Algumas dicas despretensiosas para os futuros prefeitos do Maranhão

Blog do Robert Lobato

O Blog , sem a pretensão de querer ensinar como os nossos futuros gestores devem administrar suas cidades, resolveu deixar algumas, digamos, dicas com objetivo de colaborar com esses homens e mulheres de coragem.

Os novos prefeitos que tomarão posse no dia 1º de janeiro de 2017 não vão ter vida fácil pelos próximos quatro anos.

Salvo raríssimas exceções – e bota raríssimas nisso – a imensa maioria deve receber os municípios beirando à calamidade pública. Quem se elegeu com um mínimo de juízo deve, ou pelo menos deveria, se preparar para uma verdadeira economia de guerra para sua gestão.

Não ao discurso da “herança maldita” – Virou moda um novo gestor assumir um cargo no executivo e depois de poucas semanas passar a dizer que recebeu uma ‘herança maldita’ do seu antecessor.

Ora, por mais que seja uma realidade evidente em alguns casos, tal discurso está mais para um ‘atestado de incompetência’ do que uma justificativa para o prefeito dizer que não consegue cumprir com seus compromissos de campanha.

Os futuros gestores não podem esquecer que quando resolveram se candidatar ao cargo de prefeito, já sabiam que iriam receber uma situação ruim. Logo essa história de ‘herança maldita’ não cola mais.

“Não tem dinheiro” – Outro argumento que prefeitos assim que assumem o cargo gostam de usar e que está muito ligado ao discurso da ‘herança maldita’. Só que os munícipes não querem saber se tem ou não dinheiro, pois quando ele votou no prefeito que se elegeu foi acreditando que o mesmo tem o devido preparo e competência para driblar as dificuldades e fazer algo para melhorar a cidade e vida dos cidadãos.

Número de secretarias – Qual o número ideal de secretarias para os municípios? Bom, em tese não existe um número ideal de secretarias municipais. O que deve ser levado em conta é o orçamento e as finanças do município.

Não é razoável, porém, que pequenos e médios municípios abusem na quantidade de pastas elevando as despesas e comprometendo a pouca capacidade de investimento que têm. Por exemplo, não é razoável que cidades como Satubinha tenha um quantitativo de secretarias ao ponto de se dá o luxo de nomear um secretário para “Secretaria de Urbanismo e Mobilidade Urbana” (apenas para ilustrar).

Se fosse prefeito de uma cidade de pequeno/médio porte, minha gestão teria somente secretarias de Gestão, Finanças e Governo; e de Saúde e de Educação. Os demais setores seriam tocados por assessores ganhando metade do ordenado dos secretários.

Transparência – Qualquer gestor minimante comprometido com a honestidade e boa aplicação dos recursos públicos tem que implementar políticas de transparência. Não se trata apenas de uma obrigação formal que nossos gestores teimam em ignorar solenemente, mas de uma prática que pode fazer a diferença entre o prefeito de terminar a gestão de forma tranquila ou ser preso.

Participação popular – A cidadania exige ser ouvida, opinar e participar dos destinos administrativos do município onde vive. Os prefeitos precisam fazer da comunidade uma parceira estratégica, aliás, mais do que uma parceira, uma cúmplice da gestão.

Cabe, portanto, que o administrador público crie canais de participação para que o povo possa se sentir valorizado e não apenas ser tratado como “mercadoria” em tempos de eleição. Enfim, os prefeitos não podem ter medo do voz do povo.

Quadros técnicos – Costumo dizer que prefeitos não podem prescindir de três tipos de profissionais qualificados: advogado, contador e comunicador. Mas, por incrível que pareça, são três áreas que os prefeitos só procuram quando já estão no aperreio.

Nas áreas menos estratégicas e mais operacionais, os prefeitos devem prestigiar a “prata da casa”. Há muitos talentos nos próprios municípios sem haver a necessidade de ‘importar’ quadros.

Projetos – Não adianta ter boas ideias, contar com emendas parlamentares, convênios etc para a cidade se não tiver projeto.

Infelizmente, o que se constata atualmente é que os nossos prefeitos não foram educados a fazer projetos. A impressão que passa é que pensam que pagar por um bom projeto (básico ou executivo) é uma despesa desnecessária, quando, em verdade, é um investimento imprescindível para uma boa gestão.

Relação com o Legislativo – Uma questão fundamental numa administração é o prefeito manter uma boa relação com os vereadores. Mais do que ter apoio da maioria, o importante é impor respeito político e institucional entre entre os poderes. Uma relação respeitosa mesmo que eventualmente possa aparecer tensionamentos próprios da democracia.

O ideal é o executivo sempre estar aberto a prestar informações ao vereadores, liberar secretários para esclarecer algo na Câmara Municipal e, quiçá, o próprio prefeito fazer, ao final de cada exercício, um balanço da gestão pessoalmente no parlamento.

Estas são algumas dicas despretensiosas que o Blog deixa como presente da Natal para os futuros prefeitos e prefeitas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *