Eleito para bater boca

O ‘kkkkk’ de Bolsonaro é perfeitamente aplicável a quem quer transformar o país num galinheiro

Arquivo Google

Rui Castro*

Um colega português me perguntou o que, para um jornalista brasileiro, significa ter Bolsonaro como presidente. Respondi que Bolsonaro é um desastre sob todos os pontos de vista, menos um —o do jornalismo. Ele é uma infindável notícia. Todos os dias, em vez de ficar em seu gabinete tratando dos graves problemas do país, faz o contrário. Cria mais problemas.

Vai para a porta do Planalto e, diante de apoiadores laçados para aplaudi-lo, bate boca com os repórteres encarregados de acompanhá-lo. Ele mesmo provoca o assunto e, quando perguntado, devolve uma verborragia recheada de solecismos, escatologias e palavrões. Os jornalistas têm mantido até agora uma impecável postura profissional —aguentam os insultos e, quando se dirigem a Bolsonaro, o fazem de maneira protocolar, como deve ser. Mas quase posso ver a hora em que um deles, farto, o mandará à merda. E sabe o que irá acontecer? Nada.

Bolsonaro rebaixou a fala presidencial a tal nível de botequim de última categoria —com todo respeito pelos queridos botequins de última categoria— que não poderá se sentir desrespeitado. Como não tem ideia de educação ou etiqueta presidencial, achará normal receber de volta um desaforo semelhante aos que despeja contra todo mundo. É o que faz também com as mensagens que arrota no Twitter com sua opinião —ou as que covardemente reproduz, como fez com a que ofendia a primeira-dama da França, concordando com seu conteúdo e acrescentando o cafajeste “kkkkkkkkkk”. ​

Até há pouco, no Brasil, a representação gráfica do ato de rir era “Ah, ha, ha!” —uma risada máscula, grave, sonora. Ultimamente, passou-se a usar “kkkkkkkkkk”, cujo som lembra mais um cacarejo, um espasmo galináceo, indigno de um povo que já produziu Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Guimarães Rosa.

Mas perfeitamente aplicável a um presidente que quer transformar seu país num galinheiro.

*Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues.

Brasil atinge 210 milhões de habitantes, diz IBGE

População cresceu 0,79% em relação a 2018. Maior alta ocorreu em Roraima, de 5%. 1 em cada 3 brasileiros mora em 48 municípios com mais de 500 mil habitantes.

Parque Ibirapuera, em São Paulo, capital do estado mais populoso do país — Foto: Renato S. Cerqueira/ Futura Press/Estadão

Por G1

A população brasileira foi estimada em 210,1 milhões de habitantes em 5.570 municípios, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa com o total de habitantes dos estados e dos municípios se refere a 1° de julho de 2019 e foi publicada no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (28).

O número representa um aumento de 0,79% na comparação com a população estimada do ano passado. Em 2018, o IBGE estimou um total de 208,5 milhões pessoas.

O estado de Roraima teve o maior aumento populacional, de 5,1%. Ano passado, a população estimada lá era de 576,5 mil habitantes, e este ano chegou a 605,7 mil — mais 29,1 mil pessoas. Segundo o IBGE, Boa Vista também foi a capital com maior taxa de crescimento no último ano: 6,35%.

Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, tem vivido uma onda de chegada de imigrantes venezuelanos devido à crise econômica, política e social no país vizinho. Apesar de ter registrado o maior aumento percentual, Roraima continua sendo o estado menos populoso, com 605,8 mil habitantes (0,3% da população total).

São Paulo permanece na frente como a unidade da federação com mais habitantes: 45,9 milhões de pessoas, concentrando 21,9% da população do país. Ano passado, a população paulista era de 45,5 milhões. Este ano, aumentou em mais 380,1 mil pessoas — ou 0,8%.

Segundo o IBGE, 66,5 milhões de brasileiros (31,7% ou cerca de 1 em cada 3) moram em 48 municípios com mais de 500 mil habitantes.

As estimativas populacionais são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União para o cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e são referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos. Continue lendo.