Viana – “Peixadas do Carnaval”

Hora do “Macho Velho” trabalhar

Depois de ter o ego inflado por torrar mais de 1 milhão de reais, sem dó ou piedade, dos contribuintes no Carnaval de Viana, onde comemorou de camarote o seu aniversário em pleno corredor da folia, ao som das banda baianas, MV precisa voltar a triste realidade e mostrar mesmo a que veio.

MV, inclusive, deve ainda estar com as partes íntimas escrotais bastante avariadas ou virado mexido ou omelete, de tanto que os locutores oficiais do palco o “ova”cionaram durante a folia. Mas vamos ao que interessa.

Calote

Pra começar, MV deveria pagar os servidores de cargos comissionados, inclusive os ex-secretários, prestadores de serviços e fornecedores da gestão passada, e também os garis que receberam apenas a mixaria de R$ 200,00 antes do carnaval (se quisessem), e ainda caíram na humilhação de limpar a sujeira deixada na cidade.

A grana deixada para esse pagamentos foram mesmo para a Bahia.

Na Justiça

O CALOTE é grande e já vai cair nas barras da Justiça, ou para ser pago na marra, ou virar precatórios. De qualquer forma, a atual gestão agora vai provar do mesmo veneno, depois que o grupo protocolou mais de 500 ações contra o ex-prefeito, inclusive a maioria delas deverá cair no colo do atual gestor, como tiro no pé, ou feitiço contra o feiticeiro.

Canalhice com o “Laranjeira do Meu Quintal”

Para provar como o grupo de “Macho Velho” leva tanto a sério o “pão e circo” oferecido ao povo vianense – muito mais que obras e benefícios -, o tal “coordenador de porra nenhuma” do Carnaval, que também era vigia de camarote para filmar (ou impedir) quem subia e descia, mandou rebaixar o bloco mais divertido e descontraído da folia vianense, cujo líder, o popular “Dona Zeca” está indignado e triste.

Homenagem a “Pará”

Tudo porque o bloco “Laranjeira do Meu Quintal” decidiu homenagear o amigo “Pará” – grande vianense, de caráter irretocável, que faleceu no ano passado. O bloco fez uma breve parada em frente ao palco dos jurados, fez a sua homenagem e seguiu em frente com a sua alegria habitual. Não se sabe os motivos do rebaixamento ou punição, porém, muitos desconfiam que se trate de uma retaliação, por o “Laranjeira” contar entre seus integrantes, de um grande contingente de ex-servidores da gestão passada, que são tratados – não pelo prefeito -, mas sim pelos seus babões, como verdadeiros inimigos.

Fica aqui o protesto e o recado para muitos que estavam por trás dessa farra com o dinheiro público: o “Bloco Laranjeira” e “Dona Zeca” são mais importantes, alegres e decentes do que alguns que agora posam de paladinos da moral, mas não passam de serviçais, dependentes e carentes da política e dos políticos, assim como o cupim, que precisa da madeira podre para sobreviver. Pode rodar a baiana, “Dona Zeca”!

“Lata d´Água na Cabeça”…

Apesar de São Pedro estar bastante generoso com a Baixada neste ano, o carnaval vianense passou na seca total, sem água nas torneiras. E a seca continua! A foto abaixo registra o cotidiano de muitas mães de famílias que estão sofrendo carregando baldes na cabeça, com água para cozinhar, lavar e tomar banho.

O problema aconteceu e ainda acontece em todas as gestões vianenses, porém, o grupo atual montou uma verdadeira patrulha para detectar e infernizar qualquer falha do governo passado. E agora? Qual o problema da falta d’ água? Será a falta de dinheiro para comprar o cloro e outros produtos para tornar o líquido potável? Ou a velha desculpa que a bomba queimou? O Igarapé do Engenho – a caixa d´água de Viana – está cheio: muitos poços artesianos foram deixados funcionando, com caixas e distribuição. Será uma operação desmonte?

Da agricultura familiar para a cachaça

Muitos vianenses conscientes e atentos ao cotidiano da cidade flagraram com imagens o caminhão doado pelo Governo Federal para o transporte de alimentos da Agricultura Familiar, transportando grades de cervejas no bombástico Carnaval do “Macho Velho”.

Para receber o veículo – de grande utilidade para os agricultores – que estavam vendendo sua produção para a merenda escolar e o Restaurante Popular de Viana, o governo passado assinou um caderno de encargos e provou que realmente estava resgatando a agricultura vianense. Para tristeza dos produtores, tudo terminou em carnaval. Isso pode, “Macho Velho”? UMA VERGONHA!!!

Nem as barraquinhas (?)

Quem percorreu o corredor da folia, também observou algumas barraquinhas verdes, misturadas entre as dezenas de ambulantes, que arriscaram faturar algum no carnaval. Eram as barracas da feirinha da Agricultura Familiar, que viram bares, onde antes se vendia a produção de verduras, legumes e frutas do homem do campo.

Em tempos de crise, todo pai de família precisa se virar como pode para sustentar a prole, principalmente quando se muda tudo, da festa da produção para a festa puramente profana.

A execução de um inocente

Babaco – morreu de graça

A 13ª Companhia Independente de Viana e a Corregedoria da Polícia Militar precisam informar a sociedade vianense sobre o brutal assassinato de Sebastião Júlio Pinheiro, conhecido como Babaco, cidadão humilde e honesto, que nasceu e se criou em nossa cidade, no bairro da Barreirinha; gostava de ajudar os moradores da comunidade e mantinha amizades com todos.

Os moradores estão revoltados, indignados e tristes com forma cruel e desumana, com que uma patrulha de policiais, nesta madrugada (de quinta para sexta), nas imediações do Posto Vinólia, na MA 014, dispararam pelas costas contra um cidadão desarmado, que aparentemente não representava perigo algum.

Hoje, durante o velório de Babaco em Viana, sua mãe desabafou: “Se fosse uma doença eu estaria conformada, mas tiraram a vida do meu filho, quero justiça.”

Segundo relatos de testemunhas, a vitima estava na garupa de uma motocicleta, cujo condutor não atendeu a ordem de parar dos militares que faziam uma blitz no local, e resultou no trágico desfecho.

O Blog Vianensidades se solidariza com a família neste momento de dor e de revolta, ao mesmo tempo em que disponibiliza o espaço para os esclarecimentos da Polícia Militar de Viana.

Meridiano, o circo que abalou Viana

Nonato Reis*

A chegada de um circo em cidades da zona rural é sempre um acontecimento e nem precisa fazer divulgação para que a notícia se propague como fogo em canavial. Nos anos 70 Viana era uma cidade espremida em seus contornos históricos, isolada do mundo e fechada em si mesma. Exceto alguns bailes de clube, carnaval e festas de radiola, diversão não havia. O futebol ocupava o tempo livre dos homens, cabendo às mulheres engrossarem as torcidas à beira dos gramados.

Eu estudava no Ginásio Bandeirante e vivia preocupado muito mais em tirar boas notas do que qualquer outra coisa. Ainda não tivera uma namorada, para o meu desencanto, que a essa altura acumulara algumas “recusas” da parte daquelas com quem me aventurei ultrapassar o círculo da amizade. Viana era uma terra de mulheres bonitas, mas as que eu desejava habitavam esfera inatingível, já que faziam parte de famílias tradicionais, e eu era um reles mortal.

Foi nesse ambiente de temperatura morna que desembarcou em Viana o Circo Meridiano, uma estrutura de aparência decadente, com lonas velhas e animais mal cuidados, porém com um elenco masculino de dar água na boca das moças e até de senhoras recatadas. Os artistas – se é que poderíamos chamar assim – ostentavam aparência exótica: altos, esguios, cabelos loiros compridos, olhos claros – e o que é pior, ou melhor: tocavam guitarras e faziam um barulho ensurdecedor.

Num piscar de olhos a cidade saiu daquela letargia habitual e passou a viver um clima frenético, de gente entrando e saindo a toda hora das lonas do circo, locutores trepados em velhas rurais e caminhões Chevrolet a rodar pelas ruas, anunciando os espetáculos. Para facilitar o contato com a cidade, os proprietários do circo contrataram Hamilton Garcia, que passou a ser uma espécie de Aspone (assessor de porra nenhuma, na gíria da imprensa) ou, na melhor das hipóteses, porta-voz do grupo. Hamilton, na verdade, um sujeito bem relacionado, fazia a ponte dos “artistas” com a alta sociedade vianense, onde transitava com desenvoltura.

A cidade passou a viver em função da pauta do Meridiano. Havia sessões à tarde e à noite, varando a madrugada, sempre acompanhadas de multidão. Não se falava mais em outra coisa em Viana. Até a vida alheia, antes tão comentada, foi deixada de lado. A elite, então confinada aos suntuosos casarões, deixou o “olimpo dos deuses” e foi para a plateia da Praia Grande, onde o circo fincou lona. Quando os palhaços e trapezistas adentravam o palco as arquibancadas viviam um verdadeiro frenesi, com as damas dando gritinhos de êxtase e os rapazes assobiando num ruído ensurdecedor.

Um dia, sem qualquer explicação, o circo cancelou a programação da noite, prometendo retomar os shows no dia seguinte. Foi uma comoção na cidade e todos – ou quase todos – tiveram que se conformar em dormir mais cedo, enfrentando uma noite de pesadelos, gritos abafados e burburinhos, que ninguém sabia a origem nem o porquê daquilo. No dia seguinte, a cidade acordava e se deparava com o estrago aberto no coração daquilo que tinha de mais precioso.

Um algodoal, que formava espessa cortina ao redor da Gurgueia, na entrada da cidade, parecia ter sido palco de lutas corporais. As árvores arrancadas ou retorcidas e sobre elas dezenas de calcinhas de mulher em tiras, marcadas com sangue. Todos procuravam explicação para aquele cenário de terra arrasada. Acorreram até o Meridiano e no lugar onde fora armado o circo só havia as marcas das estacas fincadas no chão.

O boato que depois varreu a cidade foi que os “artistas” do Meridiano haviam promovido uma pegação geral no matagal da Gurgueia, com mulheres virgens e casadas, separadas, viúvas e até “gatos” (que na gíria do lugar significa prostituta). Mais sinistro: do apetite sanguinário dos tais artistas a elite teria sido a maior vítima. Foi um deus-nos-acuda, um rebuliço dos diabos que manteve a temperatura da cidade em ebulição por meses e até anos.

Um loirinha, que foi o meu objeto de desejo por todo o ginásio, não podia ouvir a palavra “meridiano”, que seus olhos marejavam. Outra, morena clara, que foi minha professora, tinha crises de histeria do nada e se danava a esculhambar os meninos do circo. E teve até o caso de uma senhora casada, que largou o marido para, segundo as más línguas, ir morar com o dono do circo no Paraguai.

O certo é que o trauma da orgia foi terrível. Muito tempo depois, quando alguém dizia “Lá vem Meridiano!” era comum fazer o sinal da cruz, fechar portas e janelas e, caso mulheres se encontrassem na rua, saírem em desabalada carreria, à procura de abrigo. O Meridiano fez história em Viana. Com sangue na veia.

*Jornalista – Crônica escrita em 02/03/2017