Edital do concurso com mil vagas para a Saúde no Maranhão é publicado

 

O edital para o concurso da saúde criado pelo Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, foi publicado nessa segunda-feira (12) e já está disponível para consulta. Veja aqui o edital:

Edital do Concurso – Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh)

Estão sendo oferecidas mil vagas no quadro efetivo da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh), responsável pela gestão de 45 unidades de saúde na capital e no interior do estado.

As inscrições serão realizadas a partir das 8h do dia 15 de dezembro até as 23h59 do dia 9 de janeiro, por meio do site do Instituto AOCP, organizadora do concurso, com o pagamento do valor de R$ 80 para nível médio e técnico e R$ 120 para nível superior. Os aprovados no certame terão direito a remunerações que variam de R$ 1.000 (nível médio) a R$ 7.425,31 (nível superior).

Das vagas autorizadas, serão ofertadas 60 oportunidades na área médica em diferentes especialidades, 630 vagas para as funções de enfermeiro e de técnico de enfermagem, além de 310 vagas distribuídas para os cargos de biomédico, bioquímico, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, odontólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico em saúde bucal, advogado, analista administrativo, jornalista e assistente administrativo.

CONFIRA O QUADRO DE VAGAS

Médicos especialistas

Médico cardiologista: 8 vagas

Médico – clínica médica: 9 vagas

Médico – endocrinologia: 13 vagas

Médico – ginecologia e obstetrícia: 9 vagas

Médico – ortopedia: 7 vagas

Médico – pediatria: 10 vagas

Médico – psiquiatra: 4 vagas

Enfermagem

Enfermeiro: 30 vagas

Enfermeiro obstetra: 10 vagas

Enfermeiro UTI – Adulto: 10 vagas

Enfermeiro UTI – Pediátrica: 10 vagas

Enfermeiro UTI – Neonatal: 10 vagas

Técnico de enfermagem: 560 vagas

Área médica

Biomédico: 15 vagas

Bioquímico: 10 vagas

Farmacêutico: 60 vagas

Fisioterapeuta: 28 vagas

Fisioterapeuta UTI Pediátrica – Neonatal: 10 vagas

Fonoaudiólogo: 15 vagas

Nutricionista: 20 vagas

Odontólogo: 15 vagas

Psicólogo: 15 vagas

Terapeuta ocupacional: 15 vagas

Técnico em saúde bucal: 26 vagas

Área administrativa da Emserh

Advogado: 2 vagas

Analista administrativo: 44 vagas

Jornalista: 5 vagas

Assistente administrativo: 30 vagas

Estouro de válvula na nova adutora do Italuís é politizado e expõe o jogo pesado da corrida pelo poder

Repórter Tempo (Ribamar Correa)

Flávio Dino permaneceu mais de 15 horas no canteiro cobrando e ouvindo explicações sobre o acidente e os trabalhos de retirada da válvula defeituosa

A tensão política que domina o Maranhão com a aproximação da campanha para as eleições do ano que vem é tão forte que contamina até mesmo problemas de natureza estritamente técnica, como o estouro de uma válvula que impediu a entrada em funcionamento da nova adutora do Sistema Italuís, que vai ampliar o abastecimento de água em São Luís, hoje na iminência de entrar em colapso por escassez do chamado líquido precioso. A oposição aproveitou para explicar o defeito em uma das válvulas de pressão da adutora, localizada no trecho que corta o Campo de Perizes, que causou estouro da tubulação e a consequente interrupção da obra, como “incompetência” do governador Flávio Dino (PCdoB), que, por sua vez, chegou a chamar a Polícia Civil para investigar a suspeita de que o acidente poderia ter sido um ato de sabotagem. O fato é que o defeito técnico – que tirou de tempo o Governo e a população de São Luís e deu gás à Oposição e é responsabilidade exclusiva do fabricante da válvula – deflagrou uma batalha com ácidos petardos políticos entre e Governo e seus contrários.

As primeiras avaliações sobre o acontecido – que pode ser tranquilamente definido como um incômodo acidente -, logo mostraram que o Governo do Estado e o governador não têm qualquer responsabilidade direta no estouro da tal válvula, como também não foi encontrado qualquer indício de que o problema tenha sido resultado de um ato criminoso, ação de um sabotador antigovernista. Logo em seguida, técnicos experimentados chegaram à conclusão de que o que causou o estouro foi um defeito de fabricação na válvula da adutora, que funciona um mecanismo controlador da pressão da água, que é muito forte na dentro da tubulação da adutora. E ficou evidenciado que esse é um problema que diz respeito somente à empresa que forneceu o equipamento e à que responde pela sua instalação.

Não há que discutir o fato de que o Governo é o dono da obra, via Caema. Mas é também verdadeiro o fato de que ele não tem qualquer naco de responsabilidade direta no processo de implantação da nova tubulação. Como contratante, cabe ao Governo fiscalizar o trabalho das empresas contratadas via licitação, cobrar-lhes eficiência e o cumprimento do cronograma acertado – o que vinha acontecendo normalmente, diga-se. O acidente foi um imprevisto avassalador, pois não havia como Governo e empresas contratadas preverem-lo. Assim, tentar crucificar o governador por causa de um problema dessa natureza é, no mínimo, injusto e descabido. Afinal, o chefe do Poder Executivo maranhense é um ex-juiz federal e professor de Direito que abdicou da segurança da magistratura para brigar por mandatos e tem se revelado um gestor de ponta, eficiente, com os pés firmados no chão e, mais do que isso, sem qualquer manche ética ou moral no seu currículo. Isso não o isenta de críticas ou cobranças eventuais. Mas aponta-lo como responsável pelo estouro da válvula da nova adutora não faz sentido.

Por conta do adiamento do funcionamento integral da nova estrutura do Sistema Italuís, houve quem criticasse o secretário de Articulação Política e Comunicação pela eufórica campanha publicitária que vinha badalando a antecipação da conclusão da obra. Pode ter havido algum excesso de empolgação no anúncio da sua antecipação, mas ele foi feito com base em informações técnicas que garantiam o encurtamento do cronograma, o que isenta a área de Comunicação da acusação de irresponsabilidade e incompetência. Afinal, a obra vinha andando em ritmo acelerado, mas dentro de uma normalidade que não indicava qualquer indício de que um problema dessa dimensão poderia acontecer. O clima já era de comemoração, no Governo e nas empresas, já que a probabilidade de um defeito na tal válvula era absolutamente imprevisível.

Ao mesmo tempo, a Oposição não deve ser satanizada pela tentativa de tirar uma lasca da credibilidade do Governo do qual é uma adversária que não faz qualquer concessão. Qualquer manifestação de insatisfação, de crítica e de cobrança em relação ao que aconteceu com a nova adutora do Italuís será lícita, pois se enquadra exatamente no direito à liberdade de  expressão e pensamento assegurada pelo estado democrático de direito. Salvo, é claro, quando a metralha verbal descamba para a  irracionalidade, o que não foi o caso, mesmo com as distorções em relação ao governador do Estado.

Finalmente, não fosse o viés político que contamina fortemente as já muito conturbadas relações Oposição X Situação, o estouro da nova adutora repercutiria e provocaria cobranças, mas não na escala que marcou o acidente em Perizes. É a guerra pelo poder que começa a ganhar densidade e intensidade.

Mídias sociais favoreceram a imbecilidade

Da FolhaOnline

O filósofo Mario Sergio Cortella comenta, em entrevista à DW Brasil, a cultura do ódio que se disseminou pelo país. Para o escritor, na internet todos têm uma opinião, mas poucos têm fundamentos para ancorá-la.

O filósofo Mário Sérgio Cortella

A instantaneidade e conectividade das mídias sociais fomentam um ambiente hostil em que todos têm “alguma opinião sobre algo, mas poucos têm fundamentos refletidos e ponderados para iluminar as opiniões”, diz o filósofo e professor universitário Mario Sergio Cortella, em entrevista à DW Brasil.

Cortella é uma figura influente na sociedade brasileira como palestrante, debatedor e comentarista de rádio. Com mais de um milhão de livros vendidos entre seus 33 títulos lançados, Cortella traduz à linguagem coloquial e adapta à realidade atual do Brasil complexos temas filosóficos, existenciais e políticos como “se você não existisse, que falta faria?” ou “o caos político brasileiro”. Nesta entrevista, ele analisa como a cultura do ódio é alimentada por “analfabetos políticos”.

DW Brasil – Etimologicamente, a palavra “cultura” (culturae, em latim) originou-se a partir de outro termo, colere, que indica o ato de “cultivar”. Podemos considerar que a “cultura do ódio”, que se vê eclodir na sociedade brasileira, é algo que já estava presente nas relações sociais, vem sendo cultivado e agora encontrou o tempo ideal para a “colheita”?

Mario Sergio Cortella – O ódio é uma possibilidade latente, mas não é obrigatório. Contudo, não havia tanta profusão de ferramentas e plataformas para que fosse manifestado e ampliado como nos tempos atuais no Brasil. A instantaneidade e a conectividade digital permitiram que um ambiente reciprocamente hostil – como o da fratura de posturas nas eleições gerais do final de 2014 – encontrasse um meio de expressão mais veloz e disponível, sem restrição quase de uso e permitindo que tudo o que estava aprisionado no campo do indivíduo revoltado pudesse emergir como expressão de discordância virulenta e de vingança repressiva.

Qual o papel das redes sociais nesse fenômeno? Você concorda com Umberto Eco, para quem as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis?

As mídias sociais favoreceram, sim, o despontar de um palanque também para a imbecilidade e a idiotia. Antes delas, era preciso, para se manifestar, algum poder mais presente ou a disponibilidade de uma tribuna mais socialmente evidente. Agora, como efeito colateral da democratização da comunicação, temos o adensamento da comunicação superficial, na qual todos têm (e podem empresar) alguma opinião sobre algo, mas poucos têm fundamentos refletidos e ponderados para iluminar as opiniões. Como dizia Hegel: “quem exagera o argumento, prejudica a causa”.

Por que pensar e se expressar de forma distinta daquilo “com o que eu concordo” passou a ser o estopim para reações de ódio exacerbado no Brasil?

Uma sociedade antes fragmentada concentrou-se em ser mais dividida. Isto é, dois lados em confronto, agora dispondo de arsenais mais contundentes de propagação e, por outro lado, vitimadas por poderes comunicacionais dos quais desconhece a face e o interesse. O salvacionismo moral sugerido por alguns em meio a uma crise de valores republicanos e à degradação econômica encontrou fácil disseminação. Como se diz em português: “para quem está com o martelo na mão, tudo é prego…”

Como explicar casos de “cidadãos de bem” sendo atores de ações de censura, de extrema intolerância e violência, verbal e física, contra outros cidadãos, igualmente “de bem”?

O “cidadão de bem”, entendido como aquele que não faz o que faz por maldade, é a encarnação do que Bertolt Brecht chamava de “analfabeto político”. Isto é, alguém que, portador de boas intenções, age em consonância desconhecida com as más intenções de quem almeja uma situação disruptiva e oportunista.

Quem se beneficia dessa explosão de ódio?

Todos os “liberticidas” e todos os “democracidas” são herdeiros dessa seara incendiadora que exclui o conflito (divergência de ideias ou posturas) e alimenta o confronto (busca de anulação do divergente).

Aonde essa cultura do ódio e intolerância no país pode nos conduzir? Tempos sombrios estão por vir?

Tempos sombrios podem vir, sempre. Contudo, podem ser evitados se houver uma aliança autêntica em meio às diferenças entre aqueles e aquelas que recusam a brutalidade simbólica e física como instrumento de convivência. Não há um caminho único para o futuro. Não há a impossibilidade de esse caminho parecer único. Não há inevitabilidade de que um caminho único venha.

Até nos tempos mais sombrios temos o direito de ver alguma luz”, disse a filósofa alemã Hanna Arendt. Qual seria a luz para começar a responder a essa cultura do ódio?

A luz mais forte é a da resistência organizada e persistente de quem deseja escapar das trevas e não quer fazê-lo sozinha, nem excluir pessoas e muito menos admitir que impere o malévolo princípio de “cada um por si e Deus por todos”. Seria praticando cotidianamente o “um por todos e todos por um”. Afinal, como dizia Mahatma Ghandi, “olho por olho, uma hora acabamos todos cegos”.

João do Vale, o poeta do povo

Nonato Reis*

Ainda menino, a pobreza grassando por todos os lados, ele negro e sem voz, sentiu o peso de carregar nas veias o sangue ancestral africano. Matriculara-se na escola em que o filho do rico também achou de estar. Não havia mais vagas, alguém tinha que ceder o lugar. Sobrou para quem?

Completou 14 anos e viu que na sua Pedreiras, ou mesmo em São Luís, onde já estivera seguindo o eco de matracas e pandeirões, não havia futuro, só muros.

João Batista do Vale queria ser cantor e mostrar sua arte. A bordo de boleias de caminhão pegou estrada e saiu perambulando. Aportou em Fortaleza e escreveu carta ao pai, explicando por que deixara a terra natal, praticamente fugido. “Eu não tenho nada, mas sei fazer versos. Vou me tornar conhecido, ganhar dinheiro e ajudar a família”.

Chegou ao Rio dois anos depois, e além de escrever versos, só sabia carregar pedras e fazer massa de cimento. Foi trabalhar como ajudante de pedreiro nas construções de Copacabana. Era a época de ouro do rádio e dos programas de auditório. João sabia que ali estava o seu território. Queria ter suas músicas gravadas por Zé Gonzaga, umas das estrelas da época, mas foi com Marlene que ingressou no universo da música com “Estrela Miúda”.

“Estrela miúda que alumeia o mar

Alumiar terra e mar

Pra meu bem vem me buscar

Há mais de mês que ela não

Que ela não vem me olhar

A garça perdeu a pena

Ao passar no igarapé

Eu também perdi meu lenço

Atrás de quem não me quer…”

João era um matuto sem instrução, mas tinha a musicalidade e sabia traduzir a alma do sertão, forjada na aridez do solo e na força do sentimento. Logo perceberam a beleza poética de seus versos que falavam tão bem ao coração e à consciência.

Conheceu Nara Leão e Zé Keti, nomes já consagrados da MPB. Nara era inconformada com a situação do País, então sob a égide do regime fardado. Keti, excelente letrista. João lia a realidade das ruas e do mato e as transformava em poesia. Foi como juntar a fome, o prato e o garfo.

Da parceria entre os três surgiu o show Opinião, que sacudiu a sonolenta Bossa Nova e deu um novo rosto à MPB. Na esteira do “Opinião”, João comporia músicas que iam do baião ao xote e até ao rock (as batidas de “Coronel Antônio Bento”, imortalizada na voz de Tim Maia, sugerem uma mistura de baião e de rock caipira). Até samba ele compôs. E qual seria o samba de João do Vale?

“Meu samba é a voz do povo

Se alguém gostou

Eu posso cantar de novo”

Essa música, na voz de Paulinho da Viola, fez um sucesso estrondoso, não apenas pela força melodiosa, mas por misturar com extrema leveza dois signos nem sempre harmônicos: poesia e protesto.

Protesto, que aparece nitidamente nesta sequência de versos:

“Eu fui pedir aumento ao patrão

Fui piorar minha situação

O meu nome foi pra lista

Na mesma hora

Dos que iam ser mandados embora”

E implícito neste jogo de metáforas:

“Eu sou a flor que o vento jogou no chão

Mas ficou um galho

Pra outra flor brotar

A minha flor o vento pode levar

Mas o meu perfume fica boiando no ar”.

Nara Leão era o grande nome do show Opinião, mas foram as músicas de João que entraram para a história. “Pisa na Fulô”, “Peba na Pimenta”, “Canto da Ema” “De Teresina a São Luís”. Nenhuma, porém, igual a “Carcará”, que junto junto com “Triste partida”, de Luiz Gonzaga/Patativa do Assaré, é considerada o hino do sertão.

Carcará, responsável por lançar Maria Bethania ao estrelato, é uma música nitidamente sertaneja, que fala da crueza da seca e da resistência do homem, simbolizada na força da ave que dá nome à canção.

“Carcará, lá no sertão

É um bicho que avoa que nem avião

É um pássaro malvado

Tem o bico volteado que nem gavião”.

Certa vez perguntaram a João quantas músicas ele havia feito. “Mais de 400”, respondeu. Mesmo assim gravou pouco como cantor. Seu negócio era compor e entregar aos outros.

Conviveu com a nata da intelectualidade musical e dela granjeou respeito e admiração. Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano, Gil, Bethânia… Chico, aliás, seu parceiro de muitas incursões, gravaria em 82 “João do Vale convida”, com participação de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Elba Ramalho. O disco seria premiado como a melhor produção daquele ano.

João do Vale, considerado o maranhense do século, foi sem dúvida o artista local de maior prestígio no universo da música popular brasileira. Um talento que, mesmo sem o suporte das letras, delas fez a sua grande obra-prima e por elas se imortalizou. Como disse o jornalista Zuza Homem de Mello, “João do Vale não é antigo nem moderno, ele é eterno”.

Escrevi este texto, após assistir ao espetáculo “João do Vale, o músical”, no Teatro Arthur Azevedo. E me emocionei ao ver o nosso João tão bem projetado em texto, músicas e cenas. Sem dúvida uma obra-prima, que fará muito sucesso em todo o País, pela qualidade e concepção do trabalho.

*Nonato Reis – Jornalista

Texto a ser incluído no livro “A história recontada”, com lançamento previsto para 2018.

Teatro Arthur Azevedo reabre nesta sexta-feira (08) com programação especial

O Teatro Arthur Azevedo reabre nesta sexta-feira, 08, com extensa programação em comemoração aos 200 anos da casa e apresentação do espetáculo ‘João do Vale  – O Musical’, uma grande homenagem ao músico, cantor e compositor maranhense João do Vale. A solenidade de reabertura inicia às 20h.

A programação começa com visita a ‘Exposição Alusiva aos 200 anos do Teatro Arthur Azevedo’ que reúne peças, objetos, gravuras e plantas da casa de espetáculo. O trabalho de pesquisa durou cerca de um ano e meio com visitas a personalidades, buscas no acervo do teatro, viagem ao Rio de Janeiro para pesquisa junto a Biblioteca Nacional e outros espaços de cultura nacional. A curadoria da exposição é de Carolina Ramos com ajuda dos pesquisadores Anderson Oliveira, Ângela Pereira e Magnólia Everton Costa.

Durante visita à Exposição os convidados prestigiarão cópias da coleção de gravuras de Arthur Azevedo. Outro destaque é a homenagem a Apolônia Pinto, atriz nascida dentro do TAA em 1854 no Camarim nº 1. No local, serão encontradas figuras e objetos que remetem a vida da atriz além de exemplar do livro ‘Apolônia Pinto e seu tempo’, de José Jansen.

A Exposição ocupará diversos espaços do Teatro Arthur Azevedo proporcionando um tour pela casa reformada. Ainda durante a Exposição será lançado o livro ‘Teatro Arthur Azevedo: 200 Anos’, escrito por personalidades maranhenses e nacionais, ex-diretores e funcionários, artistas, políticos e historiadores, além de engenheiros, professores de teatro, cantores dentre outros profissionais.

O foyer também será espaço para o lançamento da coleção Teatro da joalheria Rosa Rio inspirado nos 200 anos do Teatro Arthur Azevedo.

Após a Exposição acontecerá a grande estreia do espetáculo ‘João do Vale – O Musical’, uma produção do Teatro Arthur Azevedo com realização do Governo do Estado do Maranhão e patrocínio da Cemar por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

A produção durou cerca de um ano e meio e conta com cerca de 40 profissionais envolvidos desde a técnica até os atores.

O ator que interpretará João do Vale é o maranhense Vicente Melo, morador do bairro do Lira, que desde a adolescência dedica-se a composição de músicas da cultura popular. O compositor já participou de diversos concursos como o Festival de Música Popular de Pinheiro e o Festival de Música Carnavalesca do Sistema Mirante.

Além de Vicente Melo, também estão no elenco Tiago Andrade (Zé Keti), Gisele Vasconcellos (Nara Leão), James Pierre (Zé Gonzaga), Juliana Cutrim (Dorinha), Marconi Rezende (Chico Buarque), Millena Mendonça (Domingas) e Victor Silper (Luiz Vieira).

O espetáculo continua em cartaz nos dias 09, 10,15, 16 e 17 de dezembro. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do Teatro Arthur Azevedo das 14h às 18h45. Para mais informações acesse cultura.ma.gov.br/taa ou ligue 32189901.

 

Polícia investiga hipótese de Nenzin ter sido assassinado pelo próprio filho

Por: O Informante

 

Nenzin foi assassinado na manhã desta quarta-feira quando estava com o filho Mariano Júnior

Há fortes rumores em Barra do Corda de que o ex-prefeito Manoel Mariano de Sousa, o Nenzin, tenha sido assassinado pelo próprio filho Mariano Júnior, o ‘Nenzin Júnior’, ex-candidato a prefeito do município e seu herdeiro político.

Ainda há pouco, horas depois de retornar de Barra do Corda, onde esteve pessoalmente acompanhando as investigações, o Secretário da Segurança, Jefferson Portela confirmou a O INFORMANTE que a polícia já investiga essa hipótese. O secretário não quis dar mais informações, adiantando apenas que “está tudo muito estranho” para ser um crime de pistolagem.

É pública e notória a ‘disputa intestina’ travada em Barra do Corda entre familiares do ex-prefeito, que possui muitos bens. Hoje Mariano Júnior é herdeiro político do pai, e hoje o filho mais próximo de Nenzin.

O INFORMANTE apurou, também, que momentos depois de Nenzin ser baleado o filho dele, empresário Pedro Telles, esteve na UPA, para onde o ex-prefeito foi levado, com sintomas de embriaguez e desequilíbrio, acusando o irmão Mariano Júnior de ter cometido o crime.

A presença de Pedro Telles em Barra do Corda chega a causar estranheza, já que ele está com prisão decretada pelo assassinato de um conterrâneo conhecido como Miguelzinho, no início dos anos 2000. Pedro Telles foi julgado, condenado e perdeu todos os recursos impetrados para anular o júri. Com o processo transitado em julgado, o empresário teve a prisão decretada recentemente, mas a Polícia não conseguiu prendê-lo. A informação da decretação da prisão vazou e Pedro Telles se evadiu. Estranhamente, estava na manhã desta quarta-feira na UPA, para onde o pai foi levado, ainda com vida.

Pacto para depois da morte

ilustrativa

Nonato Reis*

Nos outros lugares eu não sei dizer, mas em Viana, terra onde nasci e morei até os 15 anos, cultua-se um estranho hábito de fazer promessas de retorno do além-túmulo. Quando vivas, as pessoas selam pacto de, quem morrer primeiro, voltar para dar testemunho de que, de alguma forma, sobreviveram à morte e em algum lugar, ou plano do universo, continuam existindo.

Creio que esse ritual acabou passando de geração a geração, pela farta literatura oral que se criou sobre casos de aparição.

Só que esse negócio de lidar com espírito nem sempre acaba bem. Cresci ouvindo minha mãe dizer que com defunto não se brinca, ela própria já um gato (ou gata) escaldado (a). Quando menina, lá pelos 13 anos, fora ao enterro de uma amiga que tivera morte súbita. Na hora de preparar a mortalha, o caixão ficou menor do que o corpo e tiveram que retirar o suporte de uma das extremidades, para acomodar a defunta dentro da urna.

Dona Eulina, ao ver aquilo, apontou para as colegas a estranha cena da defunta com os pés para fora do caixão, no que foi alertada por uma delas, para não brincar com mortos, porque eles costumavam retornar à noite para acertar as contas com os vivos. Dito e feito.

Na hora de dormir, a lamparina já apagada, Dona Eulina penteava os cabelos com os dedos, o pensamento distante, quando teve a atenção despertada para um leve ruído, na porta de palha de babaçu, que guarnecia os fundos da casa, próximo ao cemitério.

Na mesma hora lembrou-se da defunta e o corpo dela virou estátua. A coisa veio se aproximando, lentamente, no que acompanhava pelo atrito das tamancas com o solo – o mesmo calçado com que fora enterrada. Chegou-se rente ao ouvido dela e começou o falatório, enrolado e estridente, cujo ar gélido parecia penetrar as entranhas do cérebro. Minha mãe apenas conseguiu entender as palavras finais da falecida, ao avisar: “eu já vou embora, e não te esquece que meus pés estão do lado de fora”.

Outra situação complicada viveu Pau Ferro (um sujeito que não acreditava em Deus e muito menos nesse negócio de morto voltar ao mundo dos vivos). Foi com Alvinho, seu parceiro de ofício na arte de costurar roupa. De tanto tentar convencer o amigo de que defunto volta sim, Alvinho decidiu selar um pacto de morte com Pau Ferro. Quem morresse primeiro teria que vir dar sinal de “vida” para o outro.

Anos depois, Alvinho se mudara para o Pará e Pau Ferro nem mais se lembrava dele. Foi quando um belo dia, lá pelas duas da tarde, Pau Ferro já debaixo de seus 90 anos, lutando com a velha máquina Singer, alguém bateu na janela, às suas costas, e bradou: “volta ou não volta, Pau Ferro?”, ao que ele respondeu com o pensamento, sem pestanejar: “vorta!”.

Pode acontecer também do pacto não se cumprir. Foi o que aconteceu com o acerto selado entre meu primo Rui e a nossa tia-avó Eponina, que chamávamos de Punina. No dia em que ela morreu e nas noites seguintes Rui dormiu sozinho em um casebre na tapera mal-assombrada de Maria Fernandes, à espera de que a falecida viesse cumprir a promessa. Em vão. Nem sinal dela.

Eu é que a vi em nossa casa, dias depois, imersa numa nuvem gasosa, projetando-se sobre um velho candeeiro, que iluminava o local onde morrera, e o apagando.

Aos 16 anos eu morava em São Luís e estudava no colégio Gonçalves Dias. Havia uma menina de nome Julieny, baixinha, morena, corpo perfeito, olhos arredondados e céticos, que era um assombro como aluna. Tirava 10 em todas as disciplinas, exceto Português e Redação, matérias que eu dominava com facilidade.

Julieny, que não admitia uma nota menor do que a máxima, foi até mim e propôs: me ensinava Física e Matemática – meu calcanhar de Aquiles – e eu a orientava sobre como aprender análise sintática e escrever com clareza.

Acabamos amigos. Mas Julieny tinha um problema sério: igual Pau Ferro, era ateia convicta, só acreditava nas coisas tangíveis deste mundo. Isso fazia com que, vira e mexe, nos víssemos enredados em ácidas discussões sobre o plano espiritual.

No final das contas, sem uma saída consensual, caímos na velha armadilha do pacto pós-morte. Algum tempo depois, já fora do GD, eu me arrependi da graça e quis desfazer o acordo. Só que já era tarde, porque perdera o contato com ela, por completo.

Aquilo começou a me perturbar o juízo, e assumiu ares de dramaticidade, quando em sonho fora comunicado da morte de Julieny, pela própria, que cumpria assim o combinado.

Um dia caminhava pela praia do Olho d’Água apinhada de gente, quando de repente dei com aquela garota moreninha, só de biquíni, sorrindo pra mim, com as mãos nos quadris. Lívido de medo, tratei de correr, no que ela correu também em minha direção.

Na fuga, esbarrei num casal de namorados e me estatelei no chão, ofegante. Ela então acercou-se de mim e, entre risos e ar de surpresa, falou-me. “Nonato, o que deu em ti? Parece que viu defunto!”.

*Jornalista