O processo particular e a existência de um todo

Quando eu era criança e ouvia os adultos falando com tanta certeza, eu sempre me questionava se havia outra forma de enxergar as coisas. Eu nunca me contentei com o óbvio, acreditando em um olhar singular para a existência. Essa postura interligada em um movimento introvertido fez com que eu fosse silêncio, embora paralelamente observadora. Talvez seja o sol em virgem, mas detalhes nunca fugiram do meu olhar. Esse é um dos pontos preferidos sobre mim, o olhar indignado e questionados para uma parte do outro e do mundo que não é tão explorada e pra mim deveria receber mais atenção.

Um dia eu li que para seres tão pequenos como nós, a vastidão só é suportável por meio do amor. Isso me remeteu a um pensamento que me guiou por muito tempo, me sentir pequena diante do mundo e sua gama de possibilidades. Talvez por isso eu tenha pavor de limitações e também de certezas. Porque a incontrolabilidade da vida todo dia bate na nossa porta de alguma maneira.

Todo mundo encontra-se em seu processo particular, em seu desenvolvimento pessoal. A gente só não pode esquecer que ainda há uma vida em sociedade e ao final de uma soma nós somos seres interdependentes. Não somos responsáveis por tudo, assim como não somos responsáveis apenas pela nossa vida singular. O contato direto afeta, o indireto também.

Refletir o que vale a pena, para que vale a pena e o que realmente tal fato agrega na sua vida e no mundo. No fim, a gente vira a mesma coisa. A gente pode deixar saudade, marcas, lembranças. E o que vem depois é um mistério em que a gente deposita nossa fé, nossa esperança, nossa dúvida. A consciência de que nada é perfeito, mas que talvez aconchegar-se em um coração e fazer lar para o outro supra um vazio de alma que precisa ser preenchido, ou que deixe o caos ao redor mais suportável.

Se a vida for uma competição por dinheiro, status, imagem e poder, eu não vejo problema em perder. O que você tem plantado e como tem cultivado no mundo?

OBIVIUS

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