Fórum da Baixada promove Confraternização Natalina em Viana

No último sábado, dia 08 de dezembro, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM promoveu a sua Confraternização Natalina no município de Viana. O Evento foi coordenado pelo 1º Vice-presidente, o vianense Nélio Júnior, que não mediu esforços para que a confraternização fosse regada com comida saborosa e boa música, na voz da cantora Priscila Carvalho.

A chegada dos forenses em expedição coincidiu com as comemorações do dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Sob fortes saraivadas de foguetes, os forenses pararam para contemplar o Rio Maracu e se encantarem com suas belezas.

Em seguida dirigiram-se ao evento, no Sítio de Suely Veloso, na MA-014, entrada da cidade: uma belíssima construção moderna inspirada nas estearias no século XVIII, em que os povos baixadeiros fabricavam suas casas suspensas por estacas, para se protegeram das fortes enchentes.

Presidente do FDBM. Ana Creusa, entrega bouquet de flores para a anfitriã, Suely Veloso

O almoço foi servido e o cardápio não poderia ser mais adequado: torta de traíra seca (ou jabiraca), pato ao molho, creme de camarão e peixe escabeche. A sobremesa, além de doces e frutas variadas, não faltou a tradicional juçara e licor de jenipapo.

O forenses que saíram de São luís, logo nas primeira horas da manhã, não pouparam elogios à comida e a organização do evento, que teve a grife da produtora Dirce  Costa e sua equipe.

As homenagens deste ano foram para o Deputado Raimundo Cutrim, pela iniciativa de lei que tornou o FDBM de Utilidade Pública; Dr. Gusmão Araújo, Prof. da UEMA responsável pela gestão do Projeto Bosques na Baixada e Elinajara Pereira, pelos relevantes serviços prestados ao FDBM, como Secretária e Gestora do Projeto de Turismo na Baixada.

A presidente do FDBM, Ana Creusa, faz a abertura da solenidade, em Viana

O evento teve a cobertura da Rádio e TV Maracu que produziu imagens e entrevistas, com a Repórter Tânia Diniz e equipe.

No decorrer da Confraternização, muitos forenses, políticos e empresários vianenses, entre eles, o superintendente do Sebrae-MA, Dr. João Martins, Marcone Veloso, Ezequiel Gomes, Carrinho Cidreira, Fellickson do Posto, Getúlio Gomes, Álvaro Filho, Dr. Joel Dourado (ex-prefeito de Cajari, o vereador Mesaque do Povo (Penalva), entre outros, usaram a palavra para agradecer e parabenizar o Fórum em Defesa da Baixada, bem como desejar que o espírito natalino se renove a cada ano e que a Nação Baixadeira permaneça unida para que a região seja reconhecida por seus filhos e pelo Poder Público.

Políticos e empresários vianenses prestigiaram o evento do FDBM

Em sua fala, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viana, Chico Gomes – profundo conhecedor da Baixada, os problemas e carências da região -, discorreu sobre a sua luta para o reconhecimento e o resgate da Baixada Maranhense, que no passado teve fundamental importância social e econômica para o Maranhão e o Nordeste.

Luiz Morais, Dirce Costa, Santinha e Nélio Jr. comemorando o sucesso do evento

Para encerrar, Gomes emocionou a todos ao citar que “Deus criou o mundo e foi descansar ao sétimo dia, porém parou e pensou mais um pouco; fez mais uns rabiscos na sua criação e resolveu criar a Baixada” finalizou o “eterno deputado baixadeiro”, sob calorosos aplausos.

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Fotos: (ASCOM/FDBM) e Mário Mix

Nasce mais um poeta vianense

Já foi dito que: Ser Médico é…aliviar sofrimentos e penetrar fundo nos tormentos da humanidade…

Talvez, por assumirem essa nobre missão, muito médicos por viverem imersos nos sentimentos, também se revelam natos poetas da compreensão do fundo da alma humana.

Segundo Mário Quintana…

“Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

O jovem vianense, Fernando de Alencar Coelho, 22, estudante do sexto período de Medicina, filho do Diretor Geral da Rádio Maracu AM e TV Maracu, Benito Filho e sobrinho da escritora Laurinete Costa Coelho, acadêmica da Academia Vianense de Letras – AVL,  também foi alçado a sonhar alto e revelar por meio das palavras aquilo que o coração sente, quase sempre, na solidão do exercício para ser futuro médico.

O estudante já coleciona dezenas de poesias e sonha lançar um livro, no próximo ano.

A Rádio Maracu AM, de Viana, criou este mês um espaço exclusivo no seu site, para a divulgação de poetas regionais. É uma boa iniciativa para os baixadeiros mostrarem os seus talentos por meio das letras.

ABAIXO UM DOS POEMAS DO FUTURO MÉDICO VIANENSE:

 

“Sobre a sala de medicação”

 

Sou um doente

nesse mar de gente,

sinto muita solidão

até nesta multidão.

 

Estou acompanhado nessa sala,

mas não por quem queria estar,

me sinto sozinho nesta ala

por não poder conversar.

 

Tenho acompanhante,

mas ficou lá fora

e isso não é o bastante

por já ter passado da hora.

 

Creio que uma companhia

já muito me ajudaria,

melhoraria minha mente

em minha estadia como paciente.

 

Fernando de Alencar Coelho

@breveguia

O Fórum da Baixada é “Gente que Faz”

A convite do Diretor Superintendente do Sebrae/MA, Dr. João Martins, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM participou do 1º Fórum de Desenvolvimento Regional do Programa Liderança para o Desenvolvimento Regional – Líder Litoral Ocidental, no último dia 29/11/2018,  no Município de Cururupu, promovido pelo Sebrae/MA, com a participação de prefeitos e líderes municipais da microrregião do Litoral Ocidental Maranhense.

Além dos líderes dos 11 municípios que participaram do encontro em Cururupu, prefeitos da região, a gerente de políticas públicas e desenvolvimento territorial do Sebrae Maranhão, Cristiane Correa, a gerente regional do Sebrae em Pinheiro, Graça Fernandes e o Diretor Superintendente do Sebrae Maranhão, João Martins, incumbido de realizar a abertura oficial do evento.

Na ocasião, a Presidente do FDBM, Ana Creusa Martins dos Santos, proferiu palestra sobre a Constituição e Projetos da Sociedade em Defesa da Baixada Maranhense, dentro no tema “Gente que Faz”.

A Presidente discorreu sobre  as atividades de constituição jurídica: registo em cartório do Estatuto da Sociedade;  inscrição no CNPJ, abertura de conta bancária, entrega de declarações, certidões negativa e planejamento estratégico.

Na sequência, detalhou os projetos em andamento, como: Diques da Baixada; Academias na Baixada; Bosques na Baixada, Desenvolvimento Institucional, bem como a contribuição na edição de obras literárias, como o Livro Ecos da Baixada.

Aproveitou a oportunidade para discorrer sobre as expedições do FDBM que têm sido fonte de conhecimento e divulgação das demandas da região.

Ao final, ocorreu um profícuo debate, em que os presentes dirimiram suas dívidas sobre os projetos, com troca de experiências exitosas.

Usando da palavra, o Forense e Superintendente do Sebrae, Dr. João Martins, reafirmou seu apreço e satisfação em fazer parte do FDBM, bem como sugeriu que o Fórum dos Guarás seguisse o exemplo do Fórum da Baixada, com a consequente formalização e adotasse algumas bandeiras de luta, como a consecução da Ponte sobre o Rio Pericumã, por exemplo.

O interesse foi geral, especialmente pelo Projeto dos Diques da Baixada, Academias na Baixada e sobre o Projeto Paricás em Paricatiua. O encontro foi uma experiência exitosa para o FDBM, especialmente pela troca de informações, pois a busca pelo aprimoramento é urgente  e necessário.

A Presidente disponibilizou-se em auxiliar o Fórum Floresta dos Guarás a formalizar-se, bem como advertiu que de ambos devem trabalhar em parceria, vez que as demandas são similares.

Forum da Comarca de Viana realiza eventos que marcaram o Outubro Rosa e Novembro Azul 2018.

Por iniciativa da Diretora do Fórum da Comarca de Viana, Juíza Odete Maria Pessoa Mota Trovão e servidores da 1ª. e 2ª. Vara Judicial, várias atividades foram realizadas para chamar a atenção da população daquela cidade para a importância da prevenção do Câncer de mama e da Próstata.

Para o Outubro Rosa foi organizada uma caminhada, que aconteceu no dia 27/10, pela Avenida Luís de Almeida Couto, que contou com a participação dos servidores e de representantes do grupo de corredores “Os Bravos”; sendo que no dia 31/10 foi realizado pelos servidores nas dependências do Forum, plantio de sementes de Ipê Rosa, que serão doados ou plantados pelos servidores em área pública, em Outubro de 2019.

Já o Novembro Azul teve um calendário de atividades que aconteceram no dia 27/11, durante todo o dia, e contou com o apoio do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão – SINDJUS, e serviço de divulgação através dos veículos de comunicação TV Maracu e Rádio Maracu AM 630.

Das 08 às 12 horas, na sala de audiência da 2ª. Vara foi realizada verificação de glicemia e pressão arterial dos servidores e de pessoas da comunidade que ali compareceram. Esta atividade contou com o apoio de profissionais do Hospital Estadual José Murad e da Farmácia Pague Menos/Viana. Foram realizados 55 atendimentos.

A partir das 15 horas, aconteceu uma roda de conversa sobre o câncer de próstata com o Médico Emanuel Travassos e logo após, uma outra, denominada “Alimentação Saudável” com a nutricionista Evania Abreu, que contou com a participação dos servidores e pessoas da comunidade.

Por último, às 18 horas aconteceu mais uma caminhada, desta feita com a participação de servidores do Forum, membros da Defensoria Pública, Advogados, representante do grupo de corredores “Os Bravos” e pessoas da comunidade, compreendendo aproximadamente 60 pessoas, culminando com um lanche servido a todos os participantes, guardas municipais e policiais militares que prestaram total apoio e segurança em relação ao trânsito durante todo o trajeto.

A Diretora do Forum da Comarca de Viana, Juíza Odete Maria, destacou a participação coletiva e entusiasmadas dos servidores da Justiça, que em ambos os eventos se mobilizaram e contribuíram com frutas, doces, sucos e salgados na composição do lanche. Disse ainda, que: “sempre foi de minha vontade realizar atividades em datas comemorativas que tenham relação direta com a comunidade e envolver a população. O tempo é curto e a sobrecarga de trabalho me paralisam, mas com a ajuda de todos fica mais fácil”. Aproveitou o momento para transmitir a mensagem da Juíza Carolina de Sousa Castro, atualmente licenciada do cargo de titular da 2ª. Vara Judicial, parabenizando a todos os funcionários pelo engajamento e participação coletiva nos eventos, e reafirmando o espírito de cidadania externado em todas as atividades desenvolvidas.

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Texto e fotos enviados por Nonato Moraes

A saga de Amaralinda: o novo romance do escritor Nonato Reis

O jornalista e escritor Nonato Reis lança, neste sábado, 24, às 19h30, o seu segundo livro de romance “A saga de Amaralinda”. Ele estreou na literatura em 2017 com o livro “Lipe e Juliana”, que foi muito bem aceito nas redes sociais, onde o romance era publicado por capítulos à semelhança de um folhetim. O evento faz parte da 12ª Feira do Livro de São Luís (FELIS), que acontece no Multicenter Sebare, sob os auspícios da Prefeitura Municipal.

Divulgação

A saga de Amaralinda é uma história de superação. O livro narra a luta de uma mulher, Amaralinda, ainda adolescente, para tentar salvar um rio da destruição. Para tanto ela precisa mobilizar a comunidade do Ibacazinho, lugarejo do município de Viana, às margens do lendário rio Maracu, que serviu de berço no passado para a missão jesuítica de Conceição do Maracu, marco da fundação de Viana.

Com uma visão além do seu tempo, Amaralinda (Linda, para a comunidade) tenta fazer com que os moradores impeçam o poder público de aterrar o rio, com o propósito de represar água para abastecer a cidade. Isso nos anos 70, ainda marcados pela luz do querosene e a falta de conhecimento. Linda tenta mostrar à comunidade que, aterrando o rio, ele pode ser extinto, e isso acontecendo, a vida de todos estará em perigo.

Esse é o lado objetivo da trama, que mistura realidade, ficção, trapalhadas e senso de humor. Senso de humor que se cristaliza na figura da Tia Zulmira, fofoqueira de marca maior, que se ocupa em criar e difundir boatos entre os moradores. A coisa assume ares de drama quando a mulher, depois de morta, volta à tona, agora como alma penada, e se dana a violar os segredos mais bem guardados dos moradores.

Na conta dos personagens exóticos, destaque para Sebastião Xoxota que, matuto e semianalfabeto, assume a presidência do clube de jovens, entidade criada por Linda, para mobilizar os jovens contra o aterramento do rio, e depois se elege vereador de Viana com uma votação estrondosa.

Ressalte-se também o personagem de Eugênio, protagonista da primeira parte do livro, que com Linda vive uma bela história de amor e de cumplicidade.

O livro, porém, tem a sua trama alicerçada na figura de Linda, que, com extrema lucidez, prepara a comunidade para defender o seu patrimônio mais sagrado, o rio Maracu, contra a sanha criminosa do prefeito Língua de Sogra, um embate que faz lembrar a luta solitária do mar contra o rochedo.

Mas Linda não está de todo sozinha nessa jornada épica. Além dos parceiros do clube de jovens, ela conta com a orientação indispensável do Padre Eider, lendário religioso de Viana, falecido em 2009, que, com seus sábios conselhos, faz com que ela compreenda as dificuldades do caminho e enfrente todos os percalços.

Engana-se quem pensa que este romance é um típico ensaio panfletário, que mistura discurso político e frases de efeito. Escrito com leveza e sensibilidade, A saga de Amaralinda seduz pelo estilo simples de narrativa e a mistura na medida certa de signos como luta, amor e paixão.

Nonato Reis é natural do Ibacazinho, lugarejo às margens do Rio Maracu, em Viana. Jornalista e escritor, trabalhou nos principais jornais de São Luís e também na Folha de S. Paulo. Estreou na literatura em 2017, com o romance “Lipe e Juliana”. Tem ainda prontos para publicação o livro de crônicas políticas “A História Recontada” e outro de contos e crônicas de cotidiano “A Fazenda Bacazinho”, previsto para julho de 2019. (Texto NR)

O mundo pertence aos ousados

O mundo pertence a quem compreende que existir não é passivo. Pelo contrário, viver exige. É preciso dar ao mundo. E não apenas esperar dele.

“A fortuna favorece os ousados”. É uma frase do filme Bohemian Rhapsody que abriu as portas para algumas reflexões oportunas sobre como se associam coragem e realização pessoal. Não raramente, assim são disparados os gatilhos das reflexões: no cinema em plena segunda, no ponto de ônibus no fim do dia, ouvindo uma música pela primeira vez. As inquietações não foram educadas para saber aguardar.

O filme traz um recorte bonito da história daquele que foi um dos maiores vocalistas de todos os tempos. Um gênio. Um desajustado. Um primeiro e, possivelmente, também um último olhar sobre a figura extraordinária de Freddie Mercury poderia nos fazer assim defini-lo. Gênio, dada a sua originalidade inquestionável e vibrante. Desajustado, partindo de um referencial que pode considerar desajuste simplesmente aquilo que não se encaixa na normalidade, algo que extrapola, que não cabe.

Mas para além de genialidade e desajuste, há algo que chama ainda mais atenção. E trata-se justamente da maneira como Freddie se posiciona ante a sua enorme habilidade em cantar e inovar. E é, sem dúvida, um posicionamento de pura e genuína ousadia. Algo, talvez, ainda além da própria coragem. Uma coragem que não se interroga.

Em uma sociedade que taxa qualquer forma de excesso enquanto algo fora do normal, parece ser necessária uma espécie de chama interior inextinguível para sustentar o “exceder”. Esse exceder que não se ajusta, que se sabe diferente, mas quem nem sempre associa-se naturalmente à coragem, à ousadia. E é essa fórmula – talento e ousadia – que provavelmente compõe a genialidade.

Genial e extraordinário é tudo e todo aquele que não pertence à esfera do comum, do ordinário, do perfeitamente equilibrado. E ainda é preciso mencionar que é essa ousadia a condição para a entrega necessária. Uma entrega que, quando não existe, facilmente pode travestir o gênio de exótico, estranho e esquisito. Assim poderia ter sido com Freddie Mercury, não fosse o fato de que ele se sentisse tão confortável na própria pele, nas próprias vestes e com o próprio talento.

Em uma cena notável, Freddie diz a Mary, então sua companheira, que se sentia exatamente quem nascera para ser e que não tinha medo de nada. A sensação de não ser incipiente, de não dever para si mesmo uma exploração de suas potencialidades o eximia de todos os receios.

A entrega é o que sustenta o destino de um alguém talentoso. E entregar-se não é tarefa fácil, simplesmente porque entrega não pressupõe nenhum tipo de garantia. E é mais fácil abster-se, dado que o roteiro de uma vida normal não supõe que, para ser feliz, seja necessário mais que os ideais de beleza, família, emprego e riqueza.

Não está escrito em praticamente nenhum conto clássico infantil, em nenhum guia prático ou gibi, que, para sentir-se realizado – feliz – é preciso procurar no palheiro do peito a agulha daquilo que nos desperta interesse, curiosidade, dúvida, respeito e encanto.

Trazendo a reflexão para mais perto da esfera do comum, vale dizer que grandes habilidades que, por ventura, boa parte senão todas as pessoas possuem, podem evoluir ou atrofiar em decorrência de uma dedicação ou uma negligência. E que talento se refere à grande habilidade que se tem paixão ao executar, e que desperta a sensação de ter nascido para realizar. Talento é da tecitura da paixão. E paixão é um modo de se viver que não possui meios termos.

A cultura muda conforme mudam as fronteiras de cada país, e às vezes muda conforme muda a fronteira das cidades, dos bairros, dos muros das casas. E poucas dentre as culturas vigentes na atualidade pós-moderna relacionam felicidade com um preenchimento interno e singular que não é outra coisa senão a própria evolução do sujeito.

Freddie Mercury sabia disso. O Queen sabia disso. E soube no momento em que optou manter o nome e todas as características de uma música que, a princípio, “não fazia sentido” para a crítica e empresários da época: Bohemian Rhapsody, que mais tarde daria nome ao filme biográfico do vocalista.

Freddie Mercury, mas não apenas ele, como também Cazuza e alguns outros nomes da música, da pintura, da literatura. Mas não apenas das artes, mas também da Medicina, da Educação, do Jornalismo. Mas não apenas das vertentes acadêmicas. Mas também do trabalho manual, rotineiro e dito simples. Uma grande habilidade somada a uma entrega sem receios é capaz de mudar o mundo. E de marcar a história.

Tatiane Cris Nunes By Obvius

Do jornalismo tendencioso à indústria da mentira: Constituição completa 30 anos e mantem travada a legislação sobre comunicação

Três décadas após a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, a comunicação, um dos temas fundamentais para consolidar os sentidos de República e democracia, permanece quase inalterado e até mutilado.

Na Carta Magna os eixos sobre comunicação ainda não foram sequer regulamentados.  Dois exemplos são gritantes. O artigo 220 proíbe as práticas de monopólio e oligopólio. Já o artigo 221 manda as emissoras de rádio e TV darem preferência a finalidades artísticas, informativas, educativas e culturais, além de valorizar a produção regional e independente.

Deputados federais e senadores proprietários de emissoras de rádio e TV, os coronéis da mídia, operam em causa própria dentro do Congresso Nacional para que a legislação garanta os seus privilégios no uso e abuso dos meios de comunicação para fins empresariais e eleitorais.

O coronelismo eletrônico atropela a própria Constituição e estende-se mesmo às pequenas rádios comunitárias, impedidas por legislação complementar (nº 9.612/98) de fazer proselitismo político ou religioso, mas controladas por grupos políticos municipais e igrejas evangélicas, salvo as honrosas exceções.

O Brasil ainda é o país onde vigora a concentração empresarial e o uso de verba pública para conduzir apoio político-eleitoral aos mandatários municipais, estaduais e ao federal.

Nem nos governos do PT este vício foi alterado. Lula e Dillma seguiram a mesma cartilha dos tucanos e seus antecessores, privilegiando as Organizações Globo na fruição do dinheiro público.

O mais primitivo de todos, José Sarney, abusou da distribuição das concessões de rádio e TV para negociar o mandato presidencial de cinco anos.

Jair Bolsonaro, por sua vez, faz ameaças explícitas aos meios de comunicação e até insinua usar o controle das verbas publicitárias para coagir linhas editoriais.

Nesses 30 anos, bons ventos sopraram quando da realização da I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, reunindo quase 1500 delegados e delegadas dos segmentos empresarial, estatal e os movimentos sociais para debater, entre outros temas, a regulamentação dos temas da comunicação na Constituição de 1988.

Depois de quatro dias de debate e quase 600 proposições aprovadas, quase nada efetivou-se. Até mesmo o Conselho de Comunicação Social foi apropriado pela burguesia radiodifusora.

O país perdeu o time de sistematizar regras minimamente democráticas e republicanas para as comunicações. Agora está tomado pela indústria da mentira deslavada solapando o jornalismo tendencioso.

Nosso problema civilizatório nem é mais a força das Organizações Globo, mas o império das fake news decidindo a eleição para o cargo mais importante da República.

Imagem: reprodução / capturada neste site