Justiça mantém indenizações às vítimas de acidente com transporte escolar em Bacuri-MA

Acidente em Bacuri deixou oito adolescentes mortos (Foto: César Hipólito/TV Mirante)

Por unanimidade foi mantida a decisão do juiz Thadeu de Melo Alves e os valores de indenização determinados na sentença em primeiro grau. Oito estudantes morreram ao serem transportados por “pau-de-arara”.

Por G1 MA, São Luís

 

O Município de Bacuri e o Estado do Maranhão foram novamente condenados ao pagamento de danos materiais, morais e estéticos às famílias das vítimas e aos sobreviventes do acidente envolvendo uma caminhonete “pau-de-arara” que transportava 22 alunos da rede pública municipal de Bacuri-MA, em abril de 2014. Oito estudantes morreram.

A sentença foi dada na 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Por unanimidade, a justiça manteve decisão em primeiro grau do juiz Thadeu de Melo Alves, titular da comarca de Bacuri, que determinou indenização por danos morais e materiais aos familiares das vítimas e aos sobreviventes do acidente.

 

Alegações

O Município de Bacuri sustentou, preliminarmente, a tese de que a ação civil pública não era a via legal para tal caso porque não haveria um direito individual homogêneo, além de inexistir motivos para ser condenado, pois os alunos eram estudantes da rede estadual de ensino.

Por outro lado, o Estado do Maranhão defendeu sua ilegitimidade passiva na ação, afirmando que a responsabilidade do transporte escolar seria exclusiva do Município mediante a existência do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE). O Estado também suscitou a inadequação da ação, sob a alegação de que não existe direito coletivo que a justifique.

 

Apelo negado

Todos os fatos alegados pelos apelantes foram refutados pelo relator, o desembargador Kleber Costa Carvalho, em concordância com o parecer do Ministério Público que opinou pela manutenção integral da sentença de 1º Grau. Ele negou provimento, mantendo a decisão do juiz Thadeu de Melo Alves e todos os valores determinados na sentença. Os desembargadores Jorge Rachid e Angela Salazar acompanharam o relator.

Para o desembargador Kleber Carvalho, ao contrário do que sustentavam os apelantes, a ação “visa tutelar exatamente direito individual, homogêneo, consubstanciado no direito das vítimas do acidente, oriundo de omissão estatal em prover transporte público seguro aos estudantes da rede pública de ensino, a serem indenizadas pelos danos morais, estéticos e materiais sofridos”.

O relator destacou que não há como considerar a ilegitimidade passiva do Estado do Maranhão quando há determinação constitucional para tal. De acordo como desembargador, o fato é reforçado quando evidenciada, na sentença de 1º Grau, a omissão do Estado do Maranhão na fiscalização do transporte escolar realizado em Bacuri em sistema de colaboração, estabelecendo os critérios para o repasse dos recursos do Estado aos municípios.

Para o magistrado, no mesmo sentido o Município de Bacuri “cometeu ato ilícito ao falhar na execução e fiscalização do serviço de transporte escolar, porquanto o artigo 139 do Código de Trânsito Brasileiro, expressamente, não exclui a competência municipal de aplicar as exigências previstas em seus regulamentos para o transporte escolar”.

Indenizações

O desembargador Kleber Carvalho destacou a existência da obrigação indenizatória por danos materiais, morais e estéticos de responsabilidade do Estado e do Município, de forma solidária, em virtude do resultado de morte e lesões corporais sofridas pelas vítimas do acidente.

Em relação aos danos materiais, ficou determinado:

Para a família de cada uma das vítimas, pensão mensal de dois terços do salário-mínimo até a data em que ela completaria 25 anos e um terço até a data em que completaria 65 anos.

Pagamento de pensões mensais correspondentes a cada uma das vítimas que fiquem impossibilitadas ou tenham sua capacidade de trabalho diminuídas.

Pagamento de pensões mensais aos adolescentes com sequelas permanentes e temporárias.

Pagamento dos valores despendidos com funeral e luto.

Pagamento dos tratamentos das vítimas, não custeados pelo SUS.

Em relação aos danos estéticos, ficou definido:

Pagamento de R$ 57.920,00 para cada adolescente com sequelas permanentes

Pagamento de R$ 36.200,00 aos que ficaram com sequelas temporárias.

Já em relação aos danos morais, ficaram definidos os seguintes valores:

R$ 289.600,00 por cada uma das vítimas do grupo de famílias dos falecidos

R$ 57.920,00 para cada um dos adolescentes que ficaram com sequelas permanentes

R$ 36.200,00 para cada um dos que ficaram com sequelas temporárias

R$ 28.960,00 para cada um dos que não tiveram sequelas.

O desembargador justificou as indenizações afirmando que “houve evidentes abalos morais infligidos às vítimas e seus familiares, vislumbrando ofensa a direitos relativos à dignidade da pessoa humana, decorrente tanto das mortes quanto das lesões traumáticas e gravíssimos abalos psicológicos impingidos aos sobreviventes”.

Médico suspeito de negar socorro a bebê passa a cumprir prisão domiciliar

Justiça determinou que o médico Paulo Roberto Penha Costa saia da Penitenciária de Pedrinhas, mas seja monitorado por tornozeleira eletrônica.

Paulo Roberto Penha Costa foi preso após omitir socorro a recém-nascido em Pinheiro (MA). (Foto: Divulgação)

Por G1 MA, São Luís

A Justiça do Maranhão determinou na manhã de segunda-feira (5) que o médico Paulo Roberto Penha Costa passe a cumprir prisão prisão domiciliar, mediante monitoração por tornozeleira eletrônica. Ele é suspeito de negar atendimento a um recém-nascido no no Hospital Materno Infantil do município de Pinheiro, a 333 km de São Luís.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que cumpriu prisão domiciliar, na manhã desta segunda-feira (5), mediante monitoração por tornozeleira eletrônica em favor do médico Paulo Roberto Penha Costa.

A decisão é do desembargador Jaime Ferreira de Araújo, do dia 04 de fevereiro. Para o magistrado, a manutenção da prisão preventiva ao caso em apreço “é medida que não expressa justiça, mas coloca o paciente – que é detentor de primariedade, bons antecedentes, residência fixa e labor definido – em situação de extrema ilegalidade, porquanto ausente os requisitos para manutenção do ergástulo”.

Entenda o caso

O médico estava preso em uma cela especial na Penitenciária de Pedrinhas após ter sido transferido da Unidade Prisional Regional de Pinheiro por não pagar uma fiança de 50 salários mínimos.

A prisão do médico ocorreu por uma acusação de omissão de socorro, na madrugada de quinta-feira (1º), no município de Pinheiro, localizado a 333 Km de São Luís. A acusação é da Polícia Militar de Pinheiro.

Policiais gravaram um vídeo em que uma técnica em enfermagem, que estava em uma ambulância do município de São Bento, afirma que a criança quase não tinha batimentos cardíacos e precisava de atendimento urgente.

Flávio Dino presta contas de sua gestão e anuncia prioridades para 2018

 

Ao participar da Sessão Solene de reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, o governador Flávio Dino prestou contas, na tarde desta segunda-feira (5), das ações realizadas pelo governo do Maranhão, durante o exercício de 2017, e fez o anúncio das prioridades governamentais para o ano de 2018.

Logo no início de seu pronunciamento, o governador Flávio Dino fez saudação ao presidente da Casa, deputado Othelino Neto, desejando a ele êxito na nova missão como presidente efetivo da Assembleia Legislativa do Estado.

“Venho aqui desejar que este ano de 2018 seja um período marcado pelo trabalho dedicado, a serviço do nosso povo e tenho certeza que assim o será. Somos guardiões dos princípios constitucionais da autonomia e da harmonia entre os Poderes e, por isso, dirijo essas palavras de congratulações e, ao mesmo tempo, de desejo sincero e profundo do máximo sucesso quanto possível ao me dirigir a este Parlamento pela primeira vez, tendo V. Ex.ª na Presidência desta casa”, discursou Flávio Dino.

Em seguida, o governador  fez uma homenagem especial ao ex-presidente da Assembleia, deputado Humberto Coutinho, que faleceu em Caxias logo no início do mês de janeiro passado.

“É claro que não posso deixar de, nesta mesma oportunidade, destacar e sublinhar mais uma vez, e sempre, a minha reverência profunda àquele que esteve aqui nas três vezes anteriores em que eu tive a honra de me dirigir a esta Casa. De modo que eu rendo as minhas homenagens emocionadas ao presidente Humberto Coutinho, que tanta falta faz à política do Maranhão”, afirmou Flávio Dino, pedindo logo em seguida uma salva de palmas ao ex-deputado Humberto Coutinho.

Ao assinalar fazer um balanço das ações do governo, Flávio Dino, declarou que, ao longo do exercício de 2017, uma das maiores conquistas do Governo foi na área da Saúde, destacando a importância do Hospital do Câncer e a ampliação do número de leitos no Estado.

“Faço questão de sublinhar que nós tivemos uma ampliação no nosso governo de 42% do número de leitos hospitalares disponíveis, especialmente em razão da abertura e manutenção de seis novos hospitais de alta complexidade nas várias regiões do nosso Estado, salvando milhares de vidas. No ano de 2017, aprofundando esse processo, tivemos dois novos passos: de um lado, a abertura do Hospital de Traumatologia e Ortopedia de São Luís, o que nos permite hoje sairmos de uma média de cerca de 80 cirurgias ortopédicas, por mês, para algo que se aproxima de 400 cirurgias ortopédicas, por mês”, disse.

O governador explicou que, desta forma, está sendo possível ajudar a diminuir a pressão sobre o Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, mantido pela Prefeitura de São Luís.

EDUCAÇÃO

Na área da Educação, o governador salientou o sucesso do Programa Escola Digna, anunciando que vai continuar o experimento bem sucedido atinente aos uniformes escolares. E, da mesma forma, irá prosseguir com o Programa “Sim, Eu Posso”, que vai entrar no terceiro ciclo de alfabetização.

Ainda na área da Educação, Flávio Dino mencionou outro fato de enorme importância. “Em 2018, nós vamos chegar a 40 escolas de tempo integral no nosso Estado. Quando nós assumimos, nós não tínhamos tempo integral organizado no Maranhão, hoje nós temos 18 unidades funcionando, sendo 11 da rede da Secretaria de Estado da Educação e sete Iemas de gestão plena. Então, é um salto que eu gostaria também de sublinhar, que é a consolidação da rede de Educação em tempo integral no Maranhão, seja na sua vertente acadêmica, seja na sua vertente de educação profissional”.

Na área da Segurança Pública, o governador frisou que houve uma redução de 71% nos assaltos a bancos, paralelamente às melhorias na vida dos servidores, entre elas a contratação de policiais, a valorização das categorias e concursos públicos feitos pelo Estado.

“Nós estamos reequipando a Polícia do Maranhão. Já adquirimos todos os tipos de viaturas, camionetes, motocicletas, caminhões, veículos do sistema penitenciário”, citou Flávio Dino.

Dentre as prioridades para o ano de 2018, o governador explicou que há diferentes estágios do Programa Mais Asfalto: execução, início, conclusão, recuperação da pavimentação ou construção de rodovias estaduais. Ele assegurou a continuidade do programa Mais Asfalto.

“A nossa meta em manutenção de estradas, novas estradas e vias urbanas deve chegar este ano a algo em torno de mil quilômetros, ou seja, entre manutenção, construção de novas estradas e o programa Mais Asfalto. Vamos ampliar o Programa Travessia para outras cidades, que é o programa de transporte de pessoas com deficiência e, em breve, vamos anunciar essa importante meta”, enfatizou.

Ao encerrar seu discurso, o governador Flávio Dino anunciou a ampliação de programas realizados em praticamente todos os setores de seu governo. E destacou a importância da harmonia entre os Poderes. “Cada um tem o seu papel e nós temos tido um ambiente de muita harmonia, de muita paz e é o que nós buscamos permanentemente, tenho certeza de que assim será como tem sido com esta nossa Assembleia Legislativa”, acentuou Flávio Dino.

Via Blog do John Cutrim/Do Jornal Pequeno

Inaugurado há quatro meses, HTO reduz tempo de espera por cirurgias


Com o HTO, tempo de espera por cirurgias foi reduzido (Fotos: Julyane Galvão)

 

A aposentada Eloiza Rocha, de 66 anos, passou por momentos de dor intensa ao cair no quintal de casa no último dia 28 de janeiro e fraturar o joelho. Natural de Miranda do Norte, ela recebeu encaminhamento para São Luís e passou por cirurgia no Hospital de Traumatologia e Ortopedia do Maranhão (HTO), na quinta-feira (1º). O pouco tempo entre o incidente e o procedimento diminuirá o tempo de recuperação e o risco de sequelas, além de melhorar a qualidade de vida da paciente.

“Caí em cima da perna onde já tinha feito outra cirurgia e quebrou. Nunca imaginei ser atendida tão rápido. Da primeira vez que precisei, em 2010, passei quase três meses atrás de médico e não conseguia. Vim para São Luís, no mesmo dia e trazida para o HTO no dia 31. Essa rapidez faz o sofrimento da gente diminuir”, disse a aposentada, que passou por um procedimento chamado osteosíntese de patela.

Assim como ela, centenas de pacientes já se beneficiaram com a unidade entregue pelo Governo do Estado em outubro de 2017. O equipamento de saúde, primeiro do estado destinado ao atendimento das demandas de alta complexidade exclusivo na área, tem garantido atendimento ágil e eficaz à população, reduzindo a fila e o tempo de espera.

“Investir no HTO foi uma das decisões mais acertadas da gestão Flávio Dino, pois conseguimos atuar em um grande gargalo no atendimento em saúde. Até então, as cirurgias eram feitas no Hospital de Câncer do Maranhão, com limitações de equipamentos e de número de cirurgias e com uma demanda cada vez mais crescente. Entregamos uma unidade com perfil cirúrgico e equipamentos de última geração”, enfatiza o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

Com uma estrutura composta por 44 leitos, sendo 10 deles de UTI, e três centros cirúrgicos, o HTO tem realizado mais de 200 cirurgias por mês, número que tem aumentado progressivamente. A perspectiva é que cheguem a 400 cirurgias mensais.

Em 2014, com os procedimentos cirúrgicos realizados no Hospital do Câncer do Maranhão (antigo Hospital Geral), apenas 30 cirurgias eram feitas mensalmente, capacidade que já havia aumentado para 80, em 2015, já na gestão do governador Flávio Dino.

Atendimentos

Segundo o diretor clínico do HTO, Newton Gripp, essa agilidade se deve a uma soma de fatores. Primeiro, ao fato de a unidade ser dedicada exclusivamente às cirurgias ortopédicas adultas e infantis. Depois, o talento e dedicação do corpo especializado – são 26 ortopedistas, sete plantonistas, dois coordenadores, dois cirurgiões maxibucofacial, um cirurgião plástico, além de intensivistas, cardiologistas e outros especialistas.

“Havia uma fila enorme de pessoas aguardando por uma cirurgia. No Hospital de Câncer funcionávamos em uma ala, com apenas 24 leitos, e com um centro cirúrgico que era prioritário para as cirurgias de câncer, isso fazia a capacidade operacional ser reduzida. Isso gerou uma espera de até dois anos. Hoje, um paciente demora em média três meses para ser operado”, afirmou o diretor.

Outro destaque é a capacidade do HTO realizar cirurgias de alta complexidade, como alongamentos ósseos, traumas graves de acetábulo e bacia, escolioses congênitas e adquiridas, videocirurgias artroscópicas complexas. De outubro a janeiro, foram 5.935 atendimentos, considerando-se cirurgias, consultas e outros procedimentos.

“Quando um hospital do Sistema Único de Saúde funciona bem, aumenta a procura por ele, inclusive de pacientes que costumam ser atendidos na rede particular. Temos observado esse movimento. Isso é um reconhecimento ao trabalho”, ressaltou Newton Gripp.

O Hospital de Traumatologia e Ortopedia funciona por meio de regulação – os pacientes precisam ser encaminhados por outras unidades de saúde para ter acesso à cirurgia no local. Com o atendimento rápido e humanizado, o que tem sobrado são os elogios dos pacientes.

“Estou no céu. Sendo bem atendida, com funcionários cuidadosos. Estou satisfeita e feliz. O hospital foi um presente para o estado. Acho que nem quero ir embora, vou ficar por aqui mesmo”, brincou Eloiza Rocha.

Carta de um louco para um maluco

Era meia noite: o sol brilhava entre as trevas de um dia claro e bonito. Um homem vestido sem roupa, com as mãos nos bolsos, estava sentado de pé numa pedra de pau á beira de um rio seco. Ele dizia: “Eu prefiro morrer, a deixar de viver”

Naquele momento, um surdo estava ouvindo um mudo falar e um aleijado corria atrás de um carro parado.

Bem longe daqui perto, um senhor moreno careca penteava seus lindos cabelos loiros.

À noite, durante o dia senti uma apetitosa falta de comer em pratos sem alimentos. Vi peixes treinando natação num lago seco e outros se suicidando para viver.

Ao acordar dormindo, sonhei que estava dormindo; quando acordei, percebi que eu estava dormindo.

Enquanto isso um cego disse que via passarinhos pastando e vacas pulando de galho em galho á procura de seus ninhos.

Vi então, um sujeito comendo o guardanapo e limpando a boca com o bife. Assim comecei a declamar uma poesia, calando-me diz: “Mais vale um morto vivo do que um vivo morto”.

Quando acordei com o despertador na cama, levantei-me deitado, do relógio e me preparei para mais um dia de descanso com muito trabalho…

Que merda…11 bá que fezes…

Autor: anônimo

Raios já provocaram duas mortes em janeiro no MA

Preocupação tem aumentado no sul do estado. Uma morte aconteceu em Santa Inês e outro na cidade de Carolina, quando um guia de turismo caiu do alto da Chapada das Mesas após uma descarga elétrica.

Ilustrativa

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Brasil tem, em média, 77 milhões de quedas de raios por ano e o Maranhão ocupa o quarto lugar com 13,3 raios por quilômetro quadrado. No mês de janeiro, pelo menos duas mortes já foram confirmadas por causa do fenômeno atmosférico no estado.

Em Santa Inês, localizado a 246 Km de São Luís, o caso aconteceu no bairro São Benedito, no dia 19 de janeiro. Segundo parentes da vítima, um homem identificado como Marcos Rodrigues Alves, de 22 anos, estava pegando mangas em uma árvore quando foi atingido.

Já na cidade de Carolina, a 831 Km de São Luís, o guia de turismo Cleiton Costa foi atingido quando escalava o morro do chapéu, na Chapada das Mesas, e despencou de altura de quase cem metros no dia 09 de janeiro. Ele chegou a gravar a formação de um temporal se aproximando de onde ele estava minutos antes de ser atingido.

Na cidade de Balsas, o risco de acidente com raios também tem preocupado a população. O avanço da agricultura no serrado abriu grandes extensões de terra descampadas, o que faz aumentar os acidentes com raios, segundo os meteorologistas.

Além das áreas abertas, a região tem muitos armazéns construídos com estrutura metálica que podem atrair os raios e precisam de equipamentos de proteção, como para-raios. Balsas é cercada de torres usadas na comunicação das fazendas com os escritórios, mas nem todas são protegidas. (Por G1)

Plano Mais IDH faz esforço concentrado para melhorar qualidade de vida em cidades maranhenses

Kátia Nascimento começou com pequena horta e hoje é produtora. (Foto: Divulgação)

Há três anos, as 30 cidades mais pobres do Maranhão começaram a receber uma série de transformações para superar os baixos índices de desenvolvimento. É o Plano Mais IDH, lançado no primeiro dia de gestão do governador Flávio Dino.

A ideia é reverter os baixos índices de qualidade de vida que existem há décadas nesses locais. Muitos deles jamais haviam recebido investimentos significativos por parte do Governo do Estado.

Nesse sábado (20), houve ação concentrada para entrega de obras e investimentos nas áreas da educação, moradia, saúde, abastecimento de água, dentre outros. Foram entregues ainda Sistemas Simplificados de Abastecimento de Água, banheiros e caixas d’água, casas, kits de irrigação, escolas, asfalto e kits esportivos.

Escola Digna

Na educação, uma das prioridades do Plano é substituir colégios de taipa por colégios de alvenaria. Trata-se do programa Escola Digna. Até o fim do ano, a meta é substituir 300 prédios em todo o Estado – boa parte nos municípios do Mais IDH.

Dez já foram entregues dentro do Mais IDH, e dezenas virão nos próximos meses. O número total de escolas incluídas nessa etapa é de 87 unidades. Além da substituição, também nos 30 municípios há previsão de reforma e manutenção de 44 prédios escolares, pelo menos uma para cada um dos que integram o Mais IDH. A Escola Municipal São João Batista, no povoado Jenipapeiro, em São João do Sóter. Foi a primeira Escola Digna a substituir uma estrutura de alvenaria numa cidade do Mais IDH.

“É uma maravilha receber uma escola limpa, ampla, bonita, com jardim, muita sala, banheiros. Agradeço os trabalhadores que fizeram. A gente nunca esperava uma coisa dessa. Tô muito feliz”, contou Jususlene Nascimento, que tem um filho matriculado no colégio.

Casas já entregues a moradores do Povoado Grota de Laje. (Foto: Antonio Martins)

Contra o analfabetismo

Outra ação na educação é o Programa Sim, Eu Posso!, que na primeira fase alfabetizou 7,2 mil jovens e adultos. Agora, está sendo executada a segunda fase, com mais de 20 mil pessoas.  É uma parceria com Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), a Fundação Sousândrade e outras entidades.

O Sim, Eu Posso! tem impacto direto na vida da comunidade. “Meu sonho é aprender a ler a Bíblia. A gente fica envergonhado porque não sabe ler”, diz Maria Raimunda, aluna da cidade de Aldeias Altas.

Médicos nos povoados

Na saúde, já foram feitos mais de 750 mil atendimentos pelos profissionais da Força Estadual de Saúde do Maranhão (Fesma). É uma iniciativa inédita, levando 120 profissionais para atuar e morar nas 30 cidades do Mais IDH.

Diariamente, eles percorrem povoados de difícil acesso para fazer consultas e atendimentos básicos, a fim de reduzir a mortalidade materna e a infantil. Pela primeira vez na vida, os moradores têm recebido a visita de médicos. “A gente percebe no olhar, numa visita, a real necessidade daquela pessoa. O trabalho fundamental da gente é da prevenção da doença, um olhar mais humanizado, com mais carinho, com mais cuidado”, afirma o enfermeiro Elton Filipe de Oliveira.

Moradia

O Minha Casa Meu Maranhão está construindo e entregando 3 mil casas nas 30 cidades do Plano Mais IDH. Já foram construídas mais de 500 unidades até agora.

Hosana da Conceição mora em Água Doce e ganhou uma das residências. Antes disso, ela passou muitos anos sem dormir direito à noite. Não era insônia; era medo de o teto cair: “As madeiras já estavam todas podres”. Com a casa nova, o medo passou e o sono tranquilo voltou: “Agora tá tudo bem, já durmo à noite”.

Também já foram entregues mais de 600 títulos de terra nessas 30 cidades. Basicamente, é o mesmo que entregar dinheiro, já que uma terra com documento, além de ser valorizada, traz segurança jurídica de propriedade. Os moradores também passam a ter a oportunidade de acessar políticas públicas do governo estadual, bem como do federal.

Saneamento básico

A falta de água é um problema histórico no Maranhão. Muitas famílias jamais tiveram abastecimento ou banheiro em casa. O Plano Mais IDH prevê o investimento de R$ 60 milhões para construir seis mil kits sanitários. Serão 200 kits por município, compostos por banheiros, caixa d’água e lavanderias.

Nesta primeira etapa, são 3,6 mil famílias alcançadas. Cerca de 600 kits devem ser entregues nas próximas semanas.

Mais IDH vem entregando sistemas de abastecimento de água. (Foto: Gilson Teixeira)

Rua Digna

O programa Rua Digna está pavimentando ruas cheias de buraco, poeira e lama. É um mutirão no qual os próprios moradores trabalham, gerando também emprego e renda. O programa já está em 18 cidades do Mais IDH.

O mutirão tem chegado a locais de difícil acesso, como as Ilhas Canárias, em Araioses, na divisa do Maranhão com o Piauí. A construção de uma rua onde só havia areia era aguardada havia muitas décadas. “Isso era esperado desde meus avós e bisavós, que queriam tanto a energia [elétrica] quanto as Canárias calçadas. Não conseguiram esperar, mas ficou para os netos e bisnetos”, diz o morador Geann Moura.

Sisteminhas

O apoio para a agricultura familiar também foi incluída no Plano Mais IDH. Parte dessa ajuda vem dos mais de 250 Sisteminhas que permitem plantar ou criar animais. Eles são uma espécie de microfazenda.

Os Sisteminhas fazem parte dos Sistemas Integrados de Tecnologias (Sistecs), que já somam mais de 7 mil entregas desde 2015. A ideia é levar conhecimento e tecnologia para os moradores, como a família de Kátia Nascimento, do povoado Santa Helena, em Milagres do Maranhão. Ela iniciou uma pequena horta para uso exclusivo da família e agora já comercializa parte do que produz.

“Nossa vida melhorou 100% e somos muito gratos a tudo que aprendemos, colocamos em prática e esse aqui é o resultado”, conta Kátia ao mostrar a produção de hortaliças em uma área de mais de 200 metros. Por semana, ela vende 11 caixas de hortaliças a R$ 40 cada uma. Por mês, são quase R$ 2 mil.

As cidades

Foram incluídos no Plano Mais IDH os municípios de Fernando Falcão, Marajá do Sena, Jenipapo dos Vieiras, Satubinha, Água Doce do Maranhão, Lagoa Grande do Maranhão, São João do Caru, Santana do Maranhão, Arame, Belágua, Conceição do Lago-Açu, Primeira Cruz, Aldeias Altas, Pedro do Rosário, São Raimundo do Doca Bezerra, São Roberto, São João do Soter, Centro Novo do Maranhão, Itaipava do Grajaú, Santo Amaro do Maranhão, Brejo de Areia, Serrano do Maranhão, Amapá do Maranhão, Araioses, Governador Newton Bello, Cajari, Santa Filomena do Maranhão, Milagres do Maranhão, São Francisco do Maranhão e Afonso Cunha.