Apoio de Michel Temer a Roseana Sarney tem objetivo maior: a disputa presidencial

Ex-presidente José-Sarney e o governador Flávio Dino – inimigos políticos no Maranhão

Por Ed Wilson Araújo

Uma frase conhecida de Miguel de Cervantes, na obra Dom Quixote, serve para ilustrar o raciocínio desse texto: “E o vencedor é tanto mais honrado quanto mais o vencido é reputado.”

O fato de Flávio Dino (PCdoB) ter derrotado José Sarney (PMDB), um dos homens mais influentes da República, colocou o governador do Maranhão rapidamente em visibilidade nacional.

A longevidade do poder de José Sarney, beirando os 50 anos, já era um tema bastante explorado na mídia nacional. Sua derrota, portanto, passou a ser uma pauta apimentada, considerando ainda o choque geracional que motivou a eleição de 2014 no Maranhão.

Na condição de vencedor do vencido reputado, a honra de Flávio Dino foi às alturas, somando-se ao próprio perfil do governador, oriundo da elite judiciária brasileira e principal figura do PCdoB.

Flávio Dino ampliou a sua visibilidade midiática durante o impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), quando se posicionou como principal advogado da petista e, simultaneamente, articulou uma aproximação com Lula.

Assim, o comunista maranhense entrou na agenda nacional, sabendo que as decisões tomadas na província passam necessariamente pelos poderes da República.

Ser a antítese de Sarney e o avatar de Lula constituem a dupla movimentação do governador para se posicionar na fila da agenda nacional, diante do vazio de lideranças políticas no chamado campo democrático.

Neste campo, no terreno das disputas presidenciais vindouras, a pergunta é: quem será o herdeiro do espólio de Lula?

Eduardo Campos (PSB) morreu, Ciro Gomes (PDT) parece ter um teto, Marina Silva (Rede) perdeu-se no meio do caminho e Marcelo Freixo ainda não alcançou a visibilidade necessária fora do Rio de Janeiro.

Flávio Dino está na fila. Manuela D’Avila é apenas um balão de ensaio.

Se for reeleito governador, em 2018, vai adiante. E pode avançar, caso tudo dê certo, apresentando-se ao Brasil como o homem que derrotou José Sarney e mudou a cara do Maranhão.

Trata-se de uma tarefa difícil, levando em conta que, para ganhar a eleição e governar, Flávio Dino faz alianças com a base do sarneísmo, agregando figuras como Waldir Maranhão, apenas para ficar em um exemplo.

Assim, o projeto de mudança profunda pode naufragar, visto que a base sarneista não está interessada em absolutamente nada que diga respeito a igualdade, democracia, justiça e direitos humanos.

Por isso, a condicional “se tudo der certo” para Flávio Dino tem de ser colocada na balança da análise do projeto nacional.

Considerando o exposto acima, José Sarney opera junto a Michel Temer para intervir no Maranhão. A candidatura de Roseana Sarney faz parte do jogo e pode crescer, caso o PMDB nacional assuma de fato a “operação eleitoral”.

Para impedir o vôo nacional de Flávio Dino, é necessário derrotá-lo agora. Portanto, a volta de Roseana Sarney ao cenário não é apenas um tema de interesse local. E pode se viabilizar, caso o PMDB nacional opere de forma intensiva. Como no Maranhão de antes, tudo passa por Brasília.

Computa-se também nesta avaliação a onda conservadora que move o mundo e o Brasil. O ódio à esquerda e à palavra “comunismo” é algo forte que vai influenciar no projeto de sufocar o governador do Maranhão, número um do PCdoB.

Roseana Sarney não é candidata apenas sob as bênçãos do pai José Sarney. É a candidata da direita conservadora, legítima representante da Casa Grande de Michel Temer et caterva.

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