Os (novos e exigentes) desafios dos pais modernos

Nos últimos 20 anos, muita coisa mudou na parentalidade. Um psicólogo clínico e um pediatra explicam o lugar que os progenitores de hoje ocupam nas novas famílias e falam das novas realidades que se vivem hoje nos agregados familiares atuais.

Foto: istockphoto

Afinal o que é ser pai nos dias de hoje? A resposta não é simples mas uma coisa é certa. É completamente diferente do que era há uns anos! “Ao fim da tarde, estamos sempre juntos. Se estiver bom tempo, vou passear com ele até ao parque, jogamos futebol, andamos de bicicleta… Depois quando chegamos a casa, dou-lhe o banho e preparo o jantar”. É assim que João Brito, pai de João Bernardo de 6 anos, descreve o dia a dia que tem com o filho.

Há uns anos, este era o discurso característico de uma mãe e não o de um pai. Mas, com o passar dos anos, o pai foi ocupando um outro lugar na família e hoje está diferente. Atualmente, no conceito mais moderno de família, pai e mãe partilham as mesmas tarefas e a distinção de papéis comum há duas décadas atrás já não existe. A própria evolução natural da sociedade exigiu esta mudança e fez com que o papel do pai ganhasse uma nova configuração.

Na sua rede favorita

Hoje, “o pai é mais caloroso, mais apoiante, tem uma proximidade emocional com a criança, quer transmitir-lhe apreço e acompanhar o seu desenvolvimento de uma forma mais ativa”. Estas são as palavras de Vítor Rodrigues, psicólogo clínico, quando questionado sobre o atual papel do pai nas famílias modernas. Um papel que, nos últimos anos, com as muitas mudanças sociais que ocorreram, se tem vindo a alterar.

Uma presença que passou a ser mais constante

Um estudo apresentado no I Congresso de Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), em Lisboa, veio comprovar que, atualmente, o pai assume mais responsabilidades nas atividades do dia a dia das crianças do que há uns anos. Os investigadores do mesmo estudo afirmam que “se constata uma presença maior do pai em dimensões relativas aos cuidados, ao apoio emocional e à estimulação das crianças, tarefas nas quais o pai tradicionalmente não se envolvia”.

“Alterações sociais como a profissionalização maciça do trabalho feminino, a divisão das tarefas domésticas e do cuidar dos filhos ou as novas tipologias de famílias, resultantes das separações e dos divórcios, contribuíram para esta mudança, tal como as próprias expetativas da sociedade e a crescente preocupação com o bem-estar e desenvolvimento das crianças”, revela ainda o mesmo estudo.

Levada a cabo por um grupo de investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto, a investigação abre novas perspetivas de análise. Na visão mais tradicional de família, era o pai quem assegurava o sustento económico e quem disciplinava os filhos. Nos dias que correm, a realidade é outra. “Hoje, estas funções continuam ainda a ser da responsabilidade do pai”, afirma Vítor Rodrigues.

“No entanto, já são executadas, muitas vezes, em pé de igualdade com a mãe”, refere ainda o psicólogo clínico. Uma opinião partilhada pelo pediatra Paulo Oom, que afirma, convictamente, que “o pai e a mãe ocupam o mesmo lugar na família, com as mesmas responsabilidades e com a mesma importância na vida da criança”. Essa é, pelo menos, a tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos amos.

Fonte: LIFESTYLE

Governo entrega SSAAs em Coelho Neto

Nesta sexta-feira (07) foi dia de festa para Coelho Neto. Mais de 50 famílias rurais dos povoados Gaspar e Criminosa foram beneficiadas com a entrega de Sistemas Simplificados de Abastecimento de Água – SSAA. Agora, as comunidades têm água de qualidade para consumo e produção de alimentos.

A ação é do Governo do Estado, por meio do Sistema da agricultura familiar.

O SSAA é composto por poço tubular, reservatório com capacidade de armazenamento de 15 mil litros e ligações domiciliares.

Presentes durante a solenidade de entrega, o secretário da SAF, Júlio César Mendonça, acompanhado do gestor da AGERP de Caxias, Adriell Alves e o coordenador de feiras, Gilvan dos Santos. Assim como o prefeito de Coelho Neto, Américo de Sousa, comitiva de vereadores, secretários municipais, lideranças políticas e população local.

Brasil registra mais de 100 mil mortes por covid-19

Número de recuperados da doença passa de 2 milhões

O Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (LACEN) está realizando exames para identificação do novo coronavírus (COVID-19)

O Brasil atingiu neste sábado (8) o número de 100 mil 477 mortes por covid-19, desde o início da pandemia do novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 905 óbitos.

Dos 3.012.412 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, 2.094.293 (69,5%), mais da metade, são de recuperados. Desde ontem (7), foram anotados 49.970 novos casos informados pelas secretarias de saúde. O balanço aponta ainda que o número de pessoas em acompanhamento é de 817.642 (21,1%).

Estados

Os estados com mais mortes pelo novo coronavírus são: São Paulo (25.016), Rio de Janeiro (14.070), Ceará (7.951), Pernambuco (6.920) e Pará (5.871). Tocantins (444), Mato Grosso do Sul (492), Roraima (547), Acre (559) e Amapá (601) são as unidades da Federação com menos óbitos.

Os números atualizados do Paraná ainda não foram encaminhados para o ministério. A Secretaria Estadual de Saúde informou “estar ajustando os dados nos sistemas oficiais, corrigindo, por exemplo, eventuais duplicidades”.

Luto oficial

Pelas redes sociais, vários políticos e autoridades se manifestaram pela marca dos 100 mil óbitos no país. O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), classificou este sábado como um dos dias mais tristes da história do país. “O Brasil registra 100 mil vidas perdidas para a covid-19. O Congresso Nacional decreta luto oficial de quatro dias em solidariedade a todos os brasileiros afetados pela pandemia e às vítimas desta tragédia”, disse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também se manifestou. “Estamos convivendo diariamente com a pandemia, mas não podemos ficar anestesiados e tratar com naturalidade esses números. Cada vida é única e importa. Em nome da Câmara dos Deputados, presto mais uma vez solidariedade aos familiares e amigos das vítimas desta grande tragédia”, disse Maia pelo Twitter.

Quem também lamentou foi o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Ele decretou luto oficial no Judiciário por três dias. “Jamais vivemos uma tragédia dessa dimensão em nosso país. São 100 mil pessoas que tinham um nome, uma profissão, projetos e sonhos. 100 mil vidas que certamente deixaram sua marca no mundo e na vida de outras pessoas. São filhas e filhos que não mais estarão com seus pais no dia especial de amanhã. São pais que não terão o que festejar neste domingo”, disse o ministro, em nota divulgada neste sábado.

No documento, em nome do Poder Judiciário e do STF, Tóffoli manifestou ainda sentimentos de profunda tristeza e solidariedade aos familiares e amigos de cada uma das vítimas. “Nesses tempos de tantos temores e perdas, humanas e materiais, somos instados a exercer a solidariedade e o espírito fraternal; a olharmos uns aos outros como irmãos, como companheiros de jornada”, acrescentou o presidente do STF.

Secom

A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República se manifestou sobre o número de mortes pela covid-19, por meio do Twitter. Na mensagem postada, a SecomVc diz que “Todas as vidas importam: as que vão e as que ficam. Lamentamos as mortes por Covid, assim como por outras doenças. Nossas orações e nossos esforços têm a força de um Governo que dá tudo para salvar vidas, com uma reação que serve de exemplo ao mundo todo. O Brasil vai em frente”.

Manifestação

Pela manhã, uma manifestação nas areias da Praia de Copacabana, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, lembrou as mortes por covid-19 no Brasil. O ato foi realizado pela organização Rio de Paz, que afixou 100 cruzes pretas de madeira no local e mil balões vermelhos.

O fundador da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, explicou, nas redes sociais da entidade, os motivos da manifestação. “Poder público e sociedade precisam responder a uma questão para a qual nos remetem as 100 mil mortes por coronavírus: por que somos o segundo país em número de mortos? Da resposta racional, isenta e honesta a essa pergunta dependem as mudanças pelas quais o Brasil precisa passar a fim de vivermos num país no qual a santidade da vida humana seja respeitada”, disse.

O taxista Márcio Antônio do Nascimento Silva, que teve um filho morto por covid-19, também participou da manifestação. No último ato do Rio de Paz sobre a pandemia, no dia 11 de junho, quando um homem derrubou algumas cruzes da areia, Márcio Antônio, que passava pelo local, resolveu recolocá-las no lugar.

(Agencia Brasil)

Cézar Bombeiro cria ONG e incentiva atividades culturais na Liberdade

O líder do PSD na Câmara de São Luís, vereador Cézar Bombeiro, lançou um projeto cultural no bairro da Liberdade aproveitando as comemorações dos 102 anos da comunidade.

A ONG Saci Pererê oferece aos moradores do bairro oficinas de música, dança, tambor de crioula e capoeira. Para o parlamentar, esse é um projeto importante que visa ampliar as atividades culturais na comunidade e fazer com que os jovens possam ter um poder de inserção maior na comunidade.

Via Blog do Genivaldo Abreu

Viana e preconceito: a dor que aniquila a alma

Arquivo Google

Por Nonato Reis*

Viana já foi uma cidade marcadamente preconceituosa. Discriminava pela cor da pele, pelo poder aquisitivo, pelo comportamento sexual e até pela origem. Aqueles que residiam na zona rural padeciam desde o nascimento; eram tratados como subclasse, e muitos não tinham sequer o direito de serem identificados pelo nome. Eu e outros da minha época, egressos de uma comunidade ribeirinha, éramos chamados simplesmente de “Bacazinho”, embora o nome do nosso povoado seja grafado com o acréscimo de um “i” no início dessa palavra.

Mas era no plano social que a segregação se dava de forma ainda mais cristalina. Havia clubes de festa para negros, mulatos (cruzamento de negro com branco), prostituta, e, claro, para brancos.

Os brancos, aliás, se julgavam imaculados e se davam o direito de frequentar todos os espaços, o que jamais acontecia de modo inverso. O Grêmio era o reduto da elite, mas quem era branco, ainda que pobre, desde que com uma amizade ascendente, podia ter acesso ao salão de festa do clube.

Na minha época de menino corria uma história engraçada, envolvendo uma família tradicional da cidade, da qual pertenciam o Padre Eider Silva e a Dona Edith, lendária professora do município, que fez história por seu carisma e pela maneira peculiar de ensinar geografia, desenhando os acidentes geográficos em plena lousa, à semelhança de um mapa cartográfico.

Conta-se que num dia de carnaval, o salão do Grêmio apinhado de gente, um dos irmãos Silva, conhecido por Zé Gato, famoso pelo senso de humor, acercou-se do presidente do clube, Caturro de Auro, e no seu ouvido segredou em tom grave. “Caturro, aqui está cheio de ‘gato’. Como é que você permite uma coisa dessa?” (na época a palavra gato tinha uma conotação pejorativa, era usada também para designar prostituta).

Assustado, o presidente quis saber onde estavam os tais gatos, para que fossem convidados a se retirarem. E Zé, na maior cara de pau, respondeu: “estão todos ao seu redor: eu, João, Rosa, Edith … (e foi dando o nome de todos os membros da família, que eram chamados pelo sobrenome de Gato). O riso foi geral.

Piadas à parte, a coisa não tinha nada de divertido, e muita gente sofreu na pele a dor de ser discriminado em público. Eu me incluo nessa triste relação. Certa vez, em plena sala de aula, a diretora da escola, que nutria por mim indisfarçável antipatia, adentrou a turma sem pedir licença, cravou os olhos em mim e disparou, alto e bom som: “Aqui tem gente que parece que não toma banho. A farda, de tão encardida, só pode ser lavada em água de poção (designação de córrego)”.

Aquilo doeu fundo feito um punhal encravado na alma, não apenas pelo efeito direto da ofensa, mas em face da injustiça contra minha mãe, que cuidava dos filhos com um zelo comovente. Mesmo morando no mato, nossa roupa era sempre bem levada e engomada. À noite, jamais sentávamos à mesa para jantar, antes de tomar banho e trocar as vestes, as unhas devidamente aparadas. Na hora de dormir, a reza de todas as noites: um pai-nosso, uma ave-maria, as oferendas e os pedidos ao reino dos céus.

De outra feita a diretora cismou com o meu cabelo que, entre os 13 e 14 anos, era o que eu exibia de mais atraente. Loiros, encaracolados, caídos aos ombros. Comparavam-me ao São João ocidental, pintado em telas a óleo. Ela achou aquilo um disparate para os padrões da escola, cujo traço mais visível era a disciplina. “Com esse cabelo você não entra mais em sala de aula. Pode cortá-los e bem rente!”, ordenou.

Com dor no coração, cortei-os. Ela achou pouco. “Tem que cortar mais!”. Cortei de novo. Não a satisfez. No terceiro corte, meu avô se encrespou e foi ter com ela. “Isso o que a senhora faz com o meu neto não é certo. O que há por trás dessa malvadeza?”. Resolveu. Mas a essa altura, nada mais me confortaria. A minha vaidade já havia sido ferida de morte.

Os duros golpes de preconceito eu tentava compensar com desempenho escolar. Houve um tempo em que fui alçado ao posto de primeiro da turma, o que me dava visibilidade, mas me deixava mal com os colegas, que iam à forra inventando apelidos, a maioria depreciativos. Porque tenho a cabeça meio achatada, igual cearense, me chamavam de “cabeça doida”, numa mistura que juntava anatomia e inteligência.

Na sexta série ginasial, lá pelo mês de setembro, carregado de notas 10 em História, eu me recusei a fazer um trabalho em grupo, que somaria pontos na nota mensal. As reuniões do grupo aconteceriam à tarde, o que me obrigava a permanecer na cidade, sem casa e comida. Sabedora, a professora me premiou com um Zero, mesmo tendo fechado a prova mensal.

Pior foi o que aconteceu com um primo, o “Lourinho”, excelente aluno de Matemática. Um colega seu, que sentava atrás dele, desenhou um “24” (número atribuído ao veado) em suas costas.

Indignado, ele tirou a blusa no meio da aula e a exibiu à professora. Foi simplesmente expulso da escola, mesmo com um monte de gente intercedendo a seu favor. Teve que terminar o curso em outro colégio, enquanto o verdadeiro autor da confusão não sofreu nenhuma punição.

Só quem já foi vítima de preconceito conhece os efeitos danosos dessa praga na natureza humana. Até hoje trago comigo as marcas da segregação. Sempre que vou a Viana, coisa que faço cada vez com menos frequência, procuro me refugiar à beira do rio Maracu, onde nasci, e me encontro com as minhas origens.

Da cidade poucas coisas cultivo, exceto o amor por sua história e o fascínio pela arquitetura de seus prédios coloniais. Pouco a visito. É como uma tela bonita que contemplo, porém desconfiado, guardo distância.

*Jornalista | Escritor

Publicado originalmente no Jornal Pequeno, em 28/07/2013