Com estiagem no Nordeste, período chuvoso ameniza seca no Maranhão

Dado consta em documento elaborado pelo Monitor de Secas do Nordeste.Aumento no volume de chuva ajudou na redução de impactos no estado.

Michel Sousa – G1 São Luís, MA

Nível do Rio Itapecuru deixa ribeirinhos atentos com o aumento do volume das águas em Caxias (MA) (Foto: Reprodução/TV Mirante)

O Maranhão é o estado do Nordeste com menos cidades que decretaram estado de calamidade ou emergência por causa da seca que atinge a região nos últimos cinco anos. Segundo levantamento feito pelo G1 com base em dados do Ministério da Integração Nacional, dos 217 municípios do estado, 94 tiveram decretos por seca ou por estiagem entre 2012 e 2016, o que representa 43,3% do total. Em alguns estados do Nordeste, como o Piauí, o percentual chega a 98,2%.

Hoje, a falta de chuva atinge mais de 70% dos municípios do semiárido, o que afeta 1.396 cidades com a falta de abastecimento, além da perda de lavouras e rebanhos. Ao G1, o presidente do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), Felipe de Holanda, explicou que as características ambientais diferenciadas ao longo do território maranhense, em relação a fatores climáticos, contribuíram para o grande volume de chuva dos últimos meses e, desta forma, com a redução dos impactos por todo o estado.

“O Maranhão tem boa parte do seu bioma na região amazônica e tem uma precipitação bem mais generosa, apesar de ser concentrada, durante seis, sete meses, diferente do que acontece na Caatinga. No Piauí e no Ceará, por exemplo, você tem zonas que tem 400 mililitros de precipitação por ano, e aqui, no Maranhão, não tem nada abaixo de 1.000. Nós temos vários municípios que sofreram com seca e enchentes de 2010 até agora”, afirmou Holanda.

Nível do Rio Mearim sobe com chegada das chuvas (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Segundo dados do Monitor de Secas, documento elaborado por diversos órgãos ligados ao meio ambiente e meteorologia, as precipitações ultrapassaram 300 mm acumulados no mês de fevereiro e 200 mm durante o mês de janeiro em todo o Maranhão. Isto teria contribuído para a eliminação de impactos da estiagem na agricultura e na pecuária no estado, segundo dados do Imesc.

Ações contra a seca

O chefe do Departamento de Estudos Ambientais do Imesc, José de Ribamar Carvalho, afirmou que ações pontuais contribuíram para minimizar os impactos da estiagem como, por exemplo, o trabalho de abastecimento de água e a perfuração de poços artesianos nos locais em que a estiagem é mais severa. Além disso, a distribuição de água por meio de carros-pipa e o monitoramento feito por equipes permanentes também têm contribuído para a minimização dos impactos decorrentes da seca.

“Quando o município entra em estado de emergência, a Defesa Civil e o estado criam equipes de emergências no próprio município para realizar ações de curto e longo prazo. Em momentos iniciais, realizamos trabalhos de distribuição de água em carros-pipas e depois são escolhidos os pontos nos povoados que sofrem com a estiagem nesses períodos ou não, para a construção de poços artesianos. Com os problemas em relação à quantidade de precipitação, os corpos hídricos subterrâneos podem ser utilizados para essa questão”, explicou.

Com esse cenário do aumento do volume de chuvas e as ações pontuais de diminuição dos impactos da estiagem, as atividades econômicas vinculadas a cultivos agropecuários, piscicultura e extrativismo ganharam sobrevida, segundo aponta relatório da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.

Análise da seca e estiagem

Segundo o ‘Atlas de Desastres Naturais’, entre os anos de 1991 a 2010, o Maranhão foi atingido por 81 episódios de secas e estiagens, que ocorreram em 64 municípios, distribuídos nas cinco mesorregiões do estado, principalmente no leste maranhense.

No entanto, o relatório da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil apontou o ano de 2012 como o que teve mais decretações de situação de emergência por estiagem. Ao todo foram 87 registros, sendo 32 decretos municipais e 55 estaduais. De 2012 a 2015 foram 208 decretos.

Para o Monitor de Secas do Nordeste da Agência Nacional de Abastecimento (ANA), no mês de agosto de 2016, a área de seca extrema no Maranhão chegou a 57%, avançando no setor central e sul do estado. Além do agronegócio, os pequenos agricultores também sofreram com as perdas das plantações e animais.

Em 2016, 21 casos decretos de emergência foram feitos, enquanto que nos primeiros três meses deste ano há apenas oito registros de situações de emergência. “Um dos pesos muito grandes para estiagem é a perda da agricultura e problemas da população com acesso a água para consumo próprio” finalizou José de Ribamar.

Investimentos públicos devem garantir crescimento do Maranhão acima da média nacional

Com investimentos em andamento na ordem R$ 9,2 bilhões, distribuídos entre 346 projetos públicos e privados, o Maranhão deve crescer mais do que a média nacional em 2017. Os dados, analisados na Síntese de Conjuntura Econômica do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), mostram que, além das políticas públicas acertadas, os incentivos gerados pelo Governo do Estado estão atraindo investimentos privados e aumentando a produção agrícola.

De acordo com o Imesc, os investimentos públicos na área de infraestrutura, com construção e pavimentação de rodovias, perfazem R$ 1,5 bilhão e abrangem a construção e a recuperação de estradas, integração de modalidades de transporte, obras de saneamento básico, reforma, ampliação e construção de escolas, etc.

“Esses investimentos, aliados à atração de empresas para o estado, vai garantir ao Maranhão um crescimento do Produto Interno Bruto maior do que o da média nacional em 2017. Essa expectativa é fortalecida com o recorde da safra agrícola, que este ano deverá ter crescimento superior a 16,5%. Esses são os principais fatores que dão suporte para a projeção de crescimento real de 2,7% do estado no ano”, analisa Felipe de Holanda, presidente do Imesc.

Com investimentos de R$ 733,4 milhões divididos entre recursos próprios e investimentos privados, o Porto do Itaqui está expandindo terminais e garantindo melhorias de acesso ao local. A Expansão do Terminal de Tancagem, avaliado em R$ 242 milhões, e o arrendamento do terminal de papel e celulose, com valor das obras estimado de R$ 221 milhões, ampliam as condições logísticas para adensamento das cadeias produtivas nos respectivos setores.

Mais Empregos

Foto: Nael Reis/Secap

Isso significa que, além dos investimentos públicos com centenas de obras em andamento, o Governo do Maranhão também cria condições logísticas para atração de recursos, garantindo mais empregos por meio de empreendimentos do setor privado.

No Setor Energético, serão investidos R$ 2,3 bilhões na geração e na transmissão de energia elétrica nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves. O projeto prevê a instalação da Usina Delta-3, com a construção de linha de transmissão que prevê abertura de 1.000 novas vagas de empregos nos municípios da região do Parque dos Lençóis.

O Governo do Maranhão também atua para a maior diversificação dos produtos do Complexo Bovino, que apresentou crescimento nas vendas para o exterior de carnes e couros. Empresa especialista de carne processada deverá atuar no município de Estreito. A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) promove qualificação que deverá garantir empregos para cerca de 2 mil pessoas na operação de processamento de alimentos.

Com incentivos fiscais, o governo também garantiu incremento da produção avícola maranhense. Com o Programa ‘Mais Avicultura’, de incentivo tributário às empresas do setor, houve aumento de 17%, com produção de 3,5 milhões de aves por mês. Segundo a Secretaria de Estado da Indústria e Comércio (Seinc), até 2018, o Maranhão deverá produzir 10 milhões de aves por mês, gerando cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos. (Fonte: Secap-MA)

O Brasil apodreceu

por Clóvis Rossi

Olhe-se para onde se olhe, o Brasil está podre.

A primeira sensação, ao me sentar para preparar este texto, era a de que a podridão dizia respeito ao Estado brasileiro. Quando quem deveria zelar pelo bom uso do dinheiro público (no caso, o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) não consegue nem sequer se reunir porque cinco de seus sete integrantes estão presos, parece piada pronta.

Mas não é piada, é tragédia.

Mais: não é tragédia localizada. Para ficar só no noticiário da sexta-feira (31), o Painel desta Folha informa que, na sua delação premiada, a construtora Andrade Gutierrez diz ter subornado sete integrantes do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Nada surpreendente quando se lembra que a Suíça, por exemplo, já mandou para a Justiça brasileira provas de corrupção de um conselheiro do TCE-SP, Robson Marinho, afastado há algum tempo.

Por falar em Andrade Gutierrez, seu presidente, Ricardo Sena, é mais um dos empresário de grosso calibre a confessar: “Fomos apanhados pelados no meio da rua”, disse à Folha.

Parece uma frase simpática e irônica, não fosse o fato de que “pelados”, no caso, quer dizer que a empresa, como tantas outras do ramo, foi apanhada roubando.

Ou cometendo “práticas impróprias”, na novilíngua inventada pela Odebrecht para não escrever delinquir. É a clara demonstração que não é apenas o Estado que está podre, mas também parte importante do setor privado.

O que se faz? Chama a polícia? No Rio, chamaram, e dois PMs se transformaram em pelotão de fuzilamento e mataram dois suspeitos caídos e já desarmados.

O que se faz? Chama o tal de povo para a rua para protestar?

Chamaram, foram, e a bandidagem aproveitou a confusão para armar um arrastão e roubar os ocupantes dos carros parados em meio ao tumulto.

No Brasil, fica-se com a sensação de que até o GPS, uma das maravilhas da tecnologia moderna, está podre. Tanto está que, conduzida por ele, uma turista argentina foi levada por engano a uma favela. Atacada, morreu no hospital.

É tamanha a lesão provocada no corpo social pela degradação da pátria que até pessoas do bem, como Luiz Carlos Bresser Pereira, caem num equívoco de defender leniência para com as empreiteiras, aquelas tais apanhadas “peladas no meio da rua”.

O argumento é o de que, se não deixarem as empreiteiras em paz, a economia não se recuperará.

É a confissão implícita de que o Brasil só vai caminhar se for conivente ou, no mínimo, tolerante com a podridão que o invade por todos os lados.

O que fazem, então, os políticos, eles também “pelados no meio da rua”? Dão força às investigações para tentar despoluir o ambiente? Não, vão para cima dos investigadores, para fornecer roupa (impunidade) para os “pelados”.

Partem para a conversa fiada de que é preciso “evitar abuso de autoridade”. Claro que é, isso é o óbvio ululante. Mas estão de pé todos os instrumentos para tanto.

O que falta é evitar o avanço da podridão, mas pouca gente se importa com os que não ficaram pelados no meio da rua.

O homem que deu à luz uma cobra

Nonato Reis

Marcelino “Barriga de Espelho” foi cultuado em Viana e região pelas gerações seguintes à proclamação da República. Até a deposição de Getúlio Vargas em 1945 seu nome ainda provocava espanto e gestos de admiração, como o único homem daquelas terras capaz de fecundar e criar na barriga uma serpente, e a ela sobreviver como que por encanto ou milagre divino.

Chegara às terras da Palmela ainda garoto, junto com a família, vindo do Cajari, então localidade pertencente ao território de Viana. O pai, Vitalino, mudara-se para a Palmela a convite do velho Antônio Feliciano de Mendonça, que o queria como capataz da sua fazenda, a essa altura ainda em formação. Assim cresceu em meio às agruras dos campos de pastoreio, aprendeu a cuidar do gado e da plantação, tornou-se o melhor vaqueiro das redondezas.

A extrema habilidade no manejo do gado e no cultivo da terra contrastava com as relações no campo pessoal. Era bronco, tolo, desajeitado. As mulheres, tratava-as como se fossem vacas. Certa vez, cansado de levar “fora” de uma mulher muito mais velha, que trabalhava na Casa Grande como dama de companhia, pegou-a no laço e a levou para o mato.

Foi um pandemônio dos diabos, a mulher chorava feito criança, dizendo que Marcelino à forçara a fazer sexo com ele. O velho Feliciano, homem diplomático, porém enérgico, teve que intervir na história, e depois de chamar os dois às falas e puxar as orelhas do vaqueiro, deu o assunto por encerrado. Seu Vitalino, preocupado com a rudeza do filho, tentava incutir-lhe modos. “Meu filho, mulher é como passarinho; se você não tiver paciência e jeito, não entra na gaiola”.

Bons eram os puteiros, cujas “gaiolas” viviam abarrotadas de “passarinhos”. Certa vez, passara seis meses no mato, levando o gado de um canto a outro, fugindo do duro inverno que castigara Viana, inundando os campos completamente. Ao retornar “na pedra” correu ao “Cabaré de Ingraça”, escolheu uma bela morena, pediu que lhe saciasse a fome de sexo. A mulher, treinada no ofício, apresentou-lhe o cardápio. “Você quer uma trepada simples, “de quatro” ou ‘na engenhoca’?”. Ele coçou a cabeça, achou a terceira opção interessante e a escolheu.

A mulher o amarrou em pés e mãos nos suportes da cama, subiu sobre ele e começou o movimento. Crescidos à solta, os pelos dela, rijos e fartos feito palha de aço, entrelaçaram-se aos dele, igualmente densos, e, à medida que girava sobre o eixo intumescido do homem, formavam-se cordas, que sob forte pressão, arrancavam tufos de pentelhos dos dois.

Marcelino gemia de dor. Pedia socorro, mas quanto mais gritava, mais a mulher rodopiava. “Fecha os olhos e goza, meu bem, que é a engenhoca”, pedia a mulher naquele giro alucinado. Terminada a sessão, ela olhou o traseiro dele e viu que depositara sobre o lençol uma coisa pastosa. “Meu filho, o que foi isso?” E ele: “foi o bagaço da cana”.

Porém o episódio que marcaria para sempre a vida de Marcelino e o faria conhecido como “Barriga de Espelho” aconteceu alguns anos depois. Ele começou a definhar. Perdeu peso e viço. A única coisa que crescia era a barriga, a cada dia maior, a ponto de brilhar e reluzir feito espelho. Chamaram o velho Trancoso, farmacêutico e médico sem diploma, porém com fama de milagreiro.

Trancoso morava na quinta que levava o seu nome, à beira do Igarapé do Engenho. Ali mantinha uma farmácia de manipulação com remédios para todos os males, de asma a gripe, úlcera e tuberculose. Preparava as fórmulas de sua própria cabeça e a elas dava nomes, às vezes jocosos. Havia o “peitoral de urucu”, para tosse; o “lambedor de jurubeba”, para prisão de ventre, e até as pílulas “arrebenta pregas”.

Após o exame tátil, Trancoso formulou o diagnóstico de Marcelino, mas guardou-o para si. Pegou uma bacia grande de alumínio e lavou-a com sabão. Nela depositou dois litros de leite e ferveu. Quando o leite amornou na bacia, mandou Marcelino sentar de cócoras sobre ela, sem olhar para baixo.

Meia hora depois, ordenou que levantasse. Na bacia, para espanto geral, jazia uma cobra imensa, medindo mais de sete metros de comprimento. “Eis a solitária que te devorava as entranhas”, disse Trancoso. A notícia correu mundo e Marcelino para sempre ficaria conhecido como “Barriga de Espelho”, o homem que dera à luz uma cobra.

Conheça a bela história da usina/fazenda Sansapé em Penalva – MA, pelas lentes do programa Maranhão Rural

O advogado e pecuarista Ivaldo Castelo Branco recebe o Programa Maranhão Rural e conta com detalhes a rica história da lendária Usina Sansapé, em Penalva-MA, na Baixada Maranhense. O proprietário narra com precisão a fundação e a importância da propriedade rural durante a Segunda Guerra mundial, conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo — incluindo todas as grandes potências — organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo.

Segundo a história, durante a guerra, com Porto do Itaqui bloqueado para o desembarque do açúcar oriundo de usinas dos estados do Ceará, Bahia e Pernambuco, coube a Baixada Maranhense suprir as necessidades de consumo desse produto em grande parte do Estado.

Nesse período, o município de Penalva ainda pertencia à Viana, o que torna a Cidade dos Lagos coirmã no sucesso desse grande empreendimento, que se prepara para ser divulgado como uma fazenda modelo, aberta para visitações, com pesque pague, passeios, além de produzir a carne mais saudável da Baixada.

Assista ao vídeo.