Assaltantes de agência dos correios fazem reféns e são presos em Matinha

De acordo com a polícia, dois homens mantiveram 16 pessoas reféns dentro da agência quando se preparavam para fugir. Após negociação, eles foram cercados e presos.

 Wellison de Sousa (de laranja) e Wellison Ferreira (de azul) foram presos após assaltarem a agência dos correios de Matinha (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Dois homens foram presos em flagrante após cometerem um assalto a agência dos correios da cidade de Matinha, a 240 Km de São Luís, durante a tarde desta terça-feira (20). Wellison Ferreira Ribeiro, de 37 anos, e Wellison de Sousa dos Santos, 24 anos, fizeram 19 pessoas reféns e foram presos após negociação com a polícia.

O assalto começou por volta das 15h. Uma denúncia alertou a polícia, que pediu reforço para impedir a fuga. De acordo com o Major Fábio Araújo, comandante da 13ª Companhia Independente e que participou da operação, os dois homens estavam armados com revólver e queriam apenas o dinheiro do cofre.

“O gerente já tinha aberto o cofre e elem roubaram o dinheiro, mas logo que souberam que a policia havia cercado voltaram para a agência e não conseguiram fugir”, afirmou.

Após o cerco da polícia, a dupla fez 19 pessoas reféns dentro da agência. Dentre elas, quatro passsaram mal e foram liberadas de início. Os outros foram liberados depois.

Segundo a Polícia, por volta das 17h40 os dois se renderam e se entregaram. Eles foram encaminhados para a Delegacia da cidade de Viana, onde serão autuados.

(Por G1 MA, São Luís)

Prefeitura de Viana já recebeu mais de 12 milhões em 2018

Prefeitos de Viana, São Bento e Penalva receberam mais de 10 milhões nos primeiros 50 dias do ano. Vejam os valores de S. J. Batista, Olinda, Matinha, S. V. Ferrer e Cajapió

Ilustrativa

Apesar da reclamação geral de prefeitos de que há queda e até falta de verbas para honrar compromissos com a administração pública, os 217 municípios do Maranhão estão com repasses em dias.

Só nos primeiros 50 dias do ano, algumas cidades da Baixada Maranhense já receberam mais de 12 milhões de reais e mesmo assim, estes municípios estão sendo vítimas de denúncias e cobranças por parte dos moradores.

Entre as 8 cidades, Viana, São Bento e Penalva estão entre os que receberam entre 9 e 12 milhões de reais entre os dias primeiro de janeiro e vinte de fevereiro deste ano. O levantamento foi feito com base em dados fornecidos pelo Portal da Transparência do Governo Federal e pelos demonstrativos do Banco do Brasil.

Cabe ressaltar que estes valores não estão incluídos as retenções para pagamento de débitos que as prefeituras estão devendo para previdências e outras empresas. A cidade que mais recebeu dinheiro entre esse período foi Viana, administrada pelo prefeito Magrado Barros (PSDB).

Não é nada, não é nada, já dá pra  fazer uma “piçarradinha” nos bairros Careca e Campo Novo, onde não está transitando nem burro sem carga. Alô, Macho Velho!

Vejam os valores brutos:

Viana  – R$ 12.424.390,43 C

São Bento – R$ 10.594.775,43 C

Penalva R$ – 10.418.989,05 C

São João Batista – R$ 6.381.519,71 C

São Vicente – R$ 5.718.507,68 C

Olinda Nova do Maranhão  – R$ 4.795.351,69 C

Matinha  – R$ 6.558.419,41 C

Cajapió – R$ 3.518.370,24 C

Com informações da Folha de SJB

A Coivara do Maracu – alegria e medo

Ilustrativa

Nonato Reis*

Mais do que fonte de sustento para os moradores do Ibacazinho, lugarejo a 40 minutos a pé da cidade, a Coivara, em pleno leito do Igarapé do Engenho, era um palco de vadiagem. Fosse dia ruim para a pesca e os peixes, enfastiados, ignorassem os anzóis, logo os garotos tiravam a roupa, mergulhavam na água, danavam-se a bater com os remos na borda das canoas, faziam um escarcéu dos diabos. Como que despertos da letargia, piranhas e piaus começavam a morder as iscas. Em pouco tempo o almoço estava garantido.

Quem não gostava nada desse circo eram os mais velhos, que também procuravam a Coivara para abastecer com pescado as suas famílias. Começava a algazarra e eles iam deixando o local, um após outro, resmungando baixo, soltando palavrões, ao que a turma revidava com mais alarido e provocações.

Urinavam na água, alagavam embarcações, cortavam galhos de árvores e os arremessavam uns aos outros. Transformavam aquele trecho do rio num imenso teatro ao ar livre.

A Coivara, é bom que se explique, era uma imensa árvore mergulhada sobre o rio, com seus galhos projetados em direção ao leito, alguns submersos e outros acima da lâmina d’água, formando corredores à semelhança de labirintos, onde os pescadores ancoravam as canoas, para arremessar seus anzóis.

A árvore, que devia medir mais de vinte metros de comprimento, cedera à força das tempestades. Foi se inclinando em direção à água até mergulhar, para enfim descansar da longa peleja com as forças da natureza.

Os peixes logo viram em seus galhos refúgio e proteção contra a pressão da correnteza e a perseguição de seus predadores. Mas os pescadores, com seus faros apurados, perceberam que o mapa da mina estava ali. Não demorou e a Coivara se transformou em pesqueiro coletivo e ponto de encontro da vadiagem.

Lá as brincadeiras corriam soltas e quase sempre abordavam um aspecto obsceno. Tinha um sujeito brabo, chamado João de Loura, já beirando os 60 anos, que trazia a cara sempre enfezada. Os moleques não se atreviam a brincar com ele, de medo que levassem uma surra de caniço. Havia apenas um, e esse era quase da idade dele, que quebrava a cortina de silêncio e o provocava da forma mais cínica, para o deleite geral. Dizia: “João, eu tô aí?”, ao que ele respondia: “Tá, hum ghum, de cabeça pra baixo”.

Se alguém fisgava um peixe de valor, digno do olhar de todos, logo se tornava alvo de provocações, do tipo: “Me dá o rabo?” E o outro revidava: “Dou! Aí quando eu mexer com a cabeça tu mexe com o rabo!”. Nem tudo, porém, acabava em riso. Às vezes a situação saía do controle e era preciso alguém intervir, sob pena de acontecer algo muito sério.

Cícero, um menino sempre risonho, espécie de líder dos garotos, viveu na pele um drama de arrepiar. Foi com um rapaz pelo menos cinco anos mais velho, a quem chamavam de “Paturi-torou”, numa alusão a um detalhe da sua anatomia. Havia nascido sem o prepúcio que recobre a cabeça do pênis. Só que não tolerava o apelido e ameaçava castrar quem ousasse provocá-lo.

Longe de imaginar que a questão pudesse resultar em algo tão sério, um dia, ao vê-lo remando em direção à outra margem do rio, Cícero não se conteve e o chamou pelo apelido. Na mesma hora, Paturi remou em direção ao garoto. Com um tapa o derrubou no fundo da canoa, arrancou o seu calção encardido e o amarrou em pés e mãos, com os braços para atrás.

– Seu patife, agora tu vai ver quem é “paturi-torou”!

Depois sacou a navalha do cós do calção e amolou a lâmina num pedaço de laje, jogado a esmo, os olhos faiscando de prazer pelo antegozo da vingança.

Lívido de medo, o garoto tentou gritar por socorro, mas a voz se perdeu sufocada na garganta. Paturi já havia agarrado os seus testículos e se preparava para cortá-los ao meio, quando um remo salvador brandiu na cabeça dele, jogando-o de lado, atordoado. “Tu ficou doido, seu moleque! Onde já se viu castrar uma pessoa só por causa de um apelido?”, trovejou a voz do seu Honorato, pai de Paturi, para salvar Cícero daquela situação macabra.

Depois, virando-se para o garoto, ainda branco feito cera, o velho ordenou: “Vá para casa, que depois quero ter uma conversa com o teu pai. E que isso te sirva de lição, para aprender a respeitar os outros”.

Foi santo remédio. Sempre que encontrava Paturi pescando na Coivara, Cícero fazia questão de cumprimentá-lo com toda cerimônia. Dizia: “Como vai, seu José de Ribamar Ferreira? O senhor está bem?”. E anunciava: “A diversão por hoje está suspensa. Temos visita ilustre. Merece o nosso respeito”.

*Jornalista e escritor – Do livro “A Fazenda Bacazinho”, com lançamento marcado para julho/2018.

Antonio Lopes e Raimundo Lopes: luminares da Baixada Maranhense

Antonio Lopes

Flávio Braga*

Antonio Lopes da Cunha e Raimundo Lopes da Cunha eram irmãos, naturais do município de Viana, baixadeiros de boa cepa e se notabilizaram no Maranhão e no Brasil no campo das letras e das ciências. Eram filhos do ex-governador e desembargador Manoel Lopes da Cunha.

Antonio Lopes nasceu no dia 25 de maio de 1889 e faleceu, em São Luís, em 29 de novembro de 1950. Graduou-se em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito de Recife, em 1911. Ao regressar a São Luís, o ilustre vianense logo conquistou destaque no universo cultural da cidade, tornando-se um dos fundadores da Faculdade de Direito, em 1918, ao lado de Fran Paxeco, Henrique Couto, Domingos Perdigão e outros, na qual lecionou filosofia do direito. No Liceu Maranhense exerceu a cátedra de literatura, geografia, sociologia, filosofia e francês.

Na vida pública ocupou, ainda, os cargos de intendente de São Luís, juiz de direito, sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e membro da Academia Maranhense de Letras. Foi um dos fundadores da Associação Maranhense de Imprensa e seu presidente. Jornalista consagrado na imprensa maranhense, trabalhou em vários jornais de São Luís. Dentre as suas diversas obras destacam-se: Presença do romanceiro; História da imprensa no Maranhão e Alcântara – subsídios para a história da cidade.

Raimundo Lopes

De sua vez, Raimundo Lopes da Cunha nasceu no dia 28 de setembro de 1894 e faleceu no Rio de Janeiro em 8 de setembro de 1941, próximo de completar 47 anos de idade. Era bacharel em Letras. Chegou a cursar até o quarto ano de Direito, mas optou por dedicar-se à pesquisa científica, sobretudo à etnografia, etnologia, arqueologia, história e sociologia. No Liceu Maranhense, lecionava Geografia e História do Brasil. Foi membro da Academia Maranhense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

As primeiras pesquisas arqueológicas e antropológicas sobre as estearias (espécie de palafitas) do lago Cajari foram desenvolvidas por esse eminente cientista vianense, que descobriu, ali, as ruínas de uma cidade lacustre e os vestígios de uma antiga civilização que habitava esse lago.

Com apenas 17 anos escreveu a sua obra-prima: “O torrão maranhense”, brilhante ensaio de geografia humana, que no futuro o consagraria como renomado cientista. Dentre os seus inúmeros trabalhos publicados, merecem destaque: As regiões brasileiras; Entre a Amazônia e o Sertão; O Homem em Face da Natureza; Ensaio Etnológico sobre o Povo Brasileiro; Pesquisa Etnológica sobre a Pesca Brasileira no Maranhão e Antropogeografia.

Fontes de pesquisa: site da Academia Vianense de Letras, “História de um menino pobre”, de Sálvio Mendonça e “Minha vida, minha Luta”, de Travassos Furtado.

*Pós-Graduado em Direito Eleitoral, Professor da Escola Judiciária Eleitoral e Analista Judiciário do TRE/MA.

 

A Baixada Maranhense e o “tiro” do carnaval

Quem não viveu esse período, com certeza já engoliu ou vai ter que engolir bizarrices como “Muriçoca pica”, “Metralhadora”, “Meu p… te ama”, “LepoLepo” e mais recentemente “Que tiro foi esse?”.

Perigo nas alturas. Jovens alcoolizados tentam se equilibrar sobre a pá de uma retroescavadeira a mais de 10 metros de altura, no bloco “As Catrais”, em Viana-MA. Cenas comuns no Carnaval dos novos tempos.

Quem já está dos “4.0” pra cima deve lembrar-se bem dos velhos Carnavais da Cidade dos Lagos. E deve, também, recordar da abominável segregação que dominou e, ainda, impera em solo vianense, principalmente em eventos sociais.

Basta lembrar os Carnavais seletivos realizados no Grêmio Cultural para a alta sociedade, a alegria das classes menos abastadas no Cinelândia e no Alvorada Clube, a garra e a alegria dos negros no Jaguarema Clube, ou mesmo a resignação daqueles que gostavam ou só podiam frequentar os “Bailes de Gato (como eram conhecidos os nossos “Bataclans”).

E, aqui não se trata de um artigo nostálgico com lágrimas sobre a nossa sepultura carnavalesca. Mas é preciso constatar que quem brincou de “Mamãe, eu quero”, “Olha a cabeleira do Zezé”, “Barracão de Zinco” ou outras pérolas dos notáveis compositores tupiniquins, nos grandes bailes de salão, vai ter que admitir que esse público envelheceu ou já morreu e não vai mais atrás do trio elétrico.

Éramos felizes e não sabíamos há poucos anos, quando surgiu os Novos Baianos com Baby do Brasil, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão com os seus frevos ou com os talentos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, ou o axé music, com os sucessos de Luís Caldas, Daniela Mercury, Sarajane, Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Cláudia Leitte, Netinho ou bandas como Chiclete com Banana, GeraSamba”, Araketu, Banda Mel, misturando o ijexá, samba-reggae, frevo, reggae, merengue, forró, samba duro, ritmos do candomblé, pop rock, bem como outros ritmos afro-brasileiros.

Quem não viveu esse período, com certeza já engoliu ou vai ter que engolir bizarrices como “Muriçoca pica”, “Metralhadora”, “Meu p… te ama”, “LepoLepo” e mais recentemente, “Que tiro foi esse?”.

Quer mais lembranças doloridas? O Parque Dilu Melo – favelizado na sua estética -, e com carros tunados que enlouquecerem muitos visitantes que ficaram com os ouvidos inchados neste Carnaval, nas barbas da PM e da Guarda Municipal de Viana, deve ter deixado a famosa musicista vianense se remexendo no túmulo.

Para piorar, agora também temos a segregação política, ou seja, se você não pertencer ou não for simpático ao grupo que está no poder, mesmo que possua recursos disponíveis ou não tiver prestígio algum, pode se considerar um folião que está apenas velando o nosso velho e bom carnaval, os nossos atrativos culturais de blocos e brincadeiras de rua, que foram trocados pelos funcks do momento, que fazem as novinhas descerem até o chão.

Essa é a nova ordem do Carnaval de Viana e da nossa querida Baixada Maranhense, mortalmente abatido em sua essência por uma bala perdida. Que tiro foi esse?

 

Leia abaixo uma resenha do padre baixadeiro, Ribamar Rodrigues.

 

SOBRE O CARNAVAL NA BAIXADA MARANHENSE

São muitas opiniões e críticas. O que direi a seguir não pretende ser “a verdade”, mas somente uma análise de quem se preocupa e acredita no seu povo.

Respeitando as opiniões, gostaria de dizer que acredito em algo melhor do que o que foi presenciado e veiculado a respeito do Carnaval da Baixada Maranhense.

Não creio que não tenhamos responsabilidade nisso, por isso defendo que podemos  fazer alguma coisa sim.

Até por que se a situação é crítica foi por causa de um “trabalho tendencioso” a longo prazo que nos levou à pobreza e à monofabricação cultural.

 A meu ver o caminho é cuidar da qualidade dos momentos. Carnaval e outras manifestações culturais não são de um grupo, mas de todo um povo.

 Sabemos porque essas coisas acontecem. Existe “cartel” e jogo de interesses. Por essa razão há pouca valorização das bandas locais e de outras manifestações culturais. “O povo foi envenenado, intoxicado com o produto de pouca consistência e durabilidade”.

Alguns passos são necessários:

1) Os municípios precisam de legislações que preservem a cultura folclórica popular local percentualmente; e também oportunizem espaço para as bandas locais. Não se pode gastar tanto dinheiro com algumas bandas;

 2) Acredito na educação como aliada determinante na reversão desse quadro. Penso que se deve incluir urgentemente na grade curricular dos municípios uma disciplina (matéria) que aborde as manifestações culturais locais e regionais. Isto é uma questão de vida ou morte.

Nisto está o futuro também de quem trabalha seriamente para manter a memória cultural; nisto está o futuro de quem trabalha com música. A situação é urgente.

 Tenho medo que cheguemos a um caos ainda mais profundo a ponto de convivermos ainda mais com a “saudade” de nós mesmos e nem nos darmos conta.

 Temo que um dia desapareçam as bandas e grupos culturais que tocam Carnaval e sejamos obrigados a acolher tudo como a mesma coisa. Isto é o que o capital quer. Quer o fim do senso crítico. Pode esperar desespero e mais violência num ambiente de hostilidade cultural; pode esperar mais gente vazia e desestimulada.

As três palmeiras e o disco voador

Ilustrativa

Nonato Reis*

Eu as chamava de “As três marias”, pelo alinhamento delas, uma após a outra, como as estrelas da constelação de Orion, que se mostram brilhantes em noite de céu limpo. Surgiram no cenário do nosso sítio no Ibacazinho, após a decisão do meu pai de roçar a densa floresta, que se estendia a oeste da propriedade, seguindo a margem direita do Igarapé do Engenho, na direção da Fazenda Bacazinho, que se localizava cento e cinquenta metros adiante.

Trago na memória as labaredas consumindo o matagal, elevando-se sobre as palmeiras, como imensas línguas de fogo a tocar o céu, em meio a espessas nuvens de fumaça negra. Sobreviveram ao incêndio por milagre, e a partir de então passaram a fazer parte do cotidiano da família, especialmente do meu e de Marília, minha irmã, com quem partilhava as brincadeiras e os sonhos de criança.

A cada palmeira demos um epíteto, que remetia a uma singularidade. A primeira árvore, um pouco mais baixa do que as outras, era chamada de Palmeira Tapiua – o termo tem a ver com um tipo de maribondo terrível, que ao picar deixa na pele um círculo avermelhado, não raro causando febre e dor de cabeça. Na copa da árvore havia enormes casas desses bichos, o que impunha cautela, ao derrubar seus frutos, pequenos e alaranjados.

A segunda palmeira, um pouco mais alta do que a Tapiua, era chamada simplesmente de “Palmeira do Meio”, por causa da sua localização, a meio caminho das outras. Afora o seu coco enorme, que parecia um mamão, nela nada havia de especial. Mas eu a admirava, pela superação. Das três fora a mais castigada pelo fogo, e para sempre ostentaria o caule negro, como testemunha da calcinação sofrida.

A terceira árvore era a “Palmeira Altona” que, como o próprio nome sugere, era a mais alta e esguia do trio. Elevava-se aos céus como uma flecha, com o seu caule reto e longilíneo, as folhas curtas e inclinadas para cima. Eu penava para derrubar seus frutos, pequenos e arredondados. E para isso só havia um meio: arremessar pedras, que nem sempre alcançavam o alvo, retornando para o chão, antes de atingir a altura adequada.

Mais do que palmeiras de estimação, as Três Marias tornaram-se “humanizadas” por mim e Marília, alçadas à condição de “cúmplices e confidentes” de nossas peripécias. Cada um tinha a sua palmeira preferida. A minha era a Tapiua; a de Marília, a Altona. A “Do Meio” fazia uma espécie de ponte entre uma e outra, cumprindo o papel de mediadora do grupo. Não havia um dia que não a visitássemos: seja para um simples cumprimento de “bom dia”, seja para colher seus frutos, ou ainda para contar-lhes alguma traquinagem própria da idade.

Além das Três Marias havia uma quarta palmeira, e sobre essa pesava um silêncio perturbador, uma cortina de mistério que eu não ousava transpor. Ficava localizada uns 30 metros após a Palmeira Altona, mas desta não dava para visualizá-la, porque entre uma e outra estendia-se uma floresta de cipós e árvores medianas. Eu a apelidara de “A palmeira de Punina” (Punina era uma tia-avó, que morava em nossa casa, espécie de segunda mãe, e o batizado da palmeira com o nome dela se deu porque um dia a vira colhendo cocos ao pé da árvore).

Eu a conhecia antes mesmo do advento de “As três Marias” e cheguei a manter com ela uma certa convivência. Até o dia em que, ao redor do seu pé, viveria uma experiência surreal. Era finalzinho de tarde, a noite já caindo sobre a floresta com suas manchas acinzeladas. Havia muito coco no chão e eu, entretido com a coleta dos frutos, perdera a noção de tempo..

De repente um ruído vindo do alto, como se fosse uma chuva grossa se aproximando, despertou-me a atenção. Olhei para o céu e vi um feixe de luzes incandescentes (nos mais diversos tons), muito próximo da copa da árvore. Apurei melhor a visão e aquilo pareceu tomar a forma de um imenso prato giratório que, como um relâmpago, desceu e pousou poucos metros adiante de onde eu me encontrava.

Perplexo, vi quando um jato de luz em tom violeta se projetou da nave e tocou-me na altura do coração. Foi como se aquilo me tivesse injetado um poderoso anestésico, e na mesma hora apaguei. Despertei horas depois, entre pés de tucuns, o meu pai tentando me resgatar daquele cipoal de espinhos. “O que houve, meu filho?”. Expliquei-lhe, mas pedi que não contasse aquilo para ninguém. “Por quê?”, indagou-me. “Porque vão dizer que endoidei”. Ele acedeu com a cabeça. Até eu, quando relembro o episódio, desconfio de mim.

*Jornalista e escritor – Esta crônica integra o livro “A Fazenda Bacazinho”, previsto para junho/2018.

Viana – A tradicional feijoada dos amigos está de volta

O carnaval vianense este ano tem um sabor a mais, com o retorno da tradicional Feijoada dos Amigos, organizada pelo boa praça, Chico Serra.

Conforme a tradição, o evento acontece nesta segunda feira de carnaval (12), a partir das 12h, na residência de Chico Serra, na Rua Coronel Campelo, na Cidade dos Lagos.

Além do auxílio luxuoso da produtora de eventos, Dirce Costa e a mão delicada de Socorro de Newton no preparo das iguarias, a festa vai contar com animação da cantora Priscila Carvalho.

Chico Serra aguarda com muito carinho a sua legião de amigos/convidados, para animar a tarde da segunda feira de carnaval, com uma deliciosa feijoada, chope gelado e a alegria dos foliões.

O anfitrião, Chico Serra, ouvido pelo Blog, aproveitou para agradecer os amigos por o ajudarem a resgatar essa tradição da folia vianense, entre eles, Chico Gomes, dep. Federal Aluísio Mendes, Laércio Costa, Nélio Júnior, vereador Cézar Bombeiro, Cleinaldo Bil, Fabinho Campos, Getúlio Júnior, Grupo Carrinho, Fellykson do Posto Vinólia, Dr. Ezequiel Gomes, Dr. Ramon, Jolinda, Geraldo Costa, Marcone Veloso, Construtora Mendonça, Comercial Bebeco, Óticas Rocha, entre outros.

O Blog Vianensidades se fará presente na cobertura total do evento.