Vereadores são presos no Maranhão por pagamento de propina em eleição

Justiça determinou, além da prisão temporária, o afastamento deles das funções de vereadores da Câmara Municipal de Centro de Novo do Maranhão.

Os vereadores Robevânia Maria da Silva (PR) e Sinomar Farias Vieira ‘Mazinho’ (PMDB) foram presos na manhã desta terça-feira (27) a pedido do Ministério Público do Maranhão. Eles são parlamentares de Centro de Novo do Maranhão, distante 209 km de São Luís. A Justiça determinou, além da prisão temporária de cinco dias, o afastamento deles das funções de vereadores e também que eles não mantenham contato entre si e nem com nenhum outro vereador da cidade.

Os mandados de prisão foram cumpridos por membros do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Departamento Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) da Polícia Civil.

Além da prisão, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos dois e também de Evaldo Chaves de França ‘Neto da Agricultura’.

De acordo com o Ministério Público, os dois vereadores presos manipularam a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal. Robevânia Silva teria recebido R$ 40 mil de Mazinho para votar nele. Evaldo França também teria recebido vantagens financeiras.

“Os R$ 40 mil que eu peguei do Mazinho na Câmara só deu pra pagar dois agiotas. O dinheiro que eu tirei pra mim foi só R$ 8 mil pra poder tirar esse carro pra mim (sic) não andar a pé, que isso era uma vergonha de o vereador sair de quase dois mandatos e sair a pé (…)”, diz a vereadora Robevânia Silva em trecho da gravação que está com o Ministério Público.

Os promotores de Justiça Saulo Jerônimo Leite Barbosa de Almeida e André Charles Martins Alcântara Oliveira foram os responsáveis pelos pedidos das prisões dos vereadores. O juiz Rômulo Lago e Cruz deferiu a solicitação.

“O fato em questão trata de eleição para a escolha do presidente do parlamento municipal, responsável, entre outras atribuições, pela fiscalização da gestão municipal, e que os fatos noticiados e as provas até então colhidas, indicam o viés criminoso dos envolvidos, manipulando a citada eleição através da compra e venda de parlamentares”, disseram os promotores. (Por G1 Maranhão, Centro Novo do Maranhão).

Decretada prisão do ex-prefeito de Paço do Lumiar, Mábenes Fonseca

Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) determinaram a prisão do ex-prefeito de Paço do Lumiar, Mábenes Fonseca, por crimes previstos na Lei de Licitações e crime de responsabilidade (Decreto-Lei n° 201/67).

O ex-prefeito foi condenado em ação penal pela juíza da 1ª Vara da Comarca de Paço Lumiar, Jaqueline Reis Caracas, ao cumprimento de pena de oito anos e seis meses de reclusão e ao pagamento de multa no valor de R$ 12.292,31, inabilitando-o para o exercício de cargo ou função pública (eletivos ou de nomeação) pelo prazo de cinco anos.

Em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal – que autorizou a execução de pena após a confirmação da decisão condenatória em segunda instância – os desembargadores atenderam ao pedido do Ministério Público do Maranhão (MPMA), determinando a expedição do mandado de prisão.

Na denúncia contra Mábenes Fonseca, o MPMA afirmou que o ex-gestor, enquanto prefeito de Paço do Lumiar, teve suas contas referentes ao exercício financeiro de 2003 reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Entre as irregularidades apontadas, incluem-se ausência de processos licitatórios na contratação de serviços de coleta de lixo, compra de gêneros alimentícios e material gráfico; fragmentação de despesas para compras de material escolar, de higiene e limpeza; notas fiscais inidôneas e ausência de encaminhamentos de relatórios. O TCE imputou-lhe o débito de R$ 614 mil e aplicou multas no valor de R$ 245 mil.

Com a condenação em primeira instância, o ex-gestor recorreu ao TJMA, pedindo a reforma da sentença para absolvê-lo das acusações ou reduzir a penalidade, argumentando ser inepta a denúncia e inexistentes o crime e o dolo de lesar o erário.

Ao analisar o recurso, o desembargador Raimundo Melo (relator) afastou as teses da defesa, observando que Mábenes Fonseca, na condição de gestor, foi quem assinou os contratos apontados nos crimes, autorizando os empenhos e pagamentos.

O desembargador ressaltou que o ex-gestor responde a mais de 25 ações, decidindo por manter todos os termos da sentença de 1º Grau que, para ele, analisou cada uma das circunstâncias judiciais, sem ter havido falha em sua valoração negativa.

“O Juízo entendeu, de forma motivada, que o apelante possui ensino médio completo, profissão definida e família constituída, mas como gestor público gerou um verdadeiro caos na municipalidade, tanto é que não chegou a terminar seu mandato porque foi cassado, dadas as graves irregularidades e denúncias de corrupção que permearam sua gestão”, frisou o magistrado.

O voto do relator foi acompanhado pelos desembargadores Antonio Fernando Bayma e João Santana de Sousa. (Apelação Criminal nº 4.767/2015)

Polícia Civil de Viana elucida caso do pescador que teve o corpo queimado no município

Raimundo Roberval Ferreira teve o corpo queimado após sofrer uma agressão no último domingo (11), no município de Viana, chegou a óbito esta semana

Raimundo Roberval Ferreira não resistiu às queimaduras em 90% do corpo

 

Viana – A Polícia Civil do Maranhão por intermédio da 6ª Delegacia Regional de Viana realizou, na manhã desta quinta-feira (15), as prisões de Leandro Bruno Matos Marques , 24 , no bairro Matriz, bem como de duas mulheres, Patricia Elk Costa Fonseca,3, e Uiratania de Cassia Coelho Nogueira ,19 , no bairro Democrata, nesta cidade.

O primeiro foi o executor do crime e as duas últimas mandantes. Com estas três últimas prisões, restaram identificados e presos todos envolvidos no homicídio brutal ocorrido no município na madrugada do dia 11/06/2017, no qual 05 (cinco) criminosos agrediram a vítima, Raimundo Roberval Belfort Ferreira, 46, com um pedaço de madeira, atingindo-a na região da nuca e nas costas, sendo que após a queda da vítima ao solo, os suspeitos jogaram nela um líquido inflamável e atearam fogo, em decorrência disso a vítima teve 90% do corpo queimado, vindo a óbito na tarde de ontem.

Participaram das prisões os DPCs Pacheco, Alonso e IPCs Aristides e Ronildo

Maranhão Contra a Corrupção movimenta mais de 1.300 processos

O movimento ‘Maranhão Contra a Corrupção’ divulgou os números finais relativos às duas semanas de trabalho nas comarcas do Estado, apresentando o resultado das atividades nas 78 unidades jurisdicionais que integraram o evento. O mutirão corrupção foi realizado em duas semanas (final de maio e início de junho) com o objetivo de dar andamento a processos relativos a crimes contra a administração pública e de improbidade administrativa. O mutirão teve o apoio institucional da Corregedoria Geral da Justiça (CGJ-MA), órgão responsável pelo controle e fiscalização dos serviços judiciários do primeiro grau.

Os números finais apresentados pela coordenação do movimento destacam 243 sentenças e 389 decisões prolatadas, tendo ainda 697 despachos e 45 audiências, resultando em 1.374 atos processuais. Além das sanções inerentes aos casos de improbidade (suspensão de direitos políticos, devolução de dinheiro público, proibição de contratar com o poder público, etc) diversas ações resultaram em penas de reclusão, sendo que os réus ainda poderão recorrer em outras instâncias. Os números foram repassados à CGJ-MA pela juíza Elaile Carvalho, titular da 1ª Vara de Balsas e integrante da coordenação do mutirão.

Exemplos – Na 1ª Vara da Comarca de Zé Doca foi realizado um esforço concentrado de juízes e servidores, resultando no julgamento de dezenas de processos relacionados a ações civis públicas de improbidade administrativa e ações penais por crimes cometidos contra a Administração Pública. Lá, as audiências do mutirão foram presididas pela juíza titular da unidade judicial, Denise Pedrosa Torres, e pelo juiz Douglas Martins, designado pela Corregedoria Geral da Justiça para atuar no mutirão.

Já em Humberto de Campos, as sentenças assinadas pelo juiz Raphael de Jesus Serra Ribeiro Amorim, condenaram os ex-prefeitos do município e de Santo Amaro do Maranhão (termo), respectivamente Raimundo Nonato dos Santos (Humberto de Campos), Francisco Lisboa da Silva e Manoel Jaime Rodrigues da Cruz (Santo Amaro) por atos de improbidade administrativa. Entre as irregularidades praticadas pelos ex-gestores, em Humberto de Campos, Zé Doca e em outras comarcas, destacam-se ausência de licitações, fraudes em processos licitatórios, ausência de prestação de contas, sumiço de documentos, contratações fraudulentas de empresas e serviços, e aplicação incorreta de verbas públicas.

Na pauta da semana em Cururupu, ações de improbidade administrativa e de crimes praticados contra a administração pública, com a condenação dos ex-gestores Antônio Lourenço da Silva, Hermínio Gomes Filho, José Francisco Pestana, Maria de Nazaré Quadros, Orlando Belém Ribeiro, Uanis Rocha Rodrigues e Walber Lima Pinto, por crimes praticados em Cururupu e Serrano do Maranhão.Um dos condenados durante o mutirão contra a corrupção em Cururupu foi Antônio Lourenço, réu em duas ações penais. Numa delas, o ex-presidente da Câmara de Vereadores foi acusado de diversas condutas irregulares envolvendo o montante de R$ 139.546,38 (cento e trinta e nove mil, quinhentos e quarenta e seis reais e trinta e oito centavos).Considerado culpado, o ex-gestor foi condenado à pena de 5 anos e oito meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto.

Parcerias – O “Movimento contra a Corrupção” é um trabalho conjunto da Justiça estadual, Ministério Público estadual e Tribunal de Contas do Estado, com participação de juízes federais, procuradores da República, Advocacia Pública Municipal, Estadual e Federal, além de Polícia Civil e Federal. A segunda edição do evento, a primeira ocorreu em 2016, apresentou 3 dias de seminários sobre diversos temas e palestrantes e duas semanas de mutirão.

Outras ações fizeram parte do mutirão, como a realização de palestras em escolas abrangendo temas como o combate à corrupção e improbidade administrativa. Um dos exemplos é Pedreiras, que promoveu durante o mutirão um ciclo de palestras sobre combate à corrupção e noções de cidadania. As palestras aconteceram em escolas das redes pública e privada da comarca, alcançando centenas de alunos.

Do medo e violência na luta pela demarcação do território Gamela, surge um clamor de paz

 

De pé, em frente à imagem de Nossa Senhora de Fátima sobre a cômoda do quarto, Maria de Lourdes Nunes Borges ora em silêncio. Lentamente, a senhora de 82 anos vai dedilhando as contas do seu terço. Ao terminar a última Ave-Maria, ela fala, em voz alta: “minha Virgem Santíssima, eu lhe peço paz para a nossa comunidade”.

O clamor de Maria de Lourdes à santa de sua devoção não é em vão. Católica fervorosa, há 62 anos ela mora na localidade Santeiro, um pequeno povoado do município de Viana, com cerca de 100 famílias que sobrevivem da lavoura e pequenas criações de peixe. Em poucas propriedades, avistam-se algumas dezenas de cabeças de gado.

O falecido marido de Maria de Lourdes foi um dos fundadores de Santeiro e é em homenagem a ele o único colégio do povoado, a Escola Municipal Mariano Borges.

Vizinho a Santeiro, localiza-se o povoado Baías, com, aproximadamente, o mesmo número de famílias e a mesma forma de subsistência. 

No dia 30 de abril deste ano, Maria de Lourdes viu a paz dos dois povoados ser quebrada por um confronto armado entre dois grupos de moradores da própria região, que resultou em 19 pessoas feridas a tiros de espingarda, golpes de facão e pauladas. Quatro tiveram ferimentos graves e um deles por pouco não teve as mãos decepadas.

De um lado do conflito, moradores que se autodeclaram índios da etnia gamela. Do outro, não-índios, entre posseiros, pequenos agricultores e alguns proprietários de fazendas de médio porte. Os dois grupos que, até então, conviviam em harmonia, travam, agora, uma batalha judicial com interesses contrários.

Quarenta e dois dias após o confronto, o clima na região continua tenso. Os moradores autodeclarados índios reivindicam a demarcação do território Gamela que afirmam pertencer aos seus ancestrais. As terras indígenas (cerca de 14 mil hectares) teriam sido doadas pela Coroa Real Portuguesa, em 1759, segundo consta em documentos históricos. A extensão deste território abrange municípios de Viana, Matinha e Penalva.

O primeiro passo para a possível solução do conflito será dado nesta terça-feira (13/6), quando acontece, a partir das 14h, audiência pública na 13ª Vara da Justiça Federal, na ação movida pelo Ministério Público Federal para que a Funai realize estudo sobre o território Gamela.

A audiência contará com a presença dos autodeclarados índios gamela, da Secretaria de Direitos Humanos, Funai, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Seccional da OAB/MA, Conselho Indigenista Missionário, Defensoria Pública do Estado e Defensoria Pública da União.

Bajaco chora ao lembrar da ocupação da fazenda; dona Maria de Lourdes ora pedindo paz na região e ao lado da esposa Socorro, Alamilo mostra o título de propriedade registrado em cartório. Márcio Diniz/Agência Assembleia

VIOLÊNCIA E MEDO

O episódio que resultou em violência com vários feridos, no dia 30 de abril, é chamado ‘retomada de território’. Um grupo de 40 moradores que se declarou índios gamela tentou ocupar uma propriedade com criação de búfalos, denominada Sítio Aires Pinto, de 22 hectares, no povoado Baías. O propósito dos gamelas era retomar para si a área que acham ter direito como ‘terra de índio’.     

A retomada fracassou. Eles já haviam ocupado a fazenda, na qual só se encontrava a mulher do caseiro Carlos Nascimento, conhecido como Bajaco. Mas a notícia correu rápido e o grupo foi surpreendido com a chegada de cerca de 200 homens armados. O desfecho violento foi inevitável.

Bajaco chora ao lembrar da violência que presenciou. Diz que sente medo e quer deixar o povoado, onde pretendia construir a sua casa no pequeno terreno que comprou na redondeza, por R$ 20 mil. “Vou deixar tudo para trás, não tenho mais condições de continuar morando aqui. Não tenho pra onde ir. Não tenho outra profissão, só sei plantar e fazer roça”, disse.

PRECONCEITO E ÓDIO

A partir desse dia, a paz que, até então, existia entre os habitantes dos dois povoados do município de Viana cedeu lugar a xingamentos, ameaças, medo de novos ataques e temor de morte por emboscadas. Até a tradicional reza de casa em casa nas duas comunidades, em louvor a Nossa Senhora, tradição no mês de maio, não foi possível realizar este ano.  

É fácil perceber o clima de animosidade, preconceito e ódio que ganha corpo nos povoados. É perceptível, nas expressões dos rostos e nos diálogos travados com os moradores. Alguns relatam que tiveram propriedades invadidas, cercas cortadas, açudes de peixes destruídos e lavoura queimada. Os moradores atribuem a autoria destas ações aos autodeclarados índios. Os gamelas negam.

O assunto que prevalece nas rodas de conversa entre os moradores é que, na região vianense, não existe índio. Segundo eles, “os que se declaram gamelas são invasores travestidos de indígenas que pretendem expulsar todos os donos das propriedades de Santeiro e Baías para ficar com as terras”.

PROPRIEDADES À VENDA

Dona Maria de Lourdes Borges afirma que jamais imaginou um dia ter que se mudar de Santeiro, mas que, devido ao clima de ameaças e violência, associado ao temor de perder a sua casa, já pensa em vender a propriedade.

Ela conta que, por várias vezes, teve a cerca de sua propriedade cortada. No início do mês de maio, ela disse ter encontrado várias estacas em formato de cruz enfiadas em seu quintal. E traduziu isso como uma ameaça de morte.     

A situação de Alamilo Matos Cunha, de 82 anos, também é delicada. Ele mora sozinho com a mulher, Socorro, de 78 anos em uma propriedade denominada Fazenda Santa Fé, de seis hectares, no povoado Baías. Ele faz questão de mostrar o título de propriedade já amarelado, que teria sido emitido pelo cartório de Viana há 25 anos.

Pequeno produtor de peixe, Alamilo relata que já foi vítima de invasão de sua propriedade pelos que se declaram índios, mas que não sofreu qualquer tipo de ameaça ou violência. “Eu até servi um cafezinho pra eles e ficamos conversando aqui no terraço. Esses que se dizem índios estavam armados de espingarda, flechas e lanças e me disseram que só querem de volta as terras que acham que é deles”, disse.

Alamilo não saiu da fazenda, mas afirma ter medo que os declarados índios retornem para expulsá-lo da sua propriedade. Também teme que furtem os seus peixes. Ele conta que chegou a passar uma noite inteira acordado com a espingarda na mão vigiando o açude.

Também afirma que desconhece a existência de índios em Viana: “nunca ouvi falar que aqui em Viana tenha existido índio. Isso é só conversa desse pessoal para ficar com as nossas terras”.

Perguntar a um morador de Baías ou Santeiro se é índio ou descendente de índio chega a ser interpretado como uma grande ofensa. Dona Varinta Sousa, de 109 anos, a mais antiga moradora do povoado Santeiro, demonstra indignação quando alguém lhe faz essa pergunta.

Ainda lúcida, Varinta disse que quando criança ouviu falar que Viana tinha “terra de índio”, mas que nunca conheceu nenhum gamela morando na região. Afirma que ela e o marido, já falecido, nasceram e se criaram no povoado Santeiro, mas que ambos não são índios e que acha estranho só agora, depois de tantos anos, os índios tenham aparecido para reivindicar as terras.

“Não sou índia, não tenho cor de índia e nem cara de índia”, responde Varinta, zangada ao ouvir a pergunta.

O mais estranho é que dona Varinta tem nove filhos, alguns morando em Santeiro. Depois que teve início o processo de reconhecimento do território gamela no município de Viana, em novembro de 2014, Evangelista Souza, um dos filhos de Varinta, se autodeclarou índio e está morando na aldeia Cajueiro, que fica a cerca de 500 metros da casa da sua mãe.

Dona Varinta, de 109 anos, a mais antiga moradora do povoado Santeiro. No portão de uma das duas propriedades retomadas, os moradores declarados gamelas mantêm-se vigilantes à presença de estranhos – Márcio Diniz/Agência Assembleia

HÁ TEMOR TAMBÉM NA ALDEIA

O medo também está presente entre os declarados índios que habitam as aldeias Cajueiro e Piraí, localizadas no povoado Taquaritua, também em Viana. As duas terras, hoje ocupadas pelos gamelas, foram as primeiras propriedades retomadas desde 2014. Ao todo, foram ocupadas oito propriedades. O sítio Aires Pinto, no povoado Baías, cuja tentativa frustrada de retomada resultou no confronto armado, no dia 30 de abril, seria a 9ª propriedade.

Cerca de 700 moradores declarados índios gamelas mantêm-se reunidos em permanente vigília nas duas aldeias e relatam o temor de que as suas lideranças sejam vítimas de emboscadas ou que membros da tribo sofram atos de violência. Eles cantam, dançam e fazem reuniões para a tomada de decisões conjuntas.

Ninguém entra na aldeia sem permissão das lideranças. Os portões de madeira que antes protegiam a entrada da fazenda, agora são guardados por gamelas que se revezam na função de vigilância. Quando chega algum visitante não-índio, um dos visitantes se desloca ao centro da aldeia para que os líderes autorizem a entrada.   

O conflito alterou a rotina dos moradores das aldeias Cajueiro e Piraí. Por medo, as crianças deixaram de ir à escola no centro do povoado. Agna Gamela diz que o preconceito que a comunidade indígena sofre faz com que muitos moradores da região que, efetivamente, são descendentes dos gamelas, reneguem a etnia.

Ela também reage com indignação quando ouve acusação de que os gamelas querem expulsar os posseiros e pequenos lavradores das terras de Viana. “Isso não é verdade. Estão espalhando essa história para fazer com que os moradores reajam com violência contra nós. Não vamos expulsar quem não tem para onde ir. Queremos apenas que o governo reconheça oficialmente o que é nosso. Queremos a demarcação do nosso território”, disse.

Kraokê Gamela, uma das lideranças, afirma que os índios não usam armas de fogo e o que aconteceu no dia 30 de abril foi um massacre muito bem organizado pelos fazendeiros que incitaram a população a praticar esse ato de violência contra os índios. “Só não houve mortos porque Deus colocou a mão”, afirma.

Ele tenta explicar como ocorreu o processo de aculturamento do povo gamela até ser declarada a sua extinção.  Segundo Kraokê, os bisavós, avós ou pais eram proibidos de falar a língua indígena ou não podiam se assumir índio com medo de sofrer represálias por parte dos fazendeiros que começaram a se instalar na região.

Também afirma que, durante décadas, seus antepassados foram sendo expulsos, pouco a pouco, daquelas faixas de terra demarcadas pela então Colônia, até sobrar apenas uma pequena parte dos 14 mil hectares destinados aos índios pela Coroa.

Kraokê Gamela ressalta que os índios da região de Viana e Matinha foram obrigados a deixar a área, mudaram para povoados maiores e, neste processo, acabaram casando com não-índios. Os mais velhos foram forçados a aprender línguas e costumes que não eram da tribo. A maioria foi registrada nos documentos como pardo ou negro.

Algumas índias gamelas expõem aos visitantes das aldeias Cajueiro/Piraí as peças de artesanato feitas de palha do guarimã, também tradição que aprenderam com os antepassados.

O menino Akrutxu, de 1 ano e 5 meses, primeira criança gamela registrada em cartório. Na aldeia, as lideranças fazem constantes reuniões, enquanto a polícia mantém a vigilância na área – Márcio Diniz/Agência Assembleia

SOLUÇÃO ESTÁ NAS MÃOS DA FUNAI

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, Rafael Silva, acompanha o conflito na região de Viana desde o início e afirma que não existe nenhuma demanda dos gamelas dizendo qual a extensão da área reivindicada. Segundo ele, a definição do tamanho do território indígena vai depender do trabalho de demarcação a ser realizado pela Funai.

Rafael Silva explica que o documento histórico, datado de 1759, da Coroa Portuguesa, serve para demonstrar a existência dos índios gamelas há mais de dois séculos na região, mas não confirma a extensão, que depende do resultado do trabalho da Funai. “A situação de insegurança é generalizada, inclusive de proprietários, passa pela demora do trabalho do Estado Brasileiro, especificamente o trabalho da Funai”, esclareceu.

Mais de 400 processos de demarcação de territórios indígenas em todo o País tramitam, hoje, na Funai. Essa demora na demarcação da área dos gamelas gera instabilidade na região e preocupa o Governo do Estado, que tomou a iniciativa de bancar os custos para a implantação do grupo de trabalho da Funai, que será responsável pela demarcação.

O Governo do Estado também disponibilizou efetivos das Polícias Militar e Civil para manter a segurança na região de Viana até que haja solução definitiva para o conflito.

O secretário de Direitos Humanos do Estado, Francisco Gonçalves, esteve na aldeia participando de uma reunião, no dia 11 de maio, com a presença dos deputados federais, e reafirmou o compromisso do governo em garantir todo o apoio necessário, inclusive com recursos financeiros, para que a Funai realize o trabalho necessário. 

O povo gamela aguarda com expectativa que a audiência desta terça-feira, na Justiça Federal, seja o primeiro passo para o tão esperado resgate da identidade da etnia, o que resultará na demarcação do seu território. E neste processo, ele comemoram a emissão da Certidão de Nascimento de Akrutxu Trindade Baía Gamela, de 1 ano de 5 meses, primeira criança gamela registrada em cartório.

Do outro lado dos portões da aldeia, os moradores não-índios, principalmente os donos de sítios e fazendas da região, também aguardam o desenrolar dos fatos, na expectativa de que o território indígena não seja demarcado para que não sejam obrigados a sair das suas propriedades.

E, enquanto a tão sonhada paz não chega, o medo persiste. De um lado e do outro. 

Jacqueline Heluy/Agência Assembleia

Polícia Civil prende mais um suspeito de atear fogo em cidadão vianense

O suspeito “Poca” foi preso nesta terça-feira, no bairro da Matriz, em Viana

Viana – A Polícia Civil do Maranhão por intermédio da 6ª Delegacia Regional de Viana, realizou na tarde de ontem (13), no bairro Matriz, nesta cidade, a prisão de Elielton de Sousa Santos, o“Poca”, sendo este o quarto suspeito preso por participação na tentativa de homicídio ocorrida nesta cidade, na madrugada do dia 11/06/2017, no qual 05 (cinco) criminosos agrediram a vítima, Raimundo Roberval Belfort Ferreira, 46, com um pedaço de madeira, atingindo-a na região da nuca e nas costas, sendo que após a queda da vítima ao solo, os suspeitos jogaram nela um líquido inflamável e atearam fogo.

Em decorrência disso, Raimundo Roberval teve 90% do corpo queimado, possuindo grande probabilidade de vir a óbito.

Cabe informar que as investigações prosseguem com intuito de identificar e prender os demais participantes desse brutal crime.

(Com informações da 6ª Delegacia Regional de Viana)

Barbárie em Viana: homem tem corpo carbonizado em tentativa de homicídio

Na madrugada de sábado, 11 de Junho, por volta das 5:00hs , deu  entrada no Hospital regional Dr José Murad, em Viana,  a vítima Raimundo Roberval Belfort Ferreira, 46 anos, residente na Rua Antônio Lopes, nesta Cidade,  ele foi vítima de queimaduras no corpo, em uma tentativa de homicídio.

De acordo com informações, colhidas preliminarmente pela Polícia Militar, o crime aconteceu na Rua Domingos Barbosa, na área central da Cidade, quando pela madrugada a vítima voltava de uma festa tradicional (Ensaio de Bumba Meu Boi), e teria sido atingido por “elementos ” que atearam fogo no seu corpo.

 

Diante da gravidade das queimaduras, que atingiram praticamente o corpo inteiro de Raimundo Roberval Belfort Ferreira, ele foi encaminhado para São Luís, onde segue internado em estado grave.

 Após ter conhecimento do caso, o delegado regional Jorge Pacheco, deu início as investigações, no sentido de apurar o crime e prender os “autores”, e já na noite de ontem, 12, uma equipe da Polícia Civil de Viana, conseguiu prender dois adultos e apreendeu um menor infrator, suspeitos de praticarem o crime.

“A Polícia Civil do Maranhão por intermédio da 6ª Delegacia Regional de Viana, no nosso comando, realizou operação policial, na noite de ontem,12, na qual culminou na prisão dos elementos, Fábio Adriano Romeu Mendes (Farol),  36 anos, Vítor Corrêa de Alcântara, 20 anos, e apreensão do adolescente infrator, J.A.M, 17 anos, os três  foram presos em flagrante, em razão de serem suspeitos de terem participado do crime brutal, praticado na madrugada do dia 11/06/2017, nesta cidade”, relata o delegado Jorge Pacheco.

“Estes suspeitos e outros agrediram a vítima, Raimundo Roberval Belfort Ferreira, 46 anos, com um pedaço de madeira, atingindo-a na região da nuca e nas costas, sendo que após a queda da vítima ao solo, os suspeitos jogaram nela um líquido inflamável e atearam fogo, em decorrência disso a vítima teve 90% do corpo queimado, possuindo grande probabilidade de vir a óbito, em razão da crueldade e covardia dos autores tal crime causou uma grande comoção nesta cidade, tendo familiares, população e imprensa cobrado imediatas providências por parte da Polícia Civil, tendo esta envidado todos os esforços, conseguindo elucidar o crime e prender os autores, mais uma vez dando uma rápida resposta no combate a crimes graves” relatou o delegado.

O trabalho da Polícia Civil continua, buscando esclarecer todas as circunstâncias do crime.

“Cabe informar que as investigações prosseguem com intuito de identificar e prender os demais participantes do crime em”, concluiu Jorge Pacheco.

Participaram das investigações e prisões os delegados  Jorge Pacheco e Guilherme Augusto, IPCs Aristides, Paulo, Ronildo e EPCs Marcel e Diniz.

Fonte: 13ª Cia Independente de Viana e 6ª Delegacia Regional de Viana