Seu Rena, um peixe no Rio Maracu

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Nonato Reis*

Renato Mendonça foi um homem das águas. Nascido e criado às margens do Rio Maracu, viveu praticamente sobre e sob aquele plácido lençol líquido, seja pescando, banhando ou simplesmente se divertindo. Diversão, aliás, que costumava fazer à vista de todos, exibindo suas habilidades de exímio nadador.

Foi a única pessoa que vi nadar apenas com os pés, e mais do que isso, atravessar o rio com as mãos para o alto. Se flutuar verticalmente sem usar os braços impõe um certo grau de dificuldade, imagine-se percorrer assim centenas de metros.

Certa vez, já só com um braço – o outro ele o perdera para uma gangrena que o acometeu aos 45 anos – deu um espetáculo para uma plateia de freiras incrédulas, que faziam a travessia do rio na canoa dele.

Era o mês de fevereiro, em pleno carnaval. As religiosas vinham de São Luís para Viana, onde participariam de um evento da Igreja Católica. Nessa época, no Ibacazinho, ainda não havia a ponte de concreto ligando uma margem a outra do Maracu. O jeito era atravessar o rio em pequenas embarcações, para pegar a condução na outra margem.

No meio da travessia, a canoa apinhada de freiras, meu pai, animado de conhaque, resolveu fazer graça. Tomou impulso e mergulhou na água, para espanto das mulheres de batina que, desesperadas com o desaparecimento dele, rezavam e gritavam por socorro.

De repente ele flutuou uns cinquenta metros adiante e, calmamente, a mão direita sobre a cabeça, nadou com elegância e estilo de volta para a canoa. Ao retomar seu posto de condutor da embarcação, as freiras enxugavam as lágrimas, entre assustadas e maravilhadas com a exibição. “O senhor é um grande nadador, mas não faça mais isso quando estiver na nossa presença, porque quem morrerá será uma de nós, ou todas juntas”, pediu-lhe a freira que parecia a madre do grupo.

Da morte certa ele salvou pelo menos uma pessoa, e isso em condições dramáticas. Era a época dos festejos juninos, que em Viana ganhavam um charme especial com a exibição de grande grupos de bumba-meu-boi, dentre os quais se destacava o de Josias Carreiro, pai da saudosa comunicadora Helena Leite, que por sinal comandava em São Luís o Boi da Pindoba, um dos chamados batalhões pesados da Ilha.

Renato, ou Seu Rena – como eu o chamava – e um grupo de primos voltavam de uma apresentação na cidade.

A noite, escura feito breu, ia alta. A viagem pelos campos, naquele período do ano ainda inundados, só podia ser feita em canoas.

A embarcação que os trazia de volta ao Ibacazinho naufragou na altura do lugar chamado Sansapari e foi direto para o fundo das águas.

Todos trataram de alcançar uma moita de araribeira, que ficava a uns 100 metros do local, menos Aloísio que, encharcado de álcool, não conseguia nadar e perdeu o ânimo.

Meu pai foi em socorro dele que, no desespero da morte, agarrou-se ao seu pescoço e quase o sufocou.

Tentando salvar a si e a ele, meu pai mergulhou atracado com o primo até o fundo do teso, onde este o largou e voltou à superfície. Então, guardando certa distância dele, meu pai o orientou:

– Não te agarra em mim, senão a gente morre junto. Apenas pega no meu braço, que eu te levo até a moita.

E assim foi. Já com Aloísio a salvo, meu pai nadou de volta ao local onde a canoa naufragara, mergulhou e resgatou a embarcação do fundo das águas. Fosse nos dias atuais, ele certamente seria condecoração como herói. Naquela época, marcada pela luz da lamparina, foi premiado com um sorriso de agradecimento, de quem se viu pela hora da morte e retornou à vida – tudo o que há de melhor como retribuição.

Talvez pela extrema facilidade em se conduzir sobre as águas o meu pai achava que aquilo era moleza para qualquer um. Ao iniciar-me como nadador, ele me arremessava no leito do rio feito uma pedra, deixando-me entregue à própria sorte. Prestes a sufocar, a água ameaçando entrar pela boca e pelas narinas, eu nadava feito um cãozinho desesperado, tentando alcançar a margem. Minha mãe brigava com ele:

– Não faz isso com o teu filho. Tu vai dar cabo da vida dele, e aí eu te mato também.

Ao que ele respondia com um axioma:

-Morre nada. Filho de peixe é peixinho. Foi assim que eu aprendi.

Seu Rena só não tinha muito jeito quando o assunto eram mulheres. Mesmo devotado à família, aqui e ali ele caía numa armadilha, apesar de, creio eu, nunca ter traído minha mãe. Certa vez, já morando em São Luís, ele participava de uma rodada de cerveja com amigos – ele não era de beber, mas quando o fazia, acabava por meter os pés pelas mãos.

Um deles, devidamente acompanhado de uma “roxa morena”, achou por bem oferecer ao meu pai um beijo da parceira, que ele recebeu de muito bom grado, certamente induzido pelo fascínio do álcool.

Ao chegar em casa, o velho, pra lá de Bagdá, alardeava em alto e bom tom que havia beijado uma linda mulher. Minha mãe, que nunca engoliu desaforo, pegou uma tamanca e o encarou, desafiadora. “Fala de novo que tu beijou essa quenga, fala!”. Seu Rena no mesmo instante ficou sóbrio e arranjou uma saída redentora. “Beijei não, Lili, eu apenas sonhei que beijava”.

*Jornalista/Escritor – Do livro de crônicas “A Fazenda Bacazinho”, em processo de edição.

Assaltantes de bancos presos após confronto com PMs na Vila Conceição, em São Luís

Após perseguição e confronto com policiais, três integrantes de uma quadrilha especializada em explosão de caixas eletrônicos foram presos na Vila Conceição, na área do Altos do Calhau, em São Luís. O confronto seguido das prisões ocorreu no início da madrugada desta terça-feira (18), na Rua da Caema.

Os presos foram identificados como Marcos Vinícius Alves Amorim, de 20 anos, residente na Rua 10, no bairro São Francisco; Gustavo de Jesus Galeno Pinto, de 19 anos, residente na Rua Nove, no bairro São Francisco; e Paulo Roberto Gomes Silva, de 35 anos, residente na Rua da Caema, na Vila Conceição.

Com eles, foram apreendidos:

– 01 artefato explosivo artesanal;

– 01 pistola glock cal..40 com carregador e 04 munições intactas,

– 01 veículo ônix preto placa QQN 9715;

– 01 Celular Multilaser preto;

– 01 mochila de cor preta;

– 02 óculos de proteção;

– 02 máscaras;

– 02 protetores auditivos;

– 01 par de luvas;

– 01 alicate; e

– 01 chave de fenda.

No confronto, o sargento Alexandre foi alvejado nas costas, mas o disparo atingiu o colete. De imediato, foi prestado socorro aos feridos, sendo que o sargento passa bem.

Os assaltantes Marcos Amorim e Paulo Roberto ficaram internados para procedimentos cirúrgicos. Gustavo Pinto foi apresentado na Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) juntamente com os materiais apreendidos para os procedimentos cabíveis.

Marcos Amorim já foi preso anteriormente por porte de arma de fogo de uso, roubo qualificado por emprego de arma de fogo, por de drogas para consumo, tráfico de drogas, e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Gustavo de Jesus Galeno Pinto e Paulo Roberto Gomes Silva não têm antecedentes criminais.

Na perseguição aos bandidos, uma viatura do 8º Batalhão da Polícia Militar do Estado do Maranhão capotou nas proximidades do Elevado da Cohama, na Avenida Jerônimo de Albuquerque.

Os policiais ficaram gravemente feridos e foram retirados das ferragens por equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu. (Via Blog do Gilberto Lima)