A água na Baixada Maranhense

Expedito Moraes*

Dia da água. Chove bastante nas cabeceiras de alguns rios maranhenses. O Maranhão possui, segundo o Núcleo Geoambiental da UEMA,12 bacias hidrográficas, Gurupi, Tocantins, Parnaíba, Turiaçu, Maracaçumé, Litoral Ocidenta (incluindo Pericumã e outros da região),  Mearim (a maior de todas), Itapecuru, Munim, Preguiças, Periá e a menor de todas, da ilha de São Luís;  que drenam todo o território maranhense, embora, uns mais outros menos. Entretanto, a Região da Baixada drenada pelos rios Pindaré (afluente do Mearim), Pericumã, Aurá, Turiaçu e outros é a que mais sofre a influência dos invernos e verões. Entenda que chamamos de inverno o período chuvoso e verão o contrário.

Na BAIXADA durante quatro meses do ano, como agora, não se constrói nada porque tem água de mais; depois tem quatro meses para se fazer muita coisa, inclusive recuperar o que a água levou ou estragou; em seguida mais quatro meses que não se produz nada porque não tem água nem pra beber.

O Rio Maracú é um pequeno afluente entre o Rio Pindaré e o Lago de Viana e este tem conexão com outro lagos como Itans, Aquirí, Formoso, Penalva, etc. essa é a Região dos Lagos. Neste período não há como distinguir uma coisa da outra, é um imenso pantanal, somente os tesos não submergem.

De agosto a dezembro estará tudo diferente, muita poeira, pasto seco, animais morrendo de sede e fome, os humanos sem comida e sem água potável é a miséria onde podia ser um celeiro de produção de alimentos.

Nos últimos anos outra ameaça: a invasão das águas salgadas da Baia de São Marcos nos campos da Baixada, que além da salinização dos campos está mudando a paisagem e costumes dos baixadeiros.

Um grande Projeto chamado DIQUES DA BAIXADA, um sonho antigo, encontra-se a cargo da CODEVASF, existe a possibilidade de transforma-se em realidade nestes próximos anos. Por outro lado o Governo do Estado mobiliza esforços para implantar o projeto DIQUES DE PRODUÇÃO em vários trechos dos 31 municípios da região que servirá para o transporte, contenção de água de chuva e produção de alimentos.

O objetivo de um e de outro é a manutenção de água doce nos campos baixos e conter a entrada de água salgada na região.

Um terceiro projeto seria a construção da BARRAGEM NO RIO MARACU, em CAJARÍ, com objetivo de perenizar os lagos dessa região. Caso contrário continuará assim como no verão de 2016, onde pescadores encontraram filhote de tubarão nas rasas águas do Lago de Viana.

Os governos municipais, estadual e federal devem tomar a iniciativa de intervir planejadamente neste território. Isto permitirá tirar esta Região com mais de 750 mil habitantes do estado de pobreza, onde tudo está por fazer e o IDH é um dos mais baixos país do país.

*Membro do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense

Prisão de blogueiros é novo alerta sobre as relações perigosas com as fontes e o crime

 

Por Ed Wilson Araújo

Desde o assassinato do jornalista Décio Sá, o sinal amarelo acendeu na blogosfera do Maranhão, levantando o debate acerca da promiscuidade entre alguns jornalistas com os seus informantes e as redes do crime organizado.

Repórter incansável, com faro jornalístico aguçado, Sá enredou-se na malha da agiotagem e acabou empolgado demais com a impressão de que era amigo do Palácio dos Leões e estava protegido.

Nessas circunstâncias, há sempre o risco da prática da pistolagem midiática e o jornalismo de encomenda atrapalha o interesse público.

Em 21 de março o sinal amarelo mudou para vermelho. A Operação Turing da Polícia Federal prendeu três blogueiros e conduziu coercitivamente mais cinco.

Segundo a Polícia Federal (PF), os blogueiros seriam parte da organização criminosa que atrapalhava investigações contra empresários e servidores públicos, mediante a negociação de informações sigilosas obtidas por meio do policial Federal Danilo dos Santos Silva.

Com cargo importante (Administração, Logística e Inovação) na Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), Danilo Silva havia sido exonerado pelo governador Flávio Dino em 9 de março, 12 dias antes da Operação Turing ser deflagrada.

A promiscuidade entre os jornalistas e a fonte resultava em um negócio lucrativo. O policial galgava espaços na política e os blogueiros faturavam com o agendamento (positivo ou negativo) dos investigados, de acordo com a PF.

Agora é aguardar o curso das investigações e meditar sobre o contexto político-midiático no Maranhão.

NEGÓCIO DA NOTÍCIA

Os blogs viraram fenômeno no Maranhão. Transformaram em operadores da notícia várias pessoas sem formação em Jornalismo, criando relações perigosas com fontes encarregadas de investigar e fiscalizar os agentes públicos.

Fora da chamada mídia tradicional, alguns blogueiros ganharam poder, fama e dinheiro.

Em parte, o crescimento dos blogs foi uma alternativa ao controle dos meios de comunicação tradicionais por famílias de políticos, principalmente os sistemas Mirante/Globo (José Sarney) e Difusora/SBT (senador Edison Lobão).

Aí está o problema principal! O mercado de trabalho para os profissionais de comunicação é sempre refém dos controladores da política e das verbas publicitárias dos dois maiores financiadores: a Prefeitura de São Luís e o Governo do Estado.

É sempre bom reiterar: na maioria das vezes os jornalistas dependem dos esquemas de poder que controlam as empresas de mídia. Não há como julgar e condenar os profissionais de Comunicação que trabalham para as corporações jornalísticas. São pais e mães de família que precisam de emprego para alimentar suas famílias e, pela regra, precisam obedecer às linhas editoriais ditadas pelos controladores.

BONS COMPANHEIROS

Vejamos, por exemplo, o que acontece no Sistema Difusora de Comunicação. Nos bastidores, corre a versão de que este complexo midiático está arrendado (ou fora vendido!?) ao deputado federal Weverton Rocha (PDT), candidato a senador em 2018.

Detalhe: emissoras de rádio e TV são concessões públicas e não podem ser arrendadas.

No mundo das sombras da caverna platônica o chefe maior do Sistema Difusora, senador Edison Lobão (PMDB), seria adversário do deputado pedetista arrendatário.

Mas, a política nem sempre é como os apaixonados pensam. Os adversários geralmente se entendem no âmbito dos negócios.

E o deputado Weverton Rocha surge agora como uma espécie de Assis Chateaubriand do Maranhão, controlando uma rede midiática unicamente voltada para o projeto de torná-lo senador.

Uma hora o Ministério Público e a Polícia Federal podem se interessar por esse fenômeno: de onde sai o dinheiro que paga o arrendamento do Sistema Difusora de Comunicação?

Em 2018 haverá uma nova guerra midiática no processo eleitoral e as empresas de comunicação e os blogueiros vão acionar suas armas em torno das suas candidaturas e preferências.

Às vezes, nessa guerra, o primeiro a ser morto é o leitor/ouvinte/telespectador.

Da Operação Turing e seus desdobramentos, espera-se que a investigação dê uma freada nas práticas apontadas pela Polícia Federal.

No mais, cobra-se o aprofundamento das investigações. É preciso chegar aos altos escalões dos órgãos encarregados de fiscalizar e julgar os gestores (principalmente prefeitos) nas suas prestações de contas e nos atos gerais da administração pública.

Afinal, os blogueiros não agiam sozinhos.

Veja a situação dos principais rios do Maranhão no Dia Mundial da Água

Cheia do Rio Pindaré obriga moradores a sair de suas residências. Rio Tocantins continua com o nível muito baixo em Imperatriz.

No dia em que é comemorado o “Dia Mundial da Água” (22), o G1 apresenta a situação dos principais rios que banham o estado do Maranhão é segundo especialistas é considerada crítica e preocupante. Alguns rios estão com o nível de água elevado, mas continua baixo em outros, mesmo com as fortes chuvas.

No Vale do Pindaré, situada a oeste do estado, o Rio Pindaré está subindo mais a cada período chuvoso e obrigando os moradores dos municípios de Pindaré Mirim e Monção a sair de suas residências.

Água já invadiu os quintais das casas de comunidades que moram as margens do Rio Pindaré  (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Para quem mora próximo da margem é preocupação. Tudo isso porque a água já invadiu quintais e está prestes a desabrigar muitas famílias. A preocupação dos moradores é com o que vem pela frente, já que normalmente no mês de abril é quando chove com mais intensidade.

O pescador Antônio José Martins diz que se o rio continuar a subir ele será obrigado a sair de sua casa. “A água já está pertinho e está bem no quintal. Se ela vir mesmo como está a previsão nós vamos sair. É o jeito sair de lá. Não tem outra opção”.

Situação parecida também vive as comunidades que residem no município de Caxias, no leste do estado, onde o nível do Rio Itapecuru está deixando os ribeirinhos atentos com o aumento do volume das águas em virtude das chuvas.

O aposentado José Lopes que vive nas imediações do Rio Itapecuru afirma que foi obrigado a fazer uma abertura na parede da casa onde mora para ficar monitorando o nível do Itapecuru.

Ele acrescenta que este ano o nível já esteve mais elevado, mas que ainda tem receio que ocorra enchente com as chuvas do mês de abril. “Este resto de mês e de abril se continuar que estou vendo como está sujeito ele encher. Mas eu já me preveni aqui por trás porque às vezes é só o perigo essa barreira que é alta, mas eu sempre calço ela. Não vai acontecer nada”.

Já em Imperatriz, na região Tocantina, o Rio Tocantins continua com o nível muito baixo, apesar das intensas chuvas que são comuns nesta época do ano no local. Mais seco que o normal, o Rio Tocantins apresenta alguns pontos de praia, como a Praia do Amor, do Urubu e do Cacau.

Segundo o superintendente da Defesa Civil na cidade, Francisco das Chagas, com a redução das águas, o Tocantins vem sofrendo impactos que afetam o corpo hídrico. “Esses impactos são uma cadeia e vai prejudicar em todos os sentidos que você imaginar. Vem o pescado, vem a navegação. Antecipa-se o período de veraneio na nossa cidade e região, e toda a vida ela tem um certo impacto, visto que o rio ele naturalmente ele funcionava de uma forma e hoje ele é uma outra manutenção. Hoje ele traz outra vida, outro comportamento”, explicou.

Em São Luís, os Rios Anil e Bacanga, considerados os principais da capital, estão em um estado crítico de poluição. De acordo com o doutor em oceanografia, Antônio Carlos, a grande quantidade de sujeira e esgoto que são despejados diariamente nos mananciais da cidade tem comprometido diretamente a qualidade de vida da população.

“Apesar do esforço do poder público na construção de estações de tratamento, a gente sabe que ainda são inoperantes. A grande quantidade de esgoto que são lançados in natura nos rios da capital e isso é um dos grandes problemas que estão comprometendo as nossas bacias hidrográficas”, disse o doutor Antônio Carlos.

O especialista diz ainda que com o aceleramento do desenvolvimento urbano na capital e falta de administração adequada em torno do Rio Anil e o Rio Bacanga acabou comprometendo a qualidade das bacias hidrográficas. “Hoje, com a expansão urbana caótica, sem um gerenciamento territorial adequado essas ocupações irregulares acabaram por comprometer essas bacias hidrográficas poluindo os rios, aterrando as nascentes e é isso que nós estamos vendo hoje”, finalizou. Do G1 MA, com informações da TV Mirante. Clique AQUI e assista a matéria completa.