Viana. Alô Ministério Público: prefeito Magrado Barros está jogando borra de asfalto nas ruas históricas do município

O prefeito Margado Barros (DEM) não faz o menor reforço para reverter os quase 80% de rejeição da sua desastrosa gestão. Pelo contrário, contribui mais ainda para que a sociedade vianense o trate como um ignorante e sem a menor noção da importância histórica de Viana, quarta cidade mais antiga do Maranhão.

Em desespero para reverter os índices da última pesquisa que o coloca em quarto lugar, o gestor contratou uma usina de asfalto, e, somente agora, faltando pouco mais de 1 mês para as reeleições municipais e, com tantos bairros convivendo com lama, buracos e falta de iluminação,  Magrado quis mostrar trabalho justamente onde não devia, ao colocar uma espécie de borra preta sobre as ruas calçadas com paralelepípedo, no centro histórico vianense, entre elas, a famosa Rua Antonio Lopes, ou Rua Grande.

Rua Antonio Lopes – Patrimônio Histórico de Viana

O fato repercutiu pessimamente entre as entidades de classe, os iternautas, os jovens, comerciantes, historiadores, moradores e Academia Vianense de Letras.

Segundo informações colhidas pelo Blog, várias autoridades vianenses do alto escalão do governo e até desembargadores da Baixada, já entraram em contato com o governador Flávio Dino (PC do B), com o IPHAN, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e a Secretaria de Turismo.

O jornalista e escritor vianense, Nonato Reis, se manifestou em sua rede social, com um artigo de protesto (leia abaixo), que já foi bastante compartilhado e comentado, claro, detonando mais esse ato de descaso e falta de compromisso de Magrado Barros com a Cidade dos Lagos, de Dilú Melo, de Ozimo de Carvalho, dentre tantos vianenses de valor.

LEIA ALGUNS COMENTÁRIOS DE VIANENSES NAS REDES SOCIAIS

PREFEITURA IGNORA CULTURA E ASFALTA RUA HISTÓRICA DE VIANA

Viana é uma cidade com quase três séculos de existência, e esse dado constitui motivo de orgulho para os vianenses. É a quarta cidade do Maranhão, em cronologia, elevada à categoria de vila em 8 de julho de 1757. Pode-se dizer que a história viceja por suas ruas tão maltratadas e carentes da atenção do poder público. Ali, no século XIX, o Duque de Caxias fora alvo de homenagem. Dançara no salão do segundo piso do sobrado do Canto Grande, do saudoso Ozimo de Carvalho, hoje transformado em apenas lembranças, após ser demolido para dar lugar a um hotel de luxo, que acabou tendo a sua construção proibida.

Dos gestores a cidade espera por intervenções que melhorem os espaços e a livre circulação. Mas há anos Viana só tem recebido notícias tristes. A exemplo do que acontece agora, em que o poder público decidiu cobrir com asfalto os paralelepípedos da Rua Grande, a mais importante via do coração histórico.

Há de se perguntar: a troco do quê se promove uma ação tão inoportuna? Asfalto não se junta com história. É desconexo. Asfalto é uma invenção dos tempos modernos, assim como o paralelepípedo é uma marca do período colonial. Se a Prefeitura quer melhorar as ruas da área tomada que promova a recuperação dos paralelepípedos, que se encontram em estado precário.

Asfaltar ruas antigas é o mesmo que jogar uma camada de entulho sobre a memória coletiva. Além do que, asfalto em cidades de clima quente como Viana apenas contribui para tornar as temperaturas ainda mais asfixiantes.

O Ministério Público de Viana tem que agir imediatamente. E também as entidades de classe, os clubes de jovens, as associações de moradores, a própria Academia Vianense de Letras, que reúne luminares da vida pública do município e também do Estado. Todos devem juntar forças para impedir essa asneira.

Enquanto escrevo esta nota encontro, em consulta, um fato ocorrido em 2015, em solo mineiro, quando a Prefeitura de Ouro Preto tentou, da mesma forma, asfaltar as ruas da cidade.

Para quem não sabe, Ouro Preto ostenta o título, como São Luís, de Patrimônio Cultural da Humanidade. E o que fez o Ministério Público? Entrou com recurso na justiça estadual para reverter aquela ação “danosa, mutiladora e (que) pode descaracterizar o conjunto urbano do município”.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais mandou suspender a pavimentação por considerar que a preservação do patrimônio histórico devia prevalecer em detrimento da modernização.

O MP avaliou que as obras poderiam causar danos irreversíveis ou de difícil reparação ao conjunto arquitetônico de Ouro Preto. Resta saber agora se o MP de Viana vai se mexer e tentar impedir esse absurdo contra o patrimônio histórico da cidade ou imitar Pilatos no famoso episódio da crucificação.

Por Nonato reis – Jornalista | Escritor

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