MPF no MA denuncia suspeitos de encomendar morte de ambientalista

Segundo MPF, José Escórcio e Francisco Sousa contrataram pistoleiros.
Raimundo dos Santos Rodrigues foi assassinado em agosto de 2015.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou os fazendeiros José Escórcio de Cerqueira e Francisco da Silva Sousa, suspeitos de contratar pistoleiros para matar Raimundo dos Santos Rodrigues, de 54 anos, e sua companheira, Maria da Conceição Chaves Lima – que sobreviveu ao ataque e foi inserida no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas –, conselheiros da Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi que denunciavam constantemente a grilagem e a exploração ilegal de madeira no interior do Maranhão.

O homicídio praticado contra Raimundo dos Santos e a tentativa de homicídio contra sua companheira, de acordo com o MPF, ocorreram por motivo torpe: vingança. José Escórcio e Francisco da Silva, proprietários de terras no interior da Rebio) do Gurupi, “estavam bastante incomodados com a atuação de Raimundo dos Santos e Maria da Conceição como conselheiros da Reserva Biológica do Gurupi”, conforme diz trecho da denúncia.

Segundo o inquérito policial que embasou a denúncia, no interior de fazenda de propriedade de José Escórcio, dois pistoleiros armados com revólveres emboscaram as vítimas quando elas retornavam, em uma motocicleta, à comunidade Rio das Onças II, no interior da Reserva do Gurupi, onde residiam.

Na denúncia, o MPF pede a instauração de processo penal com a intimação dos denunciados para interrogatório. Os denunciados devem responder por porte de arma de fogo sem autorização legal. Francisco da Silva Sousa, atualmente, segundo o MPF, está foragido. Já José Escórcio segue preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na Região Metropolitana de São Luís.

Relembre
Raimundo foi morto em 25 de agosto de 2015 com sete tiros e golpes de facão em uma emboscada, no trajeto entre Buriticupu (MA) e a casa onde morava com a esposa, localizada na Rebio Gurupi, em Bom Jardim (MA). O ambientalista afirmava que vinha sofrendo ameaças. Segundo ele, um fazendeiro teria ameaçado a ele e a outras dez famílias que moravam na região. “Ele estava incomodado com a Rebio para não roçar dentro da área de área biológica”, disse.

Em um vídeo, Raimundo contou que o fazendeiro citado teria agido com abuso para retirar as famílias do local, incendiando casas e barracos, além de objetos dos moradores. “Nós se sente (sic) ameaçado desde que ele chegou lá, tocando fogo nos barracos. Ele queria passar com carro por cima das crianças, dos adultos”, revelou.

O assassinato do ambientalista e conselheiro da Rebio do Gurupi chegou a ser denunciado à Organização dos Estados Americanos (OEA), pela organização não governamental (ONG) Justiça Global.

Fonte: G1

Obras inacabadas preocupam moradores em Bacabal, MA

Quadras e creches que seriam entregues em 2015 ainda estão inconcluídas.
Segundo moradores, espaços têm servido como abrigo de marginais.

 

Obras de construção de quadras esportivas, escolas e creches estão paradas no bairro Vila Frei Solano, em Bacabal, a 240 km de São Luís. A situação, além de causar revolta também tem gerado muita insegurança, pois os locais onde as obras começaram estão servindo como abrigo de marginais.

Uma moradora que preferiu não se identificar conta que a situação é revoltante e que onde era para ser uma quadra de esportes virou refúgio de bandidos. “Ninguém dorme de noite, com gente gritando, gente roubando, assalto o povo. Pessoal passa na rua com medo. Tem um ‘bocado’ de meninos de tarde que assaltam os celulares de quem passa. Esse negócio aí [a quadra] foi muito mal feito. Não é uma quadra, é m galpão do que não presta”, relatou.

A informação que consta na placa dá conta que a quadra deveria ter sido entregue em junho de 2015 e que ela custou aos cofres públicos mais de R$ 500 mil. O servente de pedreiro, Manoel Andrade trabalhou no início das obras e contou que não tem recebido o pagamento pelo serviço. Ele conta, desolado, que a situação da família está complicada. “Eles pagaram somente 10 dias de trabalho, em junho. Meus filhos estão passando mal, fome. Se vocês virem a situação da minha casa é crítica”, lamentou.

No lugar onde era pra ser uma creche ficaram somente o espaço e as reclamações de quem estava esperando para ver seu local de trabalho construído. É o caso da professora Maria Graça Ximenses. “Eu sonhava com essa creche aqui. Quando passava com me neto ele dizia que iria estudar aqui. E vê um matagal desse aí. Com tanto dinheiro se estragando acho que o bairro precisava dessa creche. Vem tanta verba e não se vê benefício nenhum”.

O secretário de Educação do município, Carlos Gusmão, afirmou que a situação da creche é problema da gestão anterior. “Ela [a creche] é da gestão anterior, ainda. Está inacabada, realmente. Nós não tivemos acesso a nenhuma documentação daquela creche e também nenhuma verba. É um problema da gestão anterior e está na Justiça”.

Na zona rural, a obra de construção de uma quadra de esportes que era para ser concluída em três meses está inativa desde 2014. Manoel Andrade também trabalhou nessa construção e mais uma vez reclama. “Nunca recebemos um centavo nem deram baixa na nossa carteira. Como posso trabalhar, se quando puxam minha ficha a minha carteira está assinada”, contou.

O secretário de Educação explica a situação com a crise financeira. “Assim que for repassada a verba, a obra vai reiniciar. É a cobrança que estamos fazendo. A gente espera que até metade do plano as quadras sejam entregues, tanto na zona rural quanto no centro”, justificou.

Fonte: G1