Governador Flávio Dino requer nomes de 400 funcionários fantasmas que a polícia de Sarney diz existir na SES

 

O governador Flávio Dino reagiu à ação da polícia política de Sarney e Michel Temer na Secretaria da Saúde, afirmando: “O modelo que herdamos foi que originou as operações da Polícia Federal. Não se desmonta isso em semanas ou meses, sobretudo em um serviço que não pode parar, como a saúde.

O governador requereu formalmente os nomes de uma lista de 400 funcionários fantasmas que a Polícia Federal menciona “Para tomar providências administrativas”. Repito – ele disse – estamos esperando a lista dos alegados 400 fantasmas para verificar se isso procede, quem foi o responsável, em qual época e por qual motivo”.

O governador escreveu também no twiter que “Por minha orientação todas as equipes estão sempre à disposição para colaborar com investigações sérias e isentas. Flávio Dino registrou que falta à oligarquia Sarney/Murad condições mínimas para falar em moralidade. “Que cuidem dos seus problemas na Polícia e na Justiça. São muitos”, afirmou.

Segundo Flávio Dino “Desde 2015 é esse desespero para me nivelar a eles, para dizer que “nada mudou”. Mas o fato objetivo é que não tenho nenhum problema pessoal na Polícia e na Justiça. E assim continuarei”.

JM Cunha Santos

Gestores municipais destacam desenvolvimento da agricultura familiar com o apoio do Governo do Maranhão

Secretário Adelmo Soares destaca a importância do PAA para o desenvolvimento dos municípios. (Foto: Divulgação)

Secretários municipais de agricultura, técnicos e agrônomos de 27 municípios maranhenses participaram do Encontro de Troca de Experiências e Avaliação da Execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O PAA é executado pelo governo estadual para combate a insegurança alimentar e incentivo aos agricultores. O encontro, inédito no estado, foi realizado pelo Sistema de Agricultura Familiar (Agerp, Iterma e SAF) nos dias 13 e 14 deste mês.

O evento teve como objetivo avaliar o programa que está sendo executado nos municípios e esclarecer as dúvidas, além de receber sugestões para melhorar ainda mais a ação nos municípios. Para a execução do PAA estadual estão sendo investidos R$ 3,25 milhões em 44 municípios. Só este ano, estão sendo executados recursos da ordem de R$ 16 milhões.

“Esse primeiro encontro dos municípios contemplados com o PAA é importante porque só por meio de parcerias que podemos avançar. O PAA é uma ação importantíssima desenvolvida na gestão do governador Flávio Dino e permite avançarmos nas políticas públicas. É importante para os municípios porque compramos de quem produz e doamos para quem precisa, fazendo com que o município possa se desenvolver”, enfatizou o secretário estadual de Agricultura Familiar, Adelmo Soares.

Para o secretário municipal de Agricultura de Conceição do Lago Açu, Quintino Marinho, o PAA está sendo uma mudança de realidade das famílias do município. Conceição do Lago Açu faz parte dos 30 municípios atendidos pelo Plano Mais IDH do Governo do Maranhão.

“Hoje os agricultores familiares de Conceição de Lago Açu estão satisfeitos com essa ação, porque nunca houve um programa nesse sentido. Antes eles perdiam a produção, hoje eles estão recebendo com dignidade aquilo que eles produzem, além de ajudar as pessoas carentes do município”, pontuou Quintino.

Loreto

“O PAA está sendo um trabalho maravilhoso. Nosso município está se desenvolvendo, os agricultores estão animados e cada vez mais organizados e, além de fornecer alimentos saudáveis na mesa da nossa população. Com os alimentos do PAA estamos atendendo 411 crianças da casa de apoio Lar Doce Lar de Loreto. É um trabalho fantástico!”, declarou animada a secretária municipal de Assistência Social e Segurança Alimentar de Loreto, Socorro Bringel.

Bacuri

“No início do programa, os agricultores não confiavam. Quando saiu o primeiro pagamento foi possível perceber a confiança no programa e o aumento da produção dos agricultores familiares. Mas, o que nos deixa ainda mais orgulhosos com o programa é quando a gente chega numa escola, onde os alunos iriam comer apenas arroz e sardinha e, agora, feijão, saladas, frutas são inseridos na alimentação”, esclareceu o secretário de Agricultura de Bacuri, Arnaldo Pessoa.

Alto Parnaíba

“Nosso município é o mais distante, cerca de 1.100 quilômetros. As dificuldades lá são imensas, principalmente, acessibilidade e logística. Mesmo sendo o último município do Maranhão, as ações do Governo estão chegando e está mudando a vida de muitas famílias que vivem da agricultura familiar. Atualmente, os alimentos estão sendo destinados para creche, Casa de Apoio, Casa da Criança e CRAS”, declarou o secretário de Agricultura de Alto Parnaíba, Agnaldo Tavares.

O secretário disse ainda que esse momento de diálogo é importante para esclarecer as dúvidas e conhecer a execução do PAA nos outros municípios. “Acreditamos que é dessa forma, dando condições aos agricultores familiares, que iremos incentivar a permanência no campo”, afirmou.

Municípios que participaram do encontro

Cajari, Loreto, Godofredo Viana, Governador Newton Bello, Amapá do Maranhão, Junco do Maranhão, Igarapé do Meio, Conceição do Lago Açu, Araioses, Itaipava do Grajaú, Fernando Falcão, Alto Parnaíba, Bacuri, Aldeias Altas, Carutapera, Luís Domingues, Presidente Vargas, Santo Antônio dos Lopes, Lago dos Rodrigues, Santo Amaro, Porto Rico, Poção de Pedras, Santa Filomena, Mirador, Peritoró, Lagoa Grande do Maranhão e Pedro do Rosário.

Sertanejo sobre hospedagem no Maranhão: “não sou obrigado a dormir em hotel sujo e f#dido

O cantor sertanejo, o milionário fazendeiro Eduardo Costa fez um novo vídeo pedindo desculpas ao povo do Maranhão por ter dito que o local onde se hospedou antes e depois do show na cidade de Pedro do Rosário fedia mais que o satanás e que deu de cara com quatro pererecas (sapinhos) pulando no quarto. No pedido de desculpas, diz que não é obrigado a “dormir um hotel sujo e fudido, coisa para jumento”, em tom de deboche.

O riquinho, que faturou mais de R$ 100 mil para cantar numa cidade paupérrima do estado por menos de 2 horas, tem razão quando detonou o local, mas deveria ter mandado sua produção inspecionar o lugar ao fechar o contrato e exigir da prefeitura milionária melhores acomodações.

Neste ano de 2017, dezenas de cidades completaram 23 anos de emancipação política por leis aprovadas pela Assembleia Legislativa. Eram bairros ou povoados sem a menor condição de se tornarem municípios. Mas a ganância e o olho no dinheiro público falaram mais alto.

De la pra cá, a vida das pessoas em nada mudou e o que se observa é o acúmulo de pobreza e problemas nunca resolvidos. São cidades pobres que se dão ao luxo de qualquer festa ou festejo tirar o dinheiro da boca do povo para engordar patrimônio de cantores bregas e boçais, como esse tal de… nem lembro o nome.

Via Blog do Luis Cardoso

Governo do Maranhão se pronuncia sobre operação da PF na secretaria de Saúde

A Polícia Federal, com o apoio do Ministério Público Federal, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil, deflagrou nesta quinta-feira (16/11) a Operação Pegadores, que apura indícios de desvios de recursos públicos federais por meio de fraudes na contratação e pagamento de pessoal, em Contratos de Gestão e Termos de Parceria, firmados pelo Governo do Maranhão, na área da saúde.

Durante as investigações conduzidas na Operação Sermão aos Peixes, em 2015, foram coletados diversos indícios de que servidores públicos, que exerciam funções de comando na Secretaria de Estado da Saúde naquele ano, montaram um esquema de desvio de verbas e fraudes na contratação e pagamento de pessoal. A PF apurou a existência de cerca de 400 pessoas, que teriam sido incluídas indevidamente nas folhas de pagamentos dos hospitais estaduais, sem que prestassem qualquer tipo de serviços às unidades hospitalares. Os beneficiários do esquema seriam familiares e pessoas próximas a gestores públicos e de diretores das organizações sociais.

O montante dos recursos públicos federais desviados por meio de tais fraudes supera a quantia de R$ 18 milhões. O Governo do Maranhão divulgou nota sobre a operação.

Governo do Maranhão

Secretaria de Estado da Saúde

Sobre a nova fase de investigação da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (16), no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Governo do Maranhão declara que:

  1. Os fatos têm origem no modelo anterior de prestação de serviços de saúde, todo baseado na contratação de entidades privadas, com natureza jurídica de Organizações Sociais, vigente desde governos passados.
  2. Desde o início da atual gestão, tem sido adotadas medidas corretivas em relação a esse modelo. Citamos:
  3. a) instalação da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH), ente público que atualmente gerencia o maior número de unidades de saúde, reduzindo a participação de Organizações Sociais.
  4. b) determinação e realização de processos seletivos públicos para contratação de empregados por parte das Organizações Sociais.
  5. c) aprovação de lei com quadro efetivo da EMSERH, visando à realização de concurso público.
  6. d) organização de quadro de auditores em Saúde, com processo seletivo público em andamento, visando aprimorar controles preventivos.
  7. Desconhecemos a existência de pessoas contratadas por Organizações Sociais que não trabalhavam em hospitais e somos totalmente contrários a essa prática, caso realmente existente.
  8. Todos os demais fatos, supostamente ocorridos no âmbito das entidades privadas classificadas como Organizações Sociais, e que agora chegam ao nosso conhecimento, serão apurados administrativamente com medidas judiciais e extra judiciais cabíveis aos que deram prejuízo ao erário.
  9. A SES não contratou empresa médica que teria sido sorveteria. Tal contratação, se existente, ocorreu no âmbito de entidade privada.
  10. Apenas um servidor, citado no processo, está atualmente no quadro da Secretaria e será exonerado imediatamente. Todos os demais já haviam sido exonerados.
  11. A atual gestão da Secretaria de Estado da Saúde está totalmente à disposição para ajudar no total esclarecimento dos fatos.

Candidato a prefeito derrotado de Cajari é vítima de tentativa de homicídio

Mais uma suspeita de tentativa de assassinato por motivação política. No último sábado, próximo a cidade de Viana, o candidato derrotado ao cargo de prefeito em Cajari, Padre Paulo, foi vítima de dois disparos de arma de fogo, por sorte nenhum acertou. De acordo com o Boletim de Ocorrência que o blog teve acesso, o Padre Paulo disse que viu dois homens na beira da estrada ao lado de um carro vermelho e logo em seguida dois disparos foram feitos em sua direção.

Padre Paulo move uma ação na Justiça Eleitoral contra a prefeita eleita Dra Camyla (PSDB). De acordo com o processo que tramita no TRE-MA, a prefeita usou de meios ilícitos para alcançar sua vitória, os adversários reuniram provas concretas, com fotos, áudios, e vídeos, o que torna a situação da gestora muito delicada perante a Justiça.

O Ministério Público Estadual já emitiu parecer favorável à cassação da Dra Camyla, o que gera um clima de expectativa, e de tensão em Cajari, enquanto aguardam julgamento do processo no TRE-MA. O marido da prefeita então teria dito de acordo com informações repassadas por aliados do Padre Paulo, que ninguém assumiria no lugar da sua mulher e que se fosse necessário até morte teria no município para evitar uma possível ascensão ao cargo de prefeito de Padre Paulo.

Por não ter alcançado os 50% dos votos válidos em caso de cassação da Dra Camula, quem assumiria o segundo mais votado seria o Padre Paulo, que perdeu por uma diferença de 457 votos. A legislação eleitoral garante que o segundo mais votado assuma em caso do primeiro não obter mais de 50% mais um dos votos válidos.

Curiosamente, Padre Paulo teria declarado apoio a ex-governador Roseana Sarney (PMDB), na semana passada…

(Via blog do Diego Emir)

Apoio de Michel Temer a Roseana Sarney tem objetivo maior: a disputa presidencial

Ex-presidente José-Sarney e o governador Flávio Dino – inimigos políticos no Maranhão

Por Ed Wilson Araújo

Uma frase conhecida de Miguel de Cervantes, na obra Dom Quixote, serve para ilustrar o raciocínio desse texto: “E o vencedor é tanto mais honrado quanto mais o vencido é reputado.”

O fato de Flávio Dino (PCdoB) ter derrotado José Sarney (PMDB), um dos homens mais influentes da República, colocou o governador do Maranhão rapidamente em visibilidade nacional.

A longevidade do poder de José Sarney, beirando os 50 anos, já era um tema bastante explorado na mídia nacional. Sua derrota, portanto, passou a ser uma pauta apimentada, considerando ainda o choque geracional que motivou a eleição de 2014 no Maranhão.

Na condição de vencedor do vencido reputado, a honra de Flávio Dino foi às alturas, somando-se ao próprio perfil do governador, oriundo da elite judiciária brasileira e principal figura do PCdoB.

Flávio Dino ampliou a sua visibilidade midiática durante o impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), quando se posicionou como principal advogado da petista e, simultaneamente, articulou uma aproximação com Lula.

Assim, o comunista maranhense entrou na agenda nacional, sabendo que as decisões tomadas na província passam necessariamente pelos poderes da República.

Ser a antítese de Sarney e o avatar de Lula constituem a dupla movimentação do governador para se posicionar na fila da agenda nacional, diante do vazio de lideranças políticas no chamado campo democrático.

Neste campo, no terreno das disputas presidenciais vindouras, a pergunta é: quem será o herdeiro do espólio de Lula?

Eduardo Campos (PSB) morreu, Ciro Gomes (PDT) parece ter um teto, Marina Silva (Rede) perdeu-se no meio do caminho e Marcelo Freixo ainda não alcançou a visibilidade necessária fora do Rio de Janeiro.

Flávio Dino está na fila. Manuela D’Avila é apenas um balão de ensaio.

Se for reeleito governador, em 2018, vai adiante. E pode avançar, caso tudo dê certo, apresentando-se ao Brasil como o homem que derrotou José Sarney e mudou a cara do Maranhão.

Trata-se de uma tarefa difícil, levando em conta que, para ganhar a eleição e governar, Flávio Dino faz alianças com a base do sarneísmo, agregando figuras como Waldir Maranhão, apenas para ficar em um exemplo.

Assim, o projeto de mudança profunda pode naufragar, visto que a base sarneista não está interessada em absolutamente nada que diga respeito a igualdade, democracia, justiça e direitos humanos.

Por isso, a condicional “se tudo der certo” para Flávio Dino tem de ser colocada na balança da análise do projeto nacional.

Considerando o exposto acima, José Sarney opera junto a Michel Temer para intervir no Maranhão. A candidatura de Roseana Sarney faz parte do jogo e pode crescer, caso o PMDB nacional assuma de fato a “operação eleitoral”.

Para impedir o vôo nacional de Flávio Dino, é necessário derrotá-lo agora. Portanto, a volta de Roseana Sarney ao cenário não é apenas um tema de interesse local. E pode se viabilizar, caso o PMDB nacional opere de forma intensiva. Como no Maranhão de antes, tudo passa por Brasília.

Computa-se também nesta avaliação a onda conservadora que move o mundo e o Brasil. O ódio à esquerda e à palavra “comunismo” é algo forte que vai influenciar no projeto de sufocar o governador do Maranhão, número um do PCdoB.

Roseana Sarney não é candidata apenas sob as bênçãos do pai José Sarney. É a candidata da direita conservadora, legítima representante da Casa Grande de Michel Temer et caterva.

O goiabal da Santa e o dia da caça

Por Nonato Reis*

Imagem ilustrativa

A Fazenda da Santa, ou Fazenda Bacazinho, foi palco das melhores lembranças dos meus tempos de menino. Ali estudei as primeiras letras, brinquei, namorei. A maior parte das festas e outros eventos do Ibacazinho, povoado à beira do rio Maracu, a quatro quilômetros da sede do município de Viana, ocorriam nos domínios da fazenda – uma casa de alvenaria em dois pavimentos, erguida sobre um oitão, ao lado de um velho tamarindeiro, e de frente para uma planície verde que se estendia a perder de vista.

No inverno, as águas do Maracu transbordavam e avançam para os campos e matas de vegetação baixa, transformando a paisagem num imenso lençol líquido, margeado por uma estreita faixa de terra, onde se localizavam as casas. A fazenda ficava praticamente isolada, e mesmo o caminho de chão batido, que dava acesso ao lugar, se tornava intransitável, coberto de lama e de água.

No primeiro piso da fazenda havia um salão com mesa grande retangular, usada para a ceia dos vaqueiros no período de ferra (evento festivo em que o gado, recolhido aos currais, era contado, ferrado e vacinado, além de sorteadas as reses que seriam dadas em pagamento ao responsável por cuidar da criação). A mesa também servia à escola de alfabetização, destinada às crianças da comunidade.

Alguns metros além dos limites da casa grande, havia um enorme poço, que abastecia a fazenda por meio de um sistema de bombeamento. A cacimba e o tamarindeiro, conforme relato dos mais velhos, seriam herança dos jesuítas, que ali se estabeleceram em meado do século XVIII e implantaram a Missão de Conceição do Maracu, marco inicial da colonização de Viana.

Um pouco mais à frente do pé de tamarindo estendia-se o goiabal, local preferido da meninada, durante o recreio.

Eram tantos os pés de goiaba que formavam um entrelaçamento de galhos e davam um sentido de unidade, como se houvesse um único pé da árvore, o que possibilitava aos alunos percorrerem toda a extensão daquela floresta, movimentando-se pelos galhos das plantas.

Em determinada época do ano, repleto de frutos dourados, o goiabal se convertia em ótima fonte de nutrição, ainda mais considerando o estado de carência da comunidade.

Porém, ávida por vadiagem, a molecada não apenas se alimentava dos frutos maduros, como fazia-os de bolas de pingue-pongue, atiradas uns contra os outros. Era uma gritaria ensurdecedora quando a goiaba madura espatifava na blusa alvinha de farda de um colega, provocando uma enorme mancha vermelha, para o desencanto das mães, obrigadas a trabalho dobrado para reabilitar os uniformes.

As brincadeiras assumiam um tom de drama, quando a goiaba arremessada acertava, indevidamente, um órgão da criança, como o estômago, por exemplo. Eu passei por situação difícil, quando um primo meu atirou-me um fruto ainda verde. A goiaba acertou-me na altura do fígado, e por alguns minutos eu perdi a fala e a respiração.

Chamada às pressas, a professora Ceciliana, por coincidência minha madrinha, tirou-me daquela agonia e “premiou” o agressor com meia dúzia de bolos. Além disso, proibiu o acesso às goiabeiras por uma semana.

Mas nem os filhos dela escapavam das presepadas no goiabal. Silvana era morena clara, traços delicados e os cabelos secos, fartos, do tipo fogoió. Adorava jogar as goiabas contra os colegas e, ótima arqueira, quase sempre se saía melhor nos arremessos.

Acontece que nem sempre o caçador se dá bem e uma hora ele vira caça. O dia de Silvana chegaria, e ela, de tão atingida pelas goiabas, ficou parecendo um mostrengo – a farda toda ensopada de vermelho, como se do próprio corpo escorresse sangue, e os cabelos numa espécie de sopa de beterraba. Minha madrinha, que não era de passar a mão na cabeça de transgressores, disciplinou gregos e troianos, e Silvana, mesmo a contragosto, teve que acertar as contas com a palmatória.

*Jornalista