Uma justa homenagem a Coquinho – um craque vianense

Viana – A Liga Desportiva Vianense faz uma justa homenagem a um ex-jogador e cidadão exemplar, no campeonato de futebol local deste ano. Trata-se de João Batista Melo, o Coquinho, sem dúvida o maior zagueiro central da história do futebol vianense, formando com seu irmão Zé Melo, a melhor dupla de zaga de nossa seleção municipal.

Seleção campeã (1966) – De pé: Macial (goleiro reserva), o presidente da Liga Vianense Raimundo Nonato Mendonça (Papa-banha), os irmãos Cabeça e Picirica (goleiro titular), os também irmãos Coquinho e Zé Melo, Louro, o técnico Jurandir, o médico Dr. Osmir, Zé Viana, Nilson e um desconhecido. Agachados: o massagista Nego Luís, Pedro de Constantino, Bacabal, Marreco, Darío, Chucho, Lanchão, Walmir, Fefeu, Carmelito e Vavá.

 

Este editor que fez parte do time original, o lendário Vera Cruz, parabeniza o nosso querido “Manjá”, que foi um técnico, um pai e um amigo para uma significativa geração de jovens, hoje na fase adulta mas com muitas boas recordações desse período inesquecível.

VIANA NOS INTERMUNICIPAIS

Depois de uma bela sequência de vitórias sobre os adversários e de angariar a simpatia da mídia esportiva da capital (na época representada principalmente pelos radialistas e repórteres que cobriam os eventos esportivos para a chamada imprensa escrita), a seleção vianense classificou-se para a disputa final do tão almejado título. Pela outra chave, a seleção de Pinheiro havia conquistado o mesmo direito, o que deixava a decisão do certame sob as chuteiras das seleções de duas cidades da Baixada Maranhense.

A sorte, porém, não sorriu para Viana naquele 6 de janeiro de 1966. Pelo placar de 2×1, o selecionado de Pinheiro ficou com o título de campeão do 11° Torneio Intermunicipal de Futebol. Embora a derrota tenha frustrado as aspirações de todos que acompanhavam com entusiasmo o desempenho dos nossos atletas, o vice-campeonato não deixava de ser uma grande vitória para uma equipe que participava pela segunda vez de um torneio estadual.

O naufrágio da lancha Marília – Aguardados em Viana para as merecidas homenagens, os jogadores quase se tornaram vítimas de uma tragédia com o naufrágio da embarcação que os conduzia de volta.

Encalhada num banco de areia na entrada do rio Pindaré, próximo ao lugarejo São José, a lancha de apenas um toldo não resistiu à força da enchente da maré e declinou totalmente para o lado esquerdo. Em questão de minutos, a água invadiu a embarcação, obrigando todos os passageiros e tripulantes a abandoná-la às pressas. Aqueles que sabiam nadar rumaram em direção às margens do rio, enquanto outros se agarraram a tonéis, latas de querosene e demais objetos flutuantes até a chegada do socorro prestado pela lancha Vera Cruz que, certamente por providência divina, passava pelas imediações.

Não houve vítimas fatais, felizmente. Apenas um grande susto e a perda das bagagens, fora o prejuízo causado aos comerciantes vianenses pelas diversas mercadorias que a “Marília de Fátima” transportava. O troféu do vice-campeonato da seleção também foi parar no fundo do rio Pindaré.

Campeões de 1966 – Motivada pelo quase total sucesso de sua participação no Intermunicipal de 1965, durante todo o ano de 1966, principalmente nos últimos meses, a seleção entregou-se com afinco aos treinos com o firme propósito de se tornar a campeã daquele ano.

Basicamente o time era o mesmo, acrescido de alguns poucos reforços. Toda a equipe técnica estava confiante, como também a população vianense que se preparava para acompanhar os jogos pelo rádio, através das transmissões da Difusora e Educadora, as duas emissoras radiofônicas de maior audiência no interior maranhense.Ainda sob o comando técnico de Jurandir, o time não teve dificuldades para vencer os primeiros obstáculos. Empurrados pela torcida da colônia vianense radicada em São Luís que comparecia fielmente ao Estádio Santa Izabel, onde se realizavam os jogos, a equipe despachou a seleção de Caxias pelo placar de 2×0, com gols marcados por Dario e  Vavá.

Uma pedra no caminho, porém, surgiu na partida da semifinal, quando o selecionado vianense enfrentou a forte equipe de Chapadinha. Com um empate de 3×3 no tempo regulamentar, que persistiu durante a prorrogação, o vencedor foi decido no “cara ou coroa”, critério ainda utilizado oficialmente pelo futebol, à época, em lugar da disputa de pênaltis.

Em Viana, centenas de ouvidos colados aos rádios, ouviram o capitão Vavá fazer a opção por “cara”, antes que o locutor narrasse a cena da moeda jogada ao ar pelo juiz da partida. Foram pouquíssimos segundos de expectativa, mas que fizeram apertar o coração de toda uma cidade, até ouvir-se a voz do radialista anunciar: – Deu “cara”!

Nas rodas formadas em volta do rádio, alegria e alívio misturaram-se nos abraços de comemorações, enquanto foguetes pipocavam em vários pontos da cidade. Desta vez, sem dúvida, a sorte sorria para Viana.

Classificado para a final, o time vianense precisou esperar a decisão entre São José de Ribamar e Pinheiro para conhecer seu último adversário. Como todos a essas alturas já previam, Pinheiro venceu, garantindo assim o direito de disputar o bicampeonato. O confronto do ano anterior iria se repetir: Viana e Pinheiro decidiriam, mais uma vez, o Campeonato Intermunicipal de Futebol do Maranhão.

O troféu é nosso – Na tarde do domingo (8/1/67), Viana inteira parou para ouvir o jogo. Todos acreditavam na revanche e bolos de apostas a dinheiro especulavam sobre o placar, naturalmente a favor da seleção da terra. Os estoques de foguetes também já haviam sido providenciados. Restava, portanto, torcer e pedir a proteção da padroeira, N. S. da Conceição.

O jogo se iniciou nervoso, conforme relatava o locutor. O tempo passava e nada do grito de gol, a favor dos vianenses, tão ansiosamente esperado. Veio o intervalo do jogo sem que nenhuma das duas equipes conseguisse furar o bloqueio adversário.

No o 2º tempo, entretanto, o time entrou em campo mais decidido e com apenas trinta segundos de jogo, uma cabeçada certeira de Chucho meteu a bola no fundo da rede pinheirense, para euforia da torcida vianense. Mesmo assim, faltava ainda muito tempo de jogo e nada estava decidido. O nervosismo continuava e a adrenalina descarregava forte, em cada torcedor, toda vez que o locutor acelerava o ritmo da voz.

Aos 20 minutos um gol de Darío foi anulado pelo juiz, mas três minutos depois veio a definição: também de cabeçada, o jogador Bacabal fez o segundo gol do Viana para felicidade e delírio dos vianenses. Desta feita, o troféu era nosso. Viana tornava-se, finalmente, a campeã do 12º Campeonato Intermunicipal de Futebol.

O Jornal Pequeno, em sua edição de 9/1/67, depois de elogiar a vitória do time vianense, finalizava a matéria dizendo: Após o encerramento, os atletas de Viana, acompanhados dos seus simpatizantes e de grande número de esportistas vianenses que se encontravam em S. Luís realizaram uma passeata pelas ruas da cidade. A charanga de Viana passou em frente a Jornal Pequeno tocando a JARDINEIRA, música do carnaval do passado. Em Viana, por certo, deve ter havido muita festa na noite que passou, em comemoração à conquista do título.

O bicampeonato – Visando repetir o feito, novamente a delegação de Viana viajou para São Luís, a fim de participar do evento esportivo intermunicipal que decidiria o novo campeão do ano de 1967. A novidade agora ficava por conta do local dos jogos que passaram a ser realizados no recém-inaugurado Estádio Nhozinho Santos.

Em dezembro daquele ano, embora a FMD estivesse em crise por conta da recente e polêmica eleição do novo presidente, Raimundo Silva, a competição conseguiu reunir grande número de seleções. Cidades como Arari, Bequimão, Codó, Coroatá, Cururupu, Lago da Pedra, Matinha, Penalva, Pinheiro, Pedreiras, Rosário, Tutóia, São José de Ribamar, entre outras, inscreveram-se no certame.

Nossas vizinhas e velhas rivais, Matinha e Penalva, foram eliminadas logo no início do torneio. Matinha foi despachada ao perder por 3×1 para Codó. E Penalva simplesmente levou uma surra de Pinheiro, sendo goleada por 6×1.

Um tropeço ocorrido no jogo contra Pedreiras quase elimina o time vianense. Depois de perder pelo placar de 2×1, a liga do Viana entrou com recurso junto à Junta Esportiva Disciplinar pela participação  de um dos zagueiros do time adversário, cuja documentação estaria irregular. O Conselho Técnico da FMD decidiu então anular o jogo, sob protestos dos pedreirenses que se retiraram do campeonato. Em solidariedade à delegação de Pedreiras, Pinheiro também abandonou a competição.

Com a ausência, em campo, dos pedreirense para uma nova partida, Viana foi beneficiada com os pontos daquele jogo. Na semifinal, passou fácil pela seleção de Coroatá ao vencer por 2×1 (os dois gols foram marcados pelo artilheiro Chucho). Contudo, o desempenho dos dois times não agradou a imprensa especializada, segundo registro dos jornais da época.

A disputa final do título de campeão do 13° Campeonato Intermunicipal de Futebol, realizada no domingo (21/1/68), entre Viana e Arari, deixava uma vez mais a decisão entre duas cidades da Baixada. Pelo placar de 2×1 (gols marcados por Lanchão numa cobrança de falta e Gury, de fora da grande área), o selecionado vianense arrebatou o título de bicampeão, encerrando com chave de ouro sua participação no campeonato intermunicipal ao mesmo tempo que deixava escrito um brilhante capítulo nos anais do futebol vianense.

Por Luiz Alexandre Raposo (matéria publicada no Renascer Vianense, edição n° 27)

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