merece uma reflexão dos negros ludovicenses, maranhenses e brasileiros, não para conflitos, mas para a organização de movimentos de luta com cobranças efetivas de cumprimento de respeito aos direitos e a dignidade humana dos negros brasileiros, dentro do que determina a Constituição Federal. Há necessidade de mais negros dentro dos movimentos sociais voltados à formação de consciências críticas e no contexto político para o fortalecimento da luta, na dimensão em que espaços forem ocupados., afirmam  as duas expressivas lideranças.

A discriminação do negro é bastante acentuada todos os dias em todos os lugares, sem a necessidade de ofensas verbais e violência física, mas é bastante contundente nos gestos, nos olhares e a maioria das vezes na indiferença. Lamentável e que infelizmente é uma realidade, o negro em qualquer circunstância de conflito, em que haja a intervenção do aparelho policial e muitos casos até na justiça, a cor escura é um grande empecilho para quem busca a reparação de direitos e dignidade humana, justificam os dois sindicalistas e políticos.

Os irmãos Cézar e Cleinaldo Bil, relatam que os seus questionamentos  são uma enorme generalidade neste país e tão raros os casos de reconhecimento, que muitas vezes levam anos para sentenças parciais, se os processos não tenham sido prescritos, sem falarmos nos arranjos para acordos, que acabam por favorecer os infratores. A nossa reflexão maior reside na questão da organização da luta por direitos e dignidade com igualdade em todos os segmentos sociais  e nos poderes constituídos do país, afirmam os dois irmãos de importante reconhecimento público, pelas suas lutas políticas e sindicais. (Via Blog do Aldir Dantas)

Brasileira está à frente dos testes da vacina de Oxford: covid

A brasileira Daniela Ferreira, de 37 anos, faz parte da equipe de Oxford, na Inglaterra, que iniciou esta semana a terceira fase de testes de uma vacina contra Covid-19.  Dez mil pessoas serão vacinadas em todo o país para averiguar a eficácia do imunizante.

Daniela é imunologista. Especialista em infecções respiratórias e desenvolvimento de vacinas, ela está à frente da testagem na Escola de Medicina Tropical de Liverpool.

“O que está acontecendo agora é um trabalho de envolvimento global, com todos os cientistas compartilhando conhecimento em tempo real. A vacina é para o mundo inteiro; tem de haver uma colaboração internacional e tem de ser solidária, não pode ser ditada por interesses comerciais e preços”, disse Daniela Ferreira em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

Produção iniciada

Hoje mais de 70 vacinas estão em desenvolvimento no mundo, mas a de Oxford é considerada a mais avançada e também uma das mais promissoras, por isso, mesmo antes de aprovação, ela já está sendo produzida em larga escala, para ser usada o quanto antes, assim que for liberada.

“Passamos da fase um para a fase três em apenas dois meses”, contou a brasileira.

A intenção é ter o maior número possível de doses prontas para distribuição assim que o produto for aprovado evitando um possível novo atraso na proteção da população mundial.

“É preciso saber se ela pode ser produzida rapidamente e em larga escala, se será acessível globalmente, se terá um preço razoável ou poderá ser distribuída de graça. Enfim, tudo isso entra nessa conta”, contou. “Não adianta, por exemplo, uma vacina que proteja muito bem, mas esteja disponível apenas para um milhão de pessoas”, afirmou.

Quanto tempo isso levará?

“O que posso dizer é que entre dois a seis meses já saberemos se a vacina é eficaz.”

A vacina

A vacina de Oxford parte de estudos que já tinham sido feitos para a Síndrome Respiratória Aguda Grade (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), também causadas por coronavírus.

Por isso, a segurança da substância já havia sido parcialmente testada, o que permitiu que o processo fosse um pouco mais acelerado.

Como

Em um vírus (adenovírus) atenuado da gripe comum de macacos é acrescentado um material genético semelhante ao de uma proteína específica do novo coronavírus, que é a maior responsável pela infecção. Assim, os especialistas esperam que a vacina induza à produção de anticorpos, tornando o organismo capaz de reconhecer o vírus no futuro, impedindo sua entrada.

Para que essa terceira fase de grande testagem em humanos não leve muito tempo, Oxford conclamou 18 centros de pesquisa em todo o Reino Unido fazer o trabalho.

Os cientistas estão recrutando prioritariamente profissionais de saúde, que são as pessoas mais facilmente expostas ao novo coronavírus.

Metade dos voluntários receberá o produto que é candidato à nova vacina. A outra metade receberá uma vacina feita a partir da mesma plataforma (adenovírus) da vacina contra a covid-19. 

SóNotíciaBoa

Com aulas suspensas, Prefeitura de Viana precisa explicar o que fez com mais de 681 mil reais recebidos para alimentação escolar

A pandemia do coronavírus não interrompeu o recebimento de transferências constitucionais, ou seja, aquelas que são garantidos pela Constituição Federal, repassadas diretamente aos estados e municípios. Mesmo com as aulas suspensas, na maioria dos municípios maranhenses, os recursos têm sido depositados nas contas das prefeituras.

Prefeito Magrado Barros

A Prefeitura de Viana recebeu, até o mês de maio, quase 10 milhões de reais somente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Foram, 4 milhões, 606 mil, 260 reais e 25 centavos do Fundeb e mais 5 milhões, 39 mil, 445 reais e 51 centavos de complementação da União ao Fundeb. Além da quantia robusta, a administração Magrado Barros recebeu duas parcelas do Programa Dinheiro Direto na Escola, espécie de suplementação financeira para escolas destinada à manutenção e melhoria da infraestrutura física e pedagógica para elevação do desempenho escolar, fortalecimento da participação social e autogestão escolar. Foram 21 mil, 720 reais e mais 20 mil reais e 52 reais. Porém, não há nenhuma escola vianense em obras de melhoria da infraestrutura neste momento. O Município recebeu ainda 97 mil, 212 reais de um programa de desenvolvimento integral na primeira infância denominado “Criança Feliz”. 

Dinheiro sem despesa

Em Viana, as aulas estão suspensas e, ao contrário do programa, muitas crianças estão infelizes sem a merenda escolar. O governo municipal chegou a distribuir kits de alimentação escolar, no início da pandemia. Mas a maioria das escolas não recebeu nenhuma alimentação para pais e alunos, permanecendo fechada, sem aulas, sem despesas com energia, água e materiais. Segundo informações do Portal da Transparência os cofres da gestão do prefeito Magrado já receberam 681 mil, 571 reais somente de Apoio à Alimentação Escolar na Educação Básica  do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e mais 103 mil, 293 reais e 36 centavos de Apoio ao Transporte Escolar na Educação Básica, mesmo sem necessidade de transporte no momento atual.

Sem aulas e sem transporte escolar sendo utilizado. Existe muito dinheiro nas contas da Prefeitura, mas falta transparência.

Confira no link:

http://www.portaltransparencia.gov.br/transferencias/consulta?paginacaoSimples=true&tamanhoPagina=&offset=&direcaoOrdenacao=asc&de=01%2F01%2F2020&ate=31%2F05%2F2020&uf=MA&municipio=17553&colunasSelecionadas=linkDetalhamento%2Cuf%2Cmunicipio%2Ctipo%2CtipoFavorecido%2Cacao%2ClinguagemCidada%2CgrupoDespesa%2CelementoDespesa%2CmodalidadeDespesa%2Cvalor&ordenarPor=mesAno&direcao=desc

BEBECO Supermercado vai sortear uma moto 0Km

O BEBECO Supermercado – o Filho do Rei –  começa o mês de junho com uma promoção quente para seus clientes, em Viana e Penalva, na Baixada maranhense.

Imagem ilustrativa

Será sorteada uma moto CG START 160 0Km, em data a ser confirmada.

Nas compras de R$ 20,00 (vinte reais) o cliente recebe o cupom da promoção, que deve ser preenchido com dados pessoais e colocado nas urnas das lojas de Viana ou Penalva. Aí é só aguardar e torcer pra ganhar a moto CG 160 Start – que tem autonomia na cidade ou em longos percursos, cujo painel possui marcador de combustível e hodômetro total e parcial facilitando a pilotagem. Quanto mais cupons, mais chances de ganhar!

Divulgação

Segundo o empresário João Rafael, em breve será divulgado a data do sorteio, que deverá ocorrer quando a pandemia estiver sob controle, mas, os clientes de Viana e Penalva podem continuar fazendo suas compras, com segurança e tranquilidade, obedecendo a normas de segurança, ou seja: higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento.“Durante os meses da promoção faremos diversas promoções, degustações, entre outros atrativos, para agradar todas as famílias,” pontou.  

Eu não consigo respirar

“Se uma imagem vale mais que mil palavras, então diga isso com uma imagem”, desafiou Millôr Fernandes, um dos maiores mestres com as palavras na língua portuguesa. A imagem gravada em vídeo do desespero do segurança americano George Floyd, um homem negro com passado de atleta, algemado, imobilizado, suplicando porque não conseguia respirar sob a pressão do joelho do policial branco Derek Chauvin em seu pescoço, virou um símbolo de várias tragédias mundiais simultâneas.

O cruel assassinato de Floyd é a expressão de que antigos vírus da escravidão por raça e desigualdade social, costumeiros aqui, não perdem força em lugar algum nem durante o estrago planeta afora do novo coronavírus. Mata como o Covid-19 com o mesmo sufoco da respiração. Ninguém merece morrer assim.

Conflito na Paulista – Pam Santos/Fotos Públicas

Nem as pessoas e nem as democracias. As manifestações nos Estados Unidos e no Brasil estão detonando as regras de distanciamento social impostas pela pandemia. Lá já foram pro ar. Aqui, estão a caminho. Estimuladas por Jair Bolsonaro. Grupelhos como o que encenou a manifestação imitando a ku Klux Klan (outro mau exemplo americano) no sábado à noite em frente ao STF, com arremedos até de tochas e máscaras, amplia a irritação de quem ainda permanece em casa.

Fãs de Bolsonaro, a bordo do helicópetro presidencial, o aplaudem nas manifestações – Foto Orlando Brito

Bolsonaro e sua trupe dizem que chegou ao limite o controle constitucional do governo por  outros poderes. O presidente lidera por helicóptero e até cavalo manifestações contra a democracia. Aproveita seus fins de semanas para cortejar quartéis do Exército e da PM país afora. Espera com isso ganhar um passaporte para governar sem qualquer controle do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. E até sem qualquer fiscalização da imprensa e de todos os órgãos de apuração do Estado.

Ele e seus seguidores se acham fortes nesse momento em que grande parte da população continua em casa por respeito às orientações médicas. Avaliar que isso é uma rendição é pura ilusão. A surpreendente reação de torcidas de futebol é apenas uma amostra. A contida indignação da grande maioria do país com o desprezo de Bolsonaro com a pandemia e a democracia está a uma faísca de explodir e acabar com esse delírio.

A conferir.

(Por Andrei Meireles – Os Divergentes)

Exclusivo! Hospital de Viana atenderá a partir da próxima semana pacientes com Covid e com outras necessidades

Algumas obras são essenciais e precisam ser mantidas para garantir o bem-estar da nossa população, e o mais importante, seguir firme na missão principal: salvar vidas!

Fachada do Hospital Antonio Hadade – Viana-MA, no bairro Vila Zizi. A obra recebe os últimos retoques, equipamentos e será inaugurado na próxima semana pelo governador Flávio Dino (PC do B).

Confira mais detalhes sobre o novo Hospital de Viana no vídeo do secretário da Sinfra, Clayton Noleto.

#maissaude #Maranhão #flaviodinofaz @governoma

DR. HADADE – Conheça a história do médico vianense que dá nome ao novo hospital estadual do município

ANTONIO HADADE

Competência e dedicação ao desenvolvimento da Medicina no Maranhão

Por Luiz Alexandre Raposo*

Em julho de 2014 – último ano do seu segundo mandato-, a então governadora Roseana Sarney Murad recebeu uma comitiva da Academia Vianense de Letras. Previamente agendado pelo prefeito Francisco Gomes, o encontro tinha como finalidade apresentar à governadora uma sugestão de nome para o novo hospital estadual a ser construído na cidade.

Fachada do Hospital Antonio Hadade – Viana-MA, no bairro Vila Zizi. A obra recebe os últimos retoques, equipamentos e deve ser inaugurado no próximo mês, pelo governador Flávio Dino (PC do B).

Sempre voltada à preservação da memória vianense, o que inclui obviamente o reconhecimento público de homens e mulheres que ajudaram a escrever a história da cidade, a AVL indicou o nome do médico Antonio Hadade para ser homenageado com tal distinção.

Falecido em 1988, o vianense Antonio Hadade foi um dos grandes responsáveis pelo avanço e aperfeiçoamento da Medicina no Maranhão. Graduado em 1952 pela antiga Faculdade de Medicina da Bahia, antes de fixar residência definitiva em São Luís, Antonio Hadade retornou a Viana, onde prestou assistência médica à população local durante cinco anos.

A governadora, que conheceu pessoalmente o Dr. Antônio Hadade, prometeu encaminhar a sugestão da AVL para votação no plenário da Assembleia Legislativa, por intermédio do deputado estadual Max Barros. 

Uma história de vida que começa em Viana

Filho de família libanesa radicada em Viana, ele nasceu em 21 de dezembro de 1925. Era o segundo entre quatro irmãos. Seus pais, Felippe Hadade e Affife Brahs Hadade, haviam chegado à cidade alguns anos antes, assim como aconteceu com outros libaneses que migraram para o Brasil na época. 

O médico Antônio Hadade quando ainda trabalhava em Viana com sua equipe: Senhor Penha, Helmar Bacelar, Santinha Neves, Chico Travassos, Enedina Raposo e Salu Serra.

E foi por intermédio de outro filho de libaneses também residentes em Viana, o então acadêmico de Medicina (e futuro sacerdote) João Mohana, que o adolescente Antonio Hadade iniciou os estudos preparativos para ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia. Desse modo, em 1947, aos 21 anos de idade, conseguiu ser aprovado na seleção para aquela tradicional instituição de ensino superior.

Enquanto estudante, em uma de suas férias de fim de ano no Maranhão, Antonio assistiu à morte do pai, vítima de uma fatalidade ocorrida na Santa Casa de Misericórdia. Ao receber a transfusão de um plasma estragado, quando já se preparava para receber alta do hospital, Felippe Hadade teve óbito quase instantâneo, traumatizando para sempre a vida do filho que nada pôde fazer para reverter a situação.

Início da profissão

Após graduar-se, em 1952, o novo médico retornou a Viana no começo do ano seguinte para prestar serviços à população de sua cidade natal. Cumpria dessa maneira a promessa feita ao pai de, quando formado, trabalhar por alguns anos em benefício de seus conterrâneos, principalmente dos mais desvalidos.

Tal decisão, no entanto, não deixaria de lhe custar renúncias e até sacrifícios pessoais.

Foto de formatura do jovem médico

Ao partir da capital baiana, deixava ali uma noiva à sua espera, depois de recusar três propostas de emprego conseguidas pelo futuro sogro. Além disso, sem falar nas boas oportunidades perdidas para um profissional em início de carreira, as condições de trabalho em Viana nem se comparavam àquelas oferecidas em Salvador.

Na metade do século passado, prestar assistência médica no interior do Estado, principalmente numa região então de difícil acesso como a Baixada Maranhense, era realmente um desafio gigantesco. Nada, porém, que pudesse arrefecer o destemor e o idealismo do jovem médico de apenas 27 anos.

Por outro lado, para uma cidade que carecia de assistência médica permanente, a chegada do médico filho da terra trazia conforto e otimismo a seus habitantes. Recebido com carinho pelos conterrâneos, Antonio Hadade não mediu esforços para socorrer aqueles que necessitavam de sua ajuda. Para isso contava com o apoio de uma equipe de enfermeiros locais, composta por Chico Travassos, Enedina Raposo, Santinha Neves, Helmar Bacelar, Salú Serra e Senhor Penha (entre outros).

A atuação do Dr. Antonio Hadade estendia-se ainda a mais seis municípios circunvizinhos a Viana, conforme exigia o contrato de trabalho assinado com o Governo do Estado. Assim, fora os chamados de emergências, eram comuns as viagens periódicas a Penalva, Matinha, Monção, Cajari e redondezas.

O matrimônio

Passados três anos de trabalhos ininterruptos, quando enfim conseguiu suporte financeiro para arcar com a responsabilidade de manter uma família, Antonio Hadade retornou a Salvador em dezembro de 1955, para se casar com a jovem baiana Ruth Simões.

Casamento com Ruth Simões em Salvador

Enquanto trabalhava a milhas de distância, o médico manteve correspondência contínua com a noiva na Bahia, dando continuidade ao romance iniciado tempos atrás. O casal havia combinado residir em Viana por mais alguns anos. Antes disso, viajariam em lua de mel pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Ao desembarcarem em Viana, dois meses depois, um problema inesperado: a casa alugada pelo noivo, antes do casamento, havia sido ocupada nesse meio tempo por um homem que sofria de hanseníase. Para complicar a situação, os recém-casados não estavam sozinhos, mas acompanhados da mãe da noiva que viera para ajudar a montar a nova residência da filha.

Os três foram socorridos pelo pároco local, padre Manoel Arouche, que lhes ofereceu hospedagem temporária no Palácio Episcopal, enquanto procurariam uma nova morada. A questão é que o prédio ainda estava sem janelas e não dispunha de água. Realmente a recepção à esposa e à sogra do médico, em Viana, não foi nada agradável.

A mudança para São Luís

Antonio e Ruth residiram em Viana por pouco tempo, algo em torno de sete meses. Ao perceberem os sintomas que anunciavam a chegada do primeiro herdeiro, o casal decidiu que seria melhor contar com o acompanhamento pré-natal de um especialista em Salvador.

Desse modo, após o nascimento da primeira filha, D. Ruth retornou ao Maranhão, mas já acertado que ficaria em São Luís, enquanto o marido continuaria trabalhando em Viana por mais algum tempo. Um ano e meio depois, conseguida a transferência, o casal se reuniu novamente na capital, onde então começaria uma nova e profícua etapa na vida profissional do médico Antonio Hadade.

Entre os conterrâneos vianenses já cativados pela sua simpatia e capacidade de conquistar novos amigos, o médico deixaria não apenas a marca de sua competência, mas igualmente a gratidão e a admiração de todos pela sua disponibilidade em ajudar o próximo.

O reconhecimento e o prestígio na capital

Radicado definitivamente em São Luís, Antonio Hadade ganhou notoriedade como profissional da Medicina, o que o capacitaria a assumir os mais diversos cargos e atividades sociais.

Antonio Hadade ao presidir um evento do INAMPS em São Luís

Em pouco mais de três décadas de serviços prestados à população da capital (1957 a 1988), o médico concursado pelo antigo INPS exerceu diversas funções (veja quadro).

Como profissional voltado ao estudo, Antonio Hadade tornou-se membro da Associação Americana de Cirurgiões, proferiu inúmeras palestras e conferências sobre assuntos médicos, além de apresentar vários trabalhos científicos no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, inclusive em simpósios realizados em Buenos Aires. Deve-se a ele, também, a implantação da residência médica no Maranhão.

Participação no 1 Encontro da Previdência e Assistência, em Brasília (1984)

O idealismo do biografado destacou-se, ainda, pela sua participação no ato de fundação da Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão, e ao continuar ali prestando serviço como professor, até mesmo depois que a referida faculdade foi absorvida pela Fundação Universidade do Maranhão e, posteriormente, pela Universidade Federal do Maranhão, na década de 60.

Ao lado do então Ministro Jarbas Passarinho (1984)

Pelo resumido quadro do seu longo currículo, constata-se que Antonio Hadade não foi só um médico adstrito ao seu consultório, a um centro cirúrgico ou à sua mesa de gabinete. Sua competência expandiu-se em favor da medicina em todo o Estado do Maranhão, contribuindo para sua modernização e aprimoramento.

Falecido em 14 de abril de 1988, aos 62 anos de idade, o médico vianense deixou viúva D. Ruth Simões Hadade com quem teve quatro filhos: Maria Ângela, Maria Teresa, Maria Cristina e Luís Antonio.

Acompanhado dos então deputados Edison Lobão e Nan Sousa, durante a inauguração do Hospital Materno Infantil em São Luís

Ao pleitear ao Governo do Estado, portanto, uma digna homenagem a este médico que tanto trabalhou em prol da saúde dos maranhenses, a Academia Vianense de Letras tenta resgatar do esquecimento a figura deste homem que, pelos seus méritos e idealismo, merece realmente o reconhecimento e a perpetuação do seu nome na memória de seus conterrâneos.

O médico e a esposa Ruth Hadade no casamento do filho Luis Antonio

 

ANTONIO HADADE

• Secretário Regional de Medicina Social do INAMPS;

• Superintendente Regional substituto do INAMPS;

• Membro diretor da Santa Casa de Misericórdia do Maranhão;

• Professor fundador da Escola de Medicina do Maranhão (Faculdade de Ciências Médicas) e, posteriormente, professor de Clínica Cirúrgica do curso de Medicina, da Universidade Federal do Maranhão;

• Professor de Clínica Médica na Faculdade de Enfermagem;

• Professor da cadeira de Fisiologia da Faculdade de Farmácia;

• Secretário de Saúde do Estado do Maranhão;

• Secretário de Saúde e Assistência Social do município de São Luís;

• Diretor do Hospital Presidente Dutra;

• Presidente do Rotary Clube Praia Grande;

• Presidente do Sampaio Correia Futebol Clube.

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*Acadêmico da Academia Vianense de Letras (AVL)

Cadeira n 9 – Patrono: Dilú Melo

Publicado no jornal “O RENASCER VIANENSE” – Edição 43 – agosto de 2014.