Com pauta de questões complicadas para resolver, Roseana prefere não fazer festa com número de pesquisa

 


Roseana Sarney: reação discreta diante dos números da pesquisa Escutec, muito festejados por seus aliados

Repórter Tempo – Ribamar Corrêa

Muita gente estranhou que a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) não tenha feito movimentos de comemoração dos números da pesquisa Escutec e emitidos sinais claros de que, embalada por eles, vai mesmo entrar na corrida sucessória tendo como adversário o governador Flávio Dino (PCdoB). Contrariando expectativas, a estrela maior do Grupo Sarney preferiu manter-se discreta, evitando exposição num momento político extremamente delicado no cenário nacional, no qual a cúpula do seu partido, a começar pelo presidente Michel Temer, está na linha tiro dos canhões da Justiça, e também porque tem pendências a resolver dentro do seu arraial partidário. Roseana Sarney sabe que, ao mesmo tempo em que pode funcionar como uma espécie de tábua de salvação para muitos dos seus aliados, sua candidatura ao Palácio dos Leões, embora dependendo apenas da sua vontade, é também um parto complicado por uma série de fatores intestinos.

Para começo de conversa, Roseana Sarney tem noção plena de que, ao contrário do que alguns dos seus parceiros estão prevendo, a disputa de 2018 pelo Palácio dos Leões não será um fato isolado, mas um evento situado no contexto nacional. Experiente nesse jogo, sabe que, mesmo com o trucidamento das esquerdas, o governador Flávio Dino é favorito, e numa aliança com Lula – mesmo que o ex-presidente seja impedido de se candidatar -, essa parceria pode se transformar num rolo-compressor imbatível no Maranhão.

Outro ponto a ser ajustado é que não é unânime no conjunto das suas forças a ideia de que ela seja candidata ao Governo tendo o seu irmão, o deputado federal Sarney Filho (PV), atua ministro do Meio Ambiente, como candidato ao Senado. Mesmo considerando o fato de que Sarney Filho aparece nas pesquisas liderando as preferências, muitos caciques sarneysistas temem que na evolução da campanha a banda maior do eleitorado acabe fazendo uma opção, por considerar exagero ter Sarney em dose dupla na disputa majoritária. É verdade que essa não é uma discussão que já agite as entranhas do Grupo Sarney, mas também não é exagero afirmar que ela está na pauta. Nas contas de alguns, um Sarney se dará bem na corrida majoritária, enquanto o outro será atropelado.

Sem os instrumentos de poder que sempre movimentou, dando asas e carta branca a operadores políticos e eleitorais do naipe do ex-deputado Ricardo Murad, a ex-governadora enfrentará enormes dificuldades para mover as forças do seu grupo, que sempre contaram com ajuda generosa para bancar suas campanhas. A Operação Lava Jato e outras ações que fecharam os dutos de irrigação de campanhas eleitorais no País criaram um ambiente de extrema dificuldade para os grandes grupos políticos estaduais do PMDB, entre eles o Grupo Sarney. Isso não significa dizer que essa não será uma dificuldade insuperável, mas não há com não registrá-la como um obstáculo de difícil remoção.

Roseana Sarney terá de administrar ainda questões incômodas como a definição do candidato à segunda vaga de senador que, tudo está indicando, será do senador Edison Lobão (PMDB). Mas aí vem a indagação: como ficará o senador João Alberto, que preside o PMDB n estado?  Há sinais de que, se vier a ser candidata, Roseana poderá convocar João Alberto para ser candidato a vice-governador, projeto com o qual o ex-governador simpatiza. Ainda assim, será uma costura delicada.

É verdade que, mesmo agravadas pelo furacão que atinge o PMDB e até mesmo o ex-presidente José Sarney, o principal incentivador, articulador e avalista desse projeto, nenhuma dessas situações é fator impeditivo à sua candidatura. Mas é igualmente verdadeiro que, ao assumir a candidatura, caso assim decida, a ex-governadora Roseana Sarney terá de dar solução eficiente para essas questões e, ao mesmo tempo, se preparar para enfrentar um bombardeio intenso e impiedoso. Como, aliás, costuma fazer com seus adversários.

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