Delator diz que pagamentos em espécie eram feitos até em “cabaré”

Pedro Ladeira/Folhapress          

Hilberto Mascarenhas chega ao TSE, em Brasília; ex-executivo da Odebrecht será ouvido na ação que investiga a chapa Dilma-Temer. O delator da Odebrecht Hilberto Mascarenhas, ao depor chega ao TSE, em Brasília

BRASILIA, DF, 06.03.2017: ELEIÇÕES-JUSTIÇA – O ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas chega para depor no TSE, em Brasília (DF), nesta segunda-feira (6), na ação judicial eleitoral que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Em depoimento à Justiça Eleitoral, o delator da Odebrecht Hilberto Mascarenhas, responsável pelo setor de pagamentos de propina da empresa de 2006 a 2015, relatou que as entregas de dinheiro em espécie aconteciam em “lugares absurdos” e até “cabaré”.

A Folha teve acesso à íntegra do depoimento.

Questionado pelo juiz auxiliar da ação que pede a cassação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer na eleição de 2014 sobre como eram os pagamentos ao marqueteiro João Santana e a esposa dele, Mônica Moura, responsável por operacionalizar as finanças, Hilberto respondeu:

“Se fossem valores pequenos encontravam num bar, em todos os lugares. Você não tem ideia dos lugares mais absurdos que se encontra, no cabaré…”.

Para repassar os montantes maiores, no entanto, Hilberto esclarece que Mônica ou um representante dela se hospedava em um hotel onde se encontravam com um intermediário contratado pela Odebrecht que fazia a entrega, mas que não era ligado diretamente à empresa.

“Então, você se hospedava no hotel e de noite ele visitava o quarto do interessado, entregava e ia embora, para poder ter mais segurança se fossem valores maiores”, contou.

Relatou ainda que, quando era o principal responsável pelo departamento de operações estruturadas, a área do grupo que realizava o pagamento de propinas e caixa dois, preferia pagar tudo fora do Brasil.

“Eu dizia: eu prefiro pagar tudo no exterior, que era lá que era feita a geração, eu preferia pagar no exterior. Mas ela [Mônica Moura] exigia que partes fossem pagas no Brasil, justificando que tinha que pagar alguns serviços que eram feitos no Brasil…”

Hilberto relatou ainda que Mônica estaria na lista dos “top five” que recebiam os valores mais elevados de propina da área.

Falso médico é preso em flagrante em Viana

Paulo Roberto Barboza Bezerra foi preso na quinta-feira (23) em Viana. Maria Lucineide Trindade Viana foi autuada também por estelionato.

Polícia apreendeu equipamentos utilizados nas consultas oftalmológicas em Viana (MA) (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Viana – A Polícia Civil do Maranhão, por intermédio da 6ª Delegacia Regional de Viana, prendeu em flagrante na quinta-feira (23), em Viana, a 214 km de São Luís, Paulo Roberto Barboza Bezerra e Maria Lucineide Trindade Viana pelos crimes de exercício ilegal da medicina e estelionato.

Segundo a polícia, após a denúncia de uma vítima, uma equipe policial decidiu averiguar e constatou que uma clínica oftalmológica, situada na Praça da Bíblia, no município maranhense, estava funcionando sem o devido registro no Conselho Regional de Medicina.

No local, os policais encontraram e apreenderam vários equipamentos para a realização de consultas oftalmológicas, bem como receituários em branco.

De acordo com a polícia, Maria Lucineide foi autuada pelo crime de estelionato, já que ela era proprietária do comércio “Luótica” e era a responsável por captar pacientes e agendar as consultas do falso médico.

Os policiais acrescentaram ainda que ela era quem arcava com as despesas de aluguel de salas de atendimento e em troca o falso médico indicava a ótica para a confecção dos óculos prescritos às vítimas.

Paulo Roberto Barboza Bezerra e Maria Lucineide Trindade Viana foram encaminhados para a Delegacia Regional de Viana onde ficarão à disposição da Justiça. (Fonte: G1 MA)

Clínica oftalmológica funcionava em Viana (MA) (Foto: Divulgação/Polícia Civil)