A Baixada ontem e hoje

Até os anos 60, a Baixada Maranhense ainda  conservava o seu ecossistema equilibrado, exuberante e farto. Rios e lagos navegáveis durante todo o ano, igarapés adentrando os campos, lagoas desaguando nos rios e estes na baía de São Marcos.

O transporte dessa região para as outras, inclusive para a Capital, era realizado exclusivamente pela navegação fluvial, lacustre e marítima. Não havia estradas de qualquer tipo, somente caminhos e veredas. As embarcações responsáveis pelo deslocamento de pessoas, animais, matérias-primas e mercadorias eram canoas, igarités, barcos, lanchas e batelões.

Nos pequenos trechos, carros de boi, cavalos, burros e jumentos. Dispersos pelos campos, pastavam bois, cavalos, bodes, porcos, patos e outros bichos. Ainda era possível, permitida, viável e fácil a mobilidade dos cabocos pelos campos baixadeiros sem as cercas de arames farpados. No verão, os caminhos empoeirados nos conduziam a lugares distantes e diversos, viajando a pé ou a cavalo; no inverno, transitava-se de canoa a remo ou à vara.

Posteriormente, chegaram os búfalos, criados em demasia e soltos nos campos. Em seguida, grandes áreas foram desmatadas e roçadas para fazer pastos e as cercas foram dificultando a vida dos cabocos da região, que logo se mudaram para as cidades mais próximas. Começou assim o processo de degradação do meio ambiente do Pantanal Maranhense. Estabeleceu-se, então, um silencioso ciclo de assoreamento de lagoas, igarapés e rios, devido, sobretudo, à nociva interferência humana.

Nos dias de hoje, é impraticável a navegação de médio calado. A lâmina de água nos lagos cada dia fica rasa e, consequentemente, peixes e outras formas de vida desaparecem em pouco tempo.

Nas áreas limítrofes com os rios e a baía de São Marcos, o mar e o mangue avançam a cada ano. O processo de salinização dos campos acarreta severos danos à fauna e a flora. A biodiversidade da Baixada Maranhense está ameaçada e suplica por um socorro urgente.

Apenas nos anos 70 surgiu a estrada carroçável que dá acesso à Capital, passando por Vitória do Mearim. E somente na década de 80 foram construídas pontes sobre os rios, libertando os viajantes das incômodas travessias de canoas e pontões.

Barcos e lanchas singravam a baía até São Luís abar- rotados de cargas, animais e passageiros mal acomodados e expostos a riscos de toda ordem, especialmente o perigo de naufrágios, como ocorreu em diversas tragédias.

Sobreveio o transporte via ferry boat: potentes, céleres e oferecendo maior segurança. Porém, continuam prestando um serviço com o mesmo padrão dos anos 80.

O fluxo migratório continua. Os jovens baixadeiros que partiram para estudarem em São Luís, com a expectativa de se graduarem e um dia retornarem, frustram-se em constatar que, em seus municípios de origem, as oportunidades de trabalho permanecem quase inexistentes.

A Baixada Maranhense necessita de um Plano de Desenvolvimento que contemple a universalização do conhecimento, da saúde, da pesquisa, da apreensão de novas tecnologias, capacitação, infraestrutura, logística e produção.

Tornou-se imperiosa a construção de ambientes institucionais em que as pessoas incorporem e convirjam sentimentos comuns do povo baixadeiro acerca das alternativas adequadas de intervenção nessa promissora região, a exemplo do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense.

O ECO de nossas vozes se confunde com o de nossos ancestrais, retumbando pelos rios, igarapés, enseadas, campos, lagos e pela baía de São Marcos. Onde existe ECO, existe vida…existe esperança.

Crônica publicada no Livro Ecos da Baixada, páginas 32/34.

Expedito Moraes

 

Óleo encontrado nas praias do Nordeste vem de 3 campos da Venezuela, diz Petrobras

Companhia disse que não tem mecanismos para deter as manchas do produto antes que elas cheguem à costa. Mais de 340 toneladas já foram recolhidas do litoral pela empresa.

Mancha de óleo é encontrada em Suape, no Cabo de Santo Agostinho — Foto: Salve Maracaípe/Reprodução/WhatsApp

Por Daniel Silveira, G1

O óleo encontrado nas praias do Nordeste brasileiro é proveniente de três campos da Venezuela, informou a Petrobras nesta sexta-feira (25).

“Quando a gente fez a análise em mais de 30 amostras, a gente concluiu que era de três campos venezuelanos, era um brent [petróleo cru]. A origem do petróleo é lá”, disse o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto.

“A origem do vazamento é outra coisa. A origem do vazamento a gente entende que é da costa brasileira”, completou. A afirmação foi feita durante entrevista para comentar os resultados da empresa no terceiro trimestre.

Agulha no palheiro”

A petroleira disse ainda não ter mecanismos técnicos para impedir a chegada do óleo vazado no mar às praias. Mais de 340 toneladas do material já foram recolhidas da costa brasileira pela empresa desde setembro, quando foram identificadas as primeiras manchas no litoral nordestino.

A estatal não teria responsabilidade pelo vazamento, mas faz mobilização para a limpeza das praias por um acordo com o governo.

“Fica praticamente impossível você pegar esse óleo e segurar com barreiras e outros instrumentos que a gente tem. Então, o mecanismo de captura tem sido quando a maré e a corrente jogam para a praia. Infelizmente tem sido desse jeito porque os mecanismos que a gente detém são agulha no palheiro para pegar, por conta da característica do óleo”, disse o diretor.

Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema.

Segundo Neto, tão logo foi acionada pelo Ibama sobre o surgimento do óleo nas praias, a Petrobras se mobilizou para identificar o vazamento e recolher o material que chega à costa.

“Pela característica do óleo, [ele é] diferente dos óleos que a gente produz aqui, que sobrenadariam por ter uma densidade menor que a da água do mar. [Nesse caso] a gente pegaria por imagens de satélite e poderia fazer um combate mais antes que chegasse na praia”, reforçou o diretor.