Covardia: Em Presidente Juscelino, sobrinho do prefeito e motorista da prefeitura espancam jornalista

Na madruga desta segunda-feira (10), por volta das 00h30min, no município de Presidente Juscelino, o Jornalista e Blogueiro Neto Cruz (DRT 1792/MA) foi covardemente espancado por duas pessoas ligadas a gestão do Prefeito de Presidente Juscelino, Magno Teixeira (PSDB).

O profissional da imprensa, que faz críticas pontuais à gestão, estava na cidade fazendo cobertura jornalística sobre os 55 anos de emancipação política do município.

O primeiro agressor trata-se de Maycon Nanderson – vulgo “Nando” – sobrinho do prefeito Magno Teixeira e pessoa responsável, segundo interlocutores do Blog, por distribuir internet para órgãos da prefeitura. O mesmo já tem histórico de agressão na cidade e, antes do ocorrido, já havia tentado intimidar o Jornalista na festa que acontecia em praça pública, em alusão ao aniversário da cidade.

Temendo o pior, Neto Cruz decidiu ir para casa, para se resguardar e manter sua integridade física, o que não foi possível. Poucos metros de onde acontecia o evento, o Jornalista foi abordado pelo sobrinho do prefeito, Maycon Nanderson e por um motorista que presta serviço na secretaria de educação do município, por nome Paulo Ricardo Guimarães – vulgo “Tatá” -, que segundo apurou o Blog estaria tentando concorrer ao cargo de Conselheiro Tutelar do município.

Numa sequência de socos na cabeça, costas e costelas, os dois em conjunto rasgaram a camisa do Jornalista, além de tentá-lo arrastar a contragosto para longe do público, quando o mesmo foi socorrido por um morador do município, que lhe deu refúgio. Depois disso, ambos voltaram para o camarote que se localizava de frente para o palco onde a festa acontecia, como se nada tivesse acontecido e onde o prefeito, tio de Nanderson, estava presente. Acionados, os agentes da Polícia Militar presentes no local disseram que não “poderiam fazer nada”. Pela manhã, o Jornalista se direcionou à Delegacia Civil de Rosário, onde registrou ocorrência e já acionou seu Advogado que tomará as medidas judiciais cabíveis.

(Via Blog do Luis Cardoso)

Secretário da SAF Júlio Mendonça participa de seminário de política agrária ao lado de Haddad e Boulos

Entidades governamentais e movimentos populares do campo de todo o país estiveram reunidos entre os dias 6 e 8 de junho, em Guararema-SP, no seminário Terra e Território: diversidade e lutas, com o objetivo de discutir os rumos da política agrária no Brasil diante do avanço do agronegócio enquanto modelo econômico de exploração e padronização da cultura camponesa impulsionado pelo governo Bolsonaro.

O secretário da SAF, Júlio César Mendonça, esteve neste sábado (08), na Escola Nacional Florestan Fernandes, onde aconteceu o evento, ao lado de lideranças camponesas, quilombolas, indígenas, sindicais, políticas, pesquisadores e parlamentares uniram esforços para pensar uma plataforma comum do campo unitário que possa contemplar as pautas ambientais e agrárias e também uma carta compromisso das entidades ali representadas. Personalidades como João Pedro Stédile, líder nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Guilherme Boulos (PSol) e Fernando Haddad (PT) participaram do debate e posicionaram-se em favor de um novo modelo de desenvolvimento para o país pensando o uso dos recursos naturais de forma sustentável e a inclusão da população do campo na economia.

“É preciso um novo modelo de economia em que a sociedade não sirva apenas ao lucro de meia dúzia de brasileiros, mas que essa economia sirva à maioria e se organize em um modelo sustentável de desenvolvimento. Porque desenvolvimento econômico acompanhado do aumento da desigualdade social e da destruição ambiental não nos serve”, avaliou Guilherme Boulos. O representante do PT, Fernando Haddad, destacou também a importância do Nordeste e sua força de trabalho no desenvolvimento desse modelo econômico.

O secretário de Agricultura Familiar do Estado do Maranhão, Júlio César Mendonça, que na ocasião representou o Fórum de Gestores Responsáveis pelas Políticas Públicas da Agricultura Familiar do Nordeste, também destacou a orientação do governador Flávio Dino de total incentivo à agricultura familiar enquanto fonte de alimento saudável e geradora de emprego e renda: “No Maranhão, estamos discutindo alternativas concretas para o fortalecimento das instituições que atuam na agricultura familiar e convocamos todos os estados para o enfrentamento e resistência ao modelo antagônico imposto pelo governo Bolsonaro”.

O último dia do seminário foi marcado por um ato político que culminou com a leitura de uma carta ao povo brasileiro com denúncias e compromissos assumidos durante os três dias de debates. Entre os pontos de maior destaque elencam-se o aumento do desemprego, a retirada de direitos trabalhistas e a exploração de recursos públicos e bens naturais.

Para a presidente da Agerp-MA e vice-presidente Nordeste da ASBRAER, Loroana Santana, o seminário foi uma oportunidade valiosa de aglutinar forças do campo progressista para construir uma pauta unitária para as populações dos campos, das águas e das florestas, e iniciativas como esta devem ser replicadas em todo o país para o fortalecimento das agendas avaliou a gestora que também compôs organização do evento.

O Maranhão foi representado pelo secretário da SAF, Julio Cesar Mendonça, a presidenta da Agerp, Loroana Santana, o secretário da Sedihpop, Chico Gonçalves. Também participaram Elias Araújo (MST); Rosmari Malheiros (Contag); Francisca Pereira (MIQCB) e Fábio Pacheco (Tijupá).

Stalin, o czar vermelho

Por Flávio Braga*

Depois da morte de Lênin, em 1924, o governo soviético foi assumido por uma troica composta por Stalin, Zinoviev e Kamenev (veteranos bolcheviques). Logo depois, Stalin conseguiu investir-se do poder absoluto e comandar a URSS por 30 anos. Aliás, a falta de alternância de poder sempre foi uma tradição nos países socialistas. Em 1936, Stalin determinou a execução dos seus dois ex-companheiros de breve triunvirato. Em russo, Stalin significa “homem de aço”.

Após a ascensão de Stalin, a URSS foi transformada em um inexpugnável big brother. A propósito, o livro “1984”, de George Orwell, reporta-se a um governo autoritário que submete os cidadãos a uma vigilância onipresente por parte do Grande Irmão (personagem que simboliza os governantes). Frequentemente a população era advertida com o slogan de propaganda ideológica do Estado: “O Grande Irmão está te observando”.  O domínio opressivo se impunha por meio da ameaça, da repressão e do terror. A similaridade com o estado kafkiano da URSS não é mera coincidência (como mostra o filme O processo, de Orson Welles).

Para garantir a obediência cega dos súditos do império soviético, Stalin instaurou um estado policial, mediante um regime político duro, totalitário, cruel e sanguinário. À semelhança dos ditadores nazifascistas, implantou a cultura do medo e da delação entre os membros do partido comunista e no seio da sociedade soviética. Vizinhos amedrontados eram coagidos a denunciar supostos “inimigos do povo” à KGB e outros órgãos de repressão política do establishment. As pessoas tinham que atuar como informantes compulsórios do estado leviatã bolchevista (recomenda-se o filme O círculo do poder).

Sua personalidade psicótica não admitia ser contrariada ou contestada. Stalin era autossuficiente e se bastava a si mesmo. Não conseguia conviver com a adversidade e divergência de opiniões. Agia movido pela mentalidade do confronto. Ruminava antagonismo o dia inteiro. O tempo todo ele necessitava de embate, conflito, contraposição. Desconfiava até dos mais íntimos acólitos que compunham o núcleo duro do poder no Kremlin.

Stalin nutria uma obsessão contínua com inimigos reais ou imaginários. Todos eram suspeitos o tempo todo de complô contra o seu poderio e sua governança. Em sua histeria paranóica, enxergava uma conspiração em cada esquina e acusava até mesmo a própria sombra de traição.

A ditadura do proletariado, teorizada por Marx, Engels e Lênin, é uma fase de transição entre o capitalismo e o comunismo, após a derrubada do estado burguês. Nessa etapa da revolução, a classe operária exerceria o controle do poder político. A ditadura do proletariado foi concebida em oposição à “ditadura da burguesia”. Porém, sob o domínio de Stalin, a classe trabalhadora que deveria ser emancipada foi reduzida a uma massa passiva, intimidada, silenciosa e aterrorizada. Assim, a ditadura do proletariado desvirtuou-se para uma “ditadura sobre o proletariado”, conspurcada por um déspota que se julgava o “guia genial dos povos”

Indivíduo de natureza tirânica e brutal, Stalin tornou-se um novo soberano, governando com mão de ferro um império que se estendia da Europa até os confins da Ásia, constituído por 15 repúblicas. “O povo russo não vive sem um czar”, bradava ele aos seus camaradas. Concentrando um poder ilimitado, reinava como um autocrata Romanov, transformando-se num verdadeiro czar vermelho.

*Pós-Graduado em Direito Eleitoral, Professor da Escola Judiciária Eleitoral e Analista Judiciário do TRE/MA.