Morte de funcionária do TJ levanta debate sobre eficácia da Noz da Índia

A morte da funcionária do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) Rachel Araújo (foto acima), de apenas 54 anos, levantou um debate em São Luís sobre o perigo (ou eficácia) do produto chamado Noz da Índia.

Vendida livremente no Brasil, mesmo sem regulamentação, a semente promete emagrecimento rápido. Quem usa e nunca teve problemas garante que funciona mesmo.

Mas a família de Rachel Araújo, que faleceu há uma semana, acredita que pode ter sido a tal Noz o que teria ocasionado sua morte.

“Ela tomava esse ‘emagrecedor natural’ chamado ‘Noz da Índia’, vendido indiscriminadamente em São Luís, sem qualquer licenciamento. Nesse momento não podemos dizer que o emagrecedor foi a causa da morte, mas minha irmã perdeu cerca de 15 kg em 60 dias, teve diarreias contínuas, dores abdominais, vômito. As taxas de amilase, lipase e transaminase estavam altíssimas, muito alteradas, principalmente a transaminase”, relatou ao Blog do Gilberto Léda o jornalista e professor universitário Ed Wilson Araújo, irmão da vítima.

Segundo ele, Rachel não tinha qualquer doença. “Apenas pressão alta”, destacou.

O laudo de uma tomografia a que se submeteu a vítima no dia 10 de janeiro aponta que antes de morrer ela apresentava quadros de “esteatose hepática severa”, “colecistite aguda” e “infiltração gordurosa” no pâncreas.

A família já formulou denúncia na Secretaria de Estado da Saúde (SES).

“Pedimos que a Secretaria de Saúde faça vistoria nos locais de venda e o exame de toxidade desse emagrecedor”, ressaltou Ed Wilson.

“É mentira”

Magaly Sousa, que consome e comercializa a Noz da Índia em São Luís garante que não é verdade que mortes estejam associadas ao consumo do produto – além do caso da funcionária pública Rachel Araújo, nas redes é citado outro óbito desde o início da semana.

“Se tivesse [relação entre o consumo e casos de insuficiência hepática] eu já teria, né? Uso há dois anos. Só mentira”, declarou ela ao Blog do Gilberto Léda.

Em nota publicada ontem (17) em seu perfil no Instagram – onde também apresenta os resultados obtidos por ela própria e por outras consumidoras –  Magaly defendeu a Noz da Índia da Isa, também negando relação entre mortes e o consumo.

“Há alguns dias plantaram uma notícia nas redes sociais anunciando que a Noz da Índia levou duas pessoas a óbito na cidade de São Luís Maranhão. Isso é uma inverdade, nunca aconteceu, ninguém veio a óbito na nossa cidade por usar qualquer tipo de semente”, diz o comunicado.

Ela completa acrescentando que há outro tipo de semente, essa sim tóxica, comercializada como se fosse Noz da Índia, chamada Chapéu de Napoleão.

“Quem usa Noz da Índia sabe que existe uma semente que muito se assemelha a ela e que é tóxica, e não pode ser usada, chamada Chapéu de Napoleão, e que infelizmente muitas pessoas vendem como se fosse a Noz da Índia verdadeira. A noz da Índia é uma semente originada da Indonésia e da Índia, usada como alimento.Será que uma semente que é introduzida na alimentação de pessoas desses países mata? Eu acredito que não”, completou.

Venda proibida

No Mato Grosso do Sul estão proibidos desde novembro do ano passado a fabricação, importação, divulgação, publicidade e comércio do produto. Uma resolução da saúde estadual determinou, ainda, o recolhimento e inutilização das unidades da semente encontradas no mercado ou expostos à venda.

A decisão foi tomada após a morte da estudante de psicologia Ana Claudia Salles, de 38 anos.

De acordo com a Secretaria de Estado Saúde de Mato Grosso do Sul, a Noz da Índia apresenta elevado risco de intoxicação, já que a ingestão de apenas uma semente da planta pode resultar em quadros de intoxicação grave ou severa. Entre os principais sintomas estão: náuseas, vômitos, cólicas abdominais intensas, tenesmo, diarreia intensa, sede intensa, secura nas mucosas, letargia e desorientação.

Nos casos mais graves, segue a Saúde do MS: desidratação acentuada, dilatação das pupilas, aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia), alteração na frequência respiração (dispnéia) e aumento da temperatura corporal (hipertemia).

“Entre as principais ocorrências de intoxicação e óbito, está relacionada à comercialização da semente em bancas de ervas, feiras livres e mercados populares sob a propaganda de auxiliar na perda de peso e emagrecimento sem riscos à saúde”, diz nota oficial do governo estadual.

Estados como São Paulo, Goiás e Espírito Santo já registraram casos de intoxicação e óbitos pelo consumo da semente. Em países como Espanha, Austrália e Chile a Noz da Índia está proibida.

Depoimentos

Abaixo, o depoimento de Isabella Gama, que também comercializa o produto em São Luis, e os depoimentos de algumas mulheres que usam o produto e defendem sua eficácia.

Fonte: Gilberto Leda

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *