“CABO AMADOR”

Era uma manhã de março, na Cidade dos Lagos. O nosso majestoso cartão-postal estava quase em sua plenitude, mas as lanchas, canoas, barcos, entre outros meios fluviais, já povoavam a extensa lâmina d´água do Lago Maracu.

Eu, então, com quase seis anos, intrépido, observava aquele vai e vem das embarcações deslizando entre as moitas de mururus, balsedos e aguapés. Estava no canto da nossa residência, na Rua Antônio Lopes, com vista para um beco que revelava o lago, assim como o imponente Morro do Mocoroca.

Na margem espremida, entre currais e cerca de capinzais, uma enorme canoa, conhecida como “casco da estiva” desembarcava pesadas sacas de arroz, café, trigo, entre outros derivados que seriam distribuídos no comércio local.

Um a um, os sacos eram colocados nas cabeças ou nos ombros de corpulentos homens – bravos pais de família –, descamisados, chapéu de palha na cabeça e que causavam impressão aos garotos da época por causa da musculatura avantajada e pela alegria durante a breve e pesada atividade. Em seguida, as mercadorias eram empilhas em carroças que formavam fila para receberem a carga.

Nisso, uma pesada mão toca meus ombros e ouço uma conhecida voz:

– Tu “tá” vendo aqueles homens carregando sacas na cabeça?

– Sim senhor, respondi!

– Olha também aqueles outros puxando as carroças. “Tá” olhando?

– “Tô” vendo, declarei virando-me para um senhor moreno, musculoso e voz firme.

Era o meu pai, Amadeu Morais, que, de relance, abriu um pequeno embrulho e me apresentou ao conteúdo.

Antes, porém, ele apontou para os personagens da cena às margens do lago.

– Sabes por que aqueles homens estão carregando sacos e puxando carroças?

Arregalei os olhos e aguardei a resposta.

– Porque eles nunca quiseram estudar, afirmou meu pai com ar de sabedoria e complacência.

Só naquele momento, ele me entregou, até então, os objetos da minha curiosidade; uma daquelas antigas cartilhas do ABC, uma tabuada e um lápis preto, com uma pequena borracha branca introduzida em uma das extremidades.

Logo ele que, anos depois eu viera, a saber – por meio da minha avó paterna –  que o meu pai havia tomado três surras durante três dias consecutivos, na porta da escola, mas não entrou no recinto do saber. Não entrou e não estudou!

Recebi o humilde e mais importante material escolar e, também, a primeira lição:

– A partir de amanhã, tu “vai” começar a aprender a ler e escrever!

Trago esse episódio como um mantra, que, mais tarde, mesmo de forma silenciosa, transmitiria aos meus filhos e a todas as crianças que, por ventura, eu observasse estar fora da escola.

E, foi assim que observei, atentamente, a luta do meu pai e da sua fiel companheira, minha mãe, Hermínia Morais, determinados a não permitir que nenhum dos seus dez filhos ficassem fora da escola.

Essa é a maior e mais importante herança que ele nos deixou!

No último domingo, 8 de julho, dia do aniversário de Viana, Amadeu Morais sentiu-se mal, depois de seis anos sofrendo por problemas neurológicos, acamado, sem visão, sem forças para caminhar e, como se estivesse com o nome da sua companheira gravado de forma repetida, implorava pela sua voz, pela sua presença, pelo seu amor e carinho.

Levado às pressas ao hospital, faleceu nos braços do meu irmão José Carlos, aos 88 anos, de forma serena, suave, como se atendesse ao chamado do Pai Celestial, não antes de amargar o seu purgatório, ou o que se paga aqui na Terra, antes do mistério da morte.

Deixou aos seus dez filhos (dois deles “in memorian”), a herança do aprendizado, o talento nato de um operário e o DNA correndo em nossas veias, pois, mesmo de forma empírica, causava espanto aos seus clientes que usaram seus serviços, seja como ferreiro, armeiro, ou qualquer atividade que precisasse de um perito confiável e experiente.

O apelido carinhoso de “Cabo Amador”, como era conhecido entre tantos outros “Cabos” na Praça da Matriz, em Viana, talvez não simbolizasse o verdadeiro “general” ou “gladiador” que foi. Talvez um guerreiro de muito valor, que trabalhou durante toda a vida, com honestidade, humildade, caráter, resignação e dignidade.

Na verdade, foi realmente um grande pai de família para os seus dez filhos.

Saudades!

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Em memória de AMADEU MORAIS

Inspirado na luta para criar e educar os seus 10 filhos: Maria Rosa, Luiz Antonio, José Carlos, Maria do Espírito Santo, Diana (in memorian) Beatriz, Mariene, Élio Aquino, Emílio e Cristiano (in memoriam); dos seus netos, bisnetos, irmãos sobrinhos, demais familiares e amigos.

Viana, 13 de julho de 2018

Luiz Antonio de Jesus Morais

No aniversário da Cidade dos Lagos, Júnior Viana Feliz recebe Cleomar Tema, Daniela Tema, Gil Cutrim e lideranças políticas

O empresário Júnior Viana Feliz comemorou o aniversário de Viana (261 anos), rodeado e amigos e políticos de peso no Estado.

Na oportunidade, o ex-presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) recebeu os apoios de Júnior do Bingo e de todo o seu grupo político na região.

“Em Viana, estamos unidos pra dar uma votação expressiva a Gil Cutrim. Ele será o deputado federal que atenderá aos anseios de nosso município e de toda região da Baixada”, disse Júnior.

Presente no evento, o atual presidente da Federação e prefeito de Tuntum, Cleomar Tema, destacou o trabalho de Gil Cutrim na defesa e fortalecimento do municipalismo no Maranhão.

“O Gil defendeu com honra os nossos municípios e muito foi feito através da sua luta durante quatro anos à frente da entidade”, afirmou.

Tema estava acompanhado da esposa, Daniella Tema (DEM), que é pré-candidata a deputada estadual.

Gil destacou ser sempre um honra estar na Baixada, região onde sua família nasceu e pela qual ele tem muito carinho.

“O sangue que corre nas veias de minha família é de baixadeiro, de gente lutadora, simples e determinada; e é nessa certeza que estamos seguindo fortes e unidos”, comentou o pré-candidato pedetista.

Com informações do Blog do Luis Cardoso

Polícia Federal deflagra operação contra crimes previdenciários no Maranhão

Operação batizada de Hefesto foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (13) em São Luís e no município de São José de Ribamar.

Por G1, São Luís

A Polícia Federal (PF) em conjunto com a Secretaria de Previdência e o Ministério Público Federal (MPF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (13) em São Luís e no município de São José de Ribamar uma operação que tem como objetivo de reprimir crimes previdenciários no estado. Além do Maranhão a operação, que foi batizada de “Hefesto”, acontece também nas cidades de Fortaleza e Caucaia, situadas no estado do Ceará.

Segundo a PF, as investigações foram iniciadas em 2013 e levaram à identificação de um esquema criminoso responsável pela inserção inoportuno de vínculos trabalhistas fictícios no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). O esquema criminoso contava com a participação de um advogado, este também sócio de duas empresas utilizadas nas fraudes, de uma técnica em contabilidade, de duas assistentes sociais e de diversos outros agenciadores e intermediários.

A operação, que contou com a participação de 82 policiais federais e de um servidor da Inteligência Previdenciária (COINP), cumpriu 17 mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. O prejuízo inicialmente identificado com a concessão de 127 benefícios fraudulentos aproxima-se de R$ 13,6 milhões. O valor do prejuízo evitado com a consequente suspensão dos benefícios ativos, levando-se em consideração a expectativa de vida média da população brasileira, é de aproximadamente R$ 28 milhões.

Os envolvidos foram indiciados pelos crimes de estelionato previdenciário e associação criminosa, cujas penas máximas acumuladas podem chegar a nove anos e oito meses de prisão, sendo que um dos investigados também foi indiciado pelo crime de falsificação de documento público para fins previdenciários.

Operação Hefesto

O nome da operação é uma alusão ao deus grego do trabalho, que segundo os relatos, tinha grande capacidade de criação. Trata-se de uma referência a tipologia da fraude perpetrada: vínculos empregatícios fictícios.