Sagrima e Ufma iniciam parceria para ações de aquicultura e pesca artesanal na Baixada

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) é a mais nova parceria do Governo do Maranhão em projetos voltados para aquicultura e pesca artesanal, executados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima), nas regiões da Baixada e litoral maranhenses.

A iniciativa surgiu da visita de professores e alunos do curso de Engenharia de Pesca da Ufma, campus de Pinheiro, ao projeto de cultivo de sururu, em Bequimão. Durante a visita, o grupo da universidade conheceu o sistema long line (linha longa), aplicado no cultivo do sururu e o potencial da atividade como fonte de renda para a população.

A partir desse encontro, foram discutidas as demandas desse e de outros projetos de cultivo de moluscos, como a questões ambientais e de análise de água, além da pesca artesanal, já praticada nessas regiões.

O professor Danilo Lopes, do curso de Engenharia de Pesca, é de Sergipe, e destacou o potencial do Maranhão para a atividade.  “Soubemos da existência do projeto lendo uma matéria na internet e entramos em contato com a prefeitura para agendar uma visita. É uma belíssima iniciativa que serve muito para o desenvolvimento do município e seu entorno. Estamos vendo que a tendência é crescer e queremos ser parceiros nesse trabalho, contribuindo na parte de qualidade ambiental”, destacou

O objetivo do projeto de cultivo de sururu é já ter produção em escala comercial, como o que já acontece com o cultivo de ostras em Humberto de Campos, cujos produtos chegaram aos supermercados pela primeira vez em 2016. Esse projeto, por sua vez, será ampliado para Icatu e Primeira Cruz ainda este ano.

Francisco Amorim, pescador do povoado Mafra, às margens do rio Pericumã, também soube do projeto e quer desenvolver trabalho similar. “Viemos fortalecer o movimento, é uma coisa que está dando certo, que não tinha nessa região e queremos participar”, disse.

Municípios como Guimarães, Cedral e Alcântara também já demonstraram interesse o que, de acordo com o secretário da Sagrima, Márcio Honaiser, mostra a relevância dessa iniciativa para todos os envolvidos na cadeia produtiva da aquicultura, uma das 10 cadeias prioritárias do Programa Mais Produção. “Esse projeto já vem chamando a atenção de outras instituições, municípios vizinhos e pescadores, o que mostra o grande potencial do cultivo de sururu, como um importante complemento à renda de marisqueiros e pescadores do estado, abastecendo nosso mercado interno e atendendo à demanda de outros estados”, explicou. (Via Blog do Genivaldo Abreu)

Relatório da reforma política prevê fim dos vices e voto em lista; veja propostas

Deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator da comissão especial da Câmara que discute o assunto adiantou conteúdo ao G1. Ele deve apresentar relatório final nesta terça-feira (4) à comissão.

Relator da reforma política, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) propõe o fim do cargo de vice (Foto: Bernardo Caram/G1)

Por Bernardo Caram, G1, Brasília

Relator da reforma política na Câmara, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) adiantou ao G1 que vai propor em seu parecer final o fim dos vices em todas as instâncias de governo. Com isso, deixariam de existir vice-presidente, vice-governadores e vice-prefeitos.

O relatório, que deverá ser apresentado na terça-feira (4) à comissão especial que discute o tema, também prevê a criação de um fundo para financiar campanhas eleitorais abastecido em 70% com recursos públicos. Os 30% restantes viriam de doações de pessoas físicas – atualmente, a legislação proíbe a doação de empresas a campanha eleitorais.

Outra mudança prevista no parecer de Vicente Cândido é no sistema de votação das eleições legislativas. Durante um período de transição seria instituído o voto em lista fechada, pela qual o eleitor vota em uma relação de nomes previamente escolhidos pelos partidos. Esse modelo prevê que as vagas destinadas a determinada legenda são preenchidas pelos candidatos na ordem em que aparecem na lista.

Depois, segundo a proposta do relator, esse sistema migraria para o distrital misto, por meio do qual metade das vagas no Legislativo é preenchida por lista fechada e outra metade pelo voto nos candidatos distribuídos em distritos (cada município ou estado é dividido em regiões que escolhem seus candidatos internamente). Atualmente, o eleitor vota diretamente no candidato ou no partido para preencher as vagas de vereador, deputado estadual ou federal – confira mais abaixo as principais mudanças propostas pelo relator.

No caso de presidente, governador, prefeito e senador, o modelo vigente seria mantido. Pela regra atual, vota-se diretamente no candidato ou no partido e é eleito aquele que receber o maior número de votos.

Críticas

Críticos da lista fechada argumentam que o modelo poderá beneficiar os políticos que querem se eleger para manter o foro privilegiado, em que só podem ser julgados pelos tribunais superiores.

Para Vicente Cândido, o argumento não tem fundamento. “O investigado na Lava Jato vai ficar em evidência estando na lista ou fora da lista. Ele poderá ser eleito numa carona de puxador de voto às vezes desapercebido pelo eleitor. Então, não é isso. Se ele estiver na lista, o partido vai ter que explicar o porquê, vai ter que apresentar currículo”, afirma.

Sobre o fim do cargo de vice, o relator diz que esse é o ponto em que há “menor atrito”. “Até agora ninguém se levantou contra. Professores do México estiveram aqui semana passada e disseram que o país acabou com os vices em 1917, com a constatação de que vice só conspira”, diz.

Na visão do petista, o país joga “dinheiro fora” ao manter esses cargos. “Temos quase 6 mil vices no Brasil, que devem ter no mínimo mais dois cargos [de assessor]. Então, temos um exército de 15 mil pessoas que ganham para não fazer nada. Se o vice não faz nada, não tem por que ser assessorado”, completa.

Segundo o relator, embora o relatório esteja pronto, ele ainda se reunirá com lideranças partidárias e poderá fazer algum ajuste de última hora.

A expectativa dele é que o parecer seja votado neste mês na comissão e, em maio, no plenário da Câmara.

“Havendo acordo entre líderes – ainda tenho reuniões na segunda-feira -, apresento o parecer na terça. O relatório vai estar pronto, poderá ter um ou outro ajuste. Se acharem conveniente, seguro para conversar um pouco mais com as bancadas. Isso não será nenhum problema”, diz. Relator da reforma política na Câmara diz que vai propor lista fechada

As principais propostas do relator

VICES

Como é hoje: Presidente da República, governadores e prefeitos têm vices, que são eleitos na mesma chapa.

Como ficaria: O Brasil deixaria de ter o cargo de vice em todas as instâncias.

DATAS DAS ELEIÇÕES

Como é hoje: O país realiza eleições a cada dois anos. Nas eleições gerais, o eleitor escolhe presidente, governador, além de senador, deputado federal e deputado estadual. Nas eleições municipais, o eleitor vota em prefeito e vereadores.

Como ficaria: Em um ano, a eleição seria só para preencher os cargos do Legislativo e, em outro, só os do Executivo. Pela proposta, o cronograma de implantação do modelo ficaria assim: em 2018, seriam eleitos presidente e governador para um mandato de cinco anos. Também seriam escolhidos os deputados federais e estaduais para mandatos de quatro anos, além de parte dos senadores (que têm mandato de oito anos); em 2020, seriam eleitos prefeitos para um mandato de três anos e vereadores para mandatos de dois anos; em 2022, seriam realizadas eleições gerais legislativas (deputados federais e estaduais e parte dos senadores); em 2023, haveria eleições gerais para o Executivo (presidente, governadores e prefeitos); em 2038, haveria a primeira coincidência de eleições: no primeiro domingo de outubro, teria votação para o Legislativo. No último domingo de outubro, para o Executivo. E, no último domingo de novembro, o segundo turno, se houver.

REELEIÇÃO E DURAÇÃO DO MANDATO

Como é hoje: Presidente, governador e prefeito têm mandato de quatro anos e podem ser reeleitos.

Como ficaria: Passada a fase de transição, os mandatos passariam a ser de cinco anos, e a reeleição ficaria proibida para presidente, governador e prefeito. O mandato de deputado estadual e federal continuaria a ser de quatro anos e o de senador, de oito anos.

SISTEMA ELEITORAL

Como é hoje: O eleitor vota no candidato ou no partido para preencher as vagas de deputados federais, estaduais e vereadores. No entanto, os eleitos são definidos por um cálculo, chamado quociente eleitoral, baseado nos votos válidos do candidato e do partido ou coligação. A partir desse cálculo, são estipuladas as vagas a que cada partido (ou coligação) tem direito. Os candidatos do partido ou da coligação com mais votos ficam com as vagas.

Como ficaria: A lista fechada seria implantada nas eleições de 2018 e de 2022. A partir de 2026, passaria a vigorar o sistema distrital misto, também conhecido como sistema alemão, em que metade das vagas é preenchida por lista fechada e a outra, pelo voto direto nos candidatos, distribuídos em distritos a serem definidos.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA

Como é hoje: Por decisão do Supremo Tribunal Federal, empresas não podem mais fazer doações de campanha. Partidos e políticos podem receber recursos por meio do Fundo Partidário ou de pessoas físicas (até o limite de 10% do seu rendimento).

Como ficaria: Os recursos para financiar as campanhas eleitorais viriam de um fundo a ser criado especialmente para isso. Pela proposta do relator, 70% viriam do orçamento público. Os demais 30% seriam doações de eleitores, que ficariam limitadas da seguinte maneira: a um salário mínimo durante os dois meses de prévias ou pré-campanha; a um salário mínimo durante os dois meses do primeiro turno; e a mais um salário mínimo durante o segundo turno, se houver.

COLIGAÇÕES

Como é hoje: Os partidos podem se unir em coligações para disputar as eleições, mas não precisam mantê-las durante os mandatos. Com isso, somam recursos do fundo partidário (abastecido com dinheiro público e distribuído entre os partidos de acordo com o número de deputados federais) e tempo de propaganda gratuita de rádio e televisão. Com as coligações, os votos obtidos pelos partidos que a integram são compartilhados entre os candidatos no Legislativo. Um candidato pouco votado pode ser eleito se fizer parte de uma coligação com muitos votos.

Como ficaria: As coligações ficam proibidas. Os partidos poderão constituir uma federação para a disputa eleitoral e, até o fim da legislatura, ficam obrigados a integrar o mesmo bloco parlamentar na casa legislativa para a qual elegeram representantes.

Com estiagem no Nordeste, período chuvoso ameniza seca no Maranhão

Dado consta em documento elaborado pelo Monitor de Secas do Nordeste.Aumento no volume de chuva ajudou na redução de impactos no estado.

Michel Sousa – G1 São Luís, MA

Nível do Rio Itapecuru deixa ribeirinhos atentos com o aumento do volume das águas em Caxias (MA) (Foto: Reprodução/TV Mirante)

O Maranhão é o estado do Nordeste com menos cidades que decretaram estado de calamidade ou emergência por causa da seca que atinge a região nos últimos cinco anos. Segundo levantamento feito pelo G1 com base em dados do Ministério da Integração Nacional, dos 217 municípios do estado, 94 tiveram decretos por seca ou por estiagem entre 2012 e 2016, o que representa 43,3% do total. Em alguns estados do Nordeste, como o Piauí, o percentual chega a 98,2%.

Hoje, a falta de chuva atinge mais de 70% dos municípios do semiárido, o que afeta 1.396 cidades com a falta de abastecimento, além da perda de lavouras e rebanhos. Ao G1, o presidente do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), Felipe de Holanda, explicou que as características ambientais diferenciadas ao longo do território maranhense, em relação a fatores climáticos, contribuíram para o grande volume de chuva dos últimos meses e, desta forma, com a redução dos impactos por todo o estado.

“O Maranhão tem boa parte do seu bioma na região amazônica e tem uma precipitação bem mais generosa, apesar de ser concentrada, durante seis, sete meses, diferente do que acontece na Caatinga. No Piauí e no Ceará, por exemplo, você tem zonas que tem 400 mililitros de precipitação por ano, e aqui, no Maranhão, não tem nada abaixo de 1.000. Nós temos vários municípios que sofreram com seca e enchentes de 2010 até agora”, afirmou Holanda.

Nível do Rio Mearim sobe com chegada das chuvas (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Segundo dados do Monitor de Secas, documento elaborado por diversos órgãos ligados ao meio ambiente e meteorologia, as precipitações ultrapassaram 300 mm acumulados no mês de fevereiro e 200 mm durante o mês de janeiro em todo o Maranhão. Isto teria contribuído para a eliminação de impactos da estiagem na agricultura e na pecuária no estado, segundo dados do Imesc.

Ações contra a seca

O chefe do Departamento de Estudos Ambientais do Imesc, José de Ribamar Carvalho, afirmou que ações pontuais contribuíram para minimizar os impactos da estiagem como, por exemplo, o trabalho de abastecimento de água e a perfuração de poços artesianos nos locais em que a estiagem é mais severa. Além disso, a distribuição de água por meio de carros-pipa e o monitoramento feito por equipes permanentes também têm contribuído para a minimização dos impactos decorrentes da seca.

“Quando o município entra em estado de emergência, a Defesa Civil e o estado criam equipes de emergências no próprio município para realizar ações de curto e longo prazo. Em momentos iniciais, realizamos trabalhos de distribuição de água em carros-pipas e depois são escolhidos os pontos nos povoados que sofrem com a estiagem nesses períodos ou não, para a construção de poços artesianos. Com os problemas em relação à quantidade de precipitação, os corpos hídricos subterrâneos podem ser utilizados para essa questão”, explicou.

Com esse cenário do aumento do volume de chuvas e as ações pontuais de diminuição dos impactos da estiagem, as atividades econômicas vinculadas a cultivos agropecuários, piscicultura e extrativismo ganharam sobrevida, segundo aponta relatório da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.

Análise da seca e estiagem

Segundo o ‘Atlas de Desastres Naturais’, entre os anos de 1991 a 2010, o Maranhão foi atingido por 81 episódios de secas e estiagens, que ocorreram em 64 municípios, distribuídos nas cinco mesorregiões do estado, principalmente no leste maranhense.

No entanto, o relatório da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil apontou o ano de 2012 como o que teve mais decretações de situação de emergência por estiagem. Ao todo foram 87 registros, sendo 32 decretos municipais e 55 estaduais. De 2012 a 2015 foram 208 decretos.

Para o Monitor de Secas do Nordeste da Agência Nacional de Abastecimento (ANA), no mês de agosto de 2016, a área de seca extrema no Maranhão chegou a 57%, avançando no setor central e sul do estado. Além do agronegócio, os pequenos agricultores também sofreram com as perdas das plantações e animais.

Em 2016, 21 casos decretos de emergência foram feitos, enquanto que nos primeiros três meses deste ano há apenas oito registros de situações de emergência. “Um dos pesos muito grandes para estiagem é a perda da agricultura e problemas da população com acesso a água para consumo próprio” finalizou José de Ribamar.

Investimentos públicos devem garantir crescimento do Maranhão acima da média nacional

Com investimentos em andamento na ordem R$ 9,2 bilhões, distribuídos entre 346 projetos públicos e privados, o Maranhão deve crescer mais do que a média nacional em 2017. Os dados, analisados na Síntese de Conjuntura Econômica do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), mostram que, além das políticas públicas acertadas, os incentivos gerados pelo Governo do Estado estão atraindo investimentos privados e aumentando a produção agrícola.

De acordo com o Imesc, os investimentos públicos na área de infraestrutura, com construção e pavimentação de rodovias, perfazem R$ 1,5 bilhão e abrangem a construção e a recuperação de estradas, integração de modalidades de transporte, obras de saneamento básico, reforma, ampliação e construção de escolas, etc.

“Esses investimentos, aliados à atração de empresas para o estado, vai garantir ao Maranhão um crescimento do Produto Interno Bruto maior do que o da média nacional em 2017. Essa expectativa é fortalecida com o recorde da safra agrícola, que este ano deverá ter crescimento superior a 16,5%. Esses são os principais fatores que dão suporte para a projeção de crescimento real de 2,7% do estado no ano”, analisa Felipe de Holanda, presidente do Imesc.

Com investimentos de R$ 733,4 milhões divididos entre recursos próprios e investimentos privados, o Porto do Itaqui está expandindo terminais e garantindo melhorias de acesso ao local. A Expansão do Terminal de Tancagem, avaliado em R$ 242 milhões, e o arrendamento do terminal de papel e celulose, com valor das obras estimado de R$ 221 milhões, ampliam as condições logísticas para adensamento das cadeias produtivas nos respectivos setores.

Mais Empregos

Foto: Nael Reis/Secap

Isso significa que, além dos investimentos públicos com centenas de obras em andamento, o Governo do Maranhão também cria condições logísticas para atração de recursos, garantindo mais empregos por meio de empreendimentos do setor privado.

No Setor Energético, serão investidos R$ 2,3 bilhões na geração e na transmissão de energia elétrica nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves. O projeto prevê a instalação da Usina Delta-3, com a construção de linha de transmissão que prevê abertura de 1.000 novas vagas de empregos nos municípios da região do Parque dos Lençóis.

O Governo do Maranhão também atua para a maior diversificação dos produtos do Complexo Bovino, que apresentou crescimento nas vendas para o exterior de carnes e couros. Empresa especialista de carne processada deverá atuar no município de Estreito. A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) promove qualificação que deverá garantir empregos para cerca de 2 mil pessoas na operação de processamento de alimentos.

Com incentivos fiscais, o governo também garantiu incremento da produção avícola maranhense. Com o Programa ‘Mais Avicultura’, de incentivo tributário às empresas do setor, houve aumento de 17%, com produção de 3,5 milhões de aves por mês. Segundo a Secretaria de Estado da Indústria e Comércio (Seinc), até 2018, o Maranhão deverá produzir 10 milhões de aves por mês, gerando cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos. (Fonte: Secap-MA)

O Brasil apodreceu

por Clóvis Rossi

Olhe-se para onde se olhe, o Brasil está podre.

A primeira sensação, ao me sentar para preparar este texto, era a de que a podridão dizia respeito ao Estado brasileiro. Quando quem deveria zelar pelo bom uso do dinheiro público (no caso, o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) não consegue nem sequer se reunir porque cinco de seus sete integrantes estão presos, parece piada pronta.

Mas não é piada, é tragédia.

Mais: não é tragédia localizada. Para ficar só no noticiário da sexta-feira (31), o Painel desta Folha informa que, na sua delação premiada, a construtora Andrade Gutierrez diz ter subornado sete integrantes do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Nada surpreendente quando se lembra que a Suíça, por exemplo, já mandou para a Justiça brasileira provas de corrupção de um conselheiro do TCE-SP, Robson Marinho, afastado há algum tempo.

Por falar em Andrade Gutierrez, seu presidente, Ricardo Sena, é mais um dos empresário de grosso calibre a confessar: “Fomos apanhados pelados no meio da rua”, disse à Folha.

Parece uma frase simpática e irônica, não fosse o fato de que “pelados”, no caso, quer dizer que a empresa, como tantas outras do ramo, foi apanhada roubando.

Ou cometendo “práticas impróprias”, na novilíngua inventada pela Odebrecht para não escrever delinquir. É a clara demonstração que não é apenas o Estado que está podre, mas também parte importante do setor privado.

O que se faz? Chama a polícia? No Rio, chamaram, e dois PMs se transformaram em pelotão de fuzilamento e mataram dois suspeitos caídos e já desarmados.

O que se faz? Chama o tal de povo para a rua para protestar?

Chamaram, foram, e a bandidagem aproveitou a confusão para armar um arrastão e roubar os ocupantes dos carros parados em meio ao tumulto.

No Brasil, fica-se com a sensação de que até o GPS, uma das maravilhas da tecnologia moderna, está podre. Tanto está que, conduzida por ele, uma turista argentina foi levada por engano a uma favela. Atacada, morreu no hospital.

É tamanha a lesão provocada no corpo social pela degradação da pátria que até pessoas do bem, como Luiz Carlos Bresser Pereira, caem num equívoco de defender leniência para com as empreiteiras, aquelas tais apanhadas “peladas no meio da rua”.

O argumento é o de que, se não deixarem as empreiteiras em paz, a economia não se recuperará.

É a confissão implícita de que o Brasil só vai caminhar se for conivente ou, no mínimo, tolerante com a podridão que o invade por todos os lados.

O que fazem, então, os políticos, eles também “pelados no meio da rua”? Dão força às investigações para tentar despoluir o ambiente? Não, vão para cima dos investigadores, para fornecer roupa (impunidade) para os “pelados”.

Partem para a conversa fiada de que é preciso “evitar abuso de autoridade”. Claro que é, isso é o óbvio ululante. Mas estão de pé todos os instrumentos para tanto.

O que falta é evitar o avanço da podridão, mas pouca gente se importa com os que não ficaram pelados no meio da rua.

O homem que deu à luz uma cobra

Nonato Reis

Marcelino “Barriga de Espelho” foi cultuado em Viana e região pelas gerações seguintes à proclamação da República. Até a deposição de Getúlio Vargas em 1945 seu nome ainda provocava espanto e gestos de admiração, como o único homem daquelas terras capaz de fecundar e criar na barriga uma serpente, e a ela sobreviver como que por encanto ou milagre divino.

Chegara às terras da Palmela ainda garoto, junto com a família, vindo do Cajari, então localidade pertencente ao território de Viana. O pai, Vitalino, mudara-se para a Palmela a convite do velho Antônio Feliciano de Mendonça, que o queria como capataz da sua fazenda, a essa altura ainda em formação. Assim cresceu em meio às agruras dos campos de pastoreio, aprendeu a cuidar do gado e da plantação, tornou-se o melhor vaqueiro das redondezas.

A extrema habilidade no manejo do gado e no cultivo da terra contrastava com as relações no campo pessoal. Era bronco, tolo, desajeitado. As mulheres, tratava-as como se fossem vacas. Certa vez, cansado de levar “fora” de uma mulher muito mais velha, que trabalhava na Casa Grande como dama de companhia, pegou-a no laço e a levou para o mato.

Foi um pandemônio dos diabos, a mulher chorava feito criança, dizendo que Marcelino à forçara a fazer sexo com ele. O velho Feliciano, homem diplomático, porém enérgico, teve que intervir na história, e depois de chamar os dois às falas e puxar as orelhas do vaqueiro, deu o assunto por encerrado. Seu Vitalino, preocupado com a rudeza do filho, tentava incutir-lhe modos. “Meu filho, mulher é como passarinho; se você não tiver paciência e jeito, não entra na gaiola”.

Bons eram os puteiros, cujas “gaiolas” viviam abarrotadas de “passarinhos”. Certa vez, passara seis meses no mato, levando o gado de um canto a outro, fugindo do duro inverno que castigara Viana, inundando os campos completamente. Ao retornar “na pedra” correu ao “Cabaré de Ingraça”, escolheu uma bela morena, pediu que lhe saciasse a fome de sexo. A mulher, treinada no ofício, apresentou-lhe o cardápio. “Você quer uma trepada simples, “de quatro” ou ‘na engenhoca’?”. Ele coçou a cabeça, achou a terceira opção interessante e a escolheu.

A mulher o amarrou em pés e mãos nos suportes da cama, subiu sobre ele e começou o movimento. Crescidos à solta, os pelos dela, rijos e fartos feito palha de aço, entrelaçaram-se aos dele, igualmente densos, e, à medida que girava sobre o eixo intumescido do homem, formavam-se cordas, que sob forte pressão, arrancavam tufos de pentelhos dos dois.

Marcelino gemia de dor. Pedia socorro, mas quanto mais gritava, mais a mulher rodopiava. “Fecha os olhos e goza, meu bem, que é a engenhoca”, pedia a mulher naquele giro alucinado. Terminada a sessão, ela olhou o traseiro dele e viu que depositara sobre o lençol uma coisa pastosa. “Meu filho, o que foi isso?” E ele: “foi o bagaço da cana”.

Porém o episódio que marcaria para sempre a vida de Marcelino e o faria conhecido como “Barriga de Espelho” aconteceu alguns anos depois. Ele começou a definhar. Perdeu peso e viço. A única coisa que crescia era a barriga, a cada dia maior, a ponto de brilhar e reluzir feito espelho. Chamaram o velho Trancoso, farmacêutico e médico sem diploma, porém com fama de milagreiro.

Trancoso morava na quinta que levava o seu nome, à beira do Igarapé do Engenho. Ali mantinha uma farmácia de manipulação com remédios para todos os males, de asma a gripe, úlcera e tuberculose. Preparava as fórmulas de sua própria cabeça e a elas dava nomes, às vezes jocosos. Havia o “peitoral de urucu”, para tosse; o “lambedor de jurubeba”, para prisão de ventre, e até as pílulas “arrebenta pregas”.

Após o exame tátil, Trancoso formulou o diagnóstico de Marcelino, mas guardou-o para si. Pegou uma bacia grande de alumínio e lavou-a com sabão. Nela depositou dois litros de leite e ferveu. Quando o leite amornou na bacia, mandou Marcelino sentar de cócoras sobre ela, sem olhar para baixo.

Meia hora depois, ordenou que levantasse. Na bacia, para espanto geral, jazia uma cobra imensa, medindo mais de sete metros de comprimento. “Eis a solitária que te devorava as entranhas”, disse Trancoso. A notícia correu mundo e Marcelino para sempre ficaria conhecido como “Barriga de Espelho”, o homem que dera à luz uma cobra.

Conheça a bela história da usina/fazenda Sansapé em Penalva – MA, pelas lentes do programa Maranhão Rural

O advogado e pecuarista Ivaldo Castelo Branco recebe o Programa Maranhão Rural e conta com detalhes a rica história da lendária Usina Sansapé, em Penalva-MA, na Baixada Maranhense. O proprietário narra com precisão a fundação e a importância da propriedade rural durante a Segunda Guerra mundial, conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo — incluindo todas as grandes potências — organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo.

Segundo a história, durante a guerra, com Porto do Itaqui bloqueado para o desembarque do açúcar oriundo de usinas dos estados do Ceará, Bahia e Pernambuco, coube a Baixada Maranhense suprir as necessidades de consumo desse produto em grande parte do Estado.

Nesse período, o município de Penalva ainda pertencia à Viana, o que torna a Cidade dos Lagos coirmã no sucesso desse grande empreendimento, que se prepara para ser divulgado como uma fazenda modelo, aberta para visitações, com pesque pague, passeios, além de produzir a carne mais saudável da Baixada.

Assista ao vídeo.