Trancoso, o homem que salvava vidas

Nonato Reis*

Viana tem uma dívida impagável com Marcelino José Trancoso, o médico e farmacêutico que, mesmo sem diploma acadêmico, cuidou da saúde de meio mundo naquelas redondezas e livrou da morte outros tantos, praticamente à beira da sepultura. Isso num tempo em que não serviço de saúde pública na cidade e os remédios eram manipulados em farmácias improvisadas com baldes de zinco, tigelas de cerâmica e depósitos de vidro.

Corria a primeira década do século XX. Natural de Rosário, Marcelino Trancoso chegou em Viana ainda jovem, para se estabeler em uma quinta às margens do Igarapé do Engenho, no lugar onde, quase dois séculos antes, os jesuítas da Missão de Conceição do Maracu ergueram a fazenda São Bonifácio, maior empreendimento agropecuário da região, com 20 mil cabeças de gado, engenhos de açúcar e áreas próprias para o cultivo de cana, milho, arroz, mandioca e feijão.

Para quem não sabe, a fazenda São Bonifácio do Maracu é considerada marco inicial da colonização de Viana. Além da casa grande, havia uma igreja, erguida na margem oposta do Igarapé do Engenho, onde os inacianos faziam as suas orações e prestavam louvores ao Senhor. 

Nos fundos e ao lado da igreja, construíram dois cemitérios, um para crianças e outro para adultos (este denominado de Cemitério dos Tamarindeiros, guarnecido por dois grandes exemplares da espécie).

Trancoso era atlético, “de voz rouca e velada”, na definição de Sálvio Mendonça, em seu livro “História de um menino pobre”. Visitava os pacientes a domicílio todos os dias pela manhã, montado a cavalo, como se fosse um coronel das antigas, calçado com botas altas, usando esporas e rebenque.
Diagnosticava as doenças apenas pelo tato e mediante o exame físico dos olhos. Dificilmente errava o diagnóstico e seus remédios pareciam revestidos de poderes mágicos.

Mas não apenas clinicava, como também fazia intervenções cirúrgicas. Às vezes, apenas de posse de um canivete ou de uma serra, lancetava tumores, abria incisões, amputava dedos e até membros.

Do horto cultivado em sua quinta, preparava fórmulas diversas, às quais dava nomes engraçados e até inusitados, como “o peitoral de urucu”, para úlceras; o “lambedor de jurubeba”, para prisão de ventre, o “sumo de são caetano”, para hemorroidas; e até as “pílulas arrebenta pregas”, cuja finalidade dispensa explicações.

Para as populações ribeirinhas ao longo do Igarapé do Engenho e até da cidade, Trancoso era quase uma divindade, reverenciada e temida (por suas previsões fúnebres). Se despachava o enfermo, os familiares podiam preparar o óbito. Mas era capaz de dar vida ao moribundo, e em pelo menos três situações fez o doente levantar praticamente à beira da sepultura.

Como o caso do homem que perdeu peso e cor de repente. Ficou branco feito uma vela, a barriga cresceu, não comia mais nem bebia. O desenlace parecia iminente. Chamado às pressas, Trancoso olhou o doente nos olhos e decretou: “você não vai morrer, pelo menos agora”.
Depois mandou providenciar uma bacia com leite morno ao meio, ordenou a todos que se retirassem do quarto e instou o sujeito a ficar nu de cócoras sobre a bacia, sem olhar para baixo. “Só levante quando eu mandar!”. Meia hora depois, jazia na bacia uma cobra imensa, medindo sete metros de comprimento. “Era isso o que te matava!”.

De outra feita, Trancoso participava de uma vaquejada na Palmela. Uma adolescente negra brincava de pular sobre mesas com garrafas de bebidas. O pé dela bateu em uma garrafa, o corpo desequilibrou e ela caiu em cambalhotas. No choque com o chão, a garrafa de vidro quebrou e uma parte dela, feito lança, atingiu a barriga da menina, rasgando-a de cima a baixo, deixando à mostra as vísceras que se misturaram a fezes de animais sobre o chão.

Trancoso mandou que providenciassem agulha e fio, e ali mesmo, com a mesa improvisada de centro cirúrgico, limpou as vísceras, recoloco-as na cavidade abdominal e costurou a barriga da menina, que sobreviveu por milagre, livre de infecções.
Ao comentar o caso, Sálvio, então médico formado, atribuiu o feito à forte estiagem da região, que expunha o solo à ação direta dos raios solares. Naquela condição, segundo ele, os riscos de infecção se reduziam drasticamente.

Porém o caso mais rumoroso que deu à figura de Trancoso ares de mito foi a de um vaqueiro que, após um mal estar súbito, veio a óbito. Chamado para a sentinela, Trancoso, como sempre o fazia, aproximou-se do defunto e tentou abrir suas pálpebras, para o exame visual dos olhos. Depois, de posse de um espelho virgem, pressionou-o sobre o nariz do falecido.

Ao retirá-lo, após alguns minutos, Trancoso notou gotículas sobre o vidro. Então, pegou um tijolo e o colocou no fogo até ficar vermelho em brasa. Enrolou-o a um pano e o colocou sob a planta dos pés do morto, que na mesma hora deu um berro medonho e pulou fora do caixão, deixando a plateia em polvorosa. Perplexo, o povo tratou de fugir para o mato.

Trancoso, na maior calma, o olhar grave, explicou depois que aquilo nada tinha de sobrenatural. “É uma doença pouco conhecida, que paralisa os órgãos do paciente e dá a impressão de que ele está morto. O risco é que, por ignorância, acabem por enterrá-lo vivo”.
Nos anos 70, quando o ator Sérgio Cardoso, após um ataque de catalepsia, foi dado como morto e assim sepultado, o Ibacazinho evocou a memória do velho farmacêutico. Tivesse o galã da TV um Trancoso por perto, dificilmente teria morrido em condições bizarras.

*Jornalista

AVL presente no aniversário de 260 anos de fundação de Viana

Praça da Matriz – Catedral de Nossa Senhora da Conceição

Viana é a quarta cidade mais antiga do Estado do Maranhão e teve sua origem na aldeia Guajajara de Maracu. Seu povoamento se inciou em 1683, às margens do Lago Maracu, quando os jesuítas fundaram a Missão Nossa Senhora da Conceição do Maracu. Posteriormente, em 8 de julho de 1757, elevada à categoria de Vila, a “Vila de Viana”, em homenagem à cidade portuguesa de Viana do Castelo.

A Vila de Viana foi instalada em 8 de julho de 1757, sob o reinado de D. José I, Rei de Portugal, e sob o governo de Gonçalo Pereira Lobato e Sousa, governador da Capitania do Maranhão. Ao ser fundada, a Vila de Viana possuía 300 habitantes. A organização política era regida pelo direito português, com direção da Câmara, que acumulava as funções administrativa, judicial, fazendária e polícia.

A Vila alcançou o status de cidade na data de 1855, através da Lei Provincial nº 377, datada de 30 de junho, atingindo, cinco anos depois, a população de mais de oito mil habitantes. A cidade alcançou o apogeu comercial em meados do século 19, principalmente em decorrência da lavoura do algodão, arroz, milho e mandioca. Todavia, a partir do início do século 20, Viana enfrentou um gradativo declínio econômico, notadamente em face da queda da exportação do algodão, da abolição da escravatura e do crescimento dos transportes ferroviário e rodoviário.

Pôr do sol no Lago de Viana – Foto Geraldo Costa

Na cultura, o município possui uma tradição rica e marcante na história do Maranhão, com destaque para inúmeras personalidades ilustres, a exemplo dos patronos da Academia Vianense de Letras: Antônio Lopes (Cadeira nº 1); Edith Nair Furtado da Silva (Cadeira nº 2); Astolfo Serra (Cadeira nº 3); Sálvio Mendonça (Cadeira nº 4); Padre Manoel Arouche (Cadeira nº 5); Temístocles Lima (Cadeira nº 6); Frei Antônio Bernardo da Encarnação e Silva (Cadeira nº 7); Padre João Mohana (Cadeira nº 8); Dilú Mello (Cadeira nº 9); Estêvão Carvalho (Cadeira nº 10); Raimundo Lopes (Cadeira nº 11); Celso Magalhães (Cadeira nº 12); Nilton Aquino (Cadeira nº 13); Travassos Furtado (Cadeira nº 14); Anica Ramos (Cadeira nº 15); Miguel Dias (Cadeira nº 16); Onofre Fernandes (Cadeira nº 17); Manuel Lopes da Cunha (Cadeira nº 18); Ozimo de Carvalho (Cadeira nº 19); Dom Francisco Hélio Campos (Cadeira nº 20); Faraíldes Campelo da Silva (Cadeira nº 21); Egídio Rocha (Cadeira nº 22); João de Parma (Cadeira nº 23); Enedina Brenha Raposo (Cadeira nº 24); Raimundo Nogueira (Cadeira nº 25); Padre Constantino Vieira (Cadeira n° 26); Josefina Cordeiro Cutrim (Cadeira n° 27); Raimundo de Castro Maya (Cadeira n° 28); Padre Eider Silva (Cadeira n° 29); Zeíla Lauleta (Cadeira n° 30); Dom Hamleto di Angelis (Cadeira n° 31); Benedita Balby (Cadeira n° 32).

A bandeira de Viana, símbolo maior do município, é de autoria do patrono da Academia Vianense de Letras João de Parma Montezuma da Silva, sendo criada através da Lei Municipal nº 112, de 7 de fevereiro de 1919, possuindo as cores branca, azul e verde, representando, assim: “a branca, a limpidez das águas do nosso formoso lago; a verde, a cor dos nossos belíssimos campos; e azul, a cor do céu”.

O escudo do Município também foi idealizado por um patrono da AVL, o pintor Nilton Aquino, sob encomenda do então presidente da Câmara Municipal de Viana, Ozimo de Carvalho, sendo oficializado por decreto do então prefeito Luís de Almeida Couto, conforme o artigo 284 da Lei nº 19 de 7 de setembro de 1949. O desenho original recebeu uma nova roupagem colorida pelo pintor vianense Moisés Pereira.

A parte superior do escudo possui moldura de paisagens de Viana. No centro, um índio Guajajara. Do lado direito, a antiga Missão Nossa Senhora da Conceição do Maracu. Na parte inferior, do lado esquerdo, encontra-se um engenho de açúcar. Do lado direito, a representação da agricultura moderna e produtiva, simbolizada pelo trator arando a terra. Na base do escudo, o babaçu e o arroz, riquezas da região.

Viana, assim como São Luís, Alcântara, Carolina e Caxias, possui patrimônio histórico tombado pelo Estado, através do Decreto Estadual nº 10.899, de 17 de outubro de 1988, porém, com o passar dos anos, Viana vem sofrendo intensa dilapidação do seu patrimônio arquitetônico, com alguns prédios em ruínas e até demolidos, como a casa de Ozimo de Carvalho, hoje existente apenas o terreno que é objeto de doação pela Prefeitura Municipal à AVL, para construção preservando os moldes arquitetônicos originários.

Em 2015, Viana foi eleita a 4ª melhor cidade de pequeno porte para viver no país, segundo a edição especial da revista “ISTO É” que traz o ranking “As melhores cidades do Brasil 2015”, que analisa um conjunto de indicadores nas áreas fiscal, econômica, social e digital. Viana se destacou no item “mercado de trabalho”.

O turismo também é um atrativo da cidade, uma vez que Viana possui uma paisagem única que contempla planície de campos, espelhos de água cristalinas de lagos, enseadas, rios, igarapés, além de morros, ilhas e ilhotas.

Segundo dados do IBGE, em 2016, Viana possuía a população estimada em 51.503 habitantes, porém esse crescimento populacional ocorreu sem o devido planejamento urbano, merecendo, por isso, a Cidade de Viana uma atenção especial da sociedade.

Nesse viés, a Academia Vianense de Letras consolidou o desenvolvimento de atividades básicas e primordiais de defesa da cultura e de valorização de nossa Cidade, inclusive desenvolvendo ações em defesa do meio ambiente (incluindo questões relevantes à sociedade vianense, como, entre outras, a perenidade dos lagos e a pesca na região) e do patrimônio histórico, dando sua contribuição para a recuperação de obras religiosas e da Igreja da Matriz.

E, assim, a Academia Vianense de Letras tem se feito presente na cidade, aproximando-se cada vez mais da população e contribuindo, especialmente, nas áreas da Educação e Cultura, a exemplo do Convênio de Cooperação Técnica firmado com o Executivo Municipal, Prefeito Magrado Barros, na Sessão Solene Comemorativa dos 15 anos da Academia, bem como tantas outras ações que serão realizadas no biênio, em cooperação técnica.

A AVL participará, apoiando o Município de Viana, da Marcha Cultural, a realizar-se na próxima sexta-feira, dia 7 do corrente mês, a partir das 16 horas, quando, no Parque Dilú Melo, serão desenvolvidas várias apresentações culturais envolvendo os estudantes da rede pública municipal de Viana, abrangendo também as escolas públicas da zona rural. Finalizando, assim, o Projeto da Semana da Arte Moderna, da Secretaria Municipal de Educação/Cultura.

Temos muito a comemorar no próximo dia 8 de julho, data em que serão celebrados os 260 anos de fundação de Viana.

Nessa data esperamos receber a sanção pelo Executivo Municipal do Projeto de Lei nº 013/2017, aprovado pela Câmara Municipal por unanimidade, autorizando a doação à Academia Vianense de Letras do terreno localizado na Rua Professor Antônio Lopes, local em que morou o patrono Ozimo de Carvalho. Onde, em breve, será construída e instalada a sede da AVL.

São muitos os desafios a serem vencidos. E acreditamos que com a parceria firmada com o Executivo Municipal, somaremos forças para impulsionar a cada dia o desenvolvimento da cultura no Município de Viana.

Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro

(Presidente da Academia Vianense de Letras).

Baixada Maranhense e o Instituto Histórico

Sobrado Amarelo, em Viana-MA – descaso e abandono

Nonato Reis*

A Baixada Maranhense é uma região historicamente esquecida das instâncias de decisão. Hoje bem menos do que no passado, é verdade, porque agora existe a malha rodoviária que permite a integração física entre as cidades e os vilarejos com a capital e os demais centros urbanos do País. Antes tudo eram trevas. Ao descaso dos gestores públicos somava-se o isolamento geográfico. As ligações com São Luís só se davam por meio de lanchas e vapores, navegando rios e mares em viagens que duravam até oito dias.

Viramos algumas páginas desse livro sombrio, mas o cerne da questão permanece: a marginalização política -, como um garrote a condenar ao atraso aquela vasta região de rios, lagos, campos e florestas, repositório de uma história belíssima, até hoje contada apenas por esparsos capítulos, frutos da iniciativa isolada de alguns de seus filhos mais brilhantes.

Antes se dizia que a Baixada precisava eleger representantes nos parlamentos em São Luís e Brasília, para que assim pudesse ser inscrita no mapa das políticas públicas do Estado e da União. Nas últimas décadas elegeram-se dezenas de deputados estaduais e federais egressos da Baixada. Criou-se uma frente política na Assembleia Estadual em defesa da região. Tivemos até um Presidente da República, filho de Pinheiro ou São Bento (Sarney afirma ser de Pinheiro, mas sua biografia conta que ele nasceu num lugarejo pertencente a São Bento). E em que isso serviu para mudar o horizonte da Baixada?

De concreto, nada. Existe um projeto denominado “Diques da Baixada”, criado no âmbito do governo federal que, se executado tal como no papel, pode ser a redenção da região. Um dos maiores gargalos do desenvolvimento regional é o fenômeno da salinização, que significa o avanço das águas salgadas sobre os estoques de água doce, que no verão se reduzem drasticamente, permitindo a contaminação dos lagos, rios e lençóis freáticos, pela água que vem do Golfão Maranhense, o que gera um rastro de destruição sobre a fauna e a flora lacustres.

Há também, no âmbito do Estado, uma versão tupiniquim desse projeto, denominado “Diques de Produção”, que possui objetivos menos ousados, e compreende a construção de barragens entre tesos próximos um do outro, para controlar a entrada de água salgada nos rios e lagos. Some-se a isso a elaboração, pelo governo estadual, de projetos nas áreas de psicultura, pecuária, agrícola e até de beneficiamento de alguns produtos típicos da região.

De um modo geral, os diques são importantes porque tratam essa questão de forma científica, fazendo com que a água doce, por meio de um sistema de comportas, permaneça o ano todo em bom nível nos cursos naturais, em benefício das populações que residem às margens dos rios e dos lagos e vivem da pesca, da caça e da agricultura de subsistência. Em que pese os esforços políticos para alavancar o conjunto de ações previstas, o projeto ainda é visto com desconfiança.

E por que isso ocorre? Porque falta uma ação conjugada entre poder público e sociedade – sociedade aqui entendida em sua forma organizada. Não adianta criar bons projetos se não houver a força intermediadora dos organismos sociais, que têm o papel de ouvir a população, discutir com ela, encaminhar propostas e fazer pressão nas diversas instâncias de poder, para que sejam efetivadas. É assim que as coisas funcionam no regime democrático.

Muitos municípios da Baixada já dispõem de academias de letras, que vejo como fóruns importantes do conhecimento acadêmico. Mas até aqui elas funcionam naquele formato anacrônico de reuniões fechadas e improdutivas. É importante que as academias se reformulem na sua concepção original, e de organismo estático e ausente passem a atuar como uma força viva da sociedade, criando ideias, cobrando soluções, fazendo a interlocução com as prefeituras e os demais poderes.

Também há que se destacar a criação do Fórum em Defesa da Baixada, formado por luminares de diversas áreas de atuação, todos amantes da região e dispostos a criar mecanismos que ajudem a melhorar a vida das populações. Atualmente o Fórum se dedica a desenvolver o projeto de um livro de crônicas, com temáticas e personagens da Baixada.

A Baixada Maranhense já foi uma região importante nos seus primórdios, tendo sido alvo da ação de padres jesuítas e aventureiros espanhóis que para cá vieram – alguns antes mesmo do Descobrimento – atraídos pelos relatos da existência de minas de ouro ao longo da bacia do Turiaçu. Não por acaso a missão de Conceição do Maracu, que deu origem à cidade de Viana, instalou-se em terras do Ibacazinho, como estratégia para explorar o território sob influência do rio Turiaçu e granjear riquezas.

Assim vejo a Baixada sustentada em dois pilares fundamentais: um de natureza histórica, importantíssimo; e outro que aponta para o desenvolvimento de uma região, que por séculos ficou imersa no esquecimento. Como contribuição, proponho a criação de um Instituto Histórico e Geográfico da Baixada, com a missão de resgatar esse vasto patrimônio cultural e elaborar políticas que valorizem e estimulem ações voltadas para o contexto da Baixada Maranhense.

Um exemplo prático seria contatar autores e estudos sobre ícones e personagens da região, sistematizar esse conhecimento por meio de publicações, viabilizar a edição de livros, articular com as prefeituras a inclusão de disciplinas sobre história da Baixada nos conteúdos curriculares das escolas municipais. Por enquanto o IHGB é uma ideia embrionária, mas que pode criar formas e ajudar a resgatar esse rico patrimônio para as gerações futuras. Fecho com “Prelúdio”, a bela música de Raul Seixas. “Um sonho que se sonha só/é só um sonho só/ mas sonho que se sonha junto é realidade”.

*Jornalista

Morre o jornalista Jorge Bastos Moreno, colunista do GLOBO

Um dos mais respeitados repórteres de política do país sofreu edema agudo de pulmão, decorrente de complicações cardiovasculares

 POR O GLOBO

O jornalista Jorge Bastos Moreno trabalhava no GLOBO há 35 anos – Leo Martins / Agência O Globo

 

RIO – O jornalista Jorge Bastos Moreno, colunista do GLOBO, morreu à 1h desta quarta-feira, no Rio, aos 63 anos, de edema agudo de pulmão decorrente de complicações cardiovasculares. Um dos mais respeitados repórteres políticos do Brasil, Moreno nasceu em Cuiabá e viveu em Brasília desde a década de 1970. Há 10 anos morava no Rio.

Com mais de 40 anos de carreira, Moreno era dono de uma invejável agenda de fontes, que inclui os principais políticos e os grandes nomes do mundo artístico do país.

Trabalhou no jornal O GLOBO por cerca de 35 anos, onde chegou a dirigir a sucursal de Brasília. Seu primeiro grande furo de reportagem foi no “Jornal de Brasília”: a nomeação do general João Figueiredo como sucessor do general Ernesto Geisel. Foi apenas o primeiro de grandes furos, conseguidos graças à sua imensa capacidade de conquistar fontes. Sua importância era tamanha que, nos corredores do Congresso, enquanto repórteres costumavam chamar “Senador, Senador” ou “Deputado, Deputado”, em busca de uma informação, com Moreno era o contrário: ao entrar no Congresso, eram os políticos que o chamavam, “Moreno, Moreno”.

Entre tantos furos, dois se destacam. Durante o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, quando a própria CPI do PC procurava uma prova cabal que ligasse o presidente aos cheques de “fantasmas” que vinham do esquema PC, foi Moreno que revelou que um Fiat Elba de propriedade do presidente tinha sido comprado pelo “fantasma” José Carlos Bonfim. Uma informação que ainda não era do conhecimento nem do relator da CPI, deputado Benito Gama, nem de seu presidente Amir Lando. A manchete do GLOBO selava o destino do presidente.

Venceu também o Prêmio Esso de Informação Econômica de 1999 com a notícia da queda do então presidente do Banco Central Gustavo Franco e a consequente desvalorização do real. Moreno teve acesso à noticia no início da madrugada, avisou aos diretores e conseguiu um feito com que todos os jornalistas sonham: parou as máquinas do jornal para que seus leitores tivessem ao acordar a notícia explosiva.

No fim da década de 1990, estreou sua coluna de sábado. O primeiro título – “Nhenhenhém” – era inspirado num desabafo do então presidente Fernando Henrique Cardoso para que os jornais “parassem de nhenhenhém” e tratassem do que ele considerava temas mais importantes. Apesar do título, a coluna nada tinha de superficial: no seu estilo irônico, publicava as notícias mais relevantes do bastidor político brasileiro. A coluna, publicada até o último sábado, passou há alguns anos a levar o nome do próprio Moreno. Mais recentemente, passou a escrever o “Cantinho do Moreno”, na coluna “Poder em jogo”, de Lydia Medeiros.

Era um apaixonado por todas as plataformas de notícia. A todo instante, abastecia também o Blog do Moreno. Desde 10 de março, comandava o talk show “Moreno no Rádio”, na CBN, às sextas-feiras à tarde. Era também o âncora do programa “Preto no Branco”, do Canal Brasil. E fazia imenso sucesso com suas participacões frequentes na GloboNews.

Também em março, Moreno lançou o livro “Ascensão e queda de Dilma Rousseff”, transformando em relato histórico aquela que talvez seja a forma mais efêmera de comunicação dos tempos digitais: as mensagens de Twitter. Em centenas de microtextos de até 140 caracteres, Moreno teceu comentários que remontam a meados de 2010, quando Dilma se preparava para sua primeira eleição à Presidência da República, e vão até agosto de 2016, mês em que a petista teve seu mandato cassado no Senado.

Moreno era também autor de “A história de Mora – a saga de Ulysses Guimarães”, lançado em 2013, após ser publicado em forma de série pelo GLOBO. O livro, que mistura realidade e ficção, traz episódios em torno da figura de Ulysses contados por um narrador especial: dona Ida Maiani de Almeida, carinhosamente apelidada de Mora.

Acadêmico lança novo Retrato de Viana

O acadêmico João Mendonça Cordeiro, membro da Academia Vianense de Letras (AVL), lança no próximo dia 16, das 19h às 20:30h, no Espaço Amei, no São Luís Shopping, em São Luís, o livro “Retrato de Viana-Ma/1683 a 2013″.

Segundo o autor, sem pretender comparar-se ao inigualável “Retrato de um Município” de Ozimo de Carvalho, este novo trabalho faz um apanhado geral e sucinto sobre a geografia, a economia, a história e a cultura do município de Viana, nos últimos quatro séculos (1683 a 2013).

A obra foi lançada também, em Viana, durante as comemorações do 15º aniversário da Academia Vianense de Letras, no mês passado.

Professor aposentado da UFMA, João Mendonça Cordeiro é titular da Cadeira n° 3 da AVL e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Possui vários livros publicados, como Zoomorfismo Literário (2002), 70 anos (2004) e O Impeachment do governador Achiles Lisboa e 10 anos da Academia Vianense de Letras (ambos em 2012).

Com informações da AVL

Academia Vianense de Letras comemora 15 anos de contribuição literária, histórica e cultural

A centenária Biblioteca Pública Municipal Ozimo de Carvalho – totalmente reformada, ampliada e climatizada pela gestão do ex-prefeito Chico Gomes -, foi o palco da solenidade matinal em comemoração aos 15 anos da Academia Vianense de Letras (AVL), no último sábado (27).

Confrades e confreiras da AVL, além da comunidade em geral, comemoraram a data especial em momentos distintos: pela manhã, os destaques foram o descerramento da placa comemorativa aos 15 anos da AVL e os lançamentos das seguintes obras literárias: “A Família Piedade em Viana”, de Heitor Piedade; “Um Retrato de Viana”, de João Cordeiro; “A Caçadora”, de Aldir Ferreira; “Maria da Tempestade”, de João Mohana; “O Torrão Maranhense”, de Raimundo Lopes da Cunha; “O Baile de São Gonçalo”, de Lourival Serejo e “Púcaro Literário”, organizado por Jucey Santos de Santana e João Carlos Pimentel Cantanhede, da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA.

Descerramento da placa comemorativa aos 15 anos da AVL

 

O presidente da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp-MA), Júlio César Mendonça (Dr Julinho), representando o Gov. Flávio Dino, Fátima Travassos, presidente da AVL e o prefeito de Viana, Magrado Barros

A solenidade contou com as presenças do prefeito Municipal, Magrado Barros, secretários municipais, vereadores e a comunidade em geral.

Homenagens

A presidente da AVL entre os homenageados da noite

A segunda solenidade, à noite, aconteceu no Salão de Convenções CUNACU’S, com homenagens e entrega de Diploma de Honra ao Mérito Vianense à personalidades vianenses e da região,  assinatura de Convênio de Cooperação Técnica entre a AVL e a Prefeitura Municipal de Viana/Secretaria Municipal de Educação.

Na ocasião, também foram apresentados os regulamentos Academia Vianense de Letras Juvenil – AVLJ e o lançamento do Troféu Professora Edith Nair. Foram homenageadas as seguintes personalidades: o ex-Prefeito Batista Luzardo Pinheiro Barros; o médico Dr. Emanuel Rodrigues Travassos; o médico Dr. Edvaldo Franco Amorim; o escritor Manoel Santana Câmara Alves; o bispo diocesano Dom Sebastião Lima Duarte; a professora Ovídia Araújo Pinheiro; o empresário Benito Coelho Filho; o farmacêutico José Ribamar Serejo Sousa; o pecuarista Belarmino Pereira Gomes; o esportista José Ribamar Vieira; o cantor e compositor Antônio Bernardino Rabelo Filho; o músico Antônio Tarcísio Santos; e a caixeira Raimunda Nonata Dias. 

Ao final, foi realizado um sarau poético e musical com artistas e poetas vianenses.

Uma sede para a AVL

Durante a solenidade, solicitado para discursar aos homenageados, o ex-prefeito Benito Filho sugeriu a doação do terreno do antigo casarão do Canto Grande, onde funcionou a residência e a farmácia do notável vianense Ozimo de Carvalho, inclusive doando um projeto de reconstrução nos moldes originais do imóvel. A atitude foi bastante aplaudida, fazendo com que o prefeito Magrado Barros quebrasse o protocolo e anunciasse aos presentes que o terreno – de propriedade da Prefeitura de Viana-, será doado para a edificação da futura sede da Academia Vianense Letras.

Benito Filho solicitou a doação do terreno para a sede da AVL

O momento histórico vem coroar os esforços dos membros fundadores da AVL, em especial o ex-presidente, jornalista, escritor e pesquisador Luiz Alexandre Raposo, que por quatro mandatos consecutivos, dedicou-se de corpo e alma a expandir os trabalhos e o alcance social da Academia Vianense. Luiz Alexandre Raposo é o titular da Cadeira nº 9 (patroneada por Dillú Mello), idealista e redator responsável pelo jornal O Renascer Vianense, órgão de divulgação da AVL.

Mais

Com o objetivo de resguardar e empenhar-se pela promoção da cultura, notadamente da literatura, do município de Viana e da Baixada Maranhense, a Academia Vianense de Letras foi fundada numa noite de sábado, dia 4 de maio de 2002.  A iniciativa concretizava, assim, uma antiga aspiração de vários intelectuais filhos da terra.

A cerimônia de instalação e posse dos 18 membros fundadores realizou-se na sede do Grêmio Cultural Recreativo Vianense e contou com as presenças do prefeito municipal, Messias Costa, do Gerente Regional de Viana, Daniel Gomes, do bispo da Diocese de Viana, Dom Xavier Gilles, do Secretário Municipal da Educação, Carlos Augusto Cidreira, e do vereador José Santos.

Coordenada pelo escritor e empresário Carlos Gaspar, a reunião que contou ainda com a presença expressiva da juventude local, na maioria estudantes do Centro de Ensino Professor Antonio Lopes, iniciou-se com a apresentação dos acadêmicos presentes, suas cadeiras e respectivos patronos.

O juiz de Direito, Lourival Serejo, escolhido para presidir a nova agremiação cultural, falou em nome de todos os membros fundadores ali reunidos, quando destacou a importância daquele momento para a história de um município detentor de tantas tradições culturais como Viana.

VEJA MAIS MOMENTOS DAS SOLENIDADES EM HOMENAGEM AOS 15 ANOS DA AVL:

Da redação com informações da AVL (Leia mais aqui).

Um olhar aprofundado sobre a nova geração

A agência de publicidade Talent Marcel lançou nesta quarta-feira (17), um estudo chamado “Mind The Gap” sobre o comportamento dos jovens, narrado pela apresentadora Didi Wagner. Este documentário pretende desmistificar o universo desta nova geração, além de também apresentar as novas possibilidades.

Essa expressão chamada de Mind The Gap significa “Cuidado com o vão”, ou seja, ela é uma advertência para o comboio de passageiros, pois por vezes há uma grande vala entre a porta e a plataforma. Ele foi introduzido em 1969 pelo Metro de Londres. A frase é tão associada ao metro que se vende camisetas com a frase imposta a um símbolo do transporte local.

Seja para ser, dizer ou fazer o que quiser, esse novo momento no qual estamos vivendo surgiu para que nós possamos questionar o qual futuro que queremos, além de perceber como será nossa vida daqui a 30 anos. A revolução da informação empoderou o indivíduo, permitiu aos blogs ganharem mais leitores frente a grandes jornais, youtubers sejam mais assistidos que estúdios milionários e aplicativos desbanquem indústrias inteiras. Essa revolução aumentou o poder de questionamento das pessoas, seja ela contra o governo, a mídia e as marcas. No fim das contas, a revolução da informação influencia também o conceito que o jovem tem sobre hierarquia, ou seja, quando um impõe algo e o outro obedece sem questionamento.

Ora, se por um lado essa nova geração precisa demonstrar a sua imagem positiva a qualquer custo, nem que para isto, precise fazer verdadeiros absurdos pela bandeira de um grupo, por outro, essa geração consegue ter acesso ao conhecimento, processar a informação e difundir com muito mais facilidade. O documentário feito em parceria com o Multishow reúne 54 horas de conversas com 21 especialistas, 90 jovens de todas as classes sociais, diferentes gêneros e idades pesquisados em profundidade e 500 jovens de todo Brasil em pesquisa quantitativa.

Fonte: Comunique9