Tereza Cruvinel: coração de Paulo Henrique Amorim não resistiu ao último golpe, o da Record

POR TEREZA CRUVINEL

“Obrigado, querida, disso entendemos nós dois: sobreviver”. Foi o que me disse Paulo Henrique Amorim no dia 24, em resposta à minha mensagem expressando solidariedade. Ele acabava de ser afastado do Domingo Espetacular pela TV Record, por pressão do governo intolerante, autocrático e autoritário de Bolsonaro. Eu havia dito, na mensagem, que ele era um pilar da resistência e vítima do disfarçado e não comentado expurgo de jornalistas que vem acontecendo no país, afastando da mídia os combativos, os que não se vergam. “Eles passarão, nós passarinhos, ainda vamos gorjear”, eu disse ainda ele.

Paulo Henrique entendia mesmo de sobreviver. Eu, nem tanto. Combatendo com vigor na escuridão, seu coração não resistiu ao último golpe, o da Record. Não viveu para um dia gorjear , quando a luz finalmente voltar a iluminar o país com justiça, liberdade e democracia de verdade. Falando e escrevendo, no estilo cortante que lhe era próprio e único, combateu o engodo, a mentira, a tempestade do ódio, o obscurantismo e o servilismo que tomou conta de boa parte da imprensa. Escandindo as palavras quando falava, ou construindo frases como quem amola a faca, PHA estava o tempo todo na trincheira.

Já fui tirada abruptamente por ato de força, quando o governo Temer interveio na EBC, logo depois do golpe do impeachment. Eu já não era presidente mas comentarista política e apresentadora na TV Brasil. O interventor Laerte Rímoli baniu imediatamente da rede pública uma penca de jornalistas. Além de mim, Luiz Nassif, Paulo Moreira Leite, Emir Sader, Sidney Resende e outros mais. Havíamos feito uma cobertura intensa e pluralista da guerra contra Dilma, mostrando as duas faces do processo em curso. De repente, ficamos sem chão e sem voz. Imagine o que foi para PHA o golpe da Record, ele que há 14 anos apresentava o Domingo Espetacular.

Depois da covardia da Record, que cedeu à pressão dos que pediam a cabeça de PHA, ele continuou resistindo e combatendo no site Conversa Afiada e na TV Afiada. Ontem à noite ainda o li seu comentário sobre o áudío divulgado por The Intercept, em que o procurador Dallagnol festeja a liminar do ministro Fux impedindo Lula de dar entrevista antes do segundo turno da eleição. “Hipócrita celebra a decisão de Fux que calou a imprensa “, escreveu ele, chamando agora Dallagnol de Dallainho. Já com data de hoje, outro texto falava da liberação de R$ 2,4 bi em emendas, pelo governo, para juntar votos a favor da reforma da Previdência. Paulo Henrique deve tê-lo escrito de madrugada, antes do infarto. Seu último dardo flamejante.

Caiu um pilar da resistência. Paulo Henrique não sobreviveu fisicamente, mas viverá no exemplo que deixou: como jornalista: não se calou nunca, não se vergou, não se vendeu, não se rendeu, não lambeu botas para preservar posições. Vai, PHA, você fez muito, travou o bom combate e se foi com dignidade.

Polícia cumpre mandado de prisão contra suspeito de explodir agência bancária em Penalva-Ma

Valdenir Coelho Granja foi preso na quarta-feira (10) em um condomínio, no bairro Forquilha, em São Luís.

Valdenir Coelho Granja foi encaminhado para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas em São Luís — Foto: Divulgação/Polícia

A Polícia Civil do Maranhão, por meio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) junto com o Departamento de Combate ao Roubo a Instituições Financeiras (DCRIF) deu cumprimento na quarta-feira (10), em São Luís, a um mandado de prisão preventiva, expedido pela comarca de Aparecida de Goiânia, no estado do Goiás, em desfavor de Valdenir Coelho Granja, também conhecido como “TG”. Ele é suspeito de ser um dos integrantes da associação criminosa responsável por explosões em agências bancárias e terminais de autoatendimento nos estados do Goiás, Pará e Maranhão.

Segundo a polícia, Valdenir Coelho foi preso em um condomínio, situado no bairro Forquilha, na capital , onde ele estava residindo há alguns meses. Na ocasião, ele também foi preso em flagrante pela posse de uma pistola calibre 380, com numeração suprimida e uso de documentos falsos.

De acordo com a polícia, após investigações os policiais conseguiram identificar o suspeito Valdenir Coelho como um dos participantes na explosão do Banco do Bradesco na cidade de Penalva, a 255 km de São Luís, ocorrido na madrugada do último dia 8 de junho deste ano.

Na ocasião da ação criminosa em Penalva os criminosos destruíram a referida agência utilizando-se de artefatos explosivos. As investigações continuam com o intuito de identificar, localizar e prender os demais integrantes da associação criminosa.

Após os procedimentos legais, Valdenir Coelho Granja foi preso e encaminhado para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital, onde ele ficará à disposição da Justiça.
(Por G1 MA — São Luís)

Polícia apreendeu uma pistola calibre 380 com numeração suprimida que estava em poder de Valdenir Coelho Granja — Foto: Divulgação/Polícia